No mês de conscientização sobre o aleitamento materno, obstetra da Casa de Saúde São José esclarece os principais mitos sobre o processo de amamentação
O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno até os dois anos de idade, sendo o único alimento permitido até os seis primeiros meses de vida. A amamentação é uma fase crucial para a saúde do bebê porque o leite protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias, reduz o risco de obesidade e contribui para o desenvolvimento cognitivo da criança. Por outro lado, a mãe também é beneficiada — o ato de amamentar reduz os riscos de hemorragia no pós-parto e a chance de desenvolver cânceres de mama, ovários e colo de útero no futuro. Entretanto, apesar dos pontos positivos, esse momento tão importante para a família é impactado por diversos mitos e desinformações compartilhados na sociedade.
A Assembleia Mundial da Saúde (AMS) estabeleceu uma meta global de
chegar a 2030 com 70% dos bebês em aleitamento materno exclusivo nos primeiros
seis meses de vida. De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição
Infantil (Enani), realizado em 2019, a taxa brasileira é de 45,6%. Apesar do
avanço expressivo em comparação a outras décadas, é preciso avançar muito mais
para alcançar o objetivo definido nos próximos anos.
Para o Dr. Paulo Marinho, coordenador de obstetrícia da Casa de
Saúde São José, os mitos sobre a amamentação mudam dependendo do país, das
culturas e folclores locais. Nesse processo, ao mesmo tempo que as redes
sociais ajudam a compartilhar informações relevantes, também contribuem para
espalhar desinformação sobre o tema. Alguns dos principais mitos são:
- O bebê não pode arrotar no peito porque estraga o leite.
O arroto serve para o bebê eliminar o ar engolido junto com o leite e não tem nenhum tipo de impacto no valor nutritivo do alimento.
- Quem toma antibiótico não pode amamentar
Existem vários tipos de antibiótico que não apresentam contraindicações para a amamentação. É preciso seguir a indicação correta do uso.
- A mulher precisa usar um sutiã específico para amamentação
Não é obrigatório. O melhor sutiã é aquele em que a mãe se sente confortável.
Outra crença bastante compartilhada é o chamado “leite fraco”: um
aleitamento incapaz de alimentar o bebê adequadamente. Segundo o médico, o
leite produzido se adequa às condições genéticas, nutricionais e físicas da
gestante. Se um desses fatores ou o conjunto for forte o suficiente para
alterar a capacidade nutritiva do alimento, o termo pode ter algum sentido, mas
o seu emprego é feito de forma genérica, irresponsável e sem respaldo
científico. “Na prática, chamar o leite produzido por uma mãe de fraco é um
gatilho capaz de levá-la a duvidar da sua competência para amamentar. São
múltiplas as dificuldades para amamentar e colocar o peso exclusivamente na
qualidade do leite é irracional”, explica.
Além das questões nutricionais, a forma como o nascimento ocorre também gera dúvidas recorrentes. De acordo com o Dr. Paulo, não é o tipo de parto que interfere, mas sim como o processo aconteceu. Nesse sentido, os partos derivados de situações não espontâneas acabam interferindo negativamente na produção e na descida do leite. Por outro lado, o parto normal ou a cesariana que acontece durante o trabalho de parto facilitam uma maior frequência na produção e saída do alimento em um curto espaço de tempo.
“Além disso, as mães que passam por um trabalho de parto
espontâneo prematuro costumam produzir leite mais cedo em comparação a quem
precisa fazer uma cesariana numa gestação prematura sem trabalho de parto. O
parto vaginal induzido também pode atrasar a saída do leite”, comenta o
obstetra.
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