Pesquisar no Blog

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Entender a doença já não basta e médicos voltam a estudar fisiologia

A complexidade dos pacientes impulsiona uma nova busca por conhecimento sobre metabolismo humano e fisiologia aplicada  

 

As doenças crônicas estão mudando não apenas o perfil dos pacientes, mas também a forma como médicos de diferentes especialidades buscam atualização profissional. Diante do crescimento da obesidade, do diabetes tipo 2, da síndrome metabólica, das doenças cardiovasculares e de outras condições inflamatórias, cresce o número de profissionais que voltam a aprofundar os estudos em fisiologia metabólica e hormonal para compreender os mecanismos que regulam o funcionamento do organismo. 

A tendência acompanha um desafio global. Segundo o relatório Health at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mais de um terço da população dos países membros convive com pelo menos uma doença crônica, enquanto 52% das pessoas com 45 anos ou mais atendidas na atenção primária apresentam duas ou mais doenças simultaneamente. 

Esse novo perfil epidemiológico tem alterado a rotina dos consultórios. Em vez de pacientes com uma única condição clínica, médicos convivem cada vez mais com pessoas que apresentam diferentes alterações metabólicas ao mesmo tempo, como obesidade, resistência à insulina, hipertensão, esteatose hepática e doenças cardiovasculares. A coexistência dessas enfermidades tem levado parte da comunidade médica a buscar uma compreensão mais integrada da fisiologia humana, indo além do tratamento isolado de cada diagnóstico. 


A fisiologia volta ao centro da formação médica

Dr. Alexandre Duarte, médico, professor, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do  Instituto Avantgarde, centro especializado em medicina metabólica e hormonal voltado à prevenção, investigação das causas de doenças crônicas e cuidado personalizado, afirma que esse movimento representa uma mudança importante na forma de pensar a prática clínica. Segundo ele, compreender profundamente o funcionamento do organismo tornou-se uma necessidade diante da complexidade crescente dos pacientes.

"Durante muito tempo, a atualização médica esteve concentrada na incorporação de novos medicamentos e protocolos. Hoje, muitos profissionais perceberam que entender como metabolismo, hormônios, inflamação e produção de energia celular se relacionam amplia o raciocínio clínico e ajuda a compreender por que diferentes doenças surgem e evoluem em um mesmo paciente", afirma o médico. 

Os números reforçam essa transformação. O Atlas do Diabetes 2025, da Federação Internacional de Diabetes (IDF), estima que 589 milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivem atualmente com diabetes em todo o mundo, número que pode alcançar 853 milhões até 2050. Ao mesmo tempo, estudos mostram que obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outras enfermidades crônicas compartilham mecanismos metabólicos semelhantes, tornando a compreensão da fisiologia um componente cada vez mais relevante para a prática médica.

Na avaliação do especialista, esse contexto explica por que disciplinas tradicionalmente estudadas nos primeiros anos da graduação voltaram a ganhar protagonismo na formação continuada. "A fisiologia deixou de ser apenas um conteúdo básico da faculdade. Ela voltou a ocupar uma posição estratégica porque permite entender como os sistemas do organismo se comunicam e como pequenas alterações metabólicas podem desencadear doenças que, muitas vezes, aparecem anos depois”, explica Alexandre.

Essa mudança também acompanha uma evolução na própria educação médica. Em vez de buscar apenas atualizações específicas para cada especialidade, cresce o interesse por formações que integrem conhecimentos de endocrinologia, cardiologia, imunologia, neurologia, gastroenterologia e nutrologia por meio da compreensão dos mecanismos fisiológicos comuns entre essas áreas. O objetivo é fortalecer o raciocínio clínico diante de pacientes cada vez mais complexos e ampliar a capacidade de prevenção e de personalização do cuidado.


A educação médica acompanha a mudança no perfil dos pacientes 

O aumento dessa procura tem impulsionado iniciativas voltadas ao aprofundamento da fisiologia metabólica. Entre elas está a Imersão em Fisiologia do Metabolismo Humano, que será realizada entre os dias 15 a 17 de outubro, em Alphaville (SP). Destinado exclusivamente a médicos, o encontro reunirá profissionais de diferentes especialidades para discutir metabolismo humano, fisiologia hormonal, doenças crônicas e aplicação clínica desse conhecimento. A proposta reflete uma demanda crescente por formações que reforcem os fundamentos científicos da medicina em um momento de aumento da prevalência das doenças metabólicas.

Além da atualização em fisiologia aplicada, o encontro abordará temas relacionados ao desenvolvimento da carreira médica, como gestão de consultórios e posicionamento profissional, áreas que passaram a fazer parte da formação continuada de médicos que atuam na prática privada e buscam conciliar excelência clínica com sustentabilidade da atividade profissional.

Para Alexandre Duarte, o crescimento desse tipo de formação indica uma mudança mais ampla na medicina contemporânea. "Os desafios atuais exigem que o médico compreenda não apenas o nome da doença, mas os mecanismos que levaram aquele organismo a adoecer. Quanto maior o entendimento da fisiologia humana, maior também a capacidade de atuar de forma preventiva, individualizada e baseada nas causas dos desequilíbrios metabólicos", conclui.

  

Dr. Alexandre Duarte - médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA. Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 20 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada. Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.
Para mais informações, acesse: site, Instagram, linkedin ou pelo youtube.


Instituto Avantgarde
instagram, site, linkedin instituto e linkedin college.

 

Fontes de pesquisa

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – Health at a Glance 2025
https://www.oecd.org/en/publications/health-at-a-glance-2025_8f9e3f98-en/full-report/chronic-conditions_e0110c98.html

International Diabetes Federation (IDF) – Diabetes Atlas 2025 (11ª edição)
https://diabetesatlas.org/


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados