A complexidade dos
pacientes impulsiona uma nova busca por conhecimento sobre metabolismo humano e
fisiologia aplicada
As doenças crônicas estão mudando não apenas o
perfil dos pacientes, mas também a forma como médicos de diferentes
especialidades buscam atualização profissional. Diante do crescimento da
obesidade, do diabetes tipo 2, da síndrome metabólica, das doenças
cardiovasculares e de outras condições inflamatórias, cresce o número de
profissionais que voltam a aprofundar os estudos em fisiologia metabólica e
hormonal para compreender os mecanismos que regulam o funcionamento do
organismo.
A tendência acompanha um desafio global. Segundo o
relatório Health at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), mais de um terço da população dos países
membros convive com pelo menos uma doença crônica, enquanto 52% das pessoas com
45 anos ou mais atendidas na atenção primária apresentam duas ou mais doenças
simultaneamente.
Esse novo perfil epidemiológico tem alterado a
rotina dos consultórios. Em vez de pacientes com uma única condição clínica,
médicos convivem cada vez mais com pessoas que apresentam diferentes alterações
metabólicas ao mesmo tempo, como obesidade, resistência à insulina,
hipertensão, esteatose hepática e doenças cardiovasculares. A coexistência
dessas enfermidades tem levado parte da comunidade médica a buscar uma
compreensão mais integrada da fisiologia humana, indo além do tratamento
isolado de cada diagnóstico.
A fisiologia volta ao centro
da formação médica
Dr. Alexandre Duarte, médico, professor,
referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto
Avantgarde, centro especializado em medicina metabólica e
hormonal voltado à prevenção, investigação das causas de doenças crônicas e
cuidado personalizado, afirma que esse movimento representa uma mudança
importante na forma de pensar a prática clínica. Segundo ele, compreender
profundamente o funcionamento do organismo tornou-se uma necessidade diante da
complexidade crescente dos pacientes.
"Durante muito tempo, a atualização médica
esteve concentrada na incorporação de novos medicamentos e protocolos. Hoje,
muitos profissionais perceberam que entender como metabolismo, hormônios,
inflamação e produção de energia celular se relacionam amplia o raciocínio
clínico e ajuda a compreender por que diferentes doenças surgem e evoluem em um
mesmo paciente", afirma o médico.
Os números reforçam essa transformação. O Atlas do
Diabetes 2025, da Federação Internacional de Diabetes (IDF), estima que 589
milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivem atualmente com diabetes em todo o
mundo, número que pode alcançar 853 milhões até 2050. Ao mesmo tempo, estudos
mostram que obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outras
enfermidades crônicas compartilham mecanismos metabólicos semelhantes, tornando
a compreensão da fisiologia um componente cada vez mais relevante para a
prática médica.
Na avaliação do especialista, esse contexto explica
por que disciplinas tradicionalmente estudadas nos primeiros anos da graduação
voltaram a ganhar protagonismo na formação continuada. "A fisiologia
deixou de ser apenas um conteúdo básico da faculdade. Ela voltou a ocupar uma
posição estratégica porque permite entender como os sistemas do organismo se
comunicam e como pequenas alterações metabólicas podem desencadear doenças que,
muitas vezes, aparecem anos depois”, explica Alexandre.
Essa mudança também acompanha uma evolução na
própria educação médica. Em vez de buscar apenas atualizações específicas para
cada especialidade, cresce o interesse por formações que integrem conhecimentos
de endocrinologia, cardiologia, imunologia, neurologia, gastroenterologia e
nutrologia por meio da compreensão dos mecanismos fisiológicos comuns entre
essas áreas. O objetivo é fortalecer o raciocínio clínico diante de pacientes
cada vez mais complexos e ampliar a capacidade de prevenção e de personalização
do cuidado.
A educação médica acompanha a
mudança no perfil dos pacientes
O aumento dessa procura tem impulsionado
iniciativas voltadas ao aprofundamento da fisiologia metabólica. Entre elas
está a Imersão em Fisiologia do Metabolismo Humano, que será realizada entre os
dias 15 a 17 de outubro, em Alphaville (SP). Destinado exclusivamente a
médicos, o encontro reunirá profissionais de diferentes especialidades para
discutir metabolismo humano, fisiologia hormonal, doenças crônicas e aplicação
clínica desse conhecimento. A proposta reflete uma demanda crescente por formações
que reforcem os fundamentos científicos da medicina em um momento de aumento da
prevalência das doenças metabólicas.
Além da atualização em fisiologia aplicada, o encontro
abordará temas relacionados ao desenvolvimento da carreira médica, como gestão
de consultórios e posicionamento profissional, áreas que passaram a fazer parte
da formação continuada de médicos que atuam na prática privada e buscam
conciliar excelência clínica com sustentabilidade da atividade profissional.
Para Alexandre Duarte, o crescimento desse tipo de
formação indica uma mudança mais ampla na medicina contemporânea. "Os
desafios atuais exigem que o médico compreenda não apenas o nome da doença, mas
os mecanismos que levaram aquele organismo a adoecer. Quanto maior o
entendimento da fisiologia humana, maior também a capacidade de atuar de forma
preventiva, individualizada e baseada nas causas dos desequilíbrios
metabólicos", conclui.
Para mais informações, acesse: site, Instagram, linkedin ou pelo youtube.
Instituto Avantgarde
instagram, site, linkedin instituto e linkedin college.
Fontes de
pesquisa
Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – Health at a Glance 2025
https://www.oecd.org/en/publications/health-at-a-glance-2025_8f9e3f98-en/full-report/chronic-conditions_e0110c98.html
International
Diabetes Federation (IDF) – Diabetes Atlas 2025 (11ª edição)
https://diabetesatlas.org/
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