Especialista explica como alimentação, sono, proteção contra os raios UV, pausas durante o uso de telas e consultas preventivas ajudam a manter a saúde ocular e reduzir o risco de doenças
A visão está presente em praticamente todas as
atividades do dia a dia, mas os cuidados para preservá-la ainda costumam ser deixados
em segundo plano. Enquanto o uso de telas aumenta, a rotina se torna mais
corrida e hábitos inadequados se repetem sem que as pessoas percebam, cresce
também a importância da prevenção para reduzir o risco de doenças oculares e
preservar a saúde dos olhos ao longo da vida. Pequenas mudanças de
comportamento, aliadas ao acompanhamento oftalmológico regular, podem fazer
toda a diferença para manter a qualidade da visão em todas as fases da vida.
“A saúde dos olhos depende muito mais de pequenas decisões diárias
do que imaginamos. Fazer pausas durante atividades de foco prolongado, manter
distância adequada das telas e realizar exames preventivos, mesmo na ausência
de sintomas, são medidas fundamentais para preservar a visão”, afirma o Dr. Xisto
Pedro Romão Filho, oftalmologista do H.Olhos.
O aumento do tempo diante de computadores, celulares e tablets
também exige atenção. Embora não existam evidências de que os dispositivos
provoquem danos permanentes, o uso prolongado está associado à chamada síndrome
visual do computador, condição que pode causar ressecamento, vermelhidão,
irritação, dor de cabeça, sensibilidade à luz e dificuldade para focalizar. “As
telas reduzem significativamente a frequência do piscar, favorecendo o
ressecamento ocular. Ajustar o brilho dos aparelhos, posicionar o monitor um
pouco abaixo da linha dos olhos e fazer pausas regulares ajudam a reduzir esse
desconforto”, explica o especialista.
Entre as orientações mais recomendadas está a regra 20-20-20,
amplamente utilizada na prática clínica para aliviar a fadiga visual. O método
consiste em, a cada 20 minutos de atividades de perto, direcionar o olhar para
um ponto a aproximadamente seis metros de distância durante 20 segundos. “Os
músculos responsáveis pelo foco permanecem contraídos por longos períodos
durante a leitura ou o uso de dispositivos eletrônicos. Essas pausas funcionam
como um descanso necessário, permitindo o relaxamento ocular e a recomposição
do filme lacrimal”, comenta.
A alimentação também exerce papel importante na manutenção da
visão. Nutrientes antioxidantes e substâncias específicas ajudam a proteger
diferentes estruturas oculares e a reduzir o risco de algumas doenças
associadas ao envelhecimento. “Vitamina A, luteína, zeaxantina, ômega 3, vitaminas
C e E, além do zinco, participam diretamente do funcionamento da retina e da
proteção das células dos olhos. Uma dieta equilibrada, rica em vegetais,
frutas, peixes e oleaginosas, contribui para manter a saúde ocular ao longo da
vida”, destaca.
Outro fator frequentemente negligenciado é a qualidade do sono.
Durante o período de descanso, ocorre a regeneração da superfície ocular, o
relaxamento dos músculos dos olhos e a otimização da circulação sanguínea da
retina. “Olhos secos ao acordar, vermelhidão persistente, tremores nas
pálpebras e visão embaçada pela manhã podem indicar que a privação de sono está
afetando a saúde ocular”, alerta o médico.
A proteção contra a radiação ultravioleta deve ser mantida em
qualquer época do ano, inclusive em dias nublados. Segundo o especialista,
grande parte dos raios UV atravessa as nuvens e a exposição acumulada está
relacionada ao desenvolvimento de catarata e degeneração macular. “Os óculos de
sol precisam ter proteção UV certificada. Lentes apenas escuras, sem filtro
adequado, podem ser ainda mais prejudiciais, porque dilatam a pupila e permitem
a entrada de uma quantidade maior de radiação”, orienta.
Hábitos aparentemente inofensivos também podem trazer
consequências importantes. Coçar os olhos com frequência, dormir com lentes de
contato, utilizar colírios vasoconstritores sem orientação médica, compartilhar
maquiagem e permanecer exposto diretamente ao ar condicionado estão entre as
práticas que merecem atenção. O tabagismo e o controle inadequado de doenças
como diabetes e hipertensão também aumentam o risco de alterações na retina.
“Muitos danos se desenvolvem de forma silenciosa e progressiva. Por isso, a
adoção de comportamentos saudáveis e o acompanhamento oftalmológico regular são
indispensáveis”, ressalta.
As consultas preventivas devem ser realizadas desde os primeiros
meses de vida e mantidas ao longo de todas as fases. Crianças e adolescentes
devem passar por avaliações anuais, especialmente para identificar alterações
refrativas, enquanto adultos e idosos também precisam de acompanhamento
periódico para rastrear doenças como glaucoma, catarata e degeneração macular
relacionada à idade.
Além dos exames de rotina, alguns sinais exigem avaliação
imediata, como perda súbita da visão, dor intensa, flashes luminosos,
aparecimento repentino de manchas, sensação de sombra ou cortina no campo
visual e traumas oculares. “Sintomas nunca devem ser ignorados. Quanto mais
precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a visão e evitar
complicações”, enfatiza.
Para o oftalmologista, a principal mensagem é clara: prevenir
continua sendo o melhor caminho. “Três compromissos simples resumem os cuidados
essenciais: consultas regulares, proteção diária e atenção aos sinais do corpo.
Cuidar dos olhos hoje é investir na qualidade de vida do futuro”, conclui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário