Substância viva e impossível de ser
imitada por completo, o leite materno se adapta a cada bebê permitindo seu bom
desenvolvimento. A maior rede de bancos de leite humano do mundo, orgulho
brasileiro também celebrado no Agosto Dourado 2026
Poucos alimentos guardam tanto valor em tão pouco volume. Para um
recém-nascido prematuro, internado com poucas gramas, um único mililitro de
leite humano pode ser uma refeição completa e um empurrão decisivo rumo à alta.
É essa potência concentrada que o Brasil celebra no Agosto Dourado, o mês
oficial do aleitamento materno instituído por lei em 2017, cuja cor faz
referência ao padrão ouro de qualidade do leite humano.
Comparado por cientistas a um remédio personalizado, o leite
materno é uma substância viva, impossível de ser reproduzida integralmente, que
se adapta às necessidades da criança ao longo do tempo. Ele entrega nutrição
sob medida, defesa contra infecções e um vínculo afetivo que acompanha mãe e
bebê, com benefícios que se estendem também à saúde da mulher.
“O leite materno é, ao mesmo tempo, alimento, vacina, proteção e a
primeira forma de acolhimento do bebê. Cada mamada oferece nutrição sob medida
e uma proteção que nenhum laboratório conseguiu desenvolver por completo até o
momento. Por isso, apoiar quem quer amamentar é um dos cuidados mais bonitos e
eficazes que podemos oferecer a uma família”, afirma a Dra. Clery Gallacci,
neonatologista e especialista em amamentação do Hospital e Maternidade Santa
Joana.
Esse cuidado também é um investimento de alto retorno. Para o
UNICEF, a amamentação está entre as ações mais rentáveis que um país pode
adotar: estima-se que cada US$ 4,70 aplicados por recém-nascido possam gerar
até US$ 300 bilhões em ganhos econômicos, resultado de crianças mais saudáveis,
com menos internações e melhor desenvolvimento ao longo da vida.
E é justamente em uma das estratégias mais eficazes que o Brasil
brilha no mundo. O país mantém a maior e mais complexa rede de bancos de leite
humano do planeta, com 239 bancos e 261 postos de coleta distribuídos por todos
os estados. Entre 2020 e 2025, 3,6 milhões de mães doadoras permitiram a coleta
de mais de 4,2 milhões de litros de leite, que beneficiaram 4,1 milhões de
recém-nascidos prematuros e de baixo peso, segundo o Ministério da Saúde. O
modelo, reconhecido por unir baixo custo, alta tecnologia e cuidado humanizado,
virou referência para países da América Latina, da África e da Europa.
“A rede brasileira de bancos de leite é uma das nossas maiores
conquistas em saúde pública, e ela funciona à base de solidariedade. Muita
gente não sabe, mas não é preciso produzir grandes quantidades para ajudar: às
vezes, poucos mililitros já fazem diferença na vida de um bebê prematuro que
esteja sob cuidados de terapia intensiva (na UTI) neonatal. Cada gota doada é
um gesto de generosidade que se transforma em futuro saudável para cada bebê”,
explica a médica.
O potencial de solidariedade ainda tem muito a crescer: hoje, a
cada 12 mulheres acompanhadas pelos bancos de leite, uma se torna doadora. E boa
parte dessa jornada começa antes mesmo do parto. A amamentação se prepara no
pré-natal e ganha força nos primeiros minutos de vida, na chamada hora de ouro.
Os números brasileiros vêm melhorando de forma consistente: segundo o Estudo
Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), 96,2% das crianças já
foram amamentadas alguma vez, mais de seis em cada dez bebês já recebem o leite
materno logo na primeira hora e o aleitamento exclusivo até os seis meses
saltou de 4,7%, em 1986, para 45,8%, rumo à meta de 70% até 2030.
O tema do Agosto Dourado deste ano,” Fortalecer o que funciona”,
combina com a nossa realidade. O Brasil já sabe o que dá certo: o contato pele
a pele logo após o nascimento, o alojamento conjunto, o apoio no pré-natal, os
bancos de leite e uma boa rede de apoio, em casa e no trabalho, colaboram para
o sucesso da amamentação. Quando a mulher se sente amparada, a amamentação flui
com muito mais leveza, reforça a neonatologista.
Para a especialista, celebrar também é uma forma de cuidar. “Amamentar é natural, mas nem sempre é simples, e cada mãe vive esse momento de um jeito. O papel de todos nós, profissionais, famílias e sociedade, é oferecer informação de qualidade, acolhimento e apoio, para que mais mulheres consigam viver essa experiência com tranquilidade e prazer”, conclui a Dra. Clery Gallacci.
Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br
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