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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A gota de leite que vale ouro na vida de um recém-nascido

Substância viva e impossível de ser imitada por completo, o leite materno se adapta a cada bebê permitindo seu bom desenvolvimento. A maior rede de bancos de leite humano do mundo, orgulho brasileiro também celebrado no Agosto Dourado 2026
 

Poucos alimentos guardam tanto valor em tão pouco volume. Para um recém-nascido prematuro, internado com poucas gramas, um único mililitro de leite humano pode ser uma refeição completa e um empurrão decisivo rumo à alta. É essa potência concentrada que o Brasil celebra no Agosto Dourado, o mês oficial do aleitamento materno instituído por lei em 2017, cuja cor faz referência ao padrão ouro de qualidade do leite humano.

Comparado por cientistas a um remédio personalizado, o leite materno é uma substância viva, impossível de ser reproduzida integralmente, que se adapta às necessidades da criança ao longo do tempo. Ele entrega nutrição sob medida, defesa contra infecções e um vínculo afetivo que acompanha mãe e bebê, com benefícios que se estendem também à saúde da mulher.

“O leite materno é, ao mesmo tempo, alimento, vacina, proteção e a primeira forma de acolhimento do bebê. Cada mamada oferece nutrição sob medida e uma proteção que nenhum laboratório conseguiu desenvolver por completo até o momento. Por isso, apoiar quem quer amamentar é um dos cuidados mais bonitos e eficazes que podemos oferecer a uma família”, afirma a Dra. Clery Gallacci, neonatologista e especialista em amamentação do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Esse cuidado também é um investimento de alto retorno. Para o UNICEF, a amamentação está entre as ações mais rentáveis que um país pode adotar: estima-se que cada US$ 4,70 aplicados por recém-nascido possam gerar até US$ 300 bilhões em ganhos econômicos, resultado de crianças mais saudáveis, com menos internações e melhor desenvolvimento ao longo da vida.

E é justamente em uma das estratégias mais eficazes que o Brasil brilha no mundo. O país mantém a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do planeta, com 239 bancos e 261 postos de coleta distribuídos por todos os estados. Entre 2020 e 2025, 3,6 milhões de mães doadoras permitiram a coleta de mais de 4,2 milhões de litros de leite, que beneficiaram 4,1 milhões de recém-nascidos prematuros e de baixo peso, segundo o Ministério da Saúde. O modelo, reconhecido por unir baixo custo, alta tecnologia e cuidado humanizado, virou referência para países da América Latina, da África e da Europa.

“A rede brasileira de bancos de leite é uma das nossas maiores conquistas em saúde pública, e ela funciona à base de solidariedade. Muita gente não sabe, mas não é preciso produzir grandes quantidades para ajudar: às vezes, poucos mililitros já fazem diferença na vida de um bebê prematuro que esteja sob cuidados de terapia intensiva (na UTI) neonatal. Cada gota doada é um gesto de generosidade que se transforma em futuro saudável para cada bebê”, explica a médica.

O potencial de solidariedade ainda tem muito a crescer: hoje, a cada 12 mulheres acompanhadas pelos bancos de leite, uma se torna doadora. E boa parte dessa jornada começa antes mesmo do parto. A amamentação se prepara no pré-natal e ganha força nos primeiros minutos de vida, na chamada hora de ouro. Os números brasileiros vêm melhorando de forma consistente: segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), 96,2% das crianças já foram amamentadas alguma vez, mais de seis em cada dez bebês já recebem o leite materno logo na primeira hora e o aleitamento exclusivo até os seis meses saltou de 4,7%, em 1986, para 45,8%, rumo à meta de 70% até 2030.

O tema do Agosto Dourado deste ano,” Fortalecer o que funciona”, combina com a nossa realidade. O Brasil já sabe o que dá certo: o contato pele a pele logo após o nascimento, o alojamento conjunto, o apoio no pré-natal, os bancos de leite e uma boa rede de apoio, em casa e no trabalho, colaboram para o sucesso da amamentação. Quando a mulher se sente amparada, a amamentação flui com muito mais leveza, reforça a neonatologista.

Para a especialista, celebrar também é uma forma de cuidar. “Amamentar é natural, mas nem sempre é simples, e cada mãe vive esse momento de um jeito. O papel de todos nós, profissionais, famílias e sociedade, é oferecer informação de qualidade, acolhimento e apoio, para que mais mulheres consigam viver essa experiência com tranquilidade e prazer”, conclui a Dra. Clery Gallacci.

 

Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br

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