Especialista explica por que dietas restritivas exigem atenção redobrada ao consumo de ferro e acompanhamento nutricional adequado
A decisão de seguir uma alimentação vegana ou vegetariana tem se
tornado cada vez mais comum, seja por questões de saúde, sustentabilidade ou
escolhas pessoais. Recentemente, o tema voltou ao debate após declarações da
modelo Gisele Bündchen sobre mudanças em sua alimentação e os impactos
percebidos em sua saúde, reacendendo discussões sobre os desafios nutricionais
de dietas restritivas.
Embora padrões alimentares baseados em vegetais possam trazer
benefícios e ser perfeitamente saudáveis, a restrição de alimentos de origem
animal exige atenção especial ao consumo de nutrientes essenciais, entre eles o
ferro, mineral fundamental para o transporte de oxigênio no organismo e
prevenção da anemia.
De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da
Carnot Laboratórios, dietas veganas e vegetarianas podem ser saudáveis e
equilibradas, desde que bem planejadas. O principal ponto de atenção está na
ingestão e absorção de ferro, já que a principal fonte de ferro de alta
biodisponibilidade é encontrada em alimentos de origem animal.
“O ferro presente em vegetais existe, mas sua absorção costuma ser
menor quando comparada ao ferro heme, encontrado em carnes e vísceras. Isso
significa que pessoas vegetarianas e veganas precisam ter um olhar ainda mais
atento para a composição da dieta e para possíveis sinais de deficiência”,
explica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a anemia afeta cerca de
1,62 bilhão de pessoas no mundo, sendo a deficiência de ferro sua principal
causa. Mulheres em idade fértil, gestantes, crianças e pessoas com dietas
restritivas estão entre os grupos de maior risco.
Dados publicados pelo periódico científico Nutrients
apontam que vegetarianos e veganos podem apresentar estoques de ferro mais
baixos quando comparados à população onívora, especialmente mulheres, devido à
combinação entre maior necessidade fisiológica e menor biodisponibilidade do
mineral na dieta.
Entre os alimentos vegetais ricos em ferro estão feijões,
lentilha, grão-de-bico, tofu, vegetais verde-escuros, sementes e oleaginosas.
Ainda assim, especialistas reforçam que a absorção pode ser prejudicada por
compostos presentes em alguns alimentos, como fitatos e polifenóis, encontrados
em cereais integrais, café e chás.
Uma estratégia recomendada é associar fontes vegetais de ferro ao
consumo de vitamina C, presente em frutas cítricas, acerola, morango e kiwi,
que melhora a absorção do nutriente.
Os sinais de deficiência de ferro incluem cansaço excessivo, falta
de concentração, queda de cabelo, palidez, unhas frágeis e baixa imunidade.
Quando identificados, devem ser avaliados por um profissional de saúde.
“O mais importante não é demonizar nenhum padrão alimentar, mas
entender que cada escolha nutricional exige responsabilidade e acompanhamento.
Em alguns casos, a suplementação pode ser necessária para garantir níveis
adequados de ferro e prevenir complicações”, reforça Dr. Carlos.
Com o crescimento do número de adeptos às dietas baseadas em
vegetais, o debate sobre nutrição individualizada ganha ainda mais relevância.
A orientação profissional continua sendo essencial para garantir saúde,
equilíbrio e prevenção de deficiências nutricionais.
Carnot® Laboratórios

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