Durante muito tempo, crescer na carreira parecia seguir uma lógica simples:
entregar resultados, bater metas, cumprir prazos. Mas esse raciocínio já não
explica, sozinho, o que sustenta decisões de promoção nos níveis mais altos das
organizações. Hoje, nos bastidores dessas escolhas, há um fator menos visível e
ainda subestimado por muitos profissionais que pesa de forma decisiva: a forma
como se fala e se comunica.
Segundo
a fonoaudióloga Juliana Algodoal, especialista em comunicação corporativa e
linguagem no trabalho, à medida que o profissional sobe na hierarquia, a fala
passa a funcionar como um verdadeiro filtro de confiança para os CEOs. “Em um
cenário corporativo marcado por agendas lotadas, excesso de reuniões e atenção
cada vez mais escassa, líderes precisam decidir rápido em quem confiar. E a
forma como alguém se comunica virou um atalho para essa decisão”, explica.
Para
Juliana, mais do que resultados técnicos, clareza, escuta, capacidade de
síntese e posicionamento na fala passaram a influenciar diretamente processos
de promoção e sucessão executiva. “Não é por acaso que diferentes estudos mostram
que, conforme a carreira avança, competências técnicas deixam de ser
diferencial e habilidades de comunicação e influência se tornam determinantes”,
afirma.
Um
dos erros mais comuns entre profissionais que buscam reconhecimento da alta
liderança, segundo a especialista, está justamente no básico: pensar antes de
falar. “Ainda há muita gente que responde de forma reativa, fala enquanto
organiza o raciocínio ou se perde em explicações longas. Em posições de
liderança, isso não é visto como espontaneidade, mas como falta de preparo”,
observa. Ela explica que respostas prolixas, pouco conectadas à pergunta ou
cheias de desvios costumam soar como insegurança ou dificuldade de priorização.
“Em cargos mais altos, espera-se que a pessoa chegue à conversa com ideias
organizadas, escolhas feitas e clareza sobre o impacto do que diz”, ressalta.
Outro
equívoco frequente é confundir escuta ativa com concordância automática.
Profissionais que elogiam tudo o que o CEO diz ou que buscam validação
constante acreditam estar demonstrando alinhamento, mas muitas vezes comunicam
o oposto. “CEOs tendem a confiar mais em quem escuta com atenção, entende o
contexto e devolve contribuições relevantes do que em quem apenas executa com
medo de errar”, explica Juliana.
Na
prática, Juliana resume o dilema que muitos profissionais enfrentam: “A
pergunta que trava muitas carreiras não é ‘estou entregando bem?’, mas sim: a
forma como eu falo sustenta o papel que eu quero ocupar?”.
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