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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Por que CEOs promovem quem fala melhor mesmo quando a entrega é parecida


Durante muito tempo, crescer na carreira parecia seguir uma lógica simples: entregar resultados, bater metas, cumprir prazos. Mas esse raciocínio já não explica, sozinho, o que sustenta decisões de promoção nos níveis mais altos das organizações. Hoje, nos bastidores dessas escolhas, há um fator menos visível e ainda subestimado por muitos profissionais que pesa de forma decisiva: a forma como se fala e se comunica. 

Segundo a fonoaudióloga Juliana Algodoal, especialista em comunicação corporativa e linguagem no trabalho, à medida que o profissional sobe na hierarquia, a fala passa a funcionar como um verdadeiro filtro de confiança para os CEOs. “Em um cenário corporativo marcado por agendas lotadas, excesso de reuniões e atenção cada vez mais escassa, líderes precisam decidir rápido em quem confiar. E a forma como alguém se comunica virou um atalho para essa decisão”, explica. 

Para Juliana, mais do que resultados técnicos, clareza, escuta, capacidade de síntese e posicionamento na fala passaram a influenciar diretamente processos de promoção e sucessão executiva. “Não é por acaso que diferentes estudos mostram que, conforme a carreira avança, competências técnicas deixam de ser diferencial e habilidades de comunicação e influência se tornam determinantes”, afirma. 

Um dos erros mais comuns entre profissionais que buscam reconhecimento da alta liderança, segundo a especialista, está justamente no básico: pensar antes de falar. “Ainda há muita gente que responde de forma reativa, fala enquanto organiza o raciocínio ou se perde em explicações longas. Em posições de liderança, isso não é visto como espontaneidade, mas como falta de preparo”, observa. Ela explica que respostas prolixas, pouco conectadas à pergunta ou cheias de desvios costumam soar como insegurança ou dificuldade de priorização. “Em cargos mais altos, espera-se que a pessoa chegue à conversa com ideias organizadas, escolhas feitas e clareza sobre o impacto do que diz”, ressalta. 

Outro equívoco frequente é confundir escuta ativa com concordância automática. Profissionais que elogiam tudo o que o CEO diz ou que buscam validação constante acreditam estar demonstrando alinhamento, mas muitas vezes comunicam o oposto. “CEOs tendem a confiar mais em quem escuta com atenção, entende o contexto e devolve contribuições relevantes do que em quem apenas executa com medo de errar”, explica Juliana. 

Na prática, Juliana resume o dilema que muitos profissionais enfrentam: “A pergunta que trava muitas carreiras não é ‘estou entregando bem?’, mas sim: a forma como eu falo sustenta o papel que eu quero ocupar?”.

Juliana Algodoal - Considerada uma das maiores especialistas em Comunicação Corporativa do país, Juliana Algodoal é PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho – Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e fonoaudióloga pela PUC/SP e fundadora da empresa Linguagem Direta. Ao longo de 37 anos de carreira, Juliana já apoiou quase 11 mil profissionais tendo como foco nos últimos seis anos a alta liderança. Com o desenvolvimento de projetos que buscam aprimorar a interlocução no ambiente empresarial, já atuou para a BASF, Porto Seguro, Novartis, Pfizer, Aché, Itaú, Citibank, Unimed Nacional, Samsung, dentre outras. É coautora do livro Thought Leadership: muito além da influência e membro do conselho de administração da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, que também já presidiu.


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