Campanha de conscientização no trânsito
também chama atenção para os riscos físicos enfrentados por motociclistas que
passam muitas horas por dia pilotando; dor lombar, hérnia de disco e desgaste
precoce da coluna estão entre os principais problemas.
Durante o Maio Amarelo, campanha internacional de
conscientização para redução de acidentes e promoção de um trânsito mais
seguro, um outro ponto importante merece atenção: os impactos da rotina de quem
passa muitas horas na motocicleta sobre a saúde da coluna.
Motociclistas profissionais, entregadores e trabalhadores que dependem da moto no dia a dia estão expostos a uma combinação de fatores que pode comprometer a saúde musculoesquelética ao longo do tempo, como vibração contínua, impacto repetitivo e manutenção prolongada da mesma postura.
De acordo com o ortopedista e cirurgião da coluna, Dr. André Evaristo Marcondes, permanecer muitas horas pilotando aumenta o risco de dor lombar, desgaste precoce da coluna e compressões nervosas.
“A motocicleta gera vibração constante e exige que o corpo permaneça por muito tempo na mesma posição, o que aumenta a pressão sobre os discos intervertebrais. Com o passar do tempo, isso pode levar a dor lombar crônica, hérnia de disco, inflamações musculares e até compressões de nervos”, explica o especialista.
A discussão é especialmente oportuna no Maio Amarelo, já que a campanha propõe uma reflexão ampla sobre segurança e preservação da vida no trânsito, o que também inclui olhar para a saúde física de quem vive grande parte da rotina sobre duas rodas.
Estudos na área de saúde ocupacional mostram que trabalhadores expostos à vibração de corpo inteiro, como motociclistas e motoristas profissionais, apresentam maior incidência de lombalgia e alterações degenerativas na coluna, condição descrita em pesquisas internacionais e em dados de organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a International Labour Organization (ILO).
Segundo o Dr. André Evaristo, o risco aumenta quando a rotina inclui jornadas prolongadas, poucas pausas e circulação frequente em vias irregulares. “Quem trabalha o dia inteiro na moto sofre microimpactos repetidos, precisa manter tensão muscular constante e muitas vezes não tem tempo para descanso. Esse conjunto favorece desgaste precoce da coluna e piora de problemas já existentes”, afirma.
O especialista destaca que algumas medidas podem ajudar a reduzir os danos, mesmo para quem depende da motocicleta para trabalhar. “Fazer pausas ao longo do dia, manter fortalecimento da musculatura do abdômen e das costas, ajustar a posição de pilotagem e procurar avaliação médica quando a dor se torna frequente são cuidados importantes. Ignorar os sintomas pode fazer com que o problema evolua e leve até à necessidade de tratamento cirúrgico”, orienta.
No contexto do Maio Amarelo, o médico reforça que a segurança no trânsito também passa por condições adequadas de trabalho, prevenção e atenção aos sinais do corpo.
“Dor
persistente na coluna não deve ser considerada normal, principalmente em
profissionais que passam muitas horas pilotando. Quanto mais cedo o diagnóstico
é feito, maiores são as chances de controlar a dor e evitar lesões mais graves”,
conclui Marcondes.
Fonte:
Dr. André Evaristo (@dr.andrecoluna) - Mestre em Saúde Pública Global pela University of Limerick (Irlanda), possui especialização em Cirurgia de Coluna, em Ortopedia e Traumatologia, e graduação em Medicina pela Universidade de Marília. Preceptor do Grupo de Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina do ABC. É membro da North American Spine Society (NASS), Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Fez residência médica em Ortopedia e Traumatologia no Hospital do Servidor Público Municipal (SP) e, atualmente, atende no Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês, AACD e Grupo C.O.T.C. Centro de Ortopedia, Traumatologia e Coluna
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