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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Maio Amarelo: especialista alerta para os impactos das longas jornadas de moto na saúde da coluna

 

Campanha de conscientização no trânsito também chama atenção para os riscos físicos enfrentados por motociclistas que passam muitas horas por dia pilotando; dor lombar, hérnia de disco e desgaste precoce da coluna estão entre os principais problemas.


Durante o Maio Amarelo, campanha internacional de conscientização para redução de acidentes e promoção de um trânsito mais seguro, um outro ponto importante merece atenção: os impactos da rotina de quem passa muitas horas na motocicleta sobre a saúde da coluna.
 

Motociclistas profissionais, entregadores e trabalhadores que dependem da moto no dia a dia estão expostos a uma combinação de fatores que pode comprometer a saúde musculoesquelética ao longo do tempo, como vibração contínua, impacto repetitivo e manutenção prolongada da mesma postura. 

De acordo com o ortopedista e cirurgião da coluna, Dr. André Evaristo Marcondes, permanecer muitas horas pilotando aumenta o risco de dor lombar, desgaste precoce da coluna e compressões nervosas. 

“A motocicleta gera vibração constante e exige que o corpo permaneça por muito tempo na mesma posição, o que aumenta a pressão sobre os discos intervertebrais. Com o passar do tempo, isso pode levar a dor lombar crônica, hérnia de disco, inflamações musculares e até compressões de nervos”, explica o especialista. 

A discussão é especialmente oportuna no Maio Amarelo, já que a campanha propõe uma reflexão ampla sobre segurança e preservação da vida no trânsito, o que também inclui olhar para a saúde física de quem vive grande parte da rotina sobre duas rodas. 

Estudos na área de saúde ocupacional mostram que trabalhadores expostos à vibração de corpo inteiro, como motociclistas e motoristas profissionais, apresentam maior incidência de lombalgia e alterações degenerativas na coluna, condição descrita em pesquisas internacionais e em dados de organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a International Labour Organization (ILO). 

Segundo o Dr. André Evaristo, o risco aumenta quando a rotina inclui jornadas prolongadas, poucas pausas e circulação frequente em vias irregulares. “Quem trabalha o dia inteiro na moto sofre microimpactos repetidos, precisa manter tensão muscular constante e muitas vezes não tem tempo para descanso. Esse conjunto favorece desgaste precoce da coluna e piora de problemas já existentes”, afirma. 

O especialista destaca que algumas medidas podem ajudar a reduzir os danos, mesmo para quem depende da motocicleta para trabalhar. “Fazer pausas ao longo do dia, manter fortalecimento da musculatura do abdômen e das costas, ajustar a posição de pilotagem e procurar avaliação médica quando a dor se torna frequente são cuidados importantes. Ignorar os sintomas pode fazer com que o problema evolua e leve até à necessidade de tratamento cirúrgico”, orienta. 

No contexto do Maio Amarelo, o médico reforça que a segurança no trânsito também passa por condições adequadas de trabalho, prevenção e atenção aos sinais do corpo. 

“Dor persistente na coluna não deve ser considerada normal, principalmente em profissionais que passam muitas horas pilotando. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de controlar a dor e evitar lesões mais graves”, conclui Marcondes.

 

Fonte:
Dr. André Evaristo (@dr.andrecoluna) - Mestre em Saúde Pública Global pela University of Limerick (Irlanda), possui especialização em Cirurgia de Coluna, em Ortopedia e Traumatologia, e graduação em Medicina pela Universidade de Marília. Preceptor do Grupo de Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina do ABC. É membro da North American Spine Society (NASS), Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Fez residência médica em Ortopedia e Traumatologia no Hospital do Servidor Público Municipal (SP) e, atualmente, atende no Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês, AACD e Grupo C.O.T.C. Centro de Ortopedia, Traumatologia e Coluna
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