O problema das múltiplas violências cometidas por
homens, embora antigo, exige resposta urgente – a situação se agrava se
acrescentarmos as categorias de raça e classe social. As vítimas
são mulheres, crianças, pessoas LGBTQIA+, o meio ambiente ou até mesmo
outros homens tidos como fracos.
Enquanto os homens exercem seus podres poderes,
parte da sociedade faz a justa crítica de como eles se aproveitam
dessa posição para redobrar seu protagonismo e denuncia que,
por baixo da camada de razão e civilidade, emerge uma animalidade feroz.
Diante do questionamento, carentes de bons
modelos, há também aqueles que se desorientam, leõezinhos acuados
pela culpa e titubeantes quanto à própria conduta. Têm muito claro o que
não fazer, mas ignoram como sobreviver na floresta.
Por outro lado, o conservadorismo
preestabelece valores e mapeia lugares, naturaliza, oferece garantias
diante do desamparo. Assim, a exemplo dos red pills, proliferam
movimentos extremistas que ofertam uma masculinidade exuberante. Homem é
fera, reina na selva, os outros devem curvar-se e obedecer.
Pesquisas indicam que, apesar de execrável,
este discurso tem obtido êxito em arregimentar jovens soldados para
suas fileiras e, no geral, as novas gerações de meninos são mais
conservadoras que as anteriores, mais aderidas ao pior que o
gênero produziu ao longo da história.
Neste cenário, os pais se perguntam como
evitar que seus filhos reproduzam comportamentos tóxicos e, ao contrário,
construam relações baseadas no respeito e na valorização das diferenças, que
não se sintam ameaçados, se acaso a tigresa puder mais do que o leão.
É necessária a conscientização sobre o
histórico e os riscos de uma masculinidade tóxica, a qual oprime inclusive a
eles mesmos, pois requer a formação de uma couraça que prejudica
a própria sensibilidade. Não basta, contudo, uma concepção
negativa baseada no não ser, é preciso uma noção positiva que abarque
os diversos potenciais do ser. Um homem que possa saber da piscina, da
margarina, da Carolina e da gasolina.
E por gasolina pensamos esse combustível que
queima, incendeia e eventualmente explode. Há os traços agressivos, a
violência típica do humano, que aflora nos homens de forma
tosca, mas deve ser integrada como bruta flor do querer, do dragão tatuado
no braço, calção corpo aberto no espaço.
Esse desafio é especialmente traiçoeiro porque mesmo nós
homens adultos nos atrapalhamos nesse processo.
Felizmente encontramos na cultura um farol que
nos ajuda a navegar tão perigosa travessia. Todos os modelos são promessas
falidas, então proponho o farol em sua dureza: orienta,
mas buscá-lo cegamente leva ao naufrágio.
Inspiremo-nos nessa masculinidade Caetana, sensível, criativa, mas também combativa, que assume posições e luta por elas, em que a firmeza não mata a dúvida, quer resista como um calango ou se transforme, camaleão, belo como a lagarta, como quiser e puder.
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