Combinação entre exercícios potencializa a proteção cardiovascular em pessoas com histórico familiar
A prática regular de exercícios físicos está entre as principais
recomendações para prevenir doenças cardiovasculares e pode reduzir em cerca de
40% o risco de mortalidade, segundo o European Journal of Preventive
Cardiology. Ainda assim, é comum que pessoas com histórico familiar de
infarto ou doenças coronarianas tenham dúvidas sobre qual caminho seguir entre
tantas modalidades, como corrida, crossfit ou musculação.
Durante muito tempo, os exercícios aeróbicos foram considerados os
principais aliados do coração, mas hoje, a visão é mais ampla e a proteção
cardiovascular é maior quando diferentes modalidades são combinadas. É o que
explica Daniel Terrível, cardiologista do Hospital IGESP.
“Os exercícios aeróbicos, como caminhada ou corrida na esteira,
têm impacto direto no músculo cardíaco e no sistema circulatório. Eles aumentam
o volume sistólico, permitindo que o coração bombeie mais sangue a cada
batimento, o que reduz a frequência cardíaca em repouso. Também ajudam a
controlar a pressão arterial e a elevar o HDL, o chamado bom colesterol, além
de melhorar a capacidade do organismo de absorver e utilizar o oxigênio”,
explica Daniel Terrível, cardiologista do Hospital IGESP.
Se o aeróbico atua diretamente no condicionamento
cardiorrespiratório, a musculação complementa esse efeito ao trabalhar outros
mecanismos importantes para a saúde do coração. Embora ainda seja associada
principalmente ao ganho de massa muscular, ela também tem papel relevante na
proteção cardiovascular.
“O treinamento resistido contribui para reduzir a rigidez arterial
e melhorar a função do endotélio, camada que reveste os vasos sanguíneos.
Também aumenta a sensibilidade à insulina, auxiliando na prevenção e no
controle do diabetes e da obesidade, fatores de risco importantes para o
infarto. Além disso, o ganho de força muscular reduz a sobrecarga do coração em
atividades do dia a dia”, complementa o médico.
Nesse contexto, as duas práticas não competem, mas se
complementam. “A estratégia mais indicada é a combinação das modalidades. A
esteira melhora a resistência cardiorrespiratória e a eficiência do miocárdio,
enquanto a musculação atua no metabolismo, na pressão arterial e no controle
glicêmico e lipídico”, reforça o especialista.
Mais do que escolher entre uma ou outra atividade, o ponto
principal está na consistência e na segurança. Para quem tem histórico familiar
de infarto, a integração entre exercícios aeróbicos e musculação tende a ser a
abordagem mais completa.
“Antes de iniciar qualquer rotina, é fundamental buscar orientação
médica e manter os exames em dia. Com acompanhamento adequado, é possível
definir a frequência cardíaca segura e as cargas ideais, garantindo que o
exercício seja, de fato, um aliado da saúde do coração”, finaliza o
cardiologista do Hospital IGESP.
Rede IGESP

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