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segunda-feira, 11 de maio de 2026

58% dos jovens veem IA como aliada para o ingresso no mercado de tecnologia, indica pesquisa

 

Divulgação
Estudo da Brasscom em parceria com o Instituto PROA revela que interesse pela entrada no setor convive com barreiras de acesso, dificuldade para conseguir entrevistas e importância da saúde mental

 

O estudo “Escuta Jovem: Juventudes, Trabalho e Tecnologia”, uma parceria inédita entre a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Tecnologias Digitais) e o Instituto PROA – uma das principais pontes entre a juventude periférica e o mercado de trabalho formal no Brasil – foi desenvolvido para compreender como jovens em transição para a vida profissional ou em início de carreira percebem o setor de tecnologia, quais são os principais obstáculos para ingressar na área e o que pode favorecer sua permanência e seu desenvolvimento profissional.

 

A pesquisa revela que, ao mesmo tempo em que a Inteligência Artificial é vista como elemento estratégico por 58% dos jovens, o acesso ao primeiro emprego continua marcado por barreiras estruturais, como a dificuldade em conseguir entrevistas, a exigência de experiência prévia e a fragilidade das condições socioemocionais e materiais de parte significativa dessa população.

 

O setor de TIC segue em expansão no Brasil. Em 2024, o segmento registrou produção de R$ 393,3 bilhões, respondendo por 3,3% do PIB brasileiro e crescendo 12,5% no período. Além de sua relevância econômica, a área se destaca pela geração de empregos qualificados e salários 2,3 vezes acima da média nacional, o que reforça a importância de ampliar e qualificar as portas de entrada para novos talentos, especialmente entre os jovens.

 

Inteligência artificial como oportunidade

 

A Inteligência Artificial aparece no estudo como um ponto de otimismo e, ao mesmo tempo, de atenção. Para 58% dos jovens entrevistados, a IA é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento profissional, elevando o patamar esperado de preparação técnica, trazendo ganho de efetividade e economia de tempo. Do lado das empresas, 52% afirmam já estar se preparando para os impactos desta tecnologia. Ainda assim, 30% dos jovens dizem temer ser substituídos pela IA, o que reforça a necessidade de alfabetização digital, orientação de carreira e processos seletivos mais transparentes e justos.

 

Saúde mental como condição de permanência

 

Outro achado central da pesquisa é o peso da saúde mental na experiência de entrada e permanência no trabalho. Para 71% dos jovens, respeito, acolhimento e cuidado com a saúde mental são critérios fundamentais para se sentirem valorizados. O levantamento mostra que ansiedade, pressão constante e sensação de estar sempre sendo testado não devem ser lidas como fragilidades individuais, mas como reflexo de um sistema que, muitas vezes, expõe a juventude, especialmente a periférica, a altas demandas com pouca proteção emocional. Nesse contexto, o ambiente de trabalho deixa de ser apenas um espaço de produtividade e passa a ser um fator decisivo de retenção.

 

Para Alini Dal’Magro, CEO e presidente do Instituto PROA, esse debate precisa avançar para mudanças concretas na forma como os jovens são avaliados e acompanhados ao longo da jornada profissional. “Mais do que reconhecer sua importância, é necessário rever práticas, desde os processos seletivos até a gestão no dia a dia, para que não se tornem fontes adicionais de ansiedade e exclusão. Criar caminhos de entrada mais transparentes e relações mais consistentes desde o início é essencial para que esses jovens consigam se desenvolver e permanecer no trabalho”, afirma.

 

Barreiras de acesso ainda travam entrada no setor

 

A pesquisa também desmonta a ideia de falta de interesse ou de preparo por parte dos jovens. 59% demonstram interesse em atuar no setor de tecnologia, e 89% já buscaram algum curso de preparação para o mercado de trabalho. Ainda assim, 54% apontam a dificuldade em conseguir uma entrevista como o principal obstáculo para ingressar em uma vaga.

 

O problema, portanto, não está apenas na qualificação individual, mas na forma como a entrada no mercado é estruturada. Entre os jovens ouvidos, 45% nunca tiveram carteira assinada e 30% afirmam não ter experiência profissional. Em paralelo, o mercado segue exigindo histórico formal e priorizando critérios que muitas vezes desconsideram trajetórias não lineares, aprendizados informais e potencial de desenvolvimento.

 

As barreiras financeiras também têm peso relevante. Segundo o estudo, 69% dos jovens vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos, o que dificulta o acesso a transporte, computadores e internet de qualidade. Em muitos casos, o celular é o único meio disponível para acessar a rede, o que restringe a participação em processos seletivos e reduz as chances de contratação.

 

A visão da Brasscom

 

A Brasscom, consciente dos desafios e das oportunidades apontadas pelo estudo, atua para fomentar a formação e a inserção de talentos na área de tecnologia. “Na Brasscom, compreendemos que para além de ouvir as empresas, temos que abrir para os talentos, ouvir quem tem interesse em ingressar no setor e nos provocar. Nosso trabalho, especialmente por meio de parcerias e projetos educacionais, busca construir pontes efetivas para que esse interesse se transforme em oportunidades reais. É fundamental que o mercado de TI acolha e retenha esses novos talentos, superando barreiras como as dificuldades nas entrevistas e a falta de experiência formal, e garantindo um futuro mais inclusivo para esses jovens”, afirma Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação da associação.

 

Metodologia e perfil da amostra

 

O estudo “Escuta Jovem: Juventudes, Trabalho e Tecnologia” combinou duas abordagens complementares. A “Escuta Jovem Brasscom” utilizou uma amostra qualitativa de 46 jovens, predominantemente entre 17 e 25 anos, racializados e em transição entre a formação e a entrada no mercado de trabalho. Essa etapa aprofundou narrativas sobre barreiras de entrada, expectativas, vivências no trabalho e percepções sobre tecnologia e IA. Já o “Horizontes Comuns PROA” ouviu 420 jovens, majoritariamente mulheres, negras, egressas da escola pública e de baixa renda, além de 23 empregadores do setor de TIC. A combinação entre escuta qualitativa e análise quantitativa permitiu mapear desencontros e convergências entre as expectativas dos jovens e as demandas do mercado.

Mais do que um diagnóstico, o estudo é um convite para que setor privado, governo e instituições de ensino atuem de forma coordenada na construção de caminhos mais reais de entrada, permanência e desenvolvimento na tecnologia. Transformar o interesse dos jovens em carreira exige não apenas formação, mas também processos de seleção mais acessíveis, ambientes mais acolhedores e trajetórias profissionais mais claras.

 

Sobre a Brasscom

 

A Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, é uma associação representativa do setor em toda a sua pluralidade: com associados de vários portes, desde pequenas startups até grandes empresas do setor; com empresas nacionais e multinacionais, incluindo multinacionais brasileiras que se expandiram pelo mundo e multinacionais de outros países instaladas no Brasil. Essa pluralidade permite à Brasscom contribuir para o debate democrático com uma visão ampla e diversa sobre cada tema em questão.

 

Atualmente, a associação conta com mais de 100 empresas associadas, com diferentes modelos de negócios. Entre as várias responsabilidades da Brasscom, está a garantia de que informações essenciais sobre temas pertinentes à TIC, que contribuem para o desenvolvimento tecnológico econômico e social do Brasil, cheguem de maneira adequada e abrangente ao público.

  

Instituto PROA


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