Branca Barão fala da sua experiência entre a dor de deixar ir e a descoberta de que o amadurecimento de ambos também é parte dessa vivência
Quando
o filho de Branca Barão, palestrante, autora best-seller e referência em
felicidade prática, propósito e autenticidade feminina, embarcou para o Japão,
depois de 26 anos morando com ela, o que ficou não foi apenas uma cadeira vazia
na mesa do almoço. Ficou algo menos visível e mais difícil de nomear: a perda
de um propósito simbólico de quem se sente necessária para manter alguém
seguro. “Chamam de ninho vazio como se fosse uma fase bonita, quase
libertadora. Mas, para muitas mulheres, é uma perda real. O que está em jogo
não é só a ausência do filho, mas a culpa silenciosa de precisar conter o medo
do mundo e confiar que aquilo que foi construído ao longo dos anos sustenta a
autonomia dele agora”, explica.
A
experiência pessoal da palestrante dialoga com um fenômeno cada vez mais
discutido por pesquisadores da psicologia e do comportamento: a da ambivalência
emocional na maternidade. Estudos internacionais apontam que o chamado empty
nest não se resume à tristeza pela
saída dos filhos, mas envolve reorganização profunda de identidade,
especialmente em mulheres cuja função materna ocupou o centro da vida adulta.
Ao contrário da narrativa romantizada, pesquisas mostram que sentimentos contraditórios, tais como
dor, alívio, culpa, medo e sensação de inutilidade, são comuns e não indicam
falha materna. Pelo contrário: indicam transição de papéis, algo comparável a
outros grandes lutos da vida adulta.
Branca
descreve esse momento como o choque de atualizar a imagem mental do filho.
“Existe um instante em que você percebe que aquele ser não é mais uma extensão
sua. É um adulto. E isso muda tudo, a relação, o cuidado e até o silêncio que
fica quando eles saem de casa”, comenta. Para ela, esse deslocamento também
escancara um tema pouco dito, o do medo feminino de deixar de
ser necessária. “Muitas vezes, o que a gente chama de cuidado também é
controle. Não por maldade, mas porque foi assim que aprendemos a existir”,
afirma.
A
discussão ganhou novas camadas recentemente na cultura pop com o filme Robô
Selvagem, que retrata uma figura cuidadora programada para proteger e que
precisa aprender, dolorosamente, que amar também é soltar. Para Branca, essa
metáfora ecoa a vivência de muitas mães contemporâneas “quando a função que
organizava tudo deixa de ser central, quem é essa mulher que fica?”, questiona.
E continua: “E é aí que nos damos conta de que o ninho vazio não marca o fim da
maternidade, mas uma mudança radical na forma como agimos. A maternidade não
acaba. Ela apenas perde o controle. E isso obriga a mulher a se reencontrar
fora do papel que a definiu por décadas”, lembra.
Falar sobre isso sem romantização, especialmente às vésperas do Dia das Mães, é, segundo Branca, um exercício de honestidade social. “Essa fase não é apenas de perda, mas de redescoberta. Mães e filhos precisam aprender a se relacionar a partir de um novo lugar, menos pautado pelo controle e mais pela confiança, autonomia e principalmente respeito. É uma transição difícil, mas que pode abrir espaço para vínculos mais adultos e saudáveis”, afirma.
Branca Barão - Palestrante, autora best-seller e professora de pós-graduação em Estudos da Felicidade, Branca Barão atua há mais de 25 anos no desenvolvimento humano, traduzindo temas profundos em uma linguagem simples, prática e conectada à vida real. Ao longo dessa trajetória, já soma mais de 20 mil horas de palco e impactou cerca de 400 mil pessoas em palestras, treinamentos e eventos corporativos no Brasil e Estados Unidos. Seu trabalho nasce do princípio central de que valores importam. A partir dessa base, Branca desenvolveu métodos e programas que integram felicidade, propósito e autenticidade para apoiar pessoas e organizações a ampliarem consciência, performance e resultados sem abrir mão do bem-estar. Para ela, quando alguém aprende a reconhecer seus valores e a fazer escolhas intencionais, a autonomia deixa de ser discurso e passa a ser uma construção diária, consistente e sustentável. Formada em Programação Neurolinguística (PNL´.
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