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sábado, 9 de maio de 2026

Ninho vazio sem romantização: o fim do controle e o início de uma outra mulher

Branca Barão fala da sua experiência entre a dor de deixar ir e a descoberta de que o amadurecimento de ambos também é parte dessa vivência 

 

Quando o filho de Branca Barão, palestrante, autora best-seller e referência em felicidade prática, propósito e autenticidade feminina, embarcou para o Japão, depois de 26 anos morando com ela, o que ficou não foi apenas uma cadeira vazia na mesa do almoço. Ficou algo menos visível e mais difícil de nomear: a perda de um propósito simbólico de quem se sente necessária para manter alguém seguro. “Chamam de ninho vazio como se fosse uma fase bonita, quase libertadora. Mas, para muitas mulheres, é uma perda real. O que está em jogo não é só a ausência do filho, mas a culpa silenciosa de precisar conter o medo do mundo e confiar que aquilo que foi construído ao longo dos anos sustenta a autonomia dele agora”, explica. 

A experiência pessoal da palestrante dialoga com um fenômeno cada vez mais discutido por pesquisadores da psicologia e do comportamento: a da ambivalência emocional na maternidade. Estudos internacionais apontam que o chamado empty nest não se resume à tristeza pela saída dos filhos, mas envolve reorganização profunda de identidade, especialmente em mulheres cuja função materna ocupou o centro da vida adulta. Ao contrário da narrativa romantizada, pesquisas mostram que sentimentos contraditórios, tais como dor, alívio, culpa, medo e sensação de inutilidade, são comuns e não indicam falha materna. Pelo contrário: indicam transição de papéis, algo comparável a outros grandes lutos da vida adulta. 

Branca descreve esse momento como o choque de atualizar a imagem mental do filho. “Existe um instante em que você percebe que aquele ser não é mais uma extensão sua. É um adulto. E isso muda tudo, a relação, o cuidado e até o silêncio que fica quando eles saem de casa”, comenta. Para ela, esse deslocamento também escancara um tema pouco dito, o do medo feminino de deixar de ser necessária. “Muitas vezes, o que a gente chama de cuidado também é controle. Não por maldade, mas porque foi assim que aprendemos a existir”, afirma. 

A discussão ganhou novas camadas recentemente na cultura pop com o filme Robô Selvagem, que retrata uma figura cuidadora programada para proteger e que precisa aprender, dolorosamente, que amar também é soltar. Para Branca, essa metáfora ecoa a vivência de muitas mães contemporâneas “quando a função que organizava tudo deixa de ser central, quem é essa mulher que fica?”, questiona. E continua: “E é aí que nos damos conta de que o ninho vazio não marca o fim da maternidade, mas uma mudança radical na forma como agimos. A maternidade não acaba. Ela apenas perde o controle. E isso obriga a mulher a se reencontrar fora do papel que a definiu por décadas”, lembra. 

Falar sobre isso sem romantização, especialmente às vésperas do Dia das Mães, é, segundo Branca, um exercício de honestidade social. “Essa fase não é apenas de perda, mas de redescoberta. Mães e filhos precisam aprender a se relacionar a partir de um novo lugar, menos pautado pelo controle e mais pela confiança, autonomia e principalmente respeito. É uma transição difícil, mas que pode abrir espaço para vínculos mais adultos e saudáveis”, afirma.

 

Branca Barão - Palestrante, autora best-seller e professora de pós-graduação em Estudos da Felicidade, Branca Barão atua há mais de 25 anos no desenvolvimento humano, traduzindo temas profundos em uma linguagem simples, prática e conectada à vida real. Ao longo dessa trajetória, já soma mais de 20 mil horas de palco e impactou cerca de 400 mil pessoas em palestras, treinamentos e eventos corporativos no Brasil e Estados Unidos. Seu trabalho nasce do princípio central de que valores importam. A partir dessa base, Branca desenvolveu métodos e programas que integram felicidade, propósito e autenticidade para apoiar pessoas e organizações a ampliarem consciência, performance e resultados sem abrir mão do bem-estar. Para ela, quando alguém aprende a reconhecer seus valores e a fazer escolhas intencionais, a autonomia deixa de ser discurso e passa a ser uma construção diária, consistente e sustentável. Formada em Programação Neurolinguística (PNL´.



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