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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Doce Veneno: Como o uso de vape pode comprometer os pulmões de jovens em poucos meses; entenda o ‘Pulmão de Pipoca’

 Freepik

 Especialistas explicam como o cigarro eletrônico acelera lesões pulmonares e vicia até 10 vezes mais rápido que o convencional

 

O que começa com um aroma inofensivo de baunilha, morango ou menta pode terminar em uma mesa de cirurgia ou com a dependência de um cilindro de oxigênio. O uso dos cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, deixou de ser uma "alternativa recreativa" para se tornar um problema de saúde pública no Brasil. O alvo? Jovens e adolescentes atraídos por cores e sabores que escondem um coquetel de mais de 2.000 substâncias tóxicas. 

A condição, conhecida como bronquiolite obliterante e apelidada de “pulmão de pipoca”, atinge os bronquíolos – considerados as menores vias aéreas dos pulmões, responsáveis por levar o ar até os alvéolos, onde ocorre a troca de oxigênio. A inflamação intensa destrói essas estruturas e provoca uma obstrução permanente, levando à insuficiência respiratória e, em casos extremos, à morte. 

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)1, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos no Brasil já experimentaram o cigarro eletrônico. O índice quase dobrou em relação a 2019 (16,8%) e evidencia o avanço acelerado do vape entre adolescentes, na contramão da queda observada no consumo de cigarros tradicionais. 

Para a pneumologista Elnara Márcia Negri, do Hospital Sírio-Libanês, os cigarros eletrônicos não são uma alternativa mais segura e podem, inclusive, acelerar danos ao organismo. “O vape é muito prejudicial, e suas lesões se instalam nos pulmões mais rapidamente que o cigarro convencional. Apenas alguns meses de uso podem levar a lesões que o cigarro levaria vários anos para causar”, afirma. 

O nome da doença surgiu após trabalhadores de fábricas de pipoca desenvolverem o problema ao inalar substâncias como o diacetil, um composto usado para dar aroma de manteiga. Hoje, esse mesmo elemento está presente em líquidos de vape. “Esse composto aromatizante, quando inalado, causa fibrose dos bronquíolos. A inflamação é tão intensa que destrói o revestimento dessas vias aéreas, levando a uma obstrução irreversível”, explica a médica. 

Mas o diacetil está longe de ser o único vilão. De acordo com a especialista, os dispositivos eletrônicos podem conter mais de 2 mil substâncias químicas. Entre elas, metais pesados como níquel, chumbo e zinco – liberados pelas baterias – além de compostos tóxicos e cancerígenos como formaldeído, acroleína e nicotina. “São substâncias altamente venenosas, sem qualquer segurança para inalação”, alerta. 

Outro ponto de atenção é o alto potencial de dependência. “O sal de nicotina presente no cigarro eletrônico foi desenvolvido para viciar até dez vezes mais rápido que o convencional”, afirma Elnara. A especialista explica que a combinação de nicotina com sabores doces e frutados funciona como porta de entrada especialmente perigosa para jovens. Os impactos, no entanto, não se restringem aos pulmões, já que estudos também apontam prejuízos ao cérebro em desenvolvimento, com efeitos sobre a neuroplasticidade, além de quadros de ansiedade, distúrbios de atenção, insônia e até crises de pânico. 

Os primeiros sinais de alerta costumam ser silenciosos: tosse crônica, chiado no peito e falta de ar ao se esforçar. Em estágios iniciais, alguns danos podem ser revertidos, mas o diagnóstico tardio pode levar a consequências permanentes. “Os danos podem evoluir para câncer de pulmão, boca e bexiga, além de perda progressiva da função respiratória”, explica a médica. 

Para a especialista, reverter esse cenário passa por informação e diálogo dentro e fora de casa. “Pais precisam estar atentos e conversar com seus filhos. O vício em vape muitas vezes exige ajuda médica para ser tratado. E complementa: “Quanto mais cedo ocorre o contato com o dispositivo, maior a dificuldade de interromper o uso e mais intensos podem ser os impactos no desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes”. 



Hospital Sírio-Libanês
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