Irregularidade ocular provoca
distorções visuais e demanda diagnóstico precoce, explica oftalmologista 
Foto: Imagem de benzoix no Magnific
Você conhece alguém que tenha astigmatismo? Sabia que
o problema é mais comum do que imagina? Segundo a Sociedade Brasileira de
Oftalmologia, cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com essa alteração
visual, muitas vezes sem diagnóstico adequado ou acompanhamento regular. Apesar
de amplamente conhecido, o quadro ainda é subestimado, principalmente quando
comparado à miopia, o que pode atrasar a busca por avaliação especializada e
comprometer a qualidade de vida.
“Existe uma percepção equivocada de que o astigmatismo causa
apenas leve desconforto, porém a distorção visual pode ser bastante
significativa e interferir em diversas atividades do dia a dia”, explica o Dr.
Alfredo Pigatin Neto, oftalmologista do H.Olhos.
Caracterizado por uma curvatura irregular da córnea ou do
cristalino, o problema impede que os raios luminosos sejam focados corretamente
sobre a retina, resultando em imagens borradas ou distorcidas em qualquer
distância. Diferente de outros erros refrativos, essa condição não se restringe
a perto ou longe, afetando a nitidez de forma global. “O paciente pode enxergar
linhas tortas, perceber sombras nas letras ou ter dificuldade em manter foco
contínuo durante leitura e uso de telas”, afirma. Esses sinais, muitas vezes
ignorados, podem evoluir para quadros de fadiga ocular intensa.
Além da visão embaçada, sintomas como dores de cabeça frequentes,
ardência, lacrimejamento e sensação de esforço constante são comuns,
especialmente após longos períodos de concentração. Crianças também podem ser
impactadas, apresentando queda no rendimento escolar ou desinteresse por
atividades que exigem atenção visual. “Quando não identificado precocemente, o
astigmatismo pode prejudicar o desenvolvimento, já que a dificuldade para
enxergar interfere diretamente na aprendizagem”, ressalta o oftalmologista.
A confirmação ocorre por meio de consulta oftalmológica completa,
com exames que analisam refração e estruturas oculares. Esse processo permite
identificar o grau da irregularidade e definir a melhor estratégia de correção.
Óculos com lentes cilíndricas ou lentes de contato específicas costumam ser
indicados para compensar a curvatura desigual. “A escolha do método deve
considerar o perfil do paciente, rotina e necessidades visuais, garantindo
conforto e eficiência na adaptação”, explica.
Em situações específicas, principalmente quando há graus elevados
ou intolerância às opções convencionais, procedimentos cirúrgicos podem ser
recomendados. Técnicas modernas possibilitam remodelar a superfície corneana,
corrigindo a irregularidade e melhorando a qualidade da visão. “A cirurgia
refrativa evoluiu muito nos últimos anos, oferecendo segurança e bons
resultados, desde que haja indicação criteriosa e avaliação individualizada”,
destaca.
Mesmo sendo comum, o astigmatismo exige atenção contínua.
Consultas periódicas são essenciais para monitorar possíveis mudanças e ajustar
a correção ao longo do tempo. O cuidado preventivo evita complicações e
contribui para o bem-estar visual em todas as fases da vida. “Enxergar bem não
deve ser encarado como luxo, mas como parte fundamental da saúde, e qualquer
alteração precisa ser investigada com seriedade”, finaliza o Dr. Alfredo
Pigatin Neto.
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