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sábado, 9 de maio de 2026

Transtornos psicológicos e maternidade: os impactos no cuidado e no bem-estar

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 Especialistas do CEJAM alertam para a sobrecarga emocional e reforçam a importância de uma rede de apoio

 

A maternidade é uma experiência de intensa transformação e, quando atravessada por questões relacionadas à saúde mental, pode tornar os desafios do dia a dia ainda mais complexos. A rotina com um bebê, marcada por mudanças constantes e excesso de estímulos, tende a impactar especialmente pessoas com maior sensibilidade sensorial ou necessidade de organização.

De acordo com o Dr. Rodrigo Lancelote, psiquiatra e diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental de Franco da Rocha (CAISM), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim", as oscilações hormonais, a privação de sono e a carga emocional do período perinatal podem agravar sintomas preexistentes.

"A imprevisibilidade das demandas, o alto volume de estímulos e a intensa carga mental podem gerar sobrecarga significativa, esgotamento e comprometer a regulação emocional. Quando sinais como irritabilidade intensa, dificuldade de organização ou isolamento começam a interferir no autocuidado ou no cuidado com o bebê, é fundamental procurar uma avaliação psiquiátrica", orienta o especialista.

Muitas mães, no entanto, enfrentam dificuldades para buscar ajuda, seja pelo estigma em torno da saúde mental ou pela sobrecarga vivida nesse período. Esse esforço para se adequar a um ideal social é o que a psicóloga Ana Paula Hirakawa, do Centro Especializado em Reabilitação IV CER M’Boi Mirim, unidade gerenciada pelo CEJAM em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), descreve como um fator de exaustão.

"A mãe com um transtorno mental esgota sua energia tentando performar a ‘maternidade padrão’ esperada pela sociedade. Não é um mero cansaço, mas um esgotamento real, que pode levar a apagões emocionais ou reatividade extrema", afirma.

Nesse cenário, a culpa pode se tornar um elemento recorrente. "O diagnóstico pode dar um contorno a essa experiência, ajudando a reduzir leituras cruéis sobre si mesma e a diferenciar o que é parte de sua condição e o que resulta de exigências externas", explica Hirakawa.

Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) corroboram essa realidade, indicando que cerca de 25% das mães no Brasil apresentam sofrimento psíquico no pós-parto, com a sobrecarga e a baixa rede de apoio como fatores de risco.


Quando o cuidado inclui quem cuida 

Nas unidades gerenciadas pelo CEJAM, a Linha de Cuidado Materno Infantil propõe um olhar que integra a saúde mental ao acompanhamento físico desde o pré-natal. Segundo Edcley Soncin, gerente da UBS Horizonte Azul, também administrada pela OSS em parceria com a SMS-SP, "a assistência materno-infantil não deve ser focada apenas na saúde física da mãe e do bebê, mas também no bem-estar emocional e social".

Ele explica que as equipes são orientadas a realizar uma escuta qualificada para identificar sinais de sobrecarga e, quando necessário, encaminhar a paciente para apoio psicológico, garantindo a continuidade do cuidado sem estigmatização.

Para mães com transtornos neuropsiquiátricos, essa abordagem é especialmente relevante, pois reconhece as especificidades de sua vivência e amplia a capacidade de oferecer um cuidado mais sensível e efetivo.

 

CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial

 

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