Com uma abordagem integrada e personalizada, especialista explica como pequenas mudanças podem transformar o metabolismo, a energia e a relação com o próprio corpo
Cansaço constante, dificuldade para perder peso, alterações de
humor e a sensação de que o corpo não responde mais como antes. Esses sinais,
cada vez mais comuns entre mulheres de diferentes idades, podem estar
diretamente ligados ao desequilíbrio hormonal, um fator muitas vezes
negligenciado quando o assunto é emagrecimento. E os números ajudam a explicar
esse cenário: segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da World Obesity
Federation, 68% da população brasileira já vive com excesso de peso, sendo 31%
com obesidade, com projeção de crescimento nos próximos anos.
Para o médico Igor Trotte, ginecologista com atuação também em
endocrinologia e nutrologia, o primeiro passo é mudar o olhar sobre o próprio
corpo. “Não se trata apenas de emagrecer, mas de entender como o organismo
funciona. Quando os hormônios estão em equilíbrio, o corpo responde melhor e o
processo se torna mais natural”, explica.
A seguir, o especialista aponta cinco caminhos essenciais para
quem busca resultados consistentes e duradouros:
1. Equilíbrio hormonal é ponto de partida
Hormônios desregulados impactam diretamente o
metabolismo, o apetite, o sono e até o armazenamento de gordura, especialmente
na região abdominal. Alterações em estrogênio, progesterona, tireoide e
insulina, por exemplo, podem desacelerar o organismo e dificultar a perda de
peso, mesmo com dieta e exercício. “Quando há indicação, a reposição hormonal
pode ser uma aliada importante para restaurar esse equilíbrio e melhorar não só
o metabolismo, mas também disposição e qualidade de vida”, afirma.
2. Sono de qualidade transforma o metabolismo
Dormir bem não é luxo, é estratégia metabólica.
Durante o sono, o corpo regula hormônios essenciais como a leptina (saciedade)
e a grelina (fome). Noites mal dormidas aumentam o apetite, especialmente por
alimentos mais calóricos, e reduzem a capacidade do organismo de queimar
gordura. Além disso, o sono insuficiente eleva o cortisol, hormônio do
estresse, que também favorece o acúmulo de gordura.
3. Alimentação precisa ser sustentável
Mais do que seguir dietas restritivas, o ideal é
construir uma rotina alimentar equilibrada e possível de manter. Restrições
excessivas podem até gerar resultados rápidos, mas tendem a desregular o
metabolismo e aumentar as chances de efeito rebote. “O melhor plano alimentar é
aquele que a paciente consegue sustentar no longo prazo, respeitando sua rotina
e suas preferências”, destaca. A chave está na constância e não na perfeição.
4. Movimento com constância faz a diferença
A atividade física vai além da estética: ela atua
diretamente na regulação hormonal, melhora a sensibilidade à insulina e contribui
para a manutenção da massa muscular, essencial para um metabolismo mais ativo.
Exercícios de força, por exemplo, são aliados importantes nesse processo. “Não
precisa ser extremo, mas precisa ser consistente. O corpo responde à
regularidade”, orienta.
5. Acompanhamento é essencial para evoluir
O corpo é dinâmico e o tratamento também deve ser.
Fases hormonais, rotina, estresse e até o envelhecimento influenciam os
resultados ao longo do tempo. Por isso, o acompanhamento profissional permite
ajustes mais precisos e seguros. “O acompanhamento contínuo evita estagnações,
corrige rotas e garante que o tratamento evolua junto com a paciente”, reforça.
Mais do que alcançar um número na balança, a proposta é recuperar energia, autoestima e qualidade de vida. E o alerta é claro: se nenhuma mudança for feita, a tendência é de crescimento contínuo dos casos de excesso de peso, como aponta o próprio Atlas Mundial da Obesidade 2025. “Quando hormônios, metabolismo e estilo de vida estão alinhados, a transformação acontece de dentro para fora e isso reflete em tudo”, conclui o especialista.
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