Especialista
aponta cuidados jurídicos que marcas devem ter ao aproveitar o maior evento
esportivo do planeta
Unsplash
A edição da Copa do Mundo FIFA de 2026 está chegando, previsto para os meses de junho e julho. É de extremo conhecimento que poucos eventos mobilizam tantos brasileiros quanto a Copa, seja pela audiência massiva dos jogos, pelo engajamento nas redes sociais ou pelo envolvimento emocional que toma conta do país durante a competição.
Esse cenário, no entanto, exige mais do que criatividade e timing. Com regras rígidas de proteção de marca, direitos de imagem e licenciamento, a Copa também é um dos eventos mais sensíveis do ponto de vista jurídico. Campanhas mal planejadas ou que tentam “surfar” o tema sem respaldo legal podem resultar em notificações, multas e até ações judiciais.
Segundo Gabriela Pastore, advogada especialista em Direitos Autorais e Direito do Entretenimento da Weiss Advocacia, o erro mais comum é subestimar esse risco. “Muitas empresas enxergam a Copa apenas como uma oportunidade de marketing, mas esquecem que se trata de um evento com forte proteção jurídica. Sem o devido cuidado, uma campanha pode gerar mais problemas do que resultados”, afirma.
A seguir, a especialista destaca os principais erros que devem ser evitados pelas marcas:
1) Não se preparar com antecedência
Deixar o planejamento para a última hora pode comprometer não só a
criatividade, mas também a segurança jurídica da campanha. “Sem tempo hábil
para revisão, aumenta o risco de uso indevido de elementos protegidos, como
marcas e referências ao evento”, explica Gabriela.
2) Acreditar que redes sociais têm
regras mais flexíveis
Muitas empresas concentram suas ações no digital, mas ignoram que as mesmas
normas se aplicam a todos os canais. “O uso de imagens, vídeos, trilhas sonoras
e até conteúdos inspirados no universo da Copa exige atenção aos direitos
autorais e de imagem, independentemente da plataforma”, destaca.
3) Não participar da conversa do
público
Ficar fora do debate também pode ser um erro estratégico, mas a participação
precisa ser feita com cautela. “É possível dialogar com o público sem criar
associação indevida com a Copa. O problema é quando a comunicação sugere um
vínculo oficial que não existe”, diz.
4) Apostar
no ambush marketing sem avaliar riscos
A tentativa de se associar ao evento sem ser patrocinador oficial continua
sendo uma prática comum, mas perigosa. “Dependendo da forma como é feita, essa
estratégia pode ser enquadrada como infração e gerar sanções legais, além de
prejudicar a reputação da marca”, alerta.
Para Gabriela, o caminho mais seguro é
integrar o jurídico ao planejamento desde o início. “Uma campanha eficiente não
é apenas criativa e oportuna, mas também segura do ponto de vista legal. Antecipar
essa análise é fundamental para aproveitar o potencial da Copa sem correr
riscos desnecessários”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário