Inspiradas por
corpos como os de Kim Kardashian e Kylie Jenner, pacientes chegam com padrões
prontos aos consultórios, mas especialistas alertam que a recusa pode ser a
decisão mais responsável
Créditos: @kimkardashian @kyliejenner
CO Assessoria
A influência estética de
celebridades sobre o público atingiu um novo nível nos últimos anos, levando
pacientes a chegarem aos consultórios com referências visuais já definidas e
expectativas muitas vezes desconectadas da própria realidade corporal. Esse
cenário tem provocado uma mudança na atuação médica, que passa a incluir com
mais frequência a recusa de procedimentos sem indicação adequada.
Para o médico Roberto Chacur
(CRMRJ 95368), criador da GoldIncision, o principal desafio está na condução
dessas expectativas. Segundo ele, padrões difundidos por figuras públicas
ignoram fatores essenciais como anatomia, proporção e histórico individual, o
que torna inviável a reprodução de determinados resultados.
Ele afirma que a decisão de não
realizar o procedimento passou a fazer parte da prática clínica. “Existe uma
diferença clara entre o que o paciente quer e o que o corpo dele permite.
Quando essa conta não fecha, o mais correto é não fazer”, diz.
Chacur relata que já recusou
atendimentos mesmo diante de alto interesse financeiro. “Já recusei pacientes
dispostos a pagar qualquer valor. Quando sei que o resultado não será adequado,
realizar o procedimento é assumir um erro desde o início.” O movimento ganha
força diante do aumento de pacientes insatisfeitos não pela execução, mas pela
indicação equivocada. Em muitos casos, a decisão inicial, influenciada por
comparação com celebridades ou tendências digitais, acaba sendo o principal
fator de frustração.
Para Nívea Bordin Chacur, CEO das
clínicas Leger, esse contexto exige uma abordagem mais criteriosa. “Muitos
pacientes chegam com expectativas construídas fora do consultório. Quando isso
não é ajustado, o resultado dificilmente atende. O não passa a ser parte do
cuidado”, afirma. Ela explica que a recusa, quando bem fundamentada, fortalece
a confiança. “Quando existe clareza na decisão, o paciente percebe que há
critério. Isso reduz o risco de arrependimento.”
Outro ponto relevante é a pressa.
A busca por resultados imediatos, muitas vezes influenciada por redes sociais,
reduz o tempo de análise e aumenta a probabilidade de escolhas inadequadas. Na
prática, dizer não envolve uma avaliação que vai além da técnica, incluindo
motivação e contexto do paciente. “Quando o pedido nasce de comparação, nenhum
resultado será suficiente”, conclui Chacur.
Nenhum comentário:
Postar um comentário