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domingo, 10 de maio de 2026

Quando dizer ‘não’ ao paciente vira a decisão mais responsável na estética


Créditos: @kimkardashian @kyliejenner
CO Assessoria
Inspiradas por corpos como os de Kim Kardashian e Kylie Jenner, pacientes chegam com padrões prontos aos consultórios, mas especialistas alertam que a recusa pode ser a decisão mais responsável


A influência estética de celebridades sobre o público atingiu um novo nível nos últimos anos, levando pacientes a chegarem aos consultórios com referências visuais já definidas e expectativas muitas vezes desconectadas da própria realidade corporal. Esse cenário tem provocado uma mudança na atuação médica, que passa a incluir com mais frequência a recusa de procedimentos sem indicação adequada.

Para o médico Roberto Chacur (CRMRJ 95368), criador da GoldIncision, o principal desafio está na condução dessas expectativas. Segundo ele, padrões difundidos por figuras públicas ignoram fatores essenciais como anatomia, proporção e histórico individual, o que torna inviável a reprodução de determinados resultados.

Ele afirma que a decisão de não realizar o procedimento passou a fazer parte da prática clínica. “Existe uma diferença clara entre o que o paciente quer e o que o corpo dele permite. Quando essa conta não fecha, o mais correto é não fazer”, diz.

Chacur relata que já recusou atendimentos mesmo diante de alto interesse financeiro. “Já recusei pacientes dispostos a pagar qualquer valor. Quando sei que o resultado não será adequado, realizar o procedimento é assumir um erro desde o início.” O movimento ganha força diante do aumento de pacientes insatisfeitos não pela execução, mas pela indicação equivocada. Em muitos casos, a decisão inicial, influenciada por comparação com celebridades ou tendências digitais, acaba sendo o principal fator de frustração.

Para Nívea Bordin Chacur, CEO das clínicas Leger, esse contexto exige uma abordagem mais criteriosa. “Muitos pacientes chegam com expectativas construídas fora do consultório. Quando isso não é ajustado, o resultado dificilmente atende. O não passa a ser parte do cuidado”, afirma. Ela explica que a recusa, quando bem fundamentada, fortalece a confiança. “Quando existe clareza na decisão, o paciente percebe que há critério. Isso reduz o risco de arrependimento.”

Outro ponto relevante é a pressa. A busca por resultados imediatos, muitas vezes influenciada por redes sociais, reduz o tempo de análise e aumenta a probabilidade de escolhas inadequadas. Na prática, dizer não envolve uma avaliação que vai além da técnica, incluindo motivação e contexto do paciente. “Quando o pedido nasce de comparação, nenhum resultado será suficiente”, conclui Chacur.


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