Mesmo em um cenário de regras migratórias mais
rigorosas, os Estados Unidos continuam entre os destinos mais procurados pelos
brasileiros. O país segue atraindo não apenas turistas, mas também pessoas
interessadas em estudar, investir ou desenvolver atividades profissionais de
médio e longo prazo.
O movimento se mantém consistente desde 2025,
quando o Brasil figurou entre os principais mercados emissores de visitantes
para os Estados Unidos. Segundo dados do Escritório Nacional de Viagens e
Turismo dos EUA, mais de 191,6 mil brasileiros desembarcaram no país apenas em
janeiro daquele ano. Desde então, o perfil do brasileiro que chega aos EUA tem
passado por mudanças importantes.
“O que percebemos hoje é um viajante mais
estratégico. Muitos brasileiros já conhecem os Estados Unidos como turistas e
agora buscam alternativas que façam sentido para planos mais duradouros, dentro
das regras migratórias”, explica Larissa Salvador, CEO da Salvador Law, e
advogada de imigração nos EUA.
Segundo a especialista, essa mudança de perfil
aparece principalmente no tipo de dúvida que chega aos escritórios de
imigração. “Antes, era comum que o brasileiro perguntasse como poderia estender
a permanência com o visto de turismo. Hoje, a pergunta já é diferente: qual
visto é mais adequado para estudar, investir ou trabalhar legalmente no país?”,
afirma.
De acordo com ela, passar mais tempo nos Estados
Unidos continua sendo possível, mesmo em meio a mudanças e regras migratórias
mais rígidas. A diferença é que o planejamento passou a ser central no
processo. “Muitas pessoas acreditam que ficar mais tempo nos EUA é algo
restrito ou extremamente complexo. Na prática,existem diferentes categorias de
visto que permitem permanência nos EUA enquanto o propósito autorizado estiver
sendo cumprido. Mesmo diante das mudanças, há caminhos para quem se organiza”,
afirma.
Pensando nisso a especialista destaca alguns dos
vistos que permitem estadias mais longas:
Investimento como porta de entrada: Entre as
alternativas, o visto E-2 costuma chamar a atenção de quem tem perfil
empreendedor. Embora o Brasil não tenha tratado diretamente com os Estados
Unidos para essa categoria, brasileiros com dupla cidadania em países elegíveis
podem acessar o programa.
O E-2 é voltado a investidores que desejam abrir ou
adquirir um negócio no país e participar ativamente da sua gestão. Um
diferencial é que não há limite máximo de renovações: o status pode ser mantido
enquanto o negócio permanecer ativo e cumprir os requisitos legais. “É uma
opção estratégica para quem já empreende ou deseja expandir negócios”, diz
Larissa. O visto também permite que o cônjuge trabalhe legalmente nos EUA, o
que costuma pesar na decisão familiar.
Estudo como caminho previsível: Outra rota
bastante utilizada é o visto F-1, voltado a estudantes. Ele permite que o
estrangeiro permaneça nos Estados Unidos durante todo o período do curso e
eventuais períodos autorizados relacionados à formação, que podem incluir
graduação, especialização, mestrado, doutorado ou programas técnicos.
A vantagem está na previsibilidade: a duração da
estadia acompanha o tempo de estudo, o que pode significar vários anos no país.
Dependendo do curso, o estudante também pode ter autorização para atividades
práticas, como o Optional Practical Training (OPT), após a conclusão.
Larissa destaca, no entanto, que o processo exige
atenção aos detalhes. “Informações prestadas em formulários e até perfis em
redes sociais podem ser analisados durante o processo consular. A coerência
entre discurso e histórico é fundamental.”
Intercâmbio além do óbvio: Menos
compreendido pelo público em geral, o visto J-1 abrange uma ampla variedade de
programas: intercâmbio acadêmico, pesquisa, treinamento profissional, docência
e até au pair. A duração varia conforme a categoria e pode ir de alguns meses a
vários anos.
“Muita gente associa o J-1 a experiências curtas,
mas há programas longos, especialmente nas áreas acadêmica e científica”,
afirma a advogada.
Um ponto de atenção é a chamada regra dos dois
anos, que pode exigir que o participante retorne ao país de origem antes de
solicitar outros vistos ou residência permanente. A exigência não se aplica a
todos os casos, mas precisa ser avaliada com cuidado.
Transferência dentro da empresa: Para
executivos e profissionais ligados a multinacionais, o visto L-1 permite a
transferência de funcionários de uma empresa estrangeira para uma unidade nos
Estados Unidos. A permanência pode chegar a sete anos para cargos executivos e
gerenciais (L-1A) ou cinco anos para profissionais com conhecimento
especializado (L-1B).
Além disso, os dependentes recebem o visto L-2, que
autoriza o cônjuge a trabalhar legalmente no país. “O L-1 é uma ferramenta
importante para empresas globais e pode, em alguns casos, abrir caminho para
etapas migratórias futuras”, explica Larissa.
Apesar das diferentes opções, a advogada de
imigraçao reforça que o tempo de permanência não deve ser o único critério de
escolha. Cada visto tem exigências próprias e impactos distintos na trajetória
migratória do solicitante.
“O visto ideal não é o mais longo, mas o mais
coerente com o objetivo real da pessoa. O maior erro é começar pelo tipo de
visto e não pelo objetivo. Quando a estratégia é construída a partir do plano
de vida ou de negócios do cliente, as alternativas aparecem com mais clareza e
segurança jurídica”, conclui.
Dra Larissa Salvador: Advogada de imigração tem como missão representar brasileiros que desejam conquistar o Sonho Americano por meio de soluções jurídicas personalizadas. Nascida em Madureira, no Rio de Janeiro, e tendo vivido boa parte da sua vida no Complexo do Alemão (RJ),
https://salvadorlawpa.com

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