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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Saiba como brasileiros têm conseguido permanecer mais tempo nos EUA

 Apesar das restrições em algumas categorias, o sistema migratório dos EUA ainda oferece alternativas para permanências prolongadas. Especialista em imigração explica.


Mesmo em um cenário de regras migratórias mais rigorosas, os Estados Unidos continuam entre os destinos mais procurados pelos brasileiros. O país segue atraindo não apenas turistas, mas também pessoas interessadas em estudar, investir ou desenvolver atividades profissionais de médio e longo prazo.

O movimento se mantém consistente desde 2025, quando o Brasil figurou entre os principais mercados emissores de visitantes para os Estados Unidos. Segundo dados do Escritório Nacional de Viagens e Turismo dos EUA, mais de 191,6 mil brasileiros desembarcaram no país apenas em janeiro daquele ano. Desde então, o perfil do brasileiro que chega aos EUA tem passado por mudanças importantes.

“O que percebemos hoje é um viajante mais estratégico. Muitos brasileiros já conhecem os Estados Unidos como turistas e agora buscam alternativas que façam sentido para planos mais duradouros, dentro das regras migratórias”, explica Larissa Salvador, CEO da Salvador Law, e advogada de imigração nos EUA.

Segundo a especialista, essa mudança de perfil aparece principalmente no tipo de dúvida que chega aos escritórios de imigração. “Antes, era comum que o brasileiro perguntasse como poderia estender a permanência com o visto de turismo. Hoje, a pergunta já é diferente: qual visto é mais adequado para estudar, investir ou trabalhar legalmente no país?”, afirma.

De acordo com ela, passar mais tempo nos Estados Unidos continua sendo possível, mesmo em meio a mudanças e regras migratórias mais rígidas. A diferença é que o planejamento passou a ser central no processo. “Muitas pessoas acreditam que ficar mais tempo nos EUA é algo restrito ou extremamente complexo. Na prática,existem diferentes categorias de visto que permitem permanência nos EUA enquanto o propósito autorizado estiver sendo cumprido. Mesmo diante das mudanças, há caminhos para quem se organiza”, afirma.

Pensando nisso a especialista destaca alguns dos vistos que permitem estadias mais longas:  

Investimento como porta de entrada: Entre as alternativas, o visto E-2 costuma chamar a atenção de quem tem perfil empreendedor. Embora o Brasil não tenha tratado diretamente com os Estados Unidos para essa categoria, brasileiros com dupla cidadania em países elegíveis podem acessar o programa.

O E-2 é voltado a investidores que desejam abrir ou adquirir um negócio no país e participar ativamente da sua gestão. Um diferencial é que não há limite máximo de renovações: o status pode ser mantido enquanto o negócio permanecer ativo e cumprir os requisitos legais. “É uma opção estratégica para quem já empreende ou deseja expandir negócios”, diz Larissa. O visto também permite que o cônjuge trabalhe legalmente nos EUA, o que costuma pesar na decisão familiar.

Estudo como caminho previsível: Outra rota bastante utilizada é o visto F-1, voltado a estudantes. Ele permite que o estrangeiro permaneça nos Estados Unidos durante todo o período do curso e eventuais períodos autorizados relacionados à formação, que podem incluir graduação, especialização, mestrado, doutorado ou programas técnicos.

A vantagem está na previsibilidade: a duração da estadia acompanha o tempo de estudo, o que pode significar vários anos no país. Dependendo do curso, o estudante também pode ter autorização para atividades práticas, como o Optional Practical Training (OPT), após a conclusão.

Larissa destaca, no entanto, que o processo exige atenção aos detalhes. “Informações prestadas em formulários e até perfis em redes sociais podem ser analisados durante o processo consular. A coerência entre discurso e histórico é fundamental.”

Intercâmbio além do óbvio: Menos compreendido pelo público em geral, o visto J-1 abrange uma ampla variedade de programas: intercâmbio acadêmico, pesquisa, treinamento profissional, docência e até au pair. A duração varia conforme a categoria e pode ir de alguns meses a vários anos.

“Muita gente associa o J-1 a experiências curtas, mas há programas longos, especialmente nas áreas acadêmica e científica”, afirma a advogada.

Um ponto de atenção é a chamada regra dos dois anos, que pode exigir que o participante retorne ao país de origem antes de solicitar outros vistos ou residência permanente. A exigência não se aplica a todos os casos, mas precisa ser avaliada com cuidado.

Transferência dentro da empresa: Para executivos e profissionais ligados a multinacionais, o visto L-1 permite a transferência de funcionários de uma empresa estrangeira para uma unidade nos Estados Unidos. A permanência pode chegar a sete anos para cargos executivos e gerenciais (L-1A) ou cinco anos para profissionais com conhecimento especializado (L-1B).

Além disso, os dependentes recebem o visto L-2, que autoriza o cônjuge a trabalhar legalmente no país. “O L-1 é uma ferramenta importante para empresas globais e pode, em alguns casos, abrir caminho para etapas migratórias futuras”, explica Larissa.

Apesar das diferentes opções, a advogada de imigraçao reforça que o tempo de permanência não deve ser o único critério de escolha. Cada visto tem exigências próprias e impactos distintos na trajetória migratória do solicitante.

“O visto ideal não é o mais longo, mas o mais coerente com o objetivo real da pessoa. O maior erro é começar pelo tipo de visto e não pelo objetivo. Quando a estratégia é construída a partir do plano de vida ou de negócios do cliente, as alternativas aparecem com mais clareza e segurança jurídica”, conclui. 

 

Dra Larissa Salvador: Advogada de imigração tem como missão representar brasileiros que desejam conquistar o Sonho Americano por meio de soluções jurídicas personalizadas. Nascida em Madureira, no Rio de Janeiro, e tendo vivido boa parte da sua vida no Complexo do Alemão (RJ),
https://salvadorlawpa.com


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