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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Pesquisa nacional revela desafios e caminhos para melhorar o clima escolar nas escolas públicas brasileira

 



·         Estudo conduzido pela Fundação Carlos Chagas e MEC ouve gestores escolares e lança guia para promover ambientes escolares mais seguros, participativos e acolhedores

·         71,7% dos gestores escolares apontam dificuldades para dialogar sobre o enfrentamento às violências, como bullying, racismo e capacitismo

·         67,6% das escolas possuem equipe responsável por ações voltadas à melhoria do clima escolar

 

Uma pesquisa nacional revela que o enfrentamento às diferentes formas de violência, como bullying, racismo e capacitismo, ainda é o principal desafio para a promoção de um clima escolar positivo nas escolas públicas brasileiras. Segundo o estudo, 71,7% dos gestores apontam dificuldade para dialogar sobre o tema, enquanto mais da metade das escolas nunca realizou um diagnóstico estruturado do clima escolar, etapa considerada essencial para orientar políticas de convivência e aprendizagem.

A pesquisa foi conduzida pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e fundamenta a elaboração do novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, que será lançado oficialmente no dia 7 de maio, quinta-feira, às 10 horas, no canal do YouTube do MEC. A iniciativa integra o Programa Escola das Adolescências, instituído pela Portaria MEC nº 635/2024, voltado ao fortalecimento da qualidade da educação nos anos finais do ensino fundamental.

 


Relação família-escola


Além do enfrentamento às violências, 67,9% dos gestores relatam dificuldades para fortalecer a aproximação entre escola, famílias e comunidade, enquanto 64,1% apontam entraves na construção de bons relacionamentos entre estudantes e 60,3% mencionam desafios para desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos.

Para o pesquisador Adriano Moro, do Departamento de Pesquisas Educacionais da FCC e coordenador do estudo, os resultados reforçam que o clima escolar é reconhecido pelos gestores como elemento central para a aprendizagem, a convivência democrática e o bem-estar da comunidade escolar. 

“Os gestores identificam o clima escolar como um fundamento da qualidade educacional, capaz de fortalecer vínculos entre estudantes, professores e famílias, ampliar o engajamento dos alunos e favorecer processos de aprendizagem mais consistentes”, afirma.


 

Escuta ativa


Apesar dos desafios, o estudo identifica práticas já consolidadas nas redes públicas voltadas à melhoria do clima escolar, combinando escuta ativa, promoção da convivência e fortalecimento das relações entre estudantes, educadores e comunidade. Rodas de conversa, mediação de conflitos, projetos socioemocionais e acompanhamento psicopedagógico aparecem entre as iniciativas mais recorrentes, com foco na construção de ambientes mais seguros, acolhedores e baseados no diálogo. “Os relatos indicam que muitas escolas já vêm substituindo respostas pontuais aos conflitos por práticas permanentes de escuta, prevenção e cuidado com as relações”, afirma o coordenador do estudo.


O levantamento também destaca ações voltadas ao fortalecimento das equipes escolares e à ampliação da participação das famílias e do território. A construção coletiva de planos de ação, reuniões sistemáticas e alinhamentos pedagógicos aparecem como estratégias para ampliar o engajamento profissional e a corresponsabilidade institucional. “A melhoria do clima escolar depende de processos contínuos de escuta, formação e articulação entre escola, comunidade e políticas públicas”, ressalta Moro.

 

Gestão


O levantamento mostra que 67,6% das escolas possuem equipe responsável por ações voltadas à melhoria do clima escolar, enquanto 32,4% não contam com um grupo formalizado. Nesses casos, a própria equipe gestora e a coordenação pedagógica assumem as iniciativas, geralmente acionadas diante de conflitos específicos.


Entre os principais entraves relatados aparecem a sobrecarga de trabalho das equipes escolares, a ausência de profissionais com formação específica, a resistência a mudanças institucionais, a rotatividade de servidores e a dificuldade de engajamento coletivo.


“Os gestores apontam que a melhoria do clima escolar depende da articulação entre escola, famílias, comunidade e políticas públicas. Para que as mudanças aconteçam de fato, é preciso alinhar compreensão conceitual, continuidade das ações e condições estruturais que permitam transformar boas intenções em práticas consistentes no cotidiano escolar”, relata o pesquisador.


A pesquisa aponta ainda que 54,8% das escolas nunca realizaram avaliação estruturada do clima escolar, enquanto 45,1% já adotaram algum tipo de diagnóstico institucional. “A ausência desse monitoramento dificulta o planejamento de políticas contínuas de convivência e bem-estar. Muitas escolas já realizam ações importantes, mas ainda de forma isolada. O grande desafio é transformar iniciativas pontuais em processos permanentes de melhoria do clima escolar”, considera o pesquisador. 

 

Guia de Clima Escolar 


As evidências produzidas pela pesquisa foram utilizadas diretamente na elaboração do novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, desenvolvido pelo MEC, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), com elaboração técnica da FCC.


A publicação parte do entendimento de que cada escola possui um clima próprio, influenciado por sua história, pelo território e pelas relações estabelecidas no cotidiano escolar. O guia orienta que a melhoria do clima escolar seja assumida como prioridade estratégica da gestão, mas construída coletivamente. A proposta prevê a criação de equipes de melhoria do clima escolar, incentivando práticas de escuta ativa, colaboração e corresponsabilidade entre estudantes, famílias, professores e demais profissionais da escola.


Vinculado ao Programa Escola das Adolescências, o material dialoga com os desafios dos anos finais do ensino fundamental e incorpora aprendizados da escuta de mais de 2,3 milhões de estudantes em todo o país. A publicação reforça o papel da escola como espaço de convivência, proteção e desenvolvimento integral, capaz de fortalecer vínculos e prevenir situações de violência.


Sobre a pesquisa


Realizada entre março e julho de 2025, ao longo de 17 semanas, a pesquisa envolveu 136 gestores de 105 escolas públicas — sendo 59 municipais e 46 estaduais — distribuídas em dez estados brasileiros: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo. 


A metodologia combinou leitura guiada, registros reflexivos e rodas de conversa virtuais, totalizando 90 encontros, em articulação com o Grupo de Trabalho Clima Escolar e Convivência do MEC, que reúne instituições como Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundação Roberto Marinho, Ação Educativa, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social da Universidade de São Paulo (Lepes/USP) e Núcleo de Pesquisa em Desigualdades Escolares da Universidade Federal de Minas Gerais (NUPEDE/UFMG).

 

Principais dados da pesquisa sobre clima escolar nas escolas públicas

Pesquisa nacional — Fundação Carlos Chagas e MEC

  • 71,7% dos gestores apontam dificuldade para dialogar sobre enfrentamento às violências (bullying, racismo, capacitismo).
  • 67,9% relatam desafios na aproximação entre escola, famílias e comunidade.
  • 64,1% indicam dificuldades para fortalecer relacionamentos entre estudantes.
  • 60,3% afirmam que ainda é difícil desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos.
  • 60,3% mencionam entraves na relação estudantes–professores.
  • 49% apontam desafios ligados à promoção do sentimento de segurança entre estudantes.

 

Estrutura das escolas

  • 67,6% das escolas possuem equipe responsável por ações de melhoria do clima escolar.
  • 32,4% não contam com equipe formal — as ações ficam sob responsabilidade direta da gestão.

 

Principais obstáculos identificados:

  • sobrecarga das equipes escolares;
  • falta de formação específica;
  • resistência institucional a mudanças;
  • rotatividade de profissionais;
  • dificuldade de engajamento coletivo.

 

Práticas que fortalecem a confiança na escola

Gestores destacam como ações mais presentes:

  • rodas de conversa e escuta ativa
  • mediação de conflitos
  • projetos socioemocionais e Projeto de Vida
  • reuniões sistemáticas e construção coletiva de planos
  • participação da família e parcerias com a comunidade

 

Diagnóstico do clima escolar

  • 54,8% das escolas nunca realizaram avaliação estruturada do clima escolar.
  • 45,1% já realizaram algum tipo de diagnóstico.

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