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sábado, 14 de março de 2026

Mês das Mulheres reacende debate sobre economia do cuidado e saúde mental feminina

 

No Brasil, mulheres dedicam quase o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e ao cuidado de pessoas em comparação aos homens. Segundo dados do IBGE, elas destinam cerca de 21 horas por semana a essas atividades, enquanto os homens dedicam aproximadamente 11 horas. 

Essas tarefas, que incluem cozinhar, limpar, organizar a rotina da casa e cuidar de filhos ou familiares, compõem o que especialistas chamam de economia do cuidado. Embora essenciais para o funcionamento da sociedade, permanecem em grande parte invisíveis nas estatísticas econômicas. 

No Mês das Mulheres, especialistas alertam que a sobrecarga associada a esse trabalho não remunerado também tem efeitos significativos sobre a saúde mental feminina. 

Para a psicóloga e pesquisadora Karen Scavacini, doutora em Psicologia pela USP e fundadora do Instituto Vita Alere, o acúmulo de responsabilidades cria um cenário de esgotamento emocional. 

O que vemos com frequência é uma sobreposição de papéis que não encontra espaço para descanso real. Muitas mulheres entram em períodos que deveriam representar pausa já exaustas, e o que poderia ser um momento de recuperação acaba se tornando mais um período de sobrecarga silenciosa”, afirma.

 

Segundo a especialista, os impactos vão além do cansaço físico. 

Ansiedade, irritabilidade, sensação constante de culpa e a percepção de nunca estar fazendo o suficiente são sinais comuns entre mulheres e mães que acumulam responsabilidades de cuidado sem conseguir se desconectar”, diz. 

A economista Deborah Bizarria destaca que a discussão sobre economia do cuidado também passa por políticas públicas que incentivem uma divisão mais equilibrada das responsabilidades familiares. “Quando o cuidado é tratado como responsabilidade quase exclusiva das mulheres, isso cria desequilíbrios que afetam famílias, empresas e a própria economia. Políticas públicas, como a ampliação da licença-paternidade, são importantes justamente para começar a redistribuir esse trabalho de forma mais equilibrada”, afirma. 

Para especialistas, discutir saúde mental feminina, produtividade e participação das mulheres na vida profissional exige considerar também quem sustenta a base invisível da vida cotidiana: o trabalho de cuidado realizado dentro das casas.

  

Instituto Vita Alere

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