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sábado, 14 de março de 2026

Exposição constante a notícias de guerras aumenta ansiedade e sensação de ameaça, alertam especialistas

Psicóloga explica por que conflitos internacionais, mesmo distantes, podem impactar a saúde emocional da população e orienta sobre como lidar com o excesso de informações 



Mesmo quando ocorrem a milhares de quilômetros de distância, guerras e conflitos internacionais podem gerar impactos significativos na saúde emocional das pessoas. A cobertura intensa da mídia, combinada à circulação de imagens e relatos em tempo real nas redes sociais, tem ampliado sentimentos de ansiedade, insegurança e preocupação em diferentes partes do mundo. 

Uma pesquisa do American Psychological Association (APA) mostrou que 76% dos adultos relatam sentir estresse ao acompanhar notícias frequentes sobre crises globais, como guerras, terrorismo e instabilidade política. Outro levantamento do Reuters Institute Digital News Report aponta que 38% das pessoas dizem evitar notícias ocasionalmente por se sentirem sobrecarregadas emocionalmente pela cobertura de eventos negativos. 

Para a psicóloga Dra. Andrea Beltran, psicóloga especialista em saúde emocional, esse fenômeno está ligado ao modo como o cérebro reage a informações percebidas como ameaça, mesmo quando o risco não é direto. 

“Quando somos expostos repetidamente a notícias de guerra, o cérebro ativa mecanismos de alerta semelhantes aos de uma ameaça real. Ainda que racionalmente saibamos que o conflito está distante, emocionalmente nosso organismo reage com ansiedade, tensão e sensação de insegurança”, explica a Dra. Andrea Beltran. 

Segundo ela, a combinação entre notícias constantes, imagens impactantes e discussões nas redes sociais pode intensificar esse processo. Isso ocorre porque o cérebro humano tende a interpretar a repetição de eventos negativos como sinal de perigo iminente. 

“Hoje temos acesso a imagens e informações praticamente em tempo real, o que aumenta a sensação de proximidade com o conflito. Essa exposição contínua pode gerar hipervigilância, dificuldade para dormir, irritabilidade e pensamentos catastróficos”, afirma a Dra. Andrea Beltran. 

Além da ansiedade, especialistas apontam que o excesso de notícias sobre crises internacionais pode provocar o chamado fenômeno da fadiga informacional ou fadiga de crise, caracterizado pelo esgotamento emocional diante da repetição de conteúdos negativos. De acordo com o Digital News Report 2023, 36% das pessoas afirmam se sentir frequentemente sobrecarregadas pela quantidade de notícias disponíveis. 

Para a Dra. Andrea Beltran, pessoas que já apresentam quadros de ansiedade ou maior sensibilidade emocional tendem a sentir esses impactos com mais intensidade. 

“Quando já existe um histórico de ansiedade ou preocupação excessiva, notícias sobre guerras podem alimentar pensamentos de catástrofe e sensação de perda de controle. A pessoa começa a imaginar cenários extremos e passa a viver em estado constante de alerta”, explica a psicóloga. 

Diante desse cenário, a especialista orienta que o consumo de notícias seja feito de forma consciente, com limites claros para evitar sobrecarga emocional. 

“Informação é importante, mas é fundamental estabelecer limites. Definir horários específicos para acompanhar notícias, evitar exposição contínua nas redes sociais e priorizar fontes confiáveis são estratégias que ajudam a preservar o equilíbrio emocional”, recomenda a Dra. 

A psicóloga também destaca a importância de observar sinais de desgaste psicológico, como irritabilidade frequente, insônia ou sensação constante de medo. 

“Quando percebemos que o conteúdo está afetando nosso humor, nosso sono ou nossa rotina, é um indicativo de que precisamos reduzir a exposição e buscar atividades que ajudem a regular as emoções”, conclui a Dra. Andrea Beltran.


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