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sexta-feira, 13 de março de 2026

Ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana detalha sinais que costumam ser confundidos com outras condições


A descoberta de uma gravidez nem sempre ocorre nas primeiras semanas, especialmente quando não há planejamento reprodutivo ou quando a mulher apresenta ciclos menstruais irregulares. Nas fases iniciais, os sintomas podem ser sutis e facilmente atribuídos ao estresse, alterações hormonais ou cansaço acumulado, o que torna o atraso menstrual o sinal mais evidente, ainda que muitas vezes percebido tardiamente.

A ginecologista Dra. Karina Belickas, do Hospital e Maternidade Santa Joana, explica que além da ausência da menstruação, é comum que a paciente observe mamas mais sensíveis, aumento do sono, fadiga persistente, maior frequência urinária e cólicas leves. Um sintoma relatado por muitas mulheres é a ocorrência dos sentidos mais aguçados, como a alteração do paladar, com sensação de maior intensidade de sabor dos alimentos, e maior sensibilidade a cheiros que antes seriam habituais. Os conhecidos enjoos e vômitos podem surgir, mas não são obrigatórios.

O diagnóstico tardio é mais comum do que se imagina. Um estudo publicado no Journal of the Royal Society of Medicine (JRSM) mostra que cerca de 1 em cada 475 mulheres não percebe a gestação até a 20ª semana. Já a não percepção até o momento do parto ocorre em aproximadamente 1 a cada 2.500 gestantes, taxa comparável à incidência de eclâmpsia.

“Algumas pacientes não identificam a gravidez porque já convivem com ciclos muito irregulares ou tiveram falhas no anticoncepcional sem perceber a ovulação”, explica a especialista. Segundo Dra. Karina, mulheres com sobrepeso podem demorar mais a notar mudanças físicas, e aquelas em fase de transição para o climatério também enfrentam dúvidas, já que ambas as situações envolvem irregularidade menstrual e fadiga. “Apesar do climatério ter mais de 30 sintomas relacionados, as náuseas e enjoos não fazem parte deles. Esse pode ser um sinal mais claro que ajude a levantar a suspeita”, completa.

A principal preocupação diante de uma detecção tardia é o impacto no pré-natal, que deve começar idealmente ainda dentro do primeiro trimestre (até a 12a- 13a semana). A ausência de acompanhamento precoce impossibilita a realização de exames essenciais, a suplementação adequada (como ácido fólico, ferro e ômega-3) e o diagnóstico antecipado de condições silenciosas, como hipertensão gestacional e diabetes melito. O estudo do JRSM reforça que gestações não percebidas mais cedo apresentam maior risco de parto prematuro, bebês pequenos para a idade gestacional (PIG) e maior mortalidade infantil.

“Tanto o exame de urina de farmácia quanto o exame de sangue conseguem confirmar a gestação através da dosagem do beta HCG”, orienta a médica. Ela reforça que a interpretação de sinais sutis depende também da relação de cada mulher com o próprio corpo.

Para evitar atrasos no diagnóstico, a recomendação é que a mulher observe alterações físicas mesmo quando discretas. “Qualquer mudança deve ser investigada, especialmente para quem tem vida sexual ativa, nenhum método contraceptivo é 100% infalível”, afirma a médica.

 

Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br


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