Felicidade, qual ser humano que não quer ser feliz?
Arrisco-me a dizer que a felicidade talvez seja um dos sentimentos mais
cobiçados entre as pessoas. 
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Há quem diga que felicidade não existe. Há quem
diga que felicidade só acontece em alguns momentos. Mas há também quem diga que
felicidade é um sentimento que se instala permanentemente ao fundo, na vida da
gente.
Muitas pessoas perguntam: Como alguém pode ser
feliz? Qual seria a receita para alcançar a felicidade?
A verdade é que não existe uma fórmula pronta. E
isso porque não há uma receita única capaz de servir a todos. O ser humano não
é uma máquina na qual se insere um programa que funciona da mesma maneira em
todos os sistemas. Cada ser humano é único em sua sensibilidade e
subjetividade. Por isso, o caminho é cada um buscar dentro de si os
ingredientes para ser feliz.
De fato, dinheiro não compra felicidade, mas é
inegável que a falta de dinheiro, quando não se tem o mínimo para as
necessidades básicas, por exemplo, se há fome, miséria ou a ausência do mínimo
para viver com dignidade, a tendência é nos afastarmos, e muito, da
felicidade.
A felicidade é um entre os milhares de sentimentos
que coexistem, se misturam e se influenciam mutuamente, embora a maioria das
pessoas desconheça essa complexidade. Seria como se cada indivíduo fosse o
maestro de sua própria orquestra de sentimentos, regendo a peça musical do seu
Eu, composta por sentimentos que variam em intensidade, ritmo e
profundidade.
Portanto, ser feliz é aprender a se ouvir enquanto
pessoa e assim se tornar capaz de ir compondo o seu Eu com cada vez mais
qualidade. Ser feliz é também, e antes de tudo, se reconhecer humano, com tudo
o que envolve ser humano — solidariedade, egoísmo, esperança, desilusão, enfim,
um ser sensível que é e pertence à natureza. Ser feliz é dia a dia poder
explorar e, assim, ampliar o reconhecimento interno do mundo dos
sentimentos.
E é dessa forma que a receita se faz pessoal e
individualizada, se revelando na capacidade de aprender a transitar pelos
sentimentos e, assim, reger a música em permanente construção que cada um de
nós é.
Quando a noite chegar, vale perguntar a si mesmo o
que fez ao longo do dia e, mais ainda, o que sentiu em cada uma dessas ações.
Esse simples gesto abre a oportunidade de reconhecer que, muito mais do que um
corpo material, somos um complexo vibracional, capaz de perceber sensações e
sentimentos.
Enfim, a felicidade é um conjunto de sentimentos e, ao mesmo tempo, um esteio para eles, assim como o resultado de sua própria interação. O sentimento de felicidade é, na verdade, uma aliança com a vida; uma complexidade interna que nos permite experimentar a alegria de viver, aquela alegria simples e profunda que, quando se manifesta, nos faz verdadeiramente felizes.
Beatriz Breves é psicóloga, psicanalista e escritora, autora do livro Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo.
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