O Simples Nacional surgiu para simplificar a rotina
tributária das empresas. Na prática, contudo, muitos
escritórios ainda lidam com uma apuração que consome tempo demais da
equipe, exige conferências repetidas e depende de planilhas, controles
paralelos e dados espalhados. Com a Reforma Tributária, essa rotina
passa a exigir outro nível de análise, principalmente no atendimento aos
negócios que atuam no modelo B2B.
Com a entrada do IBS e da CBS, os escritórios
passam a olhar com mais atenção para as cadeias de clientes e fornecedores de
cada negócio. Muitos contribuintes vão começar a avaliar com mais
cuidado esses créditos que conseguem aproveitar nas compras, o
que interfere na relação comercial das optantes pelo Simples que
vendem para outras pessoas jurídicas. Se uma parte relevante da receita vier de
clientes que precisam desses créditos, permanecer nesse regime pode
deixar de fazer sentido. Nesses casos, apurar o IBS e a CBS pelo regime
regular passa a ser um caminho que o escritório precisa avaliar com o cliente.
Essa avaliação deixa de ficar restrita à alíquota e
ao faturamento. O escritório terá que entender a composição da
receita, o perfil dos clientes e os efeitos que esses créditos terão
nessa relação comercial. E esse raciocínio não termina nas vendas. Se
houver migração para o regime regular, o cliente também vai precisar de
créditos nas próprias aquisições, o que obriga o escritório a
olhar a cadeia de fornecedores com mais cuidado, identificando quais compras
geram créditos e quais fornecedores fazem mais sentido dentro dessa nova
lógica.
Nesse contexto, a classificação fiscal dos produtos
e dos serviços ganha muito mais peso, porque é ela que sustenta a tributação
correta do IBS e da CBS, inclusive com a aplicação das reduções de alíquota
previstas na LC 214/2025. Se a classificação vier errada, o contribuinte pode
tributar a mais, deixar tributo para trás ou tomar decisões ruins ao
avaliar o regime tributário e a própria organização da cadeia.
Por isso, os escritórios precisam ir além da
apuração manual e da automação isolada do fechamento.
Automatizar a rotina do Simples Nacional ajuda, mas isso não resolve
o problema se a base de classificação fiscal continuar errada e se a
equipe não conseguir revisar o histórico com segurança. O escritório precisa de
uma estrutura que organize a base, apoie a classificação, permita revisar os
últimos cinco anos e use essas mesmas informações para simular os cenários da
Reforma Tributária com consistência.
Segundo um estudo conduzido pelo Instituto
Brasileiro de Planejamento e Tributação, o IBPT, mais de 70% das
empresas optantes pelo Simples Nacional atuam no modelo B2B. São elas
que tendem a sentir com mais força essa mudança, porque a discussão deixa de
ficar restrita à carga tributária e passa a envolver a
necessidade de geração de créditos, a competitividade e a revisão da
cadeia comercial.
Com isso, também muda o tipo de trabalho que o
escritório entrega. Em vez de concentrar a equipe em tarefas repetitivas,
conferências manuais e controles espalhados, ele pode usar a tecnologia para
padronizar a operação e liberar tempo para serviços que pesam mais nas decisões
dos clientes. Entram aí serviços como a revisão da cadeia de clientes e
fornecedores, o apoio na classificação fiscal dos produtos e na parametrização
dos sistemas, além dos estudos de cenários no período de transição da Reforma
Tributária.
Esse tempo liberado permite que o escritório atue
com mais profundidade naquilo que os clientes vão precisar discutir daqui para
frente. Em muitos casos, a pergunta já não será apenas quanto eles
pagam hoje, mas qual regime faz mais sentido, quais clientes
precisam ser preservados, quais fornecedores ajudam a gerar créditos e como a
classificação fiscal precisa ser tratada para sustentar essa operação com menos
exposição a erro.
Para os clientes, os ganhos aparecem na capacidade
de tomar decisões tributárias e comerciais com mais segurança. Com uma base
mais organizada, classificações fiscais mais consistentes e estudos de cenários
no período de transição, eles conseguem avaliar com mais clareza se vale
permanecer no Simples ou migrar para o regime regular de IBS e CBS. Também
passam a entender melhor quais clientes precisam preservar, quais fornecedores
ajudam a gerar créditos e como essas escolhas afetam a carga tributária e a
competitividade no mercado.
Para os escritórios, o ganho aparece na capacidade
de sair de uma rotina concentrada no operacional e assumir um papel mais
consultivo. Ao organizar a base, revisar a cadeia de clientes e fornecedores,
apoiar a classificação fiscal dos produtos, orientar a parametrização dos
sistemas e estudar os cenários da transição, eles passam a entregar um
trabalho que ajuda os clientes a decidirem melhor e abre
espaço para novos honorários ligados a essa atuação mais estratégica.
Com as mudanças que já estão em andamento no
sistema tributário brasileiro, tratar a apuração do Simples como uma rotina
isolada e apenas operacional deixou de ser suficiente. Os escritórios que
conseguirem organizar a base, revisar o histórico, analisar as cadeias de
clientes e fornecedores e simular com clareza os efeitos do IBS e da CBS
estarão mais preparados para orientar os seus clientes em decisões que afetam
os preços, as margens, os créditos e a competitividade.
Fred Amaral - CEO da e-Auditoria, empresa de
tecnologia especializada em auditoria digital.
e-Auditoria:
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