Números da osteoporose no Brasil e no
mundo
Freepik
- 10 milhões de brasileiros convivem com a osteoporose
(IOF)
- 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens
acima dos 50 anos terão uma fratura osteoporótica (IOF)
- Mais de 100 mil internações
anuais
no SUS por fratura de fêmur (Ministério da Saúde)
- 20% dos idosos com fratura de quadril morrem
em até 12 meses após o evento (Sociedade Brasileira de Ortopedia e
Traumatologia)
- Apenas 1 em cada 3 pessoas com osteoporose recebe diagnóstico ou
tratamento adequado (IOF)
Silenciosa e subdiagnosticada, doença é responsável por milhões de fraturas por fragilidade óssea todos os anos
As quedas e fraturas em pessoas idosas são uma das principais causas de perda
de autonomia e internações hospitalares no Brasil. No Dia Mundial e Nacional da
Osteoporose, 20 de outubro, o alerta se volta para um dos maiores fatores de
risco por trás desses episódios: a fragilidade óssea causada pela osteoporose,
uma doença silenciosa que atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo a
Fundação Internacional de Osteoporose (IOF).
“É uma condição
que se desenvolve de forma lenta e sem sintomas até que a primeira fratura
aconteça. Muitas vezes, o diagnóstico só ocorre após uma queda aparentemente
simples, mas que resulta em uma lesão grave”, explica o ortopedista Carlos
Francisco Bittencourt, do Hospital Municipal Evandro Freire, unidade de
referência no atendimento a traumas e população idosa na Ilha do Governador
(RJ).
Um problema de saúde pública
A osteoporose é
caracterizada pela perda de massa óssea e pela deterioração da estrutura do
osso, tornando-o mais frágil e suscetível a fraturas. Estima-se que, no mundo,
uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos sofrerão
uma fratura osteoporótica ao longo da vida, segundo dados da IOF.
No Brasil, o
impacto é expressivo: de acordo com o Ministério da Saúde, as fraturas de
fêmur, frequentemente associadas à osteoporose, são responsáveis por mais de
100 mil internações anuais pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Além das complicações físicas, o problema tem desdobramentos sociais e econômicos significativos, já que cerca de 20% dos pacientes idosos que fraturam o quadril morrem em até um ano após o evento, devido a complicações relacionadas à imobilidade e infecções.
Risco silencioso e fatores agravantes
Entre os
principais grupos de risco estão mulheres após a menopausa, homens acima dos 70
anos, e pessoas com histórico familiar de fraturas ou hábitos de vida pouco
saudáveis, como sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool. A baixa
ingestão de cálcio e vitamina D também é um fator determinante para o
enfraquecimento dos ossos.
“Um ponto crítico
é que a osteoporose, por ser assintomática, costuma passar despercebida até que
a primeira fratura aconteça. Por isso, a avaliação médica periódica é
essencial, especialmente após os 50 anos, quando o risco aumenta de forma
expressiva”, alerta o Dr. Bittencourt.
Prevenção é o melhor tratamento
Segundo o
especialista, as fraturas por fragilidade, que podem ocorrer após quedas
simples, como tropeçar dentro de casa, têm grande impacto na qualidade de vida.
“Muitos pacientes perdem a autonomia e passam a depender de cuidadores ou
familiares para atividades básicas. É uma mudança brusca e difícil de
reverter”, explica.
A boa notícia é
que a osteoporose pode ser prevenida e controlada. O médico destaca que a
adoção de hábitos saudáveis desde cedo é o melhor caminho para manter os ossos
fortes:
- Alimentação
equilibrada, rica em cálcio (leite, queijos, iogurtes, vegetais verdes) e
vitamina D (peixes, ovos, exposição solar);
- Atividade
física regular, com foco em exercícios de impacto leve e fortalecimento
muscular;
- Exposição
solar controlada, de 15 a 20 minutos por dia, para ativar a produção de
vitamina D;
- Evitar
o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
- Acompanhamento
médico regular e realização de densitometria óssea após os 50 anos.
Para quem já foi
diagnosticado com osteoporose, o tratamento é individualizado e pode incluir
medicamentos que estimulam a formação óssea, suplementação e fisioterapia. Além
disso, adaptar o ambiente doméstico é essencial para prevenir quedas, como
evitar tapetes soltos, instalar barras de apoio e garantir boa iluminação nos
cômodos.
Viver mais e melhor
O médico reforça
que o diagnóstico precoce e as medidas preventivas fazem toda a diferença para
envelhecer com autonomia, segurança e qualidade de vida.
Com o aumento da
longevidade da população brasileira o tema torna-se ainda mais urgente. Segundo
o IBGE, mais de 15% dos brasileiros terão 65 anos ou mais até 2030. “Envelhecer
com saúde também significa cuidar da estrutura que nos sustenta: nossos ossos.
Quanto mais cedo a prevenção começa, menores são os riscos no futuro”, conclui
Dr. Bittencourt.
Hospital Municipal Evandro Freire
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial
Nenhum comentário:
Postar um comentário