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domingo, 26 de julho de 2026

Vida vertical: os desafios e as soluções para manter o bem-estar de animais de companhia em apartamentos

 

MSD Saúde Animal destaca que a rotina em ambientes internos também exige atenção contínua à prevenção de parasitas

 

O crescimento do mercado imobiliário vertical transformou a dinâmica das famílias brasileiras e, consequentemente, a rotina de seus animais de companhia. Viver em apartamento oferece segurança e praticidade aos responsáveis, mas, ao contrário do que muitos imaginam, não elimina a necessidade de cuidados com a prevenção de parasitas.

Com o objetivo de orientar as famílias sobre como adaptar a rotina em condomínios, a MSD Saúde Animal reuniu as principais recomendações de especialistas para transformar os lares verticais em ambientes saudáveis, destacando o papel da ciência e da medicina preventiva de longa duração.


A "carona" dos parasitas no elevador

Existe um mito comum de que animais que vivem exclusivamente em apartamentos estão totalmente livres de pulgas e carrapatos. No entanto, os ambientes internos, especialmente aqueles com carpetes, tapetes e frestas de pisos laminados, mantêm uma temperatura estável e agradável ao longo de todo o ano, oferecendo as condições ideais de calor e umidade para que o ciclo de reprodução desses parasitas se torne ainda mais rápido e eficiente.

Kathia Soares, médica-veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Animal, alerta que a prevenção em ambientes verticais não pode ser negligenciada devido ao comportamento "caronista" dos vetores.

"O parasita não precisa necessariamente estar no cão para invadir o apartamento. Eles entram em casa pegando carona nos sapatos, nas roupas ou nas bolsas dos próprios responsáveis após uma simples caminhada pela calçada, pelo jardim ou pelas áreas comuns e elevadores do condomínio. Quando o responsável nota uma única pulga no animal, ele está enxergando apenas 5% do problema, que são os adultos. Os outros 95% já estão espalhados pelo apartamento em forma de ovos, larvas e pupas. Sem uma intervenção contínua, o lar vira um reservatório de reinfestação”, explica.

A especialista reforça que esses parasitas representam um risco à saúde dos pets e das pessoas, pois podem transmitir doenças. Além disso, alguns animais podem desenvolver quadros alérgicos em decorrência do contato com as pulgas, manifestando coceira intensa e alterações na pele e na pelagem.


A evolução da medicina preventiva no controle ambiental

Para quebrar efetivamente esse ciclo biológico dentro dos apartamentos, a abordagem veterinária moderna prioriza soluções sistêmicas de longa duração que transformam o próprio pet no agente de controle do ambiente. Quando o parasita entra no apartamento e entra em contato com o animal protegido, ele é eliminado rapidamente, antes mesmo de ter a oportunidade de colocar ovos.

Essa dinâmica de proteção contínua é central no portfólio de soluções inovadoras da companhia, como a linha Bravecto®. Desenvolvida para se adaptar a diferentes tipos de pacientes e a rotina de cada da família, a tecnologia à base de fluralaner está disponível tanto em formatos de administração oral (comprimidos mastigáveis) quanto tópicos (transdermal), com ação prolongada que protege por até 12 semanas.

Para os contextos em que a rotina urbana acelerada propicia o esquecimento das doses — uma das principais causas de falhas na prevenção —, o manejo clínico ganhou o suporte do BRAVECTO® 365. Aplicado exclusivamente pelo médico-veterinário, essa solução injetável de liberação prolongada protege o cão contra pulgas e carrapatos por um ano inteiro com uma única dose subcutânea, eliminando a necessidade de lembretes mensais mantendo a segurança do lar de forma ininterrupta.

 

Da infestação à alergia: o impacto na pele dos pets

A dermatite alérgica é uma condição frequente na clínica veterinária e pode ter diferentes gatilhos — entre eles, a saliva das pulgas. Nesses casos, a coceira intensa compromete o bem-estar do animal, altera seu comportamento e pode levar a lesões secundárias na pele.

Quando o animal já se encontra em crise, o manejo clínico deve ser direcionado não apenas à causa, mas também ao controle rápido da coceira e da inflamação.

Nesse contexto, a MSD Saúde Animal disponibiliza o Numelvi®, o primeiro inibidor de JAK de segunda geração na medicina veterinária. Com alta seletividade para a enzima JAK1, principal via relacionada a coceira e a inflamação, o produto promove alívio a partir de duas horas após a administração, contribuindo para a melhora rápida do paciente, com recuperação do conforto e qualidade de vida para o pet.


Orientações práticas para o dia a dia vertical

Para complementar a proteção, algumas medidas simples podem ser incorporadas à rotina:

  • Higiene de entrada: Adote o hábito de retirar ou higienizar os calçados logo na entrada do apartamento, evitando circular com sapatos de rua nas áreas de descanso do pet para reduzir a introdução mecânica de parasitas.
  • Limpeza regular: Priorize o uso de aspiradores de pó periódicos em frestas e tapetes.
  • Passeios e socialização protegidos: Mesmo em apartamentos, cães circulam diariamente por elevadores, halls, áreas verdes e espaços pet compartilhados. Manter a prevenção contra pulgas e carrapatos rigorosamente em dia é fundamental para reduzir os riscos de exposição a parasitas durante esses momentos de convivência e circulação. 

Ao integrar o manejo consciente do espaço físico com a alta tecnologia de prevenção de longo prazo, os responsáveis estabelecem uma rotina equilibrada nos lares verticais, permitindo que a convivência seja pautada pelo conforto, longevidade e bem-estar mútuo. 



MSD Saúde Animal
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Declarações Prospectivas da Merck & Co., Inc., Kenilworth, N.J., EUA

Este comunicado à imprensa da Merck & Co., Inc., Kenilworth, N.J., EUA (“empresa”) inclui “declarações prospectivas” de acordo com o significado das disposições de segurança da U.S. Private Securities Litigation Reform Act (Lei Norte-Americana de Reforma de Litígios de Ações Privadas) de 1995. Essas declarações são baseadas em suposições e expectativas atuais da direção executiva da empresa e estão sujeitas a riscos e incertezas significativos. Se as suposições subjacentes forem incorretas ou houver riscos ou incertezas, os resultados reais podem diferir substancialmente daqueles contidos nas declarações prospectivas. Os riscos e incertezas incluem, mas não estão limitados a, condições gerais da indústria e da concorrência, fatores econômicos gerais, incluindo taxa de juros e flutuações da taxa de câmbio; o impacto da epidemia global do novo coronavírus (COVID-19);impacto da regulamentação da indústria farmacêutica e legislação de saúde nos Estados Unidos e internacionalmente; tendências globais para contenção de custos com a saúde; avanços tecnológicos, novos produtos e patentes obtidas por concorrentes; desafios inerentes ao desenvolvimento de novos produtos, incluindo a obtenção de aprovações regulatórias; capacidade da empresa prever com precisão as condições futuras de mercado; dificuldades ou atrasos de produção; instabilidade financeira das economias internacionais e de risco à soberania; dependência da eficácia das patentes da empresa e outras proteções para produtos inovadores; e exposição a litígio, incluindo litígios de patentes e/ou ações regulatórias. A empresa não assume nenhuma obrigação de atualizar publicamente qualquer declaração prospectiva, seja como resultado de novas informações, eventos futuros ou de qualquer outra forma. Outros fatores que possam fazer com que os resultados difiram substancialmente daqueles descritos nas declarações prospectivas podem ser encontrados no Relatório Anual de 2020 da empresa, no Formulário 10-K e outras submissões da Empresa junto à Securities and Exchange Commission (SEC) (Comissão Norte-Americana de Valores Mobiliários), disponível no site da SEC (www.sec.gov).



Cães e gatos ajudam a combater ansiedade, depressão e solidão e reforçam a importância da adoção responsável


Instituto Ampara Animal destaca como a convivência com animais resgatados beneficia a saúde mental de tutores e transforma vidas dos dois lados da relação

A convivência com cães e gatos pode contribuir significativamente para a saúde mental. Estudos científicos apontam que a interação com animais de companhia está associada à redução dos níveis de estresse e ansiedade, ao estímulo da produção de hormônios relacionados ao bem-estar, como a ocitocina, e ao fortalecimento de vínculos afetivos, fatores que podem auxiliar pessoas que enfrentam quadros de solidão, ansiedade e depressão.

Embora os animais não substituam acompanhamento médico ou psicológico, especialistas reconhecem que eles podem atuar como importantes aliados no cuidado emocional. Além do afeto, a rotina de alimentação, passeios, brincadeiras e cuidados cria uma estrutura diária que favorece o senso de responsabilidade, propósito e conexão.

 

No Instituto Ampara Animal, histórias como essas fazem parte da rotina. Ao longo de mais de 15 anos de atuação, a organização acompanhou milhares de adoções e testemunhou como animais resgatados, muitas vezes vítimas de abandono e maus-tratos, passaram a ocupar um papel central na recuperação emocional de seus novos tutores.

 

"Costumamos dizer que a adoção transforma duas vidas, mas, na prática, percebemos que ela transforma uma família inteira. Muitas pessoas chegam até nós buscando oferecer um lar para um animal em situação de vulnerabilidade e acabam descobrindo uma companhia que as ajuda a enfrentar momentos difíceis, superar perdas, reduzir a sensação de isolamento e reconstruir a rotina com mais afeto", afirma Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal.

 

Entre os relatos recebidos pela instituição estão pessoas que decidiram adotar após um período de luto, idosos que encontraram companhia para enfrentar a solidão, famílias que retomaram atividades ao ar livre motivadas pelos passeios com seus cães e pessoas diagnosticadas com ansiedade que relatam melhora na qualidade de vida após estabelecerem uma rotina ao lado de seus animais.

 

Além do aspecto emocional, pesquisas indicam que a convivência com cães e gatos pode contribuir para a redução da pressão arterial, incentivar a prática de atividades físicas e ampliar as oportunidades de interação social. Passeios com cães, por exemplo, favorecem encontros entre vizinhos e fortalecem o sentimento de pertencimento à comunidade.

Para Juliana Camargo, esses benefícios reforçam a importância da adoção responsável.

 

"Os animais têm uma capacidade extraordinária de viver o presente. Eles oferecem afeto sem julgamentos, acolhem silenciosamente e ensinam sobre empatia, cuidado e resiliência. Muitos dos animais resgatados chegam até nós depois de experiências extremamente difíceis, mas conseguem voltar a confiar nas pessoas. Essa capacidade de recomeçar também inspira quem convive com eles diariamente", destaca.

A presidente da Ampara Animal lembra, no entanto, que a decisão de adotar deve ser consciente.

 

"A adoção nunca deve ser vista como um tratamento ou uma solução imediata para problemas emocionais. Ela representa um compromisso que pode durar mais de uma década e exige planejamento, responsabilidade e disponibilidade para oferecer cuidados ao longo de toda a vida do animal. Quando esse vínculo é construído de forma responsável, os benefícios costumam ser mútuos."

 

Histórias que ilustram essa transformação


Entre as milhares de adoções acompanhadas pelo Instituto Ampara Animal, diversas famílias relatam mudanças profundas em sua qualidade de vida após acolherem um animal resgatado. Muitos tutores contam que encontraram motivação para retomar atividades cotidianas, ampliaram seu círculo social durante os passeios com seus cães e passaram a enfrentar momentos difíceis com a companhia constante de seus animais.

 

Da mesma forma, cães e gatos que chegaram à instituição vítimas de abandono, negligência ou maus-tratos tiveram a oportunidade de reconstruir suas histórias ao encontrar um lar definitivo. Para o Instituto, cada adoção representa uma nova chance tanto para o animal quanto para quem decide abrir espaço para essa relação.

 

Adoção responsável


O Instituto Ampara Animal reforça que pessoas interessadas em adotar devem avaliar sua rotina, condições financeiras e disponibilidade de tempo antes de assumir esse compromisso. A adoção responsável inclui cuidados veterinários, alimentação adequada, enriquecimento ambiental, acompanhamento ao longo da vida do animal e respeito às suas necessidades físicas e comportamentais.

 

Mais do que oferecer um lar, adotar representa construir uma relação baseada em cuidado, responsabilidade e afeto — uma experiência que pode gerar benefícios duradouros para animais e seres humanos.

 



Referências científicas:

Beetz A., Uvnäs-Moberg K., Julius H., Kotrschal K. (2012)

-Pendry et al. / Systematic Review (2022) – Psychophysiological mechanisms underlying the potential health benefits of human-dog interactions.

Systematic Review (2025) – Animal-Assisted Therapy for the Management of Anxiety in the Hospital Setting.

 

Por que o sabiá-laranjeira canta de madrugada em SP? Pesquisa da USP busca resposta com ajuda de escolas da cidade

Projeto apoiado pelo Instituto Serrapilheira abre inscrições para alunos do ensino fundamental investigarem a ave-símbolo do Brasil 

Pesquisa busca descobrir por que sabiá-laranjeira canta em SP
em horário diferente do habitual 
Foto: Leonardo Breder
 Divulgação 
 Projeto Sabiá (USP)
Escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo podem se inscrever para participar do projeto “A que horas o sabiá-laranjeira canta?”, coordenado pela bióloga Ana Paula Assis, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), com apoio do Instituto Serrapilheira. A iniciativa envolve estudantes do Ensino Fundamental II na coleta de dados sobre o horário de canto do sabiá-laranjeira em diferentes regiões da capital. As escolas interessadas em participar do próximo ciclo do projeto precisam preencher um formulário no site do Projeto Sabiá:
www.projetosabia.ib.usp.br.


Resultados preliminares da fase piloto já chamaram a atenção dos pesquisadores. Em áreas próximas a regiões de mata, o sabiá-laranjeira costuma começar a cantar por volta das 5h da manhã, perto do amanhecer. Já em regiões mais urbanizadas, esse horário é antecipado para as primeiras horas da madrugada. Em um dos casos mais extremos registrados até agora, em um ponto de coleta próximo à Avenida Paulista, um sabiá-laranjeira foi ouvido cantando durante toda a noite, sem interrupções. A observação reforça uma das hipóteses da pesquisa: o ruído urbano altera de forma significativa os horários em que a espécie vocaliza. 

“Em locais com muito ruído, o sabiá parece não ter mais uma janela silenciosa para cantar”, afirma Ana Paula Assis. Na prática, ele precisa competir com o barulho o tempo todo. Quando um pássaro que costumava cantar em períodos específicos passa a cantar a noite inteira, isso sugere um nível extremo de adaptação ao ambiente urbano.”

A pesquisa busca entender como fatores como poluição sonora, iluminação artificial e cobertura vegetal influenciam esse comportamento. Na fase piloto, no ano passado, participaram 17 escolas e mais de 300 alunos. Para 2026, a equipe pretende ampliar a rede para pelo menos 30 escolas.

Podem participar escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo com turmas do Ensino Fundamental II. Cada escola participante recebe gravadores programados para registrar sons entre 23h e 6h, além de sonômetros para medir o nível de ruído nos pontos de coleta. Os estudantes também participam de atividades de observação de aves em praças e parques da cidade, contribuindo diretamente para a produção de dados científicos.

Durante o período reprodutivo, o sabiá-laranjeira canta principalmente para atrair parceiros e defender território, com vocalizações concentradas nas primeiras horas da manhã. Em ambientes urbanos, porém, o barulho constante pode dificultar essa comunicação, levando a espécie a antecipar seu canto para horários mais silenciosos, ainda durante a madrugada. A iluminação artificial também pode interferir em seu relógio biológico e alterar seus períodos de atividade.

Outro resultado preliminar também chamou a atenção da equipe. Em um ponto de coleta em Paraisópolis, os gravadores não registraram o canto de nenhuma espécie durante o período monitorado. O dado ainda será investigado, mas pode indicar uma relação entre baixa cobertura vegetal e redução da atividade de pássaros em determinadas áreas da cidade.

“São Paulo tem quase 500 espécies de aves descritas dentro da cidade. Não ouvir nenhuma cantando pela manhã é algo que merece atenção”, diz a pesquisadora.

A ideia do projeto surgiu a partir de uma observação da própria pesquisadora. Enquanto cuidava da filha de seis meses, que frequentemente acordava de madrugada, Ana Paula e o marido perceberam um padrão curioso: sempre que ouviam um sabiá cantando, sabiam que a bebê havia despertado depois da 1h da manhã. A observação chamou a atenção da pesquisadora, que já estudava a adaptação de espécies ao ambiente urbano e conhecia pesquisas sobre aves que alteram o horário do canto em resposta ao ruído das cidades.

Embora o fenômeno seja frequentemente comentado por moradores de São Paulo, ainda não havia sido investigado de forma mais profunda na capital e com envolvimento de jovens estudantes.

“O projeto também tem um componente importante de ciência cidadã. Além de investigar como a urbanização afeta o horário de canto do sabiá-laranjeira, queremos aproximar os estudantes da prática científica e fortalecer seu contato com a natureza no ambiente urbano. Eles não são apenas observadores — participam ativamente da coleta de dados e ajudam a construir conhecimento científico”, afirma a bióloga.


Instituto Serrapilheira


Inverno e imunidade: por que a saúde intestinal merece atenção nos cuidados com cães e gatos

 



Médico-Veterinário da Vetnil® explica como o frio pode impactar as defesas naturais dos pets e destaca a importância do equilíbrio da microbiota intestinal para a saúde e o bem-estar

 

Durante o inverno, muitos responsáveis se preocupam em proteger cães e gatos do frio com roupas, cobertores e ambientes mais aquecidos. Mas um cuidado menos visível pode fazer diferença para a saúde dos pets nesta época do ano: o equilíbrio da microbiota intestinal. Considerado o maior órgão imunológico do organismo, o intestino abriga uma comunidade complexa de microrganismos que participa ativamente da resposta imunológica e da manutenção da saúde geral.

Segundo Kauê Ribeiro, Médico-Veterinário da Vetnil®, durante os meses mais frios, condições ambientais como a exposição ao frio, a permanência em ambientes menos ventilados e a maior circulação de agentes infecciosos favorecem o aumento da suscetibilidade a infecções do trato respiratório. Portanto, fortalecer os mecanismos de defesa do organismo dos animais é fundamental.

"Quando falamos em imunidade, além de vacinas e da proteção ao frio, existe um componente fundamental que começa dentro do organismo. A microbiota intestinal desempenha um papel importante na modulação do sistema imunológico e, quando há desequilíbrios, chamados de disbiose, as defesas naturais podem ser comprometidas", explica Kauê Ribeiro.

Nesse sentido, o Médico-Veterinário reforça que manter a microbiota equilibrada é uma estratégia que auxilia na manutenção da saúde geral e no suporte às defesas naturais do organismo. Entre as alternativas que vêm ganhando espaço na Medicina Veterinária estão os

simbióticos, que combinam probióticos e prebióticos para contribuir com o equilíbrio intestinal. Nesse contexto, a Vetnil® ampliou seu portfólio com a linha ProbioUp®, que inclui suplementos simbióticos desenvolvidos para auxiliar na manutenção da microbiota intestinal. A linha chega ao mercado com três apresentações: ProbioUp Simbio®, ProbioUp Dog Imune® e ProbioUp Cat Imune®, ampliando as possibilidades de cuidado nutricional e preventivo na rotina clínica veterinária.

 

Cuidados integrados ajudam a proteger cães e gatos durante os meses mais frios

Além da maior predisposição a problemas respiratórios, os meses frios costumam trazer mudanças na rotina de cães e gatos. A redução das atividades físicas e dos passeios, assim como alterações no apetite, podem favorecer o ganho de peso e impactar a qualidade de vida dos animais. Por isso, manter as consultas veterinárias em dia, garantir conforto térmico, estimular a hidratação e oferecer uma alimentação equilibrada são medidas que contribuem para preservar a saúde e o bem-estar dos pets durante a estação.

"Quando pensamos em bem-estar, é preciso olhar para o animal como um todo. O inverno exige cuidados externos, mas a saúde começa dentro do organismo. Esse olhar mais integrado tem transformado a forma como a Medicina Veterinária cuida dos pets", conclui o Médico-Veterinário.

Como parceira de quem cuida, a Vetnil® segue investindo em inovação e em soluções voltadas à saúde integral de cães e gatos, reforçando a importância da prevenção e do cuidado contínuo em todas as fases da vida dos animais. https://vetnil.com.br/noticias/inverno-e-imunidade-por-que-a-saude-intestinal-merece-atencao-nos-cuidados-com-caes-e-gatos/


Cães influenciam comportamento de onças-pardas em áreas de proteção no interior paulista

 

A onça-parda está amplamente distribuída no continente americano
crédito: Wikimedia

Utilizando armadilhas fotográficas instaladas em duas unidades de conservação, pesquisadores enxergam padrão de comportamento surpreendente de grandes felinos, predadores de topo de cadeia, para evitar contato com os cães, possivelmente para evitar matilha ou por associação à presença humana

 

Cães e seres humanos compartilham uma das relações mais antigas da história da domesticação. Descendentes dos lobos, eles foram os primeiros animais domesticados, em um processo que teve início entre 15 mil e 50 mil anos atrás. Hoje, a população mundial de cães ultrapassa 1 bilhão de indivíduos, distribuídos em praticamente todos os ambientes ocupados pelo homem.

Grande parte deles vive dentro de casas e apartamentos, especialmente em áreas urbanas. Outros, menos comuns no Brasil, são cães selvagens, que vivem sem vínculo com pessoas. Entre esses extremos existe um grupo muito mais numeroso do que costuma aparecer no debate público: os cães rurais de vida livre. São animais que têm tutor, alimento e um local para retornar ao fim do dia, mas permanecem soltos, percorrendo fazendas, estradas, plantações e áreas de vegetação nativa. Nesses deslocamentos, muitos acabam entrando em Unidades de Conservação e passam a interagir com a fauna silvestre.

É justamente esse tipo de interação que motivou um estudo conduzido por pesquisadores da Unesp, e que rendeu o artigo Puma in check: How domestic dogs influence the behavior of a top predator, publicado na revista Biological Conservation. A pesquisa investigou como a presença de cães influencia o comportamento da onça-parda, o maior predador terrestre remanescente em grande parte do estado de São Paulo. O resultado surpreendeu até mesmo os pesquisadores: em vez de ser temida pelos cães, como era esperado de um predador de topo de cadeia, é a onça quem modifica seu comportamento para evitar locais onde os cachorros passaram.

Utilizando 67 armadilhas fotográficas instaladas em duas unidades de conservação no interior paulista, Estação Ecológica de Santa Bárbara e Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara, os pesquisadores verificaram que, após a passagem de um cão, a onça-parda demora, em média, 74 horas para voltar ao mesmo local. Além disso, ela só retoma o uso rotineiro daquela área aproximadamente cinco ou seis dias depois. O padrão indica uma estratégia consistente de evitar o contato com os cães, mesmo sem haver confronto direto.

Segundo a bióloga Rita Bianchi, professora da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, no câmpus de Jaboticabal, a ideia de analisar grandes felinos surgiu a partir do registro crescente de cães circulando dentro de áreas protegidas, que já eram monitoradas pelo grupo de pesquisa. “Em algumas unidades de conservação percebemos que, a cada nova amostragem, aumentava o número de registros de cães. Isso despertou nossa preocupação. Queríamos entender por que eles estavam ocupando essas áreas e quais consequências isso poderia trazer para a fauna nativa”, conta.

Além de ser um predador de topo, a onça-parda também foi escolhida como um dos focos do estudo por ser considerada uma espécie relativamente adaptável a diferentes habitats e por manter uma dieta bastante generalista. Os registros obtidos pelas armadilhas fotográficas revelaram que cães e onças podem utilizar as mesmas áreas, mas em momentos diferentes. Em vez de abandonar completamente determinados ambientes, a onça reorganiza seu uso do espaço no tempo, reduzindo as chances de encontro com os cães.

“Como um amante de grandes felinos, eu achava que a onça parda ia impor respeito e controlar a área. Os cães poderiam ser uma ameaça para animais pequenos, mas quando chegasse um animal maior o cenário ia mudar. Então foi uma surpresa quando rodamos a análise e vimos que as onças demoravam para voltar a uma determinada área depois da passagem dos cães”, diz Rodolpho Gonçalves da Silva, primeiro autor do estudo e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade da Unesp.

Leia a reportagem completa no Jornal da Unesp.

 

Flagrantes feitos por armadilhas fotográficas
Crédito: Rodolpho Gonçalves da Silva, Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade da Unesp


Brasil proíbe foie gras e se torna o 1º país da América Latina a banir o produto

 A conquista é resultado de uma campanha de seis anos liderada pela Animal Equality, que reuniu mais de 310 mil assinaturas e o apoio de dezenas de organizações da sociedade civil

  • Brasil sanciona lei e se torna o primeiro do hemisfério ocidental e o segundo do mundo, após a Índia, a proibir a produção e a venda de foie gras
  • A sanção do PL 90/2020 é fruto de mais de seis anos de campanha com incidência política, investigações e mobilização social liderada pela Animal Equality, com apoio de organizações e dezenas de outras entidades.
  • O foie gras não tem relevância econômica no Brasil. Atualmente, as duas fazendas que produziam o alimento estão embargadas pelo Ibama, e seu consumo é restrito a uma pequena parcela da população, pois chega a custar até 5 mil reais o quilo.


 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei 90/2020, que proíbe em todo o território nacional a produção, a importação, a exportação e a comercialização de alimentos obtidos por meio de alimentação forçada de animais (gavage), prática mais conhecida por sua aplicação na produção de foie gras. Com a sanção, o Brasil se torna o segundo país do mundo, depois da Índia, a proibir simultaneamente a produção e a venda do produto, e o primeiro da América Latina e do hemisfério ocidental a fazê-lo em lei federal. 

A sanção é o resultado direto de uma campanha de mais de seis anos liderada pela Animal Equality no Brasil. Desde 2020, a organização combinou investigações em granjas e matadouros, incidência política, protestos e mobilização pública para acompanhar o PL 90/2020, de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE). A trajetória dessa lei tem raízes ainda mais antigas: já em 2015, São Paulo havia aprovado uma lei municipal proibindo o foie gras, derrubada pela Justiça um ano depois por considerar a matéria de competência federal, um vácuo legal que a nova lei finalmente encerra. 

O foie gras é produzido a partir do fígado de patos e gansos submetidos a um processo de alimentação forçada. O objetivo é induzir deliberadamente os animais à esteatose hepática, doença popularmente conhecida como fígado gorduroso, fazendo com que o órgão aumente em até dez vezes o seu tamanho natural. Para provocar essa condição, os animais são alimentados à força duas vezes ao dia por meio de um tubo metálico de aproximadamente 30 centímetros, inserido diretamente em suas gargantas. Em termos comparativos, seria equivalente a obrigar um ser humano adulto de 80 kg a ingerir cerca de 13 kg de alimento em poucos segundos, duas vezes ao dia. 

Além do sofrimento extremo causado aos animais, o foie gras nunca representou relevância econômica para o país: tratava-se de um nicho de luxo, consumido por uma parcela mínima da população, chegando a custar 5 mil reais o quilo. Por anos, apenas duas fazendas mantiveram criação de animais para essa finalidade no Brasil, atualmente embargadas pelo Ibama. A produção já é proibida ou restrita em diversos países, como Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Argentina e Austrália, mas a proibição definitiva tanto da fabricação quanto da venda, até hoje, só havia sido alcançada pela Índia, país onde a Animal Equality também liderou a campanha pela proibição. 

“Este é um momento histórico. O foie gras representa uma das práticas mais cruéis cometidas contra animais explorados para consumo humano e essa vitória se torna ainda mais relevante por acontecer em um país com peso global na indústria agropecuária. O Brasil mostrou que padrões éticos não se negociam — nem sob pressão de interesses econômicos nacionais e estrangeiros. Não temos dúvidas de que esse avanço vai inspirar e pressionar por mudanças em outras partes do mundo”, afirma Sharon Núñez, presidente da Animal Equality. 

“Esta vitória é de cada uma das mais de 310 mil pessoas que assinaram nossa petição e nunca deixaram esse tema cair no esquecimento. O Brasil se torna uma referência em bem-estar animal na América Latina e mostra que interesses comerciais não podem ser colocados acima da ética e da vontade da própria sociedade brasileira. Esperamos que essa conquista abra caminho para avanços semelhantes em outros países da região”, afirma Dulce Ramírez, vice-presidente para a América Latina da Animal Equality. 

A lei entra em vigor em 180 dias. 

A Animal Equality seguirá acompanhando a implementação da nova lei e já trabalha para que essa vitória sirva de alavanca para avanços semelhantes em outros países da América Latina.
  

Saúde mental dos pets: 5 sinais de que cães e gatos podem estar sofrendo emocionalmente

Especialista em comportamento animal explica como identificar mudanças de comportamento que podem indicar ansiedade, estresse e insegurança

 

Os animais de estimação fazem tanto bem para o bem-estar das pessoas quanto o convívio frequente com amigos e familiares. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Kent, no Reino Unido, que mostrou que viver com um pet pode gerar um ganho de satisfação com a vida equivalente ao proporcionado pelas relações sociais mais próximas. Se os benefícios emocionais que cães e gatos proporcionam aos tutores já são reconhecidos, cresce também a importância de olhar para a saúde mental dos próprios animais.

 

Embora muitos comportamentos sejam interpretados como "birra", "teimosia" ou "falta de educação", eles podem ser sinais de que o pet está enfrentando ansiedade, estresse ou dificuldade para lidar com mudanças na rotina. Longos períodos sozinho, falta de estímulos físicos e mentais, alterações no ambiente e até o excesso de dependência em relação aos tutores podem comprometer o equilíbrio emocional dos animais.

 

Segundo André Cavalieri, especialista em comportamento animal e sócio da Dog Corner, os problemas emocionais costumam aparecer por meio de pequenas mudanças de comportamento, que muitas vezes passam despercebidas pelas famílias.

 

"A saúde emocional merece a mesma atenção que os cuidados físicos. Quando o pet começa a agir de forma diferente do habitual, esse comportamento pode ser um sinal de que algo não está bem e merece ser observado", afirma André.

 

A seguir, o especialista destaca cinco sinais que merecem atenção.

 

1. Destruição de objetos pode indicar ansiedade de separação 

Quando o cão destrói portas, almofadas, móveis ou objetos apenas durante a ausência dos tutores, o comportamento pode estar relacionado à dificuldade de ficar sozinho.

"Muitos animais desenvolvem ansiedade de separação. Nesses casos, destruir objetos pode ser uma forma de aliviar o estresse provocado pela ausência da família", explica André.

 

2. Vocalização excessiva nem sempre é falta de educação 

Latidos, choros ou miados persistentes podem demonstrar que o animal está inseguro ou estressado, principalmente quando esse comportamento acontece sempre nas mesmas situações.

"O excesso de vocalização costuma ser um dos primeiros sinais de que o pet não está emocionalmente equilibrado. Vale observar quando esse comportamento acontece e o que pode estar desencadeando essa reação", destaca.

 

3. Isolamento e mudanças repentinas de comportamento merecem atenção 

Um animal que deixa de interagir com a família, passa a se esconder ou perde o interesse por atividades que antes gostava pode estar demonstrando sofrimento emocional.

"Cada pet reage de uma forma. Alguns ficam mais agitados, enquanto outros se tornam mais isolados. O importante é perceber mudanças em relação ao comportamento habitual", afirma.

 

4. Lambedura compulsiva e alterações no apetite também podem ser sinais 

Problemas emocionais também podem aparecer por meio de comportamentos repetitivos ou mudanças na alimentação.

"Alguns animais passam a lamber excessivamente as patas ou outras partes do corpo, enquanto outros comem menos ou até exageram na alimentação. Quando essas alterações persistem, é importante investigar a causa", explica.

 

5. Rotina previsível e estímulos são fundamentais para o equilíbrio emocional 

Além dos cuidados veterinários, cães e gatos precisam de atividades físicas, desafios mentais, enriquecimento ambiental e momentos de interação para manter o bem-estar.

"Um animal emocionalmente equilibrado depende de uma rotina organizada, estímulos adequados e segurança. Quanto mais previsível e enriquecido for o ambiente, maiores são as chances de ele viver de forma saudável e tranquila", conclui André Cavalieri.

 

Para o especialista, observar mudanças de comportamento e buscar orientação profissional logo nos primeiros sinais faz toda a diferença. Em muitos casos, pequenas mudanças na rotina e no ambiente já contribuem para reduzir o estresse e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pets.


 

Dog Corner


Fóssil articulado da Tametara mirim, com parte do crânio e da coluna vertebral preservada em blocos de rocha (imagem: Agustín Martinelli)

 Fóssil descoberto em São Paulo revela novas pistas sobre origem das cobras


Estudo publicado na revista Nature mostra que a Tametara mirim vivia no subsolo, enquanto uma espécie contemporânea da Argentina vivia na superfície; indicando que já havia uma diversidade ecológica de serpentes estabelecida 80 milhões de anos atrás

 

O fóssil de uma cobra de cerca de 42 centímetros, que viveu 80 milhões de anos atrás no interior de São Paulo, está reaquecendo um debate evolutivo que a paleontologia trava há mais de um século sobre o ambiente em que surgiram as primeiras serpentes: no mar, no subsolo ou na superfície da Terra? Batizada de Tametara mirim, a espécie apresentava uma anatomia endocraniana e um ouvido interno compatíveis com a vida subterrânea, segundo um estudo que foi apoiado pela FAPESP e publicado na última edição da revista Nature, uma das mais importantes da ciência mundial.

Para dimensionar o quanto essa anatomia era peculiar, os pesquisadores aplicaram a mesma análise ao fóssil da espécie argentina Dinilysia patagonica, que viveu na mesma época da Tametara e é a única outra de grupo troncal (pertencente a uma linhagem extinta situada fora do grupo que reúne todas as serpentes atuais, mas evolutivamente próxima dele) com caixa craniana bem preservada e dados de tomografia disponíveis publicamente. Os moldes do espaço interno do crânio das duas espécies se mostraram bastante diferentes entre si, com a Dinilysia apresentando uma anatomia compatível com um modo de vida não adaptado à vida subterrânea (fossorial) e, provavelmente, terrestre.

O fóssil da Tametara foi descoberto em 2020 por William Nava e Giovanna Paixão, do Museu de Paleontologia de Marília, em uma pedreira na região de Presidente Prudente, no extremo oeste de São Paulo. A rocha, com idade estimada entre 85 e 75 milhões de anos, pertence à Formação Adamantina, do Grupo Bauru, um conjunto de rochas sedimentares do Cretáceo Superior que aflora em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás, famoso por seus fósseis de dinossauros. Segundo os autores, trata-se do primeiro fóssil de cobra articulado, com os ossos ainda conectados da maneira como estavam no momento da morte do animal, encontrado no Brasil. Os registros anteriores de serpentes do período Cretáceo no país incluíam apenas vértebras isoladas.

O estudo foi liderado por Tiago Simões, da Universidade de Princeton (EUA), Nicolas Di-Poï, da Universidade de Helsinque (Finlândia), e Annie Hsiou, da Universidade de São Paulo (USP), e recebeu apoio da FAPESP por meio dos projetos 24/17970-7 e 25/01077-4.

“Quase tudo o que sabemos sobre a origem das serpentes se baseia em um número muito restrito de fósseis bem preservados do Mesozoico”, explica Simões, primeiro autor do estudo e professor no Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva de Princeton, nos Estados Unidos. Segundo ele, são conhecidos menos de dez fósseis articulados de serpentes de todo o Mesozoico – era geológica que se estendeu de cerca de 252 milhões a 66 milhões de anos atrás e compreende os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo –, e apenas três outros têm preservação tridimensional comparável à da Tametara. “Cada nova espécie dessa época e com esse grau de preservação apresenta um enorme potencial para esclarecer perguntas sobre suas origens”, afirma.

O estudo não resolve o impasse sobre onde as serpentes surgiram, mas mostra que, ainda no Cretáceo, elas já haviam se diversificado ecologicamente. Linhagens próximas na árvore evolutiva ocupavam ambientes muito diferentes, indicando que hábitos subterrâneos, terrestres e marinhos coexistiram cedo na história do grupo, em vez de um único ambiente ancestral comum.


Análise digital

Para reconstruir a anatomia interna do crânio sem destruir o fóssil, a equipe recorreu à microtomografia computadorizada, uma tecnologia semelhante à dos exames hospitalares de raios X, mas com um poder de resolução muito mais alto. A separação das estruturas nas imagens coube a Gabriela Sobral, pesquisadora associada do Museu de História Natural de Stuttgart (Alemanha) e da Universidade de Brasília (UnB). “A partir das tomografias, fazemos as segmentações das estruturas que nos interessam. É possível desenhar e colorir cada uma delas para indicar ao programa o que deve ser separado do restante”, descreve Sobral. O procedimento gera um modelo tridimensional que pode ser rotacionado e ampliado na tela do computador.

Foi esse trabalho que revelou um conjunto de pistas apontando para um hábito de vida subterrâneo da Tametara. Os ossos do teto do crânio se mostraram densos e bastante sobrepostos entre si, um padrão que ajuda a diferenciar os animais fossoriais (adaptados a cavar tocas e viver debaixo da terra) e semifossoriais dos não fossoriais. O ouvido interno reforçou a suspeita, com um vestíbulo grande e arredondado e canais semicirculares finos. “Os canais semicirculares reduzidos indicam que o posicionamento espacial do corpo não é tão importante de ser percebido pelo animal, o que faz sentido quando se vive debaixo da terra”, explica Sobral. O vestíbulo grande e globoso, por sua vez, sugere que sons de baixa frequência – que se propagam melhor pelo solo do que pelo ar – eram importantes para o animal.



Por décadas, fósseis de serpentes primitivas foram usados para tentar reconstruir como era o ancestral comum das cobras atuais. O novo estudo, porém, mostra que nenhuma dessas espécies representa, isoladamente, essa condição ancestral (imagem: Gabriel Ugueto e Simone Macri)

No cérebro, o destaque ficou por conta de uma região pouco desenvolvida. O teto óptico, estrutura ligada ao processamento da visão, era mais atrofiado na Tametara do que na maioria das cobras e lagartos escavadores estudados até hoje. “Regiões atrofiadas indicam que aquela função não é tão vital assim”, diz Sobral. Ela faz uma ressalva metodológica importante: o molde virtual do interior do crânio, o endocasto, não reproduz o cérebro propriamente dito, e sim o conjunto de estruturas que ficavam justapostas dentro da caixa craniana quando o animal estava vivo. No caso da Tametara, a região correspondente ao teto óptico formava uma faixa bastante delgada. “Essa é uma condição bem especial mesmo entre as cobras escavadoras atuais, que quase não dependem da visão para sobreviver”, resume.


Implicações evolutivas

Comparadas lado a lado, as reconstruções da anatomia endocraniana da Tametara e da Dinilysia revelaram-se diferentes entre si e distintas da maioria das linhagens modernas de lagartos e cobras. Para Simões, isso indica que os dois animais ocupavam ambientes distintos e provavelmente percebiam o mundo de maneiras muito diversas. “Elas apresentavam uma diversidade neuroanatômica, e provavelmente sensorial, ampla no início de sua história evolutiva”, diz o pesquisador.

Ao combinar análises quantitativas do formato do telencéfalo (a porção mais anterior do encéfalo, onde se localiza o bulbo e trato olfativos) e da microestrutura óssea com evidências anatômicas do ouvido interno, a equipe conseguiu demonstrar pela primeira vez, com métodos estatísticos, que as serpentes do Cretáceo apresentavam diversidade ecológica. O achado tem uma implicação que vai além da biologia da Tametara. Por décadas, fósseis de serpentes primitivas foram usados para tentar reconstruir como era o ancestral comum das cobras atuais. O novo estudo, porém, mostra que nenhuma dessas espécies representa, isoladamente, essa condição ancestral. “Para entender melhor a origem do grupo, precisamos descobrir fósseis de alto grau de preservação, como a Tametara, de idades mais antigas, especialmente no período Jurássico, que foi de 201 milhões até 145 milhões de anos atrás”, avalia Simões.

O nome da espécie remete a essa singularidade. Tametara significa “adornada”, em referência à crista pronunciada no topo do crânio; e mirim, de origem tupi-guarani, indica o pequeno porte do animal.

A descoberta também amplia o conhecimento sobre grupos historicamente menos estudados no Grupo Bauru. “O potencial da região para se entender a vida no Cretáceo é de reconhecimento internacional há bastante tempo. No entanto, historicamente, o foco das pesquisas sempre foi maior com outros grupos, como dinossauros não avianos”, observa Simões. Ainda restam lacunas sobre a própria Tametara. Não se sabe se o animal ainda possuía membros posteriores desenvolvidos, porque a região do corpo em que eles estariam, próxima à cloaca, não foi preservada no fóssil.

“Desde o início, eu sabia que estava diante de um fóssil muito especial, por causa dessas características incomuns. À medida que o trabalho avançava, a Tametara foi se mostrando realmente única”, resume Sobral. “Infelizmente não participei da descoberta desse fóssil. Deve ter sido uma emoção muito grande encontrar uma joia dessas. Quem sabe na próxima saída de campo?”, completa.

O artigo Exceptional brain and ecological diversity in the earliest snakes pode ser lido em: nature.com/articles/s41586-026-10809-9.



Jennifer Ann Thomas
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/fossil-descoberto-em-sao-paulo-revela-novas-pistas-sobre-origem-das-cobras/58763



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