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sábado, 27 de junho de 2026

Frio não é motivo para parar: atividade física ganha importância durante o inverno

 Especialista em alto rendimento alerta que prática constante pode reduzir o risco de infecções respiratórias e melhorar a qualidade de vida 

 

Com a chegada oficial do inverno no último domingo (21), a queda das temperaturas costuma trazer uma mudança de comportamento de redução da prática de exercícios físicos, comum entre os brasileiros. Ao mesmo tempo, aumentam os casos de doenças respiratórias e correlatas impulsionados por uma rotina mais reclusa e pela falsa percepção de que o frio exige menos movimento e mais repouso.  

No entanto, experts apontam que a estação pode representar justamente uma oportunidade para potencializar resultados relacionados à saúde, condicionamento físico e composição corporal. 

Segundo o profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício e alto rendimento Jauan Anselmo, o organismo passa por adaptações importantes durante os períodos mais frios, tornando-se mais eficiente no gasto energético. 

O frio faz com que o corpo trabalhe mais para manter sua temperatura interna estável. Isso significa um aumento natural do gasto energético diário, o que torna um período extremamente favorável para quem busca emagrecimento, melhora metabólica e manutenção da saúde, desde que exista uma estratégia adequada de treinamento”, explica. 

Apesar disso, a redução da exposição ao sol, os dias mais curtos e as temperaturas mais baixas acabam contribuindo para uma queda nos níveis de atividade física, favorecendo a perda de massa muscular, o aumento do sedentarismo e a redução da capacidade cardiorrespiratória.

 

Exercício fortalece a imunidade, mas exige equilíbrio 

Outro fator que costuma preocupar muitas pessoas é a relação entre atividade física e imunidade durante os meses mais frios. De acordo com Jauan, o exercício é um aliado importante na prevenção de doenças respiratórias, desde que seja realizado dentro de parâmetros adequados. 

Pesquisas conduzidas por cientistas da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, referência mundial na área de imunologia do exercício, demonstram que a prática regular de exercícios de intensidade moderada está associada a uma menor incidência de infecções respiratórias. Por outro lado, sessões excessivamente intensas, sem recuperação adequada, podem provocar uma redução temporária das defesas do organismo. 

O exercício funciona como um regulador do sistema imunológico. Quando existe equilíbrio entre treino, recuperação, alimentação e sono, os benefícios são enormes. O problema não está no exercício em si, mas no excesso sem planejamento. Aí sim pode haver uma sobrecarga que compromete momentaneamente a imunidade”, destaca.

 

Cuidados redobrados durante a estação 

Durante o inverno, também é comum o aumento das queixas relacionadas ao desconforto respiratório durante a atividade física, especialmente em ambientes externos. 

Estudos publicados em periódicos como Medicine & Science in Sports & Exercise apontam que dois fatores são fundamentais para minimizar processos inflamatórios das vias aéreas: um aquecimento gradual antes do treino e a manutenção da hidratação adequada ao longo do dia. 

Segundo o profissional, que atua na área há mais de 10 anos, muitas pessoas associam a sensação reduzida de sede ao menor risco de desidratação, o que não corresponde à realidade. 

No inverno nós continuamos perdendo líquidos pela respiração, pela transpiração e pelos processos metabólicos, a diferença é que sentimos menos sede. Por isso, hidratação e aquecimento passam a ser componentes fundamentais para um treino seguro e eficiente”, afirma.

 

Frio pode favorecer o metabolismo 

Além dos benefícios cardiovasculares e imunológicos, o inverno também pode favorecer adaptações metabólicas importantes. 

Pesquisadores do Grupo de Estudos e Pesquisas em Exercício e Metabolismo (GEPEM), vinculado às Universidades de São Paulo (USP) e de Brasília (UnB), vêm demonstrando como o exercício físico influencia diretamente a função mitocondrial, que são estruturas celulares responsáveis pela produção de energia. 

Os estudos apontam que ambientes com temperaturas amenas ou controladas podem favorecer algumas dessas adaptações, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos substratos energéticos e para a manutenção de um metabolismo mais ativo, inclusive em períodos de repouso. 

Para Jauan, esse é um dos aspectos mais interessantes da prática regular de exercícios durante a estação: “O inverno pode potencializar esse cenário porque o corpo já está naturalmente mobilizando mais recursos para manter seu equilíbrio térmico”, explica.

 

Planejamento é a chave  

Embora o inverno apresente condições favoráveis para a prática de atividade física, o especialista ressalta que o principal desafio continua sendo a adesão ao exercício. De acordo com ele, manter a regularidade é mais importante do que buscar treinos extremamente intensos ou soluções rápidas. 

O maior benefício do inverno está na oportunidade de criar consistência. Quem consegue atravessar essa estação mantendo uma rotina de exercícios normalmente chega à primavera e ao verão com mais condicionamento, mais saúde e melhores resultados. O segredo é adaptar à realidade de cada pessoa, respeitando suas condições clínicas, seus objetivos e seu nível de preparo físico”, conclui.

 

Especialista alerta para sinais silenciosos da ansiedade em crianças e adolescentes


Condição pode se manifestar com dores físicas, irritabilidade e recusa escolar. Psiquiatra infantil destaca impacto do excesso de telas, pressão escolar e mudanças na rotina.

A ansiedade entre crianças e adolescentes tem chamado cada vez mais a atenção de famílias, escolas e profissionais de saúde. Embora o sentimento de ansiedade faça parte do desenvolvimento humano, especialistas alertam que, quando excessivo e persistente, ele pode comprometer o sono, a alimentação, o aprendizado e a convivência social dos pequenos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os transtornos de ansiedade estão entre os problemas emocionais mais frequentes na adolescência. Segundo a entidade, cerca de um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão os quadros mais comuns. Estima-se ainda que os transtornos ansiosos afetem 4,1% das crianças de 10 a 14 anos e 5,3% dos adolescentes de 15 a 19 anos. (1)

A psiquiatra infantil Juliana Bastos, do Hospital Vitória, da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, explica que a ansiedade nem sempre aparece de forma evidente na infância. Diferentemente dos adultos, crianças pequenas podem não conseguir verbalizar preocupações ou medos.

“Em crianças, a ansiedade pode surgir como irritabilidade, choro fácil, necessidade excessiva da presença dos pais, recusa escolar, dificuldade para dormir, pesadelos, agitação ou até sintomas físicos, como dor de barriga, náuseas e dor de cabeça”, explica a especialista.

A médica alerta ainda que muitas dessas atitudes acabam sendo confundidas com birra, timidez ou mau comportamento.

“Uma criança ansiosa pode parecer desobediente ou dramática, quando, na verdade, está tentando evitar algo que percebe como ameaçador”, ressalta.

Entre os principais fatores que contribuem para o aumento da ansiedade infantil estão o excesso de atividades, a pressão por desempenho, o bullying, as dificuldades de aprendizagem, a privação de sono e o uso excessivo de telas e redes sociais.

“O excesso de telas pode piorar o sono, aumentar a hiperestimulação, reduzir o tempo de brincadeiras livres e expor a criança a conteúdos inadequados e comparação social constante”, afirma.

De acordo com a psiquiatra, é importante buscar uma avaliação profissional quando os sintomas persistem por semanas, causam sofrimento importante ou começam a prejudicar a rotina da criança.

“Quando há impacto no sono, na alimentação, no desempenho escolar ou na socialização, além de crises intensas ou medos persistentes, é importante procurar ajuda especializada”, orienta.

A especialista destaca que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) está entre as abordagens com as melhores evidências para o tratamento da ansiedade em crianças e adolescentes.

No dia a dia, pequenas atitudes da família podem ajudar a reduzir o sofrimento emocional. Entre elas estão manter a rotina organizada, incentivar a prática de atividades físicas, garantir um sono adequado, limitar as telas e criar um espaço seguro para conversar sobre emoções. 

O objetivo não é eliminar toda a ansiedade da vida da criança, mas ensiná-la a reconhecer esse sentimento e a atravessar as emoções difíceis com segurança e apoio”, conclui Juliana.


Veja como festas juninas podem ajudar a manter o cérebro ativo

Brincadeiras, músicas, danças e interações sociais típicas dos arraiais estimulam memória, atenção e linguagem, além de favorecerem o bem-estar emocional, segundo especialista da NeuronUP

 

Seja por meio das músicas tradicionais, das receitas passadas entre gerações ou das quadrilhas que marcam a infância, os festejos de São João fazem parte da memória afetiva nacional. E essa conexão emocional, segundo especialistas, pode ter um papel importante na estimulação cognitiva, favorecendo processos relacionados à memória, à linguagem, à atenção e ao bem-estar.

 

Embora sejam frequentemente associadas ao lazer, as festas juninas reúnem elementos capazes de estimular diferentes áreas do cérebro, segundo Martha Valeria Medina, neuropsicóloga da NeuronUP, startup espanhola de terapia neurocognitiva. “Em um país que envelhece rapidamente, buscar alternativas culturais e acessíveis para frear o declínio cognitivo tornou-se uma prioridade de saúde pública. É aqui que esta metodologia ganha relevância, já sendo utilizada por milhares de especialistas no Brasil para personalizar terapias por meio da cultura local”, comenta.

 

Atividades inspiradas em festividades locais representam uma ferramenta valiosa para tornar a estimulação cognitiva mais próxima da realidade dos pacientes. “As atividades inspiradas em festividades locais podem ser utilizadas como uma ferramenta valiosa dentro dos programas de estimulação cognitiva, pois permitem trabalhar diferentes funções cognitivas a partir de conteúdos familiares, significativos e emocionalmente relevantes para a pessoa”, afirma.

 

De acordo com a especialista, elementos característicos das festas juninas podem ser utilizados em diferentes exercícios terapêuticos. “Podem ser propostos exercícios de memória por meio do reconhecimento de músicas ou receitas típicas; atividades de linguagem com a evocação de vocabulário relacionado à festividade; tarefas de atenção e discriminação visual utilizando imagens de elementos típicos das festas; exercícios de funções executivas por meio do planejamento de uma celebração; ou atividades de orientação temporal trabalhando calendário, datas e estações do ano”, explica.


 

Memórias afetivas fortalecem o engajamento

 

Um dos principais benefícios de utilizar temas culturais nas intervenções cognitivas está na conexão emocional que eles despertam. As festas juninas fazem parte da história de muitas pessoas e facilitam o acesso a lembranças autobiográficas importantes.

 

“Utilizar temas familiares pode aumentar o engajamento dos pacientes porque conecta a terapia a experiências conhecidas, agradáveis e emocionalmente significativas. Quando uma atividade está relacionada a lembranças, tradições ou situações do cotidiano, o paciente tende a sentir-se mais motivado, confortável e disposto a participar”, destaca Martha.

 

Músicas tradicionais, receitas passadas entre gerações e lembranças de quadrilhas e brincadeiras típicas podem servir como ponto de partida para exercícios que estimulam não apenas a memória, mas também a linguagem, o raciocínio e a organização do pensamento. 


 

Participação social também faz diferença

 

Além do ganho cognitivo, as festividades ajudam a fortalecer vínculos sociais e o sentimento de pertencimento, fatores importantes para a saúde mental e o envelhecimento saudável. “As iniciativas sazonais, como as festas juninas, ajudam a promover a participação social porque oferecem uma oportunidade de trabalhar a cognição em um contexto compartilhado, dinâmico e emocionalmente positivo”, explica Martha.

 

Ela ressalta que essas atividades favorecem a interação, a comunicação e a troca de experiências entre os participantes. “Em idosos ou pacientes com dificuldades cognitivas, esse tipo de iniciativa pode contribuir para o bem-estar emocional, reduzir a sensação de isolamento e proporcionar momentos de prazer dentro do processo terapêutico.” 


 

Tecnologia e cultura juntas na estimulação cognitiva

 

A personalização das atividades é um dos fatores que contribuem para melhores resultados terapêuticos. Nesse contexto, plataformas digitais especializadas permitem adaptar exercícios às características, interesses e vivências de cada paciente.

 

A NeuronUP, plataforma voltada à neurorreabilitação e estimulação cognitiva, permite que profissionais personalizem atividades de memória, atenção, linguagem e funções executivas utilizando elementos culturalmente relevantes, incluindo datas comemorativas e tradições locais.

 

“A plataforma possibilita que os profissionais selecionem atividades de acordo com os objetivos terapêuticos, o nível de dificuldade, as funções cognitivas que desejam trabalhar e as características pessoais, sociais e culturais de cada usuário”, explica Martha.

 

Segundo ela, atividades como caça-palavras, exercícios de classificação, planejamento e memória podem ser adaptadas com temas relacionados às festas juninas, utilizando termos como quadrilha, fogueira, milho, bandeirinhas, música, dança e comidas típicas.

“Quando o paciente percebe que as atividades têm relação com sua vida, seus interesses ou sua cultura, é mais provável que participe ativamente das sessões”, conclui.

 

 NeuronUP 


O algoritmo não abraça

 

Há não muito tempo, ficávamos impactados com uma resposta rápida que parecia personalizada. Com o passar dos anos, isso se tornou natural. Agora o cenário é outro. Ficamos impactados quando um ser humano de carne e osso nos atende.

Passei recentemente por três experiências curiosas dentro desse contexto. 

A primeira: envio uma mensagem escrita por WhatsApp para uma empresa e recebo como resposta uma breve orientação seguida da pergunta: "Tudo bem você ser transferida para ser atendida por um ser humano?" É verdade. Não inventei isso, embora pareça uma piada. 

A segunda: mando uma mensagem escrita por WhatsApp para um hotel, sou extremamente bem atendida, de forma rápida e personalizada. Fico surpresa. Quando pergunto o nome da atendente (sou das antigas, gosto de saber o nome das pessoas), ela responde com o nome do hotel, no diminutivo. Só então percebo que estava falando com uma inteligência artificial. 

A terceira: escrevo uma mensagem para uma clínica odontológica, já esperando encontrar o tradicional "escolha a opção 1, 2 ou 3...". Em vez disso, uma menina muito simpática me responde e conduz a conversa de forma acolhedora, fazendo com que eu me sinta bem antes mesmo de conhecer a clínica. Nessa hora pensei: ser atendida por um humano hoje em dia é luxo. 

Embora a IA traga incontáveis benefícios, há uma questão que merece atenção. O cérebro humano não foi projetado apenas para pensar. Foi projetado também para se conectar. 

Quando alguém nos escuta genuinamente, demonstra interesse verdadeiro ou nos faz sentir vistos, nosso cérebro ativa mecanismos ligados à segurança, ao pertencimento e ao bem-estar. Além disso, seres humanos regulam as emoções uns dos outros.  

Ou seja: não nos acalmamos apenas sozinhos, mas também juntos. Uma pessoa que escute com atenção e interesse pode reduzir ansiedade e gerar confiança mesmo em interações breves.   

Não por acaso, a solidão passou a ser tratada como uma questão de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde. Em um mundo cada vez mais mediado por telas, cada encontro humano significativo ganha valor.  

A psicóloga e pesquisadora americana Barbara Fredrickson mostra que pequenos momentos de conexão positiva têm impacto real sobre nossa capacidade de enfrentar desafios. Esses momentos não exigem intimidade nem relacionamentos duradouros. Podem acontecer em uma cafeteria, numa farmácia, numa consulta ou num simples atendimento. Um sorriso genuíno, uma escuta respeitosa ou uma demonstração de cuidado podem produzir efeitos muito maiores do que imaginamos. 

Talvez o atendimento humanizado seja uma das últimas fronteiras cotidianas de encontro entre desconhecidos. 

Muitas vezes esquecemos o que uma pessoa disse, mas lembramos de como nos sentimos. Do ponto de vista neurobiológico, experiências carregadas de emoção tendem a ser registradas com mais força na memória. Por isso, o que fideliza clientes, pacientes e usuários não é apenas eficiência e sim a sensação de ter sido visto e compreendido.  

A tecnologia está nos ajudando a fazer mais rápido e muitas vezes melhor. Porém, ela não substitui uma das necessidades humanas mais fundamentais: a conexão. 

É claro que um atendimento humano automático, indiferente ou burocrático não resolve nada. O verdadeiro desafio é transformar cada micromomento de encontro em uma oportunidade de conexão significativa. 

Nesse sentido, a IA continuará nos apoiando. Mas as oportunidades preciosas de conexão humana seguem sendo, felizmente, insubstituíveis. 

  

Deborah Dubner - psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, com uma boa dose de poesia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência e Psicologia Positiva, é também graduada em Ciência da Felicidade e professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência.


Pressão por validação afeta autoestima e saúde mental de mulheres em ambientes predominantemente masculinos

Psicóloga explica como a necessidade constante de provar competência pode contribuir para ansiedade, autocobrança excessiva e síndrome da impostora. 


A sensação de precisar provar constantemente a própria competência não é incomum. Pesquisa realizada pela KPMG em 2020 revelou que 75% das mulheres em cargos de liderança já vivenciaram a síndrome da impostora em algum momento da carreira, demonstrando como a insegurança profissional pode afetar até mesmo profissionais altamente qualificadas. 

O tema voltou ao debate recentemente após a árbitra Fernanda Colombo relatar a resistência enfrentada ao longo da carreira em um ambiente historicamente masculino. A experiência é compartilhada por muitas profissionais que, mesmo altamente capacitadas, ainda convivem com a necessidade constante de validar sua competência para conquistar reconhecimento e credibilidade no mercado de trabalho. 

Segundo a psicóloga Dra. Andrea Beltran, a necessidade frequente de validação pode gerar desgaste emocional e aumentar os níveis de ansiedade. 

"Quando a mulher percebe que sua capacidade é questionada com mais frequência ou que precisa entregar mais resultados para obter o mesmo reconhecimento, ela pode desenvolver um estado permanente de alerta. É como se estivesse constantemente sendo avaliada, o que gera tensão, insegurança e uma autocobrança excessiva", explica. 

A especialista destaca que esse cenário pode afetar diretamente a forma como a profissional percebe seu próprio valor. 

"Com o tempo, muitas mulheres passam a acreditar que precisam ser impecáveis para serem respeitadas. Isso pode enfraquecer a autoestima e favorecer sentimentos de inadequação, mesmo diante de conquistas concretas e de uma trajetória profissional sólida", afirma. 

Outro fenômeno comum nesses contextos é a chamada síndrome da impostora, caracterizada pela dificuldade de reconhecer as próprias competências e pelo medo constante de ser considerada incapaz. 

"Mesmo quando existem resultados consistentes, algumas mulheres continuam sentindo que precisam provar que merecem ocupar aquele espaço. A sensação de estar sempre em teste gera sofrimento emocional e pode comprometer a confiança para assumir novos desafios ou posições de liderança", observa a Dra. Andrea. 

Além dos impactos individuais, a psicóloga ressalta que ambientes marcados por preconceitos explícitos ou sutis também afetam a produtividade e o bem-estar das equipes. 

"Quando parte da energia emocional é direcionada para lidar com julgamentos, estereótipos ou a necessidade constante de validação, sobra menos espaço para inovação, criatividade e desenvolvimento profissional. O resultado é um desgaste que pode contribuir para quadros de ansiedade, estresse crônico e exaustão emocional", diz. 

Para a Dra., promover ambientes mais inclusivos é uma medida que beneficia não apenas as mulheres, mas toda a organização. 

"O reconhecimento profissional deve estar associado à competência, ao desempenho e aos resultados, independentemente do gênero. Ambientes saudáveis são aqueles em que as pessoas podem desenvolver seu potencial sem a necessidade de provar diariamente que merecem estar ali", conclui.

 

Dra. Andrea Beltran - psicóloga analítica junguiana, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Atua no acompanhamento de processos individuais com foco em autoconhecimento, vínculo e desenvolvimento emocional. Seu trabalho valoriza narrativas pessoais e vínculos profundos, buscando acolhimento genuíno em cada jornada.


Como a autonomia financeira transforma a saúde mental e a vida de mulheres em vulnerabilidade

Para psicóloga da Orientavida, acesso à renda própria e capacitação profissional são caminhos diretos para fortalecimento da saúde mental feminina

 

A autonomia financeira tem se mostrado um dos principais fatores de impacto na saúde mental de mulheres em situação de vulnerabilidade social, influenciando diretamente a autoestima, a tomada de decisões, a percepção de liberdade e até a permanência em relacionamentos abusivos. De acordo com a pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho, produzida pela Consultoria Maya, a independência financeira é vista como prioridade para cerca de 37,3% das entrevistadas. 

Para a psicóloga e coordenadora social da ONG Orientavida, Érica Fernanda da Silva, os impactos da dependência financeira vão muito além da questão econômica e afetam diretamente a liberdade, a autoestima e a capacidade de decisão das mulheres. 

A ausência de autonomia financeira impacta na liberdade da mulher, em sua possibilidade de escolhas e sentimento de competência. Essas situações podem gerar amarras emocionais, causando danos à autoestima, uma vez que não conseguem fazer gestão das próprias vidas, vivenciando constantemente o medo da instabilidade, insegurança e principalmente, a dependência em relacionamentos tóxicos e/ou abusivos”, afirma. 

Segundo Érica, essa realidade costuma aparecer em situações cotidianas que demonstram a falta de autonomia sobre a própria vida. Ela afirma que é possível indentificar isso em falas nas quais, quando questionadas sobre algo, respondem que precisam pedir permissão ao marido; um outro exemplo apontado pela psicóloga, é quando elas não possuem coisas básicas do dia a dia, como um celular próprio, chave pix, entre outros, pois toda a gestão de sua vida está ligada a terceiros - na maioria das vezes um homem. 

A dependência financeira também está entre os fatores que contribuem para a permanência de muitas mulheres em relacionamentos abusivos. Mas certamente, numa perspectiva de construção social, a dependência financeira e consequentemente a estabilidade, é um grande fator para que muitas mulheres permaneçam sendo abusadas em seus relacionamentos. Essa situação se agrava quando existem filhos, ainda crianças. Existe um senso comum de que a separação causa sofrimento às crianças, e esse estigma que vai se perpetuando socialmente, acaba por deixar muitas mulheres reféns de vínculos abusivos”, comenta. 

Por outro lado, quando as mulheres conquistam independência financeira, as mudanças passam a ser percebidas em diferentes aspectos da vida pessoal, emocional e social. Um aspecto observado logo no início pela psicóloga. Para ela, é notável os pequenos gestos de autocuidado, como mudanças no cabelo, roupas, as unhas. Além disso, a forma como se expressam também muda, ou seja, tornam-se mais firmes, extrovertidas, relatam sonhos, metas, coisas que não aparecem quando não há uma autonomia financeira, justamente por se sentirem privadas ou incapazes. 

Érica explica que a autonomia financeira também permite que essas mulheres ampliem seus papéis sociais e construam novos projetos de vida. “Elas internalizam esse lugar de empoderamento. Em muitos casos, percebe-se até a expansão nos papéis sociais, ou seja, deixam de viver exclusivamente para filhos/maridos, e passam a sair com amigas, estudar, entre outras coisas”.
 

Acolhimento e reconstrução emocional 

Nesse contexto, projetos sociais voltados à capacitação profissional e à geração de renda desempenham papel importante no fortalecimento emocional de mulheres em situação de vulnerabilidade. A psicóloga esclarece que iniciativas desse tipo vão além da formação técnica e criam espaços de acolhimento, troca de experiências e fortalecimento coletivo. 

Iniciativas assim promovem espaços de acolhimento, nas quais podem partilhar, se identificar e se fortalecer, criando rede de apoio entre si. São espaços que as impulsionam a acreditar em seu potencial, investir em suas habilidades. Outro aspecto é o fato de essas mulheres se sentirem ouvidas e validadas. A maioria vem de realidades vulneráveis, marginalizadas, então, estão acostumadas a serem julgadas e excluídas. Ter a oportunidade de se reinventar, ressignificar suas histórias e ainda alcançar uma autonomia financeira é algo transformador que mexe com toda a estrutura social”, ressalta. 

Um grande exemplo disso é a ONG Orientavida, que em mais de duas décadas de atuação, já impactou mais de 20 mil pessoas de forma indireta, capacitando mais de 4 mil mulheres e beneficiando cerca de 1,5 mil famílias por meio de seus projetos sociais e de formação profissional. Na instituição, programas como o Mulheres Circulares integram capacitação profissional, geração de renda e apoio emocional, fortalecendo de forma simultânea a autonomia econômica e o desenvolvimento subjetivo dessas mulheres. 

Já o Pense Rosa atua em outra frente da organização, voltada à saúde da mulher, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de mama, ampliando o acesso a exames e informação para mulheres em situação de vulnerabilidade.
 

A busca por autonomia sem abrir mão da saúde mental 

Apesar dos avanços, a conquista da independência financeira ainda esbarra em desafios relacionados à sobrecarga feminina, especialmente para mulheres que acumulam responsabilidades profissionais, familiares e domésticas. Segundo Érica, essa realidade não pode ser analisada apenas como uma questão individual, mas como resultado de uma construção social histórica. 

Esse viés é mais complicado, porque não reflete só um desejo e o processo individual, mas sim, uma construção social. A mulher é colocada num lugar de ser a pessoa que dá conta de tudo, tem seu desgaste e sofrimento romantizado, e quando se posiciona, é fortemente julgada, desde os vínculos mais próximos como de forma geral na sociedade. 

Para a psicóloga, antes de buscar equilíbrio, é necessário repensar a distribuição das responsabilidades dentro dos lares e das relações. “Talvez a palavra equilíbrio não seja a melhor expressão para esse caso. O fato é que, é preciso antes de mais nada, compreender que as tarefas do dia a dia não são obrigação de alguém pelo simples fato de serem mulheres - cuidar da casa, lavar roupa, comida, etc. Logo, devem ser partilhadas. 

Erica aponta que a saúde mental está ligada diretamente ao estabelecimento de limites, em todas as relações, portanto, é importante corresponsabilizar o outro. Dedicar tempo, dentro das possibilidades, para saúde física, alimentação, lazer, e isso não tem a ver com coisas grandes ou inacessíveis financeiramente, mas com pequenos gestos na realidade de cada uma, que a faça ter prazer na vida ao invés de um quadro constante de exaustão. E por isso, ter a própria renda é fundamental. 

Por fim, a psicóloga da Orientavida deixa uma mensagem para mulheres que desejam conquistar maior independência financeira, mas ainda enfrentam inseguranças. “Valorize sua história, suas vivências, sempre haverá um espaço onde você será o potencial transformador e ter impacto na vida de alguém, mas primeiro, é necessário ter coragem de transformar a própria vida”.


5 hábitos que podem favorecer a memória e a aprendizagem antes do Enem

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Hábitos relacionados ao descanso, à concentração e ao bem-estar emocional podem fazer diferença no desempenho dos estudantes


Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitos estudantes intensificam a rotina de estudos em busca de um melhor desempenho na prova. Nesse período, além da dedicação ao conteúdo, é importante adotar hábitos que favoreçam a memória, a concentração e a capacidade de aprendizagem. 

Segundo Jaqueline Pereira da Rocha, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o cérebro responde diretamente aos estímulos do dia a dia e, por isso, alguns comportamentos simples podem fazer diferença na absorção e retenção das informações. “Aprender não depende apenas da quantidade de horas estudadas. O processo envolve fatores emocionais, físicos e cognitivos que influenciam a forma como o cérebro registra e recupera o conhecimento”, explica. 

A seguir, a especialista destaca cinco hábitos que podem contribuir para potencializar os estudos antes do Enem.
 

1. Manter uma rotina de sono adequada

Dormir bem é um dos principais aliados da memória. Durante o sono, o cérebro organiza e consolida as informações adquiridas ao longo do dia, transformando conhecimentos recentes em memórias mais duradouras. 

De acordo com Jaqueline, reduzir horas de descanso para estudar mais pode trazer o efeito contrário ao esperado. A especialista explica que a privação de sono prejudica a atenção, a concentração e a capacidade de raciocínio, dificultando o aprendizado. “O sono é uma etapa fundamental para a fixação do conteúdo. Quando ele é negligenciado, o estudante tende a apresentar mais dificuldades para recordar informações durante as provas”, afirma.
 

2. Fazer pausas estratégicas durante os estudos

Passar muitas horas seguidas diante dos livros nem sempre significa maior produtividade. O cérebro possui um limite natural de atenção e necessita de intervalos para recuperar energia e manter o foco. 

A coordenadora ressalta que pequenas pausas ajudam a reduzir a fadiga mental e favorecem a assimilação do conteúdo estudado. Caminhar, alongar o corpo ou simplesmente descansar por alguns minutos são atitudes que contribuem para um melhor rendimento. Segundo ela, períodos de descanso permitem que o cérebro processe as informações com mais eficiência.
 

3. Praticar atividade física regularmente

A prática de exercícios físicos não beneficia apenas a saúde do corpo. Ela também está associada ao funcionamento cerebral, ajudando a melhorar a concentração, a disposição e a memória. 

Jaqueline destaca que a atividade física contribui para a redução do estresse e da ansiedade, fatores que podem interferir diretamente no desempenho acadêmico. “Quando a mente está menos sobrecarregada emocionalmente, o estudante consegue direcionar melhor sua atenção para o processo de aprendizagem”, observa.
 

4. Utilizar técnicas de revisão ativa

Revisar o conteúdo de forma ativa pode ser mais eficiente do que apenas reler materiais. Estratégias como responder questões, elaborar resumos, criar mapas mentais e explicar a matéria para outra pessoa ajudam a fortalecer as conexões neurais relacionadas ao aprendizado. 

Segundo a psicóloga, esse tipo de prática estimula o resgate das informações armazenadas, tornando a lembrança mais acessível no momento da prova. Ela explica que o cérebro aprende melhor quando é desafiado a recuperar o conhecimento, em vez de apenas receber informações de forma passiva.
 

5. Cuidar da saúde emocional

Ansiedade, excesso de cobrança e preocupação constante podem comprometer o desempenho nos estudos. Por isso, manter o equilíbrio emocional também faz parte da preparação para o Enem. 

A psicóloga afirma que é importante reconhecer limites e buscar momentos de lazer e descanso ao longo da rotina. “O estudante precisa compreender que cuidar da saúde mental não é perda de tempo. Quando existe maior equilíbrio emocional, o estudante tende a apresentar melhores condições de atenção, organização e aprendizagem”, conclui. 

A adoção desses hábitos pode contribuir para uma preparação mais saudável e produtiva para o Enem. Mais do que acumular horas de estudo, investir no bem-estar físico e emocional ajuda a criar condições favoráveis para o aprendizado e para a recuperação das informações no dia da prova.



Anhanguera
Para mais informações das soluções educacionais, acesse o site e o blog.

 

Mês do luto: Veja filmes e séries que ensinam a olhar para o luto com leveza


O mês de junho traz um importante momento de reflexão: o Dia Nacional do Luto, lembrado em 19 de junho. A data foi criada para conscientizar a sociedade sobre a importância de acolher esse processo de forma saudável, humanizada e sem tabus. Muitas vezes associada exclusivamente à dor paralisante, a perda também pode ser um convite para honrar os afetos e reconstruir os próprios caminhos. Com o objetivo de desmistificar o tema e oferecer um abraço em forma de arte, preparamos uma lista de indicações, entre filmes e séries, com um bônus de livros que valem a leitura, que abordam a ausência de um ente querido com extrema sensibilidade, doçura e afeto.


Para a psicóloga Daniela Bittar, especialista em luto e colunista do Portal Além da Perda, criado pelo Grupo Zelo, a arte desempenha um papel fundamental como ferramenta de elaboração emocional, especialmente em momentos de conscientização como o que a data propõe.

"O luto não é uma doença da qual precisamos nos curar rapidamente, mas sim o preço que pagamos por amar alguém. Quando a arte traduz esse sentimento de forma delicada, ela valida a nossa dor e nos mostra que é possível abrir espaço para a saudade sem que ela nos sufoque. Narrativas acolhedoras funcionam como um espelho e um abraço, lembrando que o amor não termina com a partida física; ele se transforma em história", pontua a psicóloga.

Confira abaixo a seleção de obras que oferecem um olhar reconfortante sobre o recomeço:


  • Mensagens para Isabelle (Filme - Netflix)

Com uma narrativa profundamente sensível, o filme aborda a partida e o processo de cura através das memórias e dos vestígios de amor deixados para trás. Em vez de focar na dor do momento da perda, a produção escolhe trilhar um caminho poético e reconfortante, mostrando como as mensagens, os afetos compartilhados em vida e as lembranças de Isabelle funcionam como um guia luminoso para os que ficam ajudando-os a ressignificar a saudade e a reencontrar a alegria nos pequenos detalhes do cotidiano.
 

  • Depois daquele ano (Série – Prime Video)

Recém-chegada ao streaming e baseada no best-seller de Carley Fortune, a série acompanha os encontros e desencontros de Percy e Sam ao longo de vários anos em uma cidadezinha de veraneio. Embora o foco central seja o amadurecimento e o primeiro amor, o luto pela perda de figuras familiares importantes atravessa a narrativa de forma realista e, ao mesmo tempo, extremamente afetuosa. A produção mostra como a dor compartilhada e o retorno às raízes podem costurar cicatrizes que pareciam definitivas.


  • A caminho da lua (Filme – Netflix)

Esta animação musical encanta crianças e adultos ao tratar da perda sob a ótica da fantasia. Após perder a mãe, a jovem Fei Fei constrói uma nave espacial para ir até a Lua e provar a existência de uma deusa mítica. Mais do que uma aventura espacial, o longa-metragem é uma metáfora brilhante e visualmente deslumbrante sobre aceitar as mudanças da vida, abrir o coração para novas configurações familiares e entender que amar de novo não significa esquecer quem se foi.


  • A Lista da minha vida (Filme - Netflix)

Com muita delicadeza e uma pitada de leveza indispensável para dias difíceis, o longa nos transporta para uma jornada de redescoberta após uma grande perda. Através de uma lista de desejos e metas deixada para trás, a história mostra como realizar os sonhos de quem partiu, ou resgatar os próprios planos esquecidos, pode se tornar um ritual poderoso de cura, provando que celebrar a vida também é uma das formas mais bonitas de honrar a memória de quem amamos.


Bônus: Livros que ajudam a refletir sobre o tema


  • As coisas que você só vê quando desacelera (Livro – Haemin Sunim)

Escrito pelo mestre zen-budista sul-coreano, este livro não fala apenas sobre a morte, mas sobre as pequenas perdas diárias, o fim de ciclos e a pressa do mundo contemporâneo. Com ilustrações lindíssimas e pílulas de sabedoria prática, a obra ensina a acolher a tristeza, a cultivar o autocuidado nos momentos de vulnerabilidade e a enxergar beleza no silêncio que se instala após uma tempestade emocional.


  • O livro do conforto (Livro – Matt Haig)

Uma reunião de reflexões, notas, listas e pensamentos que o autor reuniu durante seus momentos mais sombrios de depressão e perda. Funciona como um verdadeiro manual de primeiros socorros emocionais para os dias em que a dor parece pesada demais. Com frases curtas e acolhedoras, Matt Haig lembra o leitor de que nenhuma noite dura para sempre e que o luto, embora doloroso, também faz parte do fluxo que nos torna profundamente humanos.


Síndrome do Hexa: quando o sonho vira obrigação e gera mais ansiedade do que motivação

Com o Brasil avançando para a segunda fase da Copa de 2026, o psiquiatra Dr. Guido Boabaid May propõe um olhar clínico e humano sobre a obrigação por performar, no esporte, no trabalho e na vida 


A busca do Brasil pelo hexa reacendeu não apenas a esperança coletiva, mas também uma velha emoção nacional, a pressão de transformar sonho em obrigação. Para o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, nome à frente da GnTech empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, os primeiros jogos ajudam a ilustrar um fenômeno emocional que vai muito além do futebol, quando a motivação perde leveza e vira cobrança, a ansiedade pode deixar de impulsionar e passar a paralisar. 

“O hexa, para o torcedor, é um sonho, mas, quando o sonho vira obrigação absoluta, ele pode pesar mais do que mover. Na clínica, vemos isso com frequência, as pessoas que desejam muito alguma coisa e, justamente por isso, passam a funcionar pior diante da própria meta. Não é falta de capacidade; muitas vezes é excesso de pressão”, afirma o Dr. A literatura em psicologia descreve esse processo em termos como ansiedade de desempenho, medo de falhar e queda de performance sob pressão. 

De forma informal, Dr. Guido chama esse estado de “síndrome do hexa”, quando a pessoa deixa de se mover por desejo, propósito ou prazer de construir algo, e passa a agir sob ameaça interna, medo de decepcionar e autocrítica constante. Embora não seja um diagnóstico médico formal, a expressão traduz um padrão psíquico real, visto em atletas, profissionais, estudantes e pacientes que sentem que “precisam vencer” antes mesmo de conseguir respirar, pensar e executar.


Dessa forma, o psiquiatra trouxe alguns sinais e soluções dos sonhos que possam ter virado uma ansiedade paralisante. Confira a seguir:
 

1. Pensar mais em não falhar do que em fazer bem
Em vez de focar na execução, a mente passa a girar em torno das consequências negativas, do julgamento, vergonha, fracasso ou medo de errar. Esse padrão pode comprometer a atenção e reduzir a eficiência cognitiva sob pressão. “O primeiro passo é recolocar o objetivo no tamanho humano. Em vez de viver sob a tirania do ‘tenho que conseguir’, vale retomar perguntas mais reguladoras: ‘Qual é o próximo passo possível?’, ‘O que depende de mim hoje?’, ‘O que eu estou tentando provar, e para quem?’”, orienta Dr. Guido.
 

2. O corpo entra em alerta antes mesmo de começar
Inquietação, tensão muscular, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações no sono são sinais de que a ansiedade deixou de ser funcional e começou a afetar o desempenho e o bem-estar. “Também é importante buscar ajuda quando a ansiedade interfere no sono, no trabalho, nos vínculos, na rotina ou na capacidade de decidir”, alerta o especialista.
 

3. O prazer desaparece e sobra só a obrigação
Quando a motivação passa a ser movida apenas por culpa, cobrança externa ou sensação de dever absoluto, a experiência perde leveza e se torna emocionalmente desgastante. “Estudos sobre ansiedade, metas terapêuticas e motivação mostram que objetivos mais manejáveis, com senso de autonomia e progressão concreta, tendem a ser mais sustentáveis do que metas vividas como ameaça à identidade”, explica o psiquiatra.
 

4. Travar em tarefas que sabe fazer
A pressão excessiva pode desorganizar justamente desempenhos que antes eram naturais, fenômeno conhecido como choking under pressure, quando o peso do resultado paralisa a execução. “Evidências e diretrizes clínicas reconhecem que intervenções psicológicas são fundamentais no tratamento dos transtornos de ansiedade, com destaque para abordagens como terapia cognitivo-comportamental”, pontua.
 

5. Começar a evitar, adiar ou se sabotar
Procrastinação, fuga e autossabotagem costumam aparecer quando o sonho deixa de ser uma direção e passa a funcionar como uma cobrança interna constante. “Para pessoas que já estão em tratamento medicamentoso para transtorno de ansiedade, especialmente quando houve efeitos adversos, resposta insuficiente ou uma sequência frustrante de tentativas, uma possibilidade complementar é discutir com o psiquiatra o uso de teste farmacogenético. Esse recurso não diagnostica ansiedade, não substitui avaliação clínica e não resolve sozinho o sofrimento psíquico, mas pode ajudar a orientar escolha e ajuste de dose dos principais medicamentos para tratamento psiquiátrico e neurológico”, acrescenta Boabaid.
 

Dr. Guido ainda reforça a importância de não transformar metas e sonhos em uma fonte constante de sofrimento emocional. “Nem todo sonho precisa virar peso. O melhor desempenho humano, no esporte, no trabalho e na vida, costuma aparecer quando existe compromisso, preparo e sentido, mas sem que a pessoa precise carregar sozinha a fantasia de que errar é proibido”, conclui.

 

Dr. Guido Boabaid May - médico psiquiatra, psicoterapeuta e empreendedor em saúde, com mais de 32 anos de atuação clínica dedicados ao cuidado da saúde mental. Ao longo de sua trajetória, realizou mais de 110 mil atendimentos, consolidando-se como uma das principais referências brasileiras em psiquiatria de precisão e no uso da farmacogenética aplicada ao tratamento dos transtornos mentais. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Dr. Guido foi precursor no uso do teste farmacogenético na prática psiquiátrica no Brasil, contribuindo para a transição de modelos tradicionais de tratamento para abordagens mais personalizadas, eficazes e seguras. Dr. Guido é membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, professor convidado da Faculdade de Medicina da Unisul e autor do livro “Onde Foi Parar Minha Alegria?”, lançado em novembro de 2025.



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