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sexta-feira, 19 de junho de 2026

6 cidades e vilas amuralhadas para conhecer no Alentejo



Muralhas, torres e castelos guardam séculos de história e impressionam viajantes 

 

No Alentejo, maior região de Portugal, o passado é contado nos livros e nas construções em pedra que contornam cidades e revelam séculos de resistência. As muralhas, edificadas em períodos marcados por guerras, invasões e disputas territoriais, foram essenciais para a proteção e consolidação do país. Mais do que estruturas defensivas, esses conjuntos fortificados, séculos depois, permanecem como testemunhos vivos da história.  

Restauradas e preservadas, as muralhas continuam imponentes na paisagem de vilas e cidades, convidando viajantes a caminhar por suas ameias, atravessar antigas portas e mergulhar em histórias que forjaram a região. No Alentejo, a tranquilidade atual contrasta com um passado bélico, combinação que torna a experiência ainda mais rica e autêntica. 

Entre as cidades amuralhadas do Alentejo, Marvão se destaca pelas muralhas que circundam uma pitoresca vila medieval do século 13, situada a 860 metros de altitude na Serra de São Mamede. As fortificações revelam um notável conjunto de arquitetura militar medieval, composto pelo castelo, Torre de Menagem e estruturas defensivas que acompanham o relevo rochoso da serra. No interior das muralhas, o visitante encontra um núcleo urbano preservado, com ruas de pedra, igrejas históricas, jardins e construções tradicionais que ajudam a contar séculos de história.  

Em Castelo de Vide, as muralhas do século 13, integradas ao relevo da Serra de São Mamede, protegem a vila e as fortificações e ainda revelam um impressionante conjunto de arquitetura militar abaluartada. No interior das muralhas, o visitante encontra um núcleo histórico charmoso, com ruas estreitas, casas tradicionais e vestígios de diferentes períodos. O castelo integra esse conjunto junto com a Torre de Menagem, que se destaca na paisagem local.  

Já Elvas, conhecida como a “Rainha da Fronteira” e reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco, abriga a maior fortificação abaluartada do mundo, construída entre os séculos 12 e 13. Suas muralhas, desenhadas em forma de estrela e com cerca de 10 quilômetros de extensão, combinam diferentes períodos históricos, resultando em um conjunto arquitetônico único. Dentro desse complexo estão algumas das mais notáveis construções militares de Portugal, como o Forte de Santa Luzia e o Forte da Graça, além de diversos fortins que, no passado, reforçaram a proteção da cidade. 

Em Évora, as muralhas são classificadas como monumento nacional e integram o centro histórico reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Embora tenha origens mais antigas, sua configuração atual foi edificada a partir do século 14 e, ao longo do tempo, romanos, visigodos, mouros e portugueses medievais deixaram suas marcas, criando um conjunto arquitetônico rico e diverso. Na cidade, é possível percorrer trechos das muralhas e observar torres, portas e baluartes, além de visitar um dos centros históricos mais bem preservados de Portugal, com ruas de pedra, igrejas e praças. 

Mourão abriga muralhas medievais do século 13, que se erguem no topo da vila que fica às margens do rio Guadiana. Integradas ao relevo local, as fortificações preservam o traçado medieval original e revelam vestígios da arquitetura militar abaluartada e um castelo, composto por muralhas reforçadas por torres quadrangulares e portas em arco ogival de influência gótica. No interior da área muralhada, destaque para a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias, as ruas tranquilas e as construções tradicionais que preservam o caráter histórico da vila. A Torre de Menagem completa esse conjunto monumental, sobressaindo na paisagem. 

A última cidade da lista é Serpa, com suas muralhas medievais do século 13 que envolvem todo o núcleo histórico da cidade. As fortificações protegem a vila e formam um expressivo conjunto de arquitetura militar medieval. No interior das muralhas, o visitante encontra ruas tranquilas, construções tradicionais e importantes testemunhos históricos. O conjunto integra ainda o Castelo de Serpa, a imponente Torre de Menagem, onde funciona o Museu de Arqueologia, e a Torre do Relógio, de origem islâmica.


Sobre o Alentejo 

Considerado o destino mais genuíno de Portugal, o Alentejo é a maior região do país. Privilegiando um lifestyle tranquilo em que a experiência de viver bem dá o tom, conta com belas praias intocadas e cidades repletas de atrações ímpares, como castelos e monumentos históricos. Detentor de quatro títulos da Unesco e diversos outros prêmios e reconhecimentos internacionais no setor do turismo, o Alentejo oferece opções para todos os tipos de viajantes, sejam famílias, casais em lua de mel ou aventureiros. A promoção turística do Alentejo, efetuada pela Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, conta com o apoio dos fundos comunitários através do Alentejo 2030, do Portugal 2030 e da União Europeia. Para mais informações, visite www.turismodoalentejo.com.br.


Como não perder dinheiro com a Copa do Mundo

Com previsão de R$ 4,32 bilhões em vendas no varejo durante o Mundial, especialista alerta que crescimento do faturamento e aumento do lucro nem sempre caminham juntos.

 

A Copa do Mundo costuma ser associada ao aumento das vendas, mas nem sempre o crescimento do faturamento se traduz em mais lucro. Segundo estimativa divulgada nesta semana pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o torneio deve movimentar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, alta de 6,5% em relação à edição de 2022. Enquanto os holofotes se voltam para os segmentos tradicionalmente beneficiados pelo evento, milhares de pequenas e médias empresas sem relação direta com a Copa também enfrentam mudanças no comportamento dos consumidores e desafios operacionais que podem impactar seus resultados.

 

“Existe uma percepção de que a Copa beneficia apenas quem vende bebidas, alimentos ou artigos esportivos. Na prática, o evento gera impactos em praticamente toda a economia. O consumidor muda a rotina, antecipa decisões, adia compromissos e altera seus horários de consumo. As empresas que conseguem enxergar esses movimentos com antecedência costumam ter resultados melhores, mesmo sem registrar um aumento expressivo nas vendas”, afirma o Reginaldo Stocco, CEO da vhsys.

 

Para aproveitar esse período sem comprometer a margem de lucro, o primeiro passo é entender como o dinheiro circula dentro do negócio. Muitas pequenas empresas acompanham apenas o volume de vendas, mas deixam de analisar quais produtos ou serviços realmente geram resultado. Durante eventos que alteram o comportamento de consumo, identificar os itens mais rentáveis ajuda a direcionar esforços para aquilo que efetivamente contribui para o caixa da empresa.

 

Indicadores como margem de lucro e Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) ajudam a mostrar se o crescimento das vendas está efetivamente gerando retorno para o negócio. Quando essa análise é feita de forma contínua, o empresário consegue identificar rapidamente quais decisões estão contribuindo para a saúde financeira da empresa e quais estão apenas aumentando o volume de trabalho.

 

Outro ponto importante é acompanhar dados financeiros, fluxo de caixa, vendas e estoque de forma integrada. Mudanças na demanda podem acontecer rapidamente durante a Copa, exigindo decisões ágeis sobre compras, reposição de produtos e condições de pagamento. Empresas que mantêm essas informações organizadas e atualizadas conseguem identificar oportunidades, corrigir desvios e evitar gastos desnecessários antes que eles impactem os resultados do mês. Além disso, processos automatizados e informações centralizadas reduzem riscos operacionais em um período marcado por mudanças na rotina das equipes e dos consumidores.

 

“A Copa é um evento curto, mas seus impactos podem ser percebidos por vários meses. O empresário que utiliza dados para entender sua operação consegue agir com mais precisão, seja para aproveitar oportunidades de venda, ajustar custos ou planejar os próximos passos do negócio. No fim das contas, o lucro está muito mais ligado à qualidade da gestão do que ao volume de vendas registrado durante o torneio”, conclui o especialista. 

 

vhsys


Festa Junina 2026 fica mais cara, mas inflação não atinge todos os itens do arraial

 

Análise de preço médio por kg das principais categorias de produtos consumidos em festas juninas - dados de supermercados e atacarejos (mai/2025 a mai/2026) 

 

O São João chega mais salgado para o bolso do consumidor em 2026. Uma análise dos preços médios das principais categorias de produtos típicos das festas juninas feita com exclusividade pela Neogrid, empresa que conecta indústria, varejo e distribuidores para transformar dados em decisões na cadeia de consumo com dados coletados em supermercados, hipermercados e atacarejos brasileiros - revela um cenário misto: enquanto os doces de amendoim subiram quase 29% em doze meses, itens como vinhos e cachaças chegaram a ficar levemente mais baratos. No balanço geral, quem vai montar a mesa de arraial terá de desembolsar mais do que no ano passado, mas algumas boas notícias ajudam a suavizar o impacto.


Doces Juninos: queda do pingo de leite não compensa alta dos doces de amendoim

Os doces típicos das festas juninas apresentaram o quadro mais heterogêneo da análise. O destaque negativo fica com o doce de amendoim, cujo preço médio por kg saltou de R$ 43,56 para R$ 56,11 – uma alta de 28,8%, puxado pela valorização do amendoim in natura. O pé de moça também encareceu significativamente, +13,0%, chegando a R$ 86,29/kg.

Já a paçoca (+5,2%) e o pé de moleque (+3,6%) subiram de forma mais comportada, enquanto o pingo de leite se destaca como o maior recuo da categoria, caindo 15,1% e encerrando maio/2026 a R$ 65,61/kg. A cocada em barra (-2,5%), o doce de leite em barra (-1,3%) e a rapadura (praticamente estável, -0,2%) também proporcionam algum alívio, sendo que a rapadura continua sendo um dos itens mais acessíveis da mesa junina a R$ 24,50/kg.


Amendoim, Pipoca e Milho: grão mais caro pressiona toda a cadeia

O amendoim in natura acumulou alta de 11,9% em doze meses, reflexo de pressões climáticas e de demanda que se espalharam pela cadeia produtiva. A pipoca de micro-ondas seguiu a mesma tendência, registrando +12,1% e encerrando a R$ 48,31/kg. Já o milho para pipoca, produto mais popular nas brincadeiras de arraial, praticamente não variou (+0,8%), mantendo-se como uma das opções mais econômicas da festa a R$ 11,57/kg.

O milho verde fresco ficou 6,7% mais caro, enquanto o milho em conserva (enlatado) permaneceu estável, com queda simbólica de 0,02% - chegando a R$ 22,74/kg, praticamente o mesmo preço de um ano atrás.


Quentão e vinho quente: cachaça estável e vinho mais barato facilitam a receita

Quem vai preparar o tradicional quentão ou o vinho quente neste São João encontrará um cenário favorável nos ingredientes principais. Os vinhos - peça central do vinho quente - ficaram mais baratos: o vinho fino nacional recuou 3,8%, de R$ 48,42 para R$ 46,59/kg, enquanto o vinho importado caiu 3,9%, para R$ 59,30/kg. A queda pode ser atribuída à combinação de câmbio mais favorável e ao aumento da oferta de rótulos nacionais.

As cachaças - base do quentão clássico - tiveram comportamento estável. A cachaça branca subiu apenas 1,1%, mantendo-se como a opção mais acessível da categoria a R$ 17,10/kg. A amarela ficou 0,7% mais barata e a artesanal praticamente não se alterou (+0,3%), ainda que pese R$ 72,09/kg.

Entre as especiarias, o cenário é misto, mas sem grandes sustos. Canela (+0,3%) e cravo da índia (-0,1%) chegaram a maio/2026 praticamente no mesmo patamar de um ano atrás — a canela a R$ 282,77/kg e o cravo a R$ 521,39/kg. A noz-moscada registrou queda de 2,3%, encerrando a R$ 616,58/kg. O gengibre, contudo, surpreende: alta de 12,9%, chegando a R$ 303,71/kg — o que pode impactar versões mais elaboradas do quentão que levam o ingrediente em maior quantidade.


Neogrid


Quase 97% das novas empresas abertas em maio são pequenos negócios

Segundo levantamento do Sebrae, o número de novos MEIs e MPEs criados no país entre janeiro e maio foi 10% maior que no mesmo período do ano passado 

 

A abertura de pequenos negócios no Brasil resultou, no mês de maio, em 456 mil novos CNPJs, quase 97% do total de novas empresas criadas. Levantamento do Sebrae, a partir de dados do Cartão CNPJ da Receita Federal, aponta que o número acumulado de empreendimentos desse porte abertos este ano superou 2,5 milhões, sendo 78% de microempreendedores individuais (MEIs), 18% de microempresas e 4% de empresas de pequeno porte. Se comparado aos cinco primeiros meses do ano passado, o crescimento na abertura de novos pequenos negócios chega a 10%.  

“Quando a economia cresce, o empreendedorismo cresce junto. Ser dono do próprio negócio hoje só perde para a casa própria como sonho do brasileiro. O Sebrae trabalha justamente para transformar esse sonho em realidade sustentável. Quanto mais negócios competitivos, melhor para o desenvolvimento de todo o país”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares. 

São Paulo (29%), Minas Gerais (10%) e Rio de Janeiro (8%) lideram a abertura de pequenas empresas no Brasil no acumulado entre janeiro e maio. Considerando o registro de novos MEIs em todo o país, foi registrado um crescimento de 14% em comparação com o mesmo período de 2025. 

Entre os estados, os maiores avanços na criação de novos MEIs entre os primeiros meses do ano foram registrados no Amapá (35%), Rondônia (28,5%) e Maranhão (27%). No caso das micro e pequenas empresas (MPEs), os estados que tiveram destaque nessa mesma comparação foram Mato Grosso do Sul (28%), Distrito Federal (18%) e Paraná (18%).

 

Setores com maior abertura

 Considerando o universo de pequenos negócios abertos em maio, o setor de Serviços correspondeu a 64% das novas empresas, seguido de Comércio (21%), Indústria (8%) e Construção (6,5%). Entre os MEIs, tiveram mais registros as empresas com atividades de malote e de entrega (8,5%), transporte rodoviário de carga (7%) e atividades de publicidade (6%). 

Entre as MPEs, serviços de escritório e apoio administrativo alcançaram 5,5% das aberturas do mês, seguido de atenção ambulatorial (5%) e atividades de saúde (cerca 5%).  

Mais informações sobre o levantamento podem ser obtidas do site do DataSebrae.

 

Distrito de Cayo: o lado mais ancestral e aventureiro de Beliz

 

 Divulgação
Belize Tourism Board
 

  

Selvas tropicais, sítios arqueológicos e experiências de ecoturismo transformam a região em um dos destinos mais fascinantes da América Central

 

O Distrito de Cayo representa o coração verde de Belize e o principal polo de aventura, arqueologia e ecoturismo do país. Diferentemente das áreas costeiras e dos famosos cayos caribenhos, a região está localizada no oeste do território belizenho, próxima à fronteira com a Guatemala, e se destaca por sua geografia montanhosa, florestas tropicais preservadas, rios caudalosos e uma impressionante concentração de vestígios da civilização Maia. 

Mais do que um complemento às praias do Caribe, o Distrito de Cayo revela um Belize profundamente conectado à natureza, à ancestralidade e à exploração consciente.

 

San Ignacio e Santa Elena: a porta de entrada para a aventura 

As cidades de San Ignacio e Santa Elena formam o principal centro urbano da região. Localizada a cerca de 108 quilômetros da Belize City, San Ignacio é a maior cidade do Distrito de Cayo e está ligada à cidade vizinha de Santa Elena pela Hawkesworth Bridge, ponte suspensa sobre o rio Macal e considerada a única do tipo no país.

Com ampla oferta de hospedagens voltadas ao turismo de aventura, a região funciona como base estratégica para explorar os templos Maia e os sistemas de cavernas do oeste de Belize. Além das experiências ao ar livre, San Ignacio também se destaca pela atmosfera acolhedora e pela gastronomia diversificada, que vai de restaurantes sofisticados a pequenos negócios familiares e barracas tradicionais de mercado.

 

Outros destinos do Distrito de Cayo 

Benque Viejo del Carmen – Sob o lema “Onde história e natureza se encontram”, essa charmosa cidade de influência espanhola fica a apenas 1,5 km da fronteira com a Guatemala. Cercada por rios, pequenas lojas e restaurantes locais, oferece um ritmo tranquilo e experiências autênticas para quem busca desacelerar e explorar o cotidiano da região.

Belmopan – Fundada em 1970 após a passagem de um furacão devastador, Belmopan é uma das capitais mais jovens e tranquilas do mundo. Conhecida como “Cidade Jardim”, combina áreas verdes e arquitetura inspirada na cultura Maia. Além de sediar instituições administrativas e universitárias de Belize, a cidade ocupa posição estratégica para explorar reservas naturais, rios subterrâneos e cavernas históricas do interior do país. Entre os principais pontos de interesse estão a Market Plaza e a Independence Plaza, onde está localizado o edifício da Assembleia Nacional, projetado em referência a um templo Maia.

 

Tesouros arqueológicos do mundo Maia

O Distrito de Cayo é o principal destino de Belize para viajantes interessados na história pré-colombiana. A região abriga alguns dos mais importantes assentamentos Maia da América Central.

  • Caracol – Localizada no interior da Chiquibul Forest Reserve, Caracol é a maior zona arqueológica de Belize, com cerca de 10 mil hectares. O complexo possui um sofisticado sistema agrícola e planejamento urbano avançado para sua época. Sua principal estrutura, Caana (“Palácio do Céu”), continua sendo uma das construções mais altas do país. Durante seu auge político, estima-se que Caracol tenha abrigado quase 100 mil habitantes.
  • Xunantunich – Erguida sobre uma colina na vila de San José Succotz, a antiga cidade Maia é acessada após a travessia do rio Mopán em uma balsa manual. Sua principal estrutura, El Castillo, alcança cerca de 40 metros de altura e chama atenção pelos frisos esculpidos em pedra. Em dias claros, é possível avistar a Guatemala e áreas da Mountain Pine Ridge Forest Reserve.
  • Cahal Pech – Situado em uma colina com vista para San Ignacio e Santa Elena, esse sítio arqueológico foi um importante centro cerimonial Maia. O local reúne templos, palácios e uma quadra de jogo de bola, além de oferecer vistas panorâmicas do vale do rio Belize. Também possui grande relevância histórica pelos vestígios dos primeiros assentamentos Maia da região.
  • El Pilar – Com dimensões até três vezes maiores que Xunantunich, El Pilar segue em processo de escavação arqueológica. O complexo reúne áreas cerimoniais e administrativas distribuídas em 15 praças, indicando sua importância regional durante o período Clássico Tardio. Estima-se que tenha sido habitado entre 800 a.C. e 1000 d.C., chegando a reunir mais de 20 mil habitantes.


Aventuras subterrâneas e experiências aquáticas

A formação calcária da região criou alguns dos sistemas de cavernas mais impressionantes de Belize, unindo natureza, espiritualidade Maia e aventura.

  • Actun Tunichil Muknal (ATM Cave) – Considerada uma das cavernas sagradas mais fascinantes do mundo, a ATM Cave está localizada em meio às florestas de Belize. O passeio combina trilhas, travessias aquáticas e exploração subterrânea, permitindo observar cerâmicas e restos humanos utilizados em antigos rituais Maia, incluindo a famosa “Crystal Maiden”, esqueleto calcificado de uma adolescente.
  • Barton Creek Cave – Escondida na região de Mountain Pine Ridge, a caverna pode ser explorada de canoa, em uma experiência mais contemplativa entre estalactites, formações rochosas e vestígios arqueológicos Maia.
  • Rio Frio Cave – Considerada um dos sistemas de cavernas mais acessíveis e impressionantes de Belize, possui aproximadamente 400 metros de extensão, além de piscinas naturais, pequenas cachoeiras e formações de estalactites. Sua entrada monumental, com cerca de 20 metros de altura, já é uma atração à parte.


Reservas naturais e ecoturismo

O Distrito de Cayo também abriga importantes áreas de preservação ambiental, essenciais para a biodiversidade da América Central.

  • Mountain Pine Ridge Forest Reserve – Localizada nas áreas elevadas do oeste de Belize, a reserva reúne mais de 121 mil hectares de florestas de pinheiros, cachoeiras, trilhas e cavernas. Entre os destaques estão as Thousand Foot Falls, consideradas as maiores cachoeiras de Belize e da América Central. A região pode ser explorada em trilhas, cavalgadas ou mountain bike, além de ser habitat de espécies como tapir, jaguar, puma e ocelote.
  • Big Rock Falls – Escondida em Mountain Pine Ridge, a cachoeira de aproximadamente 45 metros impressiona pelo cenário monumental. O local atrai tanto aventureiros, que saltam das formações rochosas para a piscina natural, quanto visitantes em busca de contemplação e banho em águas cristalinas.
  • Noj Kaax Meen Elijio Panti National Park – Com mais de 16 mil hectares de selva protegida, rios, trilhas medicinais e cavernas cerimoniais Maia, o parque reúne natureza exuberante e patrimônio ancestral. O local leva o nome do curandeiro e herbalista Elijio Panti, importante figura da cultura tradicional belizenha.
  • Observação de aves e vida selvagem – As florestas do Distrito de Cayo são habitat de tucanos, araras-vermelhas, macacos-uivadores e uma rica biodiversidade tropical, atraindo observadores de aves, fotógrafos de natureza e viajantes interessados em experiências de imersão ambiental.


COMO CHEGAR A SAN IGNACIO

A partir da Belize City ou do Aeroporto Internacional Philip S.W. Goldson, o trajeto até San Ignacio leva cerca de duas horas por estrada, pela Western Highway (George Price Highway). Também há conexões aéreas domésticas operadas por companhias locais até a pista de Maia Flats.

Sua localização estratégica faz do Distrito de Cayo o ponto de partida ideal tanto para explorar o interior de Belize quanto para combinar experiências de aventura, cultura e natureza com os destinos de praia do país.

Mais do que um destino de ecoturismo, o Distrito de Cayo representa a essência mais ancestral, selvagem e preservada de Belize – um contraponto perfeito às águas azul-turquesa do Caribe. Para chegar a país, a partir do Brasil, há voos da Copa Airlines via Panamá, onde é o hub da companhia. Já para quem for viajar a partir dos Estados Unidos, há voos via Miami e Dallas com a American Airlines, via Houston com a United Airlines e de Atlanta com a Delta Airlines.

Para mais informações sobre o destino, visite o site: https://www.travelbelize.org/br/

 

BELIZE TOURISM BOARD (BTB)Para obter mais informações sobre o BTB e seus serviços, visite o site.

 TM AMERICAS 


Dia Mundial do Refugiado (20): acolhimento e proteção ajudam famílias a reconstruir projetos de vida no Brasil

Com crianças e adolescentes representando 25% das entradas de refugiados e migrantes no país, Aldeias Infantis SOS destaca a importância de fortalecer vínculos familiares e ampliar oportunidades de integração 

 

Deixar para trás a própria casa, os laços construídos ao longo da vida e a segurança do cotidiano é uma realidade compartilhada por milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, esse cenário tem ganhado relevância crescente nos últimos anos, especialmente em razão da chegada de famílias venezuelanas em busca de proteção, estabilidade e oportunidades para recomeçar. Neste Dia Mundial do Refugiado (20), Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, reforça a importância de garantir acolhimento humanizado e proteção integral para que essas famílias possam reconstruir seus projetos de vida com dignidade.

Dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) mostram que o Brasil concedeu o reconhecimento da condição de refugiado a cerca de 165 mil pessoas nos últimos cinco anos. Desse total, aproximadamente 148 mil são de origem venezuelana, consolidando o grupo como o principal contingente de refugiados acolhidos pelo país. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o Brasil tem sido uma importante rota de acolhimento para venezuelanos desde 2018.

O fenômeno migratório também tem impacto direto sobre a infância. De acordo com dados do Sistema do Comitê Nacional para os Refugiados (Sisconare) e do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), crianças e adolescentes representam 25% das entradas registradas no país, percentual que corresponde a um crescimento de 286% em relação a 2017.

Para Michele Mansor, gerente de Desenvolvimento Programático da Aldeias Infantis SOS, os números reforçam a necessidade de olhar para o fenômeno não apenas como uma questão de crise migratória, mas também como um tema relacionado à proteção de crianças, adolescentes e famílias.

“Quando uma família é forçada a deixar seu país, ela perde muito mais do que um endereço. Muitas vezes, perde redes de apoio, referências culturais e condições básicas de estabilidade. Garantir acolhimento, proteção e oportunidades de integração é fundamental para que essas pessoas consigam reconstruir suas vidas em um novo lugar e oferecer um futuro mais seguro para seus filhos”, afirma.

Essa realidade é vivida pela venezuelana Daniela Alejandra Centino Marcano, 28, que chegou ao Brasil em busca de melhores condições de vida para sua família. Mãe de uma criança que necessita de cuidados médicos especializados, ela encontrou no país a possibilidade de buscar tratamento para a filha e construir um futuro diferente para os filhos. Para tanto, obteve todo o apoio necessário da Aldeias Infantis SOS. 

“Meu sonho aqui no Brasil é que meus filhos tenham uma vida melhor, uma casa para morar, boa alimentação, saúde e bem-estar. Na Venezuela, a situação econômica era muito difícil e não conseguíamos suprir todas as necessidades da família. Aqui encontramos todo o apoio de que necessitávamos e a oportunidade de recomeçar”, relata.

Outra história de reconstrução é a da venezuelana Karianyelis Karelis, 25. Após enfrentar incertezas e desafios durante sua jornada migratória, ela passou a enxergar novas possibilidades para o futuro. Hoje, sonha em abrir o próprio negócio na área da beleza e conquistar autonomia financeira.

“Se você cai, você tem que se levantar e seguir em frente, ser guerreira. Cheguei ao Brasil com muitos medos e dúvidas, mas também com muitos sonhos. Quero construir minha própria história aqui, abrir meu negócio e ajudar outras pessoas no futuro, da mesma forma que a Aldeias Infantis SOS me ajudou”, conta.

As duas famílias são acompanhadas pelo Brasil Sem Fronteiras, ação da Aldeias Infantis SOS no Brasil que integra o Cuidados Sem Fronteiras, programa regional da Organização que apoia famílias refugiadas e migrantes não só em território brasileiro, como também no Peru e na Colômbia. Por aqui, o programa já beneficiou mais de 5 mil pessoas desde 2018, oferecendo suporte para acolhimento, fortalecimento familiar e integração social. 

Segundo Michele, iniciativas dessa natureza desempenham papel fundamental na construção de trajetórias mais seguras para famílias que chegam ao país em situação de vulnerabilidade.

“A proteção de um migrante não termina quando a pessoa cruza uma fronteira. O verdadeiro desafio é garantir condições para que ela possa reconstruir sua autonomia, fortalecer seus vínculos familiares e desenvolver um sentimento de pertencimento à nova comunidade. Quando isso acontece, não apenas as famílias são beneficiadas, mas toda a sociedade se fortalece”, conclui.

 

Aldeias Infantis SOS
www.aldeiasinfantis.org.br


Além do verão: Florianópolis cresce como destino de trilhas, gastronomia e experiências


Trilha da Lagoinha do Leste, de Florianópolis, é um do passeios mais reservados da Civitatis

Dados da Civitatis mostram crescimento de 15% no número de viajantes em Florianópolis; trilhas, roteiros açorianos e bate-voltas pelo Vale Europeu ampliam o apelo da ilha para além do verão 


Quem pensa em Florianópolis logo imagina praias lotadas de verão. Mas os dados da
Civitatis, plataforma de reserva de atividades e experiências presente em mais de 160 países, mostram que o destino cresceu 15% em maio de 2026 na comparação ano a ano, época já voltada para destinos de natureza, gastronômicos e culturais.

O dado mostra que o viajante que escolhe Florianópolis não quer mais apenas sol e mar. Trilhas pela Mata Atlântica, esportes aquáticos, cultura açoriana e roteiros pelo interior catarinense ganham espaço justamente nos meses mais frescos, quando caminhar e explorar a natureza fica ainda mais agradável.

“Florianópolis tem um potencial enorme que vai muito além da praia. As trilhas, a cultura açoriana, a gastronomia e os roteiros pelo interior fazem da ilha um destino completo, que funciona o ano inteiro, inclusive no inverno, época ideal para quem quer encarar uma caminhada ou descobrir o lado cultural do destino”, afirma Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis no Brasil.
 

O que fazer em Florianópolis além das praias?

A ilha guarda dois mundos que a maioria dos visitantes não chega a ver. O primeiro é natural: trilhas que atravessam a Mata Atlântica e chegam a praias completamente isoladas, acessíveis só a pé. O segundo é histórico: um litoral oeste moldado pela colonização açoriana, com vilarejos de pescadores, ostras cultivadas na baía e uma arquitetura que lembra o interior de Portugal.

Para quem gosta de caminhar, a
Trilha pelo Parque Natural da Lagoinha do Leste é o percurso mais recompensador da ilha: seis quilômetros de nível difícil que sobem até a Pedra do Surfista (um dos cartões-postais mais fotografados de Florianópolis) e descem até uma praia de areia branca sem nenhuma infraestrutura, onde tucanos e orquídeas cara-de-palhaço aparecem no caminho. A Trilha do Gravatá oferece uma versão mais acessível do mesmo espírito: 3,5 quilômetros de dificuldade moderada até uma praia escondida entre a Joaquina e a Mole, com piscina natural e um mirante com vista para o oceano encontrando as montanhas, um lugar que, segundo os moradores, nem todo florianopolitano conhece.

Quem prefere o mar sem precisar caminhar encontra na
Ilha do Francês outra Florianópolis: uma área natural protegida no litoral norte, sem bares nem restaurantes, onde o roteiro de caiaque, snorkel e stand up paddle garante horas de desconexão total em águas que variam do azul-turquesa ao verde-esmeralda.

Já a
Trilha pela Costa da Lagoa conecta natureza e cultura de um jeito único: sete quilômetros pela beira da Lagoa da Conceição levam a uma comunidade de pescadores acessível apenas a pé ou de barco, passando por um engenho de farinha tradicional ainda em funcionamento e por uma cachoeira no meio da mata. O retorno é de barco, com a lagoa inteira a bordo.

O lado açoriano aparece com mais força no litoral oeste. O
tour gastronômico por Santo Antônio de Lisboa passa por fazendas de ostras, csarões coloniais pintados em tons pastel e cinco paradas gastronômicas com cachaça artesanal, frutos do mar e o pôr do sol na baía como cenário. No centro da cidade, o tour gastronômico por Florianópolis parte do Mercado Público e percorre feiras e padarias onde a herança açoriana, a influência alemã e a cozinha brasileira se misturam em pão de queijo, brigadeiro, cuca e cachaça de jambu.

E para quem quer ir além da ilha, a
excursão a Blumenau e Pomerode leva ao coração do Vale Europeu em menos de duas horas: cidades com arquitetura enxaimel, biergartens, cervejarias artesanais e a maior concentração de falantes de alemão fora da Europa. Um bate-volta que funciona especialmente bem no inverno, quando o clima mais frio reforça a atmosfera europeia.
 

Por que visitar Florianópolis no inverno?

Fora da alta temporada, a ilha revela seu lado mais tranquilo e autêntico. O clima ameno favorece as caminhadas, as trilhas ficam menos concorridas e as praias escondidas podem ser apreciadas com calma. É também a época ideal para explorar a cultura açoriana, a gastronomia local e os roteiros pelo interior catarinense, como o Vale Europeu, de forte influência alemã.
 

“O perfil de quem visita a capital catarinense está mudando. Assim como a Serra Gaúcha mostrou o tamanho do apelo do Sul do Brasil e se diversificou para receber turistas no verão, e Florianópolis segue o mesmo caminho ao oferecer natureza, cultura açoriana e gastronomia, atraindo turistas em qualquer estação do ano. Isso reforça seu posicionamento como um destino de experiências, e não apenas de sol e mar”, conclui Alexandre Oliveira.


Golpes com inteligência artificial aumentam e bancos enfrentam novo desafio na proteção de clientes

Presidente da ABRADEB, Raimundo Nonato, alerta para o avanço das fraudes digitais e orienta consumidores sobre como se proteger

 

O avanço da inteligência artificial tem transformado a forma como pessoas e empresas utilizam a tecnologia no dia a dia. No entanto, os mesmos recursos que impulsionam inovação também vêm sendo explorados por criminosos para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Clonagem de voz, vídeos manipulados, perfis falsos em redes sociais e mensagens personalizadas são algumas das ferramentas utilizadas para enganar vítimas e obter acesso a dados pessoais e financeiros.

O crescimento dessas fraudes tem aumentado a preocupação de bancos e instituições financeiras, que enfrentam o desafio de reforçar sistemas de segurança enquanto os criminosos aperfeiçoam constantemente suas estratégias.

Segundo Raimundo Nonato, presidente da Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias (ABRADEB), a utilização da inteligência artificial elevou o grau de complexidade dos golpes.

“A tecnologia permite que criminosos reproduzam vozes, imagens e até comportamentos com um nível de realismo que dificulta a identificação da fraude. Muitas vítimas acreditam estar conversando com familiares, amigos ou representantes de instituições legítimas”, afirma.

Diante desse cenário, instituições financeiras vêm ampliando investimentos em monitoramento de transações, autenticação multifator, biometria e sistemas capazes de identificar movimentações suspeitas em tempo real. Ainda assim, especialistas destacam que a participação dos consumidores continua sendo fundamental para a prevenção.

Uma das recomendações é desconfiar de pedidos urgentes envolvendo transferências bancárias ou compartilhamento de informações pessoais. A orientação é sempre confirmar a solicitação por outro canal de comunicação antes de realizar qualquer operação financeira.

Bancos e instituições financeiras não entram em contato com seus clientes por telefone, aplicativos de mensagens ou redes sociais para solicitar senhas, códigos de autenticação, dados bancários, realização de reconhecimento facial ou qualquer outro procedimento de segurança sob o pretexto de corrigir supostos erros na conta, bloquear movimentações suspeitas ou impedir tentativas de acesso por terceiros. Esse tipo de abordagem está entre as estratégias mais utilizadas por golpistas para obter informações sigilosas e praticar fraudes. Diante de qualquer ligação ou mensagem com esse teor, o consumidor deve interromper o contato imediatamente e procurar os canais oficiais da instituição financeira para verificar a veracidade da informação.

“Muitas fraudes exploram justamente o senso de urgência da vítima. Quando alguém recebe uma mensagem pedindo dinheiro imediatamente ou solicitando dados bancários, o mais seguro é interromper o contato, buscar confirmação por outro meio e nunca compartilhar senhas, códigos recebidos por SMS ou realizar procedimentos de reconhecimento facial a pedido de terceiros”, explica Raimundo Nonato.

Outra medida importante é utilizar todos os recursos de segurança disponibilizados pelos bancos. Ferramentas como autenticação em duas etapas, notificações de movimentação financeira e biometria ajudam a reduzir significativamente os riscos de invasão ou uso indevido das contas.

Além disso, especialistas alertam que dados aparentemente simples podem ser utilizados por criminosos para validar operações ou construir abordagens mais convincentes. Por isso, informações pessoais devem ser compartilhadas apenas após a verificação da autenticidade da solicitação.

“A prevenção continua sendo a principal ferramenta de proteção. A tecnologia evolui rapidamente, mas a informação e a atenção dos consumidores permanecem essenciais para evitar prejuízos financeiros e golpes cada vez mais sofisticados”, conclui o presidente da ABRADEB.

 

Brasil testa metodologias para medir impactos do turismo em cavernas

Caverna Furna Feia - Parque Nacional da Furna Feia -
Foto Daniel Menin

Iniciada no Rio Grande do Norte, iniciativa integra ações do PAN Cavernas do Brasil

 

 

Com mais de 30 mil cavernas registradas e um potencial estimado que pode ultrapassar 300 mil, o Brasil enfrenta o desafio de conciliar o crescente interesse turístico em ambientes subterrâneos com a preservação de ecossistemas altamente sensíveis. Nesse contexto, pesquisas estão sendo conduzidas para testar metodologias de avaliação dos impactos da visitação sobre a fauna de cavernas.

O trabalho foi iniciado no Parque Nacional da Furna Feia (RN) e integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Patrimônio Espeleológico (PAN Cavernas do Brasil). O objetivo é subsidiar a definição de áreas que poderão ser abertas ou restritas à visitação, contribuindo para conciliar o uso público com a conservação sustentável das cavernas turísticas. A iniciativa pode apoiar políticas públicas e estratégias de gestão em diferentes regiões do país.

Coleta de invertebrados na caverna Furna Feia -
Parque Nacional da Furna Feia (RN)
Foto Diego Bento

Um dos diferenciais do estudo é a realização de simulações de visitação antes da abertura oficial ao turismo, abordagem ainda pouco frequente no Brasil. Os resultados devem contribuir para definir parâmetros mais seguros para o manejo dessas áreas desde o início das atividades. 

Os estudos também serão aplicados em Minas Gerais, estado que concentra o maior número de cavernas do país, e incluem análises comparativas com cavernas que ainda não recebem visitantes. Para isso, atividades de visitação são simuladas em campo, com avaliação direta dos impactos gerados sobre o ambiente e a fauna.

Segundo o professor e pesquisador do Centro de Estudos em Biologia Subterrânea da Universidade Federal de Lavras (CEBS/UFLA) e articulador da ação no PAN Cavernas do Brasil, Marconi Sousa Silva, alterações e usos antrópicos frequentes sem planejamento adequado podem comprometer gravemente esses ambientes. 

“As alterações e usos antrópicos frequentes sem o devido plano de manejo em cavernas podem causar um desequilíbrio irreversível. Estudos realizados no Brasil e no exterior já identificaram mudanças na temperatura, na umidade e na concentração de CO, além de impactos como pisoteio e compactação de sedimentos”, afirmou. 

De acordo com o pesquisador, essas alterações geram estresse na fauna cavernícola, especialmente em invertebrados troglóbios, que dependem exclusivamente desse ambiente. Outro impacto importante é a introdução de matéria orgânica externa, favorecendo a proliferação de fungos e biofilmes associados à iluminação artificial, que podem danificar espeleotemas — formações naturais que levam dezenas ou até centenas de anos para se formar.



Sobre a metodologia
 

As metodologias utilizadas combinam análises biológicas com monitoramento ambiental. Entre os principais parâmetros avaliados estão concentração de CO, temperatura e umidade, indicadores sensíveis à presença humana e fundamentais para detectar alterações no microclima das cavernas. 

“Esses dados podem ser obtidos por meio de sensores automáticos, registradores contínuos ou medições pontuais realizadas durante as campanhas de campo”, explicou Marconi. 

Além disso, são aplicadas técnicas padronizadas de amostragem da fauna, com análise da diversidade de espécies e caracterização dos microhabitats. Essas informações permitem identificar mudanças na composição biológica ao longo do tempo e detectar possíveis impactos da visitação. 

Outro ponto avaliado é a estrutura dos microhabitats no piso das cavernas, especialmente a granulometria dos sedimentos, que pode influenciar a intensidade dos impactos do pisoteamento, sobretudo sobre invertebrados de baixa mobilidade.



O passo a passo da primeira expedição
 

De forma experimental, os pesquisadores delimitaram pontos amostrais em áreas visitáveis e em regiões adjacentes da caverna. Todos os pontos foram analisados antes e após quatro dias de visitação simulada, com observação da riqueza e da abundância de espécies de invertebrados, além da coleta de dados microclimáticos e informações sobre microhabitats. 

A simulação envolveu cerca de 45 pessoas por dia, que percorreram toda a extensão visitável da caverna. O experimento considerou um fluxo equivalente a até 90 visitantes, número próximo da capacidade máxima estimada para esse tipo de ambiente. 

“A hipótese com que trabalhamos é que a visitação faça com que os animais se desloquem das áreas visitadas para regiões não visitadas, mesmo que próximas. Não esperamos redução da riqueza total, mas sim uma redistribuição da fauna”, explicou o analista ambiental e coordenador da Base Avançada do ICMBio/Cecav no Rio Grande do Norte, Diego Bento. 

Segundo ele, a iniciativa também busca verificar se os impactos observados permanecem dentro de níveis considerados aceitáveis para a conservação. 

“A Furna Feia é uma caverna que ainda não recebe visitação. Isso nos permite realizar o estudo antes da chegada dos turistas. Em muitos casos, a visitação começa antes das pesquisas que orientam o manejo”, destacou.



Hotspots da biodiversidade subterrânea
 

O Parque Nacional da Furna Feia e a região dos municípios de Felipe Guerra e Governador Dix-Sept Rosado vêm sendo estudados há cerca de 20 anos e são considerados áreas de alta relevância científica. 

Segundo Diego Bento, a região abriga importantes hotspots de biodiversidade subterrânea e concentra pesquisas conduzidas por instituições como a UFLA, o ICMBio/Cecav e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Do ponto de vista bioespeleológico, é uma das áreas mais importantes da América do Sul. 

Os resultados das pesquisas em andamento devem contribuir para ampliar o conhecimento sobre os impactos da visitação em cavernas e apoiar a definição de critérios técnicos para o uso sustentável desses ambientes.

 

Sobre o PAN Cavernas do Brasil 

O PAN Cavernas do Brasil possui 44 ações, distribuídas em quatro objetivos específicos, com o objetivo geral de prevenir, reduzir e mitigar impactos e danos antrópicos sobre o patrimônio espeleológico brasileiro, suas espécies e ambientes associados, no prazo de cinco anos. 

O plano contempla ainda 168 táxons nacionalmente ameaçados de extinção e estabelece diretrizes como objetivos específicos, prazos de execução, formas de implementação, além de mecanismos de supervisão e revisão.


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