Pacientes procuram avaliação especializada antes dos sinais avançados de envelhecimento e reforçam a busca por estratégias de longo prazo para saúde e imagem
O envelhecimento da população brasileira, o aumento
da expectativa de vida e a permanência mais longa das pessoas em atividade
profissional estão mudando a forma como homens e mulheres entre 40 e 50 anos
encaram os cuidados com a aparência. Especialistas observam um crescimento na
procura por avaliações faciais antes do aparecimento de sinais avançados de
envelhecimento, em um movimento que aproxima a cirurgia plástica de temas como
prevenção, medicina personalizada e envelhecimento saudável.
Para a cirurgiã plástica Dra.
Danielle Gondim, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy e membro da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a principal transformação não está
necessariamente na procura por procedimentos, mas na mudança de mentalidade dos
pacientes.
“Os pacientes de hoje não chegam ao consultório
dizendo que querem parecer mais jovens. Eles chegam querendo entender como vão
envelhecer. Existe uma preocupação muito maior com planejamento, prevenção e
manutenção da própria identidade ao longo dos anos”, afirma.
Segundo a especialista, a geração que hoje está na
faixa dos 40 e 50 anos cresceu acompanhando avanços da medicina preventiva e
passou a aplicar a mesma lógica a diferentes áreas da vida. O envelhecimento
deixou de ser encarado como um evento inevitável que só merece atenção quando
os sinais se tornam evidentes e passou a ser visto como um processo que pode
ser acompanhado ao longo do tempo.
“Muitos pacientes viram seus pais procurarem
tratamentos apenas quando as mudanças já estavam muito avançadas. Hoje existe uma
compreensão maior de que envelhecer é um processo contínuo e que conhecer as
próprias características permite tomar decisões mais conscientes ao longo da
vida”, explica.
Os 40 anos de hoje não são os
mesmos de décadas atrás
Parte dessa mudança também está relacionada ao novo
papel social ocupado por pessoas nessa faixa etária. Profissionais permanecem
ativos por mais tempo, assumem cargos de liderança, iniciam empresas, mudam de
carreira e seguem construindo projetos pessoais e profissionais em etapas da
vida que antes eram associadas à proximidade da aposentadoria.
Para Danielle, a longevidade profissional tem influência
direta na forma como as pessoas enxergam a própria imagem.
“Há algumas décadas, aos 60 anos muitas pessoas já
estavam afastadas do mercado de trabalho. Hoje vemos empresários, executivos,
médicos, advogados e profissionais de diversas áreas iniciando projetos
importantes nessa fase da vida. A percepção sobre envelhecimento muda quando a
pessoa entende que continuará ativa e produtiva durante muitos anos.”
A médica observa que, em muitos casos, a
preocupação não está ligada à busca por juventude, mas à coerência entre a
vitalidade que a pessoa sente e a imagem que percebe no espelho.
“Muitas pessoas relatam que se sentem dispostas,
produtivas e cheias de planos, mas percebem que o rosto transmite uma mensagem
diferente. A discussão não é sobre voltar aos 30 anos. É sobre envelhecer de
uma forma compatível com a vida que se pretende levar nas próximas décadas.”
A influência da exposição
digital
Outro fator apontado pelos especialistas é a
relação inédita que as pessoas passaram a ter com a própria imagem. Reuniões
virtuais, gravações frequentes, fotografias em alta resolução e redes sociais
fizeram com que o rosto passasse a ser observado diariamente sob diferentes
ângulos e condições de iluminação.
“A relação com a imagem mudou profundamente. Pela
primeira vez, uma geração passa horas por semana observando o próprio rosto em
telas. Isso não significa necessariamente uma busca por perfeição estética.
Muitas vezes significa apenas uma consciência maior sobre o processo natural de
envelhecimento”, afirma.
Segundo Danielle, essa exposição constante também
contribuiu para que os pacientes chegassem mais informados às consultas e com
expectativas mais realistas sobre o envelhecimento facial.
O fim da busca pela juventude
eterna
A especialista observa ainda uma mudança importante
na forma como a sociedade enxerga os tratamentos faciais. Se durante muitos
anos a estética esteve associada à tentativa de parecer mais jovem, hoje cresce
o interesse por abordagens que preservem características individuais e respeitem
a trajetória de cada pessoa.
“Existe uma diferença importante entre tentar
parecer alguém de 30 anos e querer chegar aos 60 ou 70 anos com uma aparência
saudável e coerente com sua história. O paciente atual entende melhor essa
diferença.”
Essa mudança também ajuda a explicar a rejeição
crescente a resultados artificiais ou padronizados.
“Os pacientes querem continuar sendo reconhecidos
pelos familiares, amigos e colegas de trabalho. A preocupação está muito mais
ligada à naturalidade do que à transformação. Existe uma valorização da
individualidade que não era tão evidente alguns anos atrás.”
Para a cirurgiã, o comportamento observado
atualmente reflete uma transformação mais ampla na forma como a sociedade
encara o envelhecimento.
“Estamos diante de uma geração que não busca
interromper o tempo. O que ela procura é atravessar esse processo com saúde,
autonomia, bem-estar e preservação da própria identidade. Quando olhamos por
essa perspectiva, a discussão deixa de ser apenas estética e passa a fazer parte
de uma conversa muito maior sobre longevidade e qualidade de vida”, conclui.
Dra. Danielle Gondim - cirurgiã plástica especializada em face, com reconhecimento internacional. Desde a infância interessada pelas artes, formou-se no Instituto Ivo Pitanguy, onde também atuou como docente por quase cinco anos. Ao longo da carreira, realizou fellowships nos principais serviços de cirurgia plástica do mundo, incluindo centros liderados por Dr. Nayak e Ben Talei, nos Estados Unidos, e por Dr. Francisco Bravo, em Madri. Membro das associações Internacional, Americana e Brasileira de Cirurgia Plástica, é frequentemente convidada a palestrar em congressos relevantes da especialidade no Brasil e no exterior. Em 2025, foi premiada por seu trabalho no Congresso Mundial de Cirurgia Plástica da ISAPS, realizado em Singapura, reconhecimento concedido a um grupo restrito de especialistas. Sua agenda internacional inclui ainda convites para palestras no congresso da sociedade espanhola de cirurgia plástica, em Madri. Criadora da técnica Singular Restore®, alia ciência e arte para alcançar resultados naturais, nos quais a jovialidade se destaca sem evidência de intervenção cirúrgica. Seu trabalho é pautado pela individualidade facial e pela preservação da identidade de cada paciente. Procurada por pacientes de diferentes países, também recebe semanalmente médicos do Brasil e do exterior interessados em conhecer sua abordagem técnica.
Para mais informações, acesse o site, instagram ou pelo Linkedin.
Fontes de pesquisa
IBGE
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html
OMS
https://www.who.int/initiatives/decade-of-healthy-ageing
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