Psicóloga da UVA aponta que identificação social e contágio emocional ajudam a explicar por que o torneio mobiliza milhões de brasileiros
Durante
a Copa do Mundo o país volta a experimentar um fenômeno que se repete a cada
quatro anos: pessoas mudam suas rotinas para acompanhar os jogos, emoções se
intensificam e o desempenho da Seleção Brasileira passa a influenciar o humor
de milhões de torcedores. Embora o futebol seja frequentemente associado à
paixão nacional, a intensidade desse envolvimento tem explicações psicológicas
que vão além do gosto pelo esporte.
Segundo
a professora de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Claudia
Souza, a Copa do Mundo cria um ambiente propício para a amplificação das emoções
por reunir fatores como identidade social, pertencimento coletivo e ativação
dos sistemas cerebrais relacionados à recompensa.
“Durante
a Copa, o processo coletivo de identidade social se fortalece em momentos em
que há uma grande identificação entre um grupo. Nesse contexto, a pessoa passa
a se perceber como parte de um grupo maior e incorpora o sucesso ou o fracasso
desse grupo à sua própria experiência emocional. A vitória da Seleção é sentida
quase como uma conquista pessoal, enquanto a derrota pode gerar frustração,
tristeza e até sensação de perda", explica.
A
especialista destaca que, durante o torneio, ocorre uma redução temporária das
diferenças individuais em favor de uma identidade compartilhada. Esse processo
é estudado pela Psicologia Social e ajuda a compreender por que indivíduos de
diferentes classes sociais, regiões e perfis ideológicos passam a compartilhar
emoções semelhantes diante de um mesmo evento.
"Quando
milhões de pessoas dirigem sua atenção para um objetivo comum, ocorre um
fortalecimento da percepção de pertencimento. O indivíduo sente que faz parte
de algo maior do que ele próprio, e isso tem um impacto importante sobre o
engajamento emocional", afirma.
Outro
aspecto relevante é o chamado contágio emocional, fenômeno pelo qual emoções
são transmitidas e compartilhadas entre indivíduos em grupos sociais. Em tempos
de redes sociais, esse efeito ganha ainda mais intensidade.
"As
emoções não são vividas apenas individualmente. Elas circulam socialmente.
Quando uma pessoa comemora, se angustia ou demonstra expectativa, influencia
emocionalmente quem está ao redor. Hoje isso acontece tanto presencialmente
quanto digitalmente, o que potencializa a sensação de que o país inteiro está
vivendo a mesma experiência ao mesmo tempo", observa.
Além
disso, a competição internacional acrescenta um componente simbólico que
diferencia a Copa de outros campeonatos. Para a especialista, quando a disputa
envolve seleções nacionais, questões ligadas à identidade coletiva e à
representação do país ganham maior relevância psicológica.
"Não
estamos falando apenas de uma equipe esportiva. A Seleção funciona como um
símbolo nacional. Por isso, os resultados são frequentemente interpretados como
algo que transcende o futebol e toca aspectos relacionados à autoestima
coletiva, ao reconhecimento internacional e à forma como o grupo se
percebe", conclui.

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