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terça-feira, 31 de março de 2026

Novo Nordisk: Awiqli® aprovado nos EUA, o primeiro e único tratamento com insulina basal de aplicação semanal para adultos com diabetes tipo 2


  • Awiqli® (injeção de insulina icodec-abae) é a primeira insulina basal de aplicação uma vez por semana aprovada pela FDA (Food and Drug Administration)
  • Awiqli® oferece aos adultos com diabetes tipo 2 uma alternativa às injeções diárias de insulina basal, reduzindo as aplicações de sete para uma por semana.
  • A Novo Nordisk espera lançar o Awiqli® em todo o território dos Estados Unidos no segundo semestre de 2026.
  • No Brasil, o medicamento foi aprovado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 1 e 2 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2025, porém ainda não possui data para lançamento no país.

 

Bagsværd, Dinamarca - A Novo Nordisk anunciou hoje que a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou o Awiqli® (injeção de insulina icodec-abae) 700 unidades/mL, a primeira e única insulina basal de ação prolongada e aplicação semanal, indicada como adjuvante à dieta e ao exercício para melhorar o controle glicêmico (açúcar no sangue) em adultos que vivem com diabetes tipo 2. A aprovação disponibiliza a única opção de insulina basal administrada uma vez por semana, oferecendo uma nova solução de tratamento que se adapta a diferentes rotinas e preferências dos pacientes adultos com diabetes tipo 2. 

A aprovação baseia-se nos resultados do programa ONWARDS de fase 3a em diabetes tipo 2 para a injeção semanal de Awiqli®, que compreende quatro estudos randomizados, com controle ativo e estratégia treat‑to‑target (tratamento direcionada ao alvo), envolvendo aproximadamente 2.680 adultos com diabetes tipo 2 não controlado. O Awiqli® foi utilizado em combinação com insulina prandial ou em associação com antidiabéticos orais comuns e/ou agonistas do receptor de GLP‑1. O programa clínico avaliou o Awiqli® de administração semanal em comparação com a insulina basal diária e demonstrou eficácia no desfecho primário de redução da HbA1c em todo o programa de estudos clínicos pivotais ONWARDS em adultos com diabetes tipo 2. Ao longo dos estudos ONWARDS, o perfil de segurança do Awiqli® foi, de modo geral, consistente com o da classe das insulinas basais de uso diário.

“A aprovação do Awiqli® reflete os esforços contínuos da Novo Nordisk para impulsionar a inovação em saúde e fortalecer o apoio às pessoas que vivem com diabetes. Como a primeira insulina basal de aplicação semanal aprovada pela FDA para adultos com diabetes tipo 2, ela oferece uma nova e importante opção de tratamento. Em um momento em que partes do setor estão se afastando da insulina, estamos reafirmando nosso compromisso — continuando a investir em inovação, acesso e fornecimento para os milhões de pacientes que dependem da insulina todos os dias”, disse Mike Doustdar, presidente e CEO da Novo Nordisk. 

A Novo Nordisk espera lançar o Awiqli® no dispositivo FlexTouch® nos Estados Unidos no segundo semestre de 2026. O Awiqli® já está aprovado nos EUA, na União Europeia e em outros 13 países, com indicações específicas para diabetes de acordo com cada mercado. No Brasil, o medicamento foi aprovado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 1 e 2 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2025, porém ainda não possui data para lançamento no país.


Sobre o Awiqli®

Awiqli® (injeção de insulina icodec-abae) 700 unidades/mL é um medicamento de prescrição médica e a primeira e única insulina basal de aplicação semanal aprovada pela FDA, indicada como adjuvante à dieta e ao exercício para adultos com diabetes tipo 2. O Awiqli® foi desenvolvido como uma alternativa à insulina basal de uso diário, e sua aprovação é sustentada pelo programa clínico ONWARDS, que avaliou sua eficácia e segurança em populações adultas diversas que vivem com diabetes tipo 2. O Awiqli® é administrado uma vez por semana, sempre no mesmo dia da semana, por meio do dispositivo Awiqli® FlexTouch®. No Brasil, o medicamento foi aprovado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 1 e 2 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2025, porém ainda não possui data para lançamento no país.



Novo Nordisk
www.novonordisk.com.br

Dia Mundial do Autismo expõe desinformação e reforça que diagnóstico sozinho não garante desenvolvimento

Com o avanço do diagnóstico, especialista destaca a importância do acompanhamento contínuo para reduzir impactos, combater estigmas e promover inclusão
 

Às vésperas do Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha ainda mais relevância. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o autismo afeta cerca de uma em cada 100 crianças em todo o mundo. Criada pela Organização das Nações Unidas em 2007, a data tem como objetivo ampliar o acesso à informação e reduzir o preconceito em torno da condição. Apesar dos avanços, a desinformação ainda é um dos principais desafios para a inclusão e o desenvolvimento pleno das pessoas no espectro. 

Segundo Eliana Farias, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Braz Cubas, que completa 55 anos, o suporte psicológico é crucial na detecção dos primeiros sinais do TEA. “O acompanhamento profissional permite um diagnóstico preciso e intervenções oportunas, evitando prejuízos no desenvolvimento da linguagem, social e cognitivo". Segundo ela, é justamente essa intervenção contínua e aprofundada que desmistifica o TEA, abrindo caminhos para uma vida com maior autonomia e qualidade, rompendo com percepções limitadas e estigmas sobre o transtorno. 

Para os pais e responsáveis, a atenção a aspectos sutis do desenvolvimento infantil pode ser o primeiro passo para uma avaliação especializada. A docente cita como exemplos a ausência de resposta ao nome por volta dos 12 meses, pouco contato visual, dificuldades na comunicação e comportamentos repetitivos, destacando que a presença isolada de um desses sinais não configura diagnóstico, mas indica a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. 

Para além da detecção precoce, a psicologia se consolida como um dos pilares para o desenvolvimento contínuo de pessoas com TEA, indo da infância à vida adulta. O acompanhamento é dinâmico e adaptado a cada etapa, focando não apenas em habilidades sociais e emocionais, mas também em aspectos muitas vezes negligenciados na discussão pública sobre o tema. "Na infância, trabalhamos comunicação e regulação emocional. Já na adolescência e na vida adulta, abordamos questões como identidade, autonomia e saúde mental, essenciais para a inserção plena na sociedade e a conquista de uma vida independente", afirma a especialista. 

Por se tratar de um transtorno do neurodesenvolvimento complexo, o TEA demanda uma abordagem verdadeiramente multidisciplinar. Eliana explica que a atuação conjunta entre Psicologia, Psiquiatria, Neurologia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional é o que garante avaliações mais precisas e intervenções personalizadas, otimizando resultados e atendendo às múltiplas necessidades do indivíduo. 

Outro ponto frequentemente subestimado é o suporte psicológico às famílias. O diagnóstico de TEA, com suas incertezas e a necessidade de adaptação, pode gerar grande impacto emocional. "O apoio psicológico é vital para a compreensão do diagnóstico, a construção de estratégias de enfrentamento e o fortalecimento do vínculo familiar, transformando desafios em oportunidades de conexão e crescimento", pontua a docente. 

Apesar dos avanços no debate, a desinformação sobre o TEA persiste, alimentando estigmas e barreiras à inclusão. Mitos sobre pessoas com autismo, como a ausência de emoções ou a deficiência intelectual generalizada, são prejudiciais e desconsideram a vasta diversidade do espectro. Desconstruir essas percepções equivocadas é crucial para promover uma inclusão efetiva, pautada no respeito e em políticas baseadas em evidências, que assegurem a indivíduos com TEA o pleno desenvolvimento de seu potencial e uma vida com dignidade.


Quatro riscos da circulação corporal que as mulheres não devem ignorar

Gravidez, hormônios e dores silenciosas revelam riscos vasculares mais comuns do que se imagina

Um tema que merece mais espaço nas conversas sobre saúde é a circulação. Muitas vezes silenciosos, os problemas vasculares podem se manifestar de forma sutil no dia a dia e estão diretamente ligados a fases importantes da vida feminina, como a gravidez, além do uso de hormônios e predisposições individuais. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), esses sinais nem sempre são percebidos como alerta. “A saúde vascular da mulher é influenciada por diversos fatores ao longo da vida. Conhecer esses riscos é essencial para prevenção e diagnóstico precoce”, explica o Dr. Edwaldo Joviliano, presidente da entidade.
 

1 - Gravidez: quando a circulação pede mais atenção

A gravidez é um dos períodos que mais exigem cuidado. Durante a gestação, o corpo passa por transformações profundas: há aumento do volume sanguíneo, ação intensa dos hormônios e compressão das veias pelo crescimento do útero, o que dificulta o retorno do sangue ao coração. Esse cenário favorece o surgimento de varizes, inchaço nas pernas e sensação de peso, além de aumentar o risco de trombose. 

“A gestação cria um ambiente propício para alterações na circulação. Essa combinação pode favorecer desde quadros mais leves, como varizes, até eventos mais graves, como a trombose, exigindo acompanhamento ao longo de todo o pré-natal”, destaca o especialista. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o risco de tromboembolismo venoso pode ser até 4,6 vezes maior em gestantes.
 

2 - Varizes pélvicas: dor que não deve ser ignorada

Outro sinal que o corpo pode dar e que costuma ser negligenciado é a dor pélvica persistente. Em muitos casos, ela pode estar associada às varizes pélvicas, condição caracterizada pela dilatação das veias na região inferior do abdômen. O desconforto tende a piorar ao longo do dia, após muitas horas em pé ou durante o ciclo menstrual. 

“As varizes pélvicas ainda são pouco reconhecidas, o que pode atrasar o diagnóstico. Muitas mulheres convivem com dor crônica sem saber a causa. É importante investigar, especialmente quando há histórico de gestações”, alerta Joviliano.
 

3 - Anticoncepcionais: uso exige avaliação individual
Os hormônios são fatores fundamentais nessa equação. O uso de anticoncepcionais, embora seguro para a maioria das mulheres, pode aumentar o risco de trombose em pessoas com predisposição, como histórico familiar, obesidade, tabagismo e sedentarismo. Essas circunstâncias acontecem porque alguns hormônios interferem no sistema de coagulação do sangue, tornando-o mais propenso à formação de coágulos. 

“O uso de hormônios deve ser sempre individualizado e orientado por um médico. Nem todas as mulheres podem utilizar os mesmos métodos com segurança”, reforça o especialista.
 

4 - Check-up vascular: prevenção que faz diferença

Não acompanhar sua saúde é se expor a riscos. Mesmo sem sintomas aparentes, a avaliação vascular deve fazer parte da rotina de cuidados com a saúde da mulher. Especialmente em fases como gestação, uso de hormônios ou presença de histórico familiar, os exames clínicos e, quando necessário, o ultrassom Doppler, ajudam a identificar alterações precoces na circulação. 

“O check-up vascular permite identificar fatores de risco antes que eles evoluam para quadros mais graves. Com medidas simples, como manter-se ativa, hidratar-se bem e evitar longos períodos na mesma posição, já é possível proteger a circulação no dia a dia”, conclui o presidente da SBACV.


CONFIRA CINCO PONTOS DE ATENÇÃO

 PARA QUEM PRETENDE REALIZAR A FERTILIZAÇÃO IN VITRO

Procedimento exige preparo emocional e cuidados com a saúde do casal 


A Fertilização in Vitro (FIV) é uma das técnicas mais consolidadas da reprodução humana assistida. Desde o nascimento do primeiro bebê gerado por FIV, em 1978 — marco histórico conhecido como o surgimento do primeiro “bebê de proveta”¹ — o método vem sendo aperfeiçoado e adotado em escala crescente em diferentes países. A técnica consiste na fecundação do óvulo pelo espermatozoide em ambiente laboratorial, seguida da transferência do embrião para o útero da mulher. O processo envolve quatro etapas principais: estimulação ovariana; coleta de óvulos e espermatozoides; fertilização e cultivo embrionário; e transferência uterina². 

No Brasil, o procedimento tem se tornado cada vez mais frequente. Dados do Relatório de Produção de Embriões (SisEmbrio)³, divulgado anualmente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apontam que, em 2025, foram realizados 62.760 ciclos de Fertilização in Vitro no país4. Para aumentar as chances de sucesso, especialistas alertam que fatores como alimentação, prática de atividade física, consumo de álcool, tabagismo e outros hábitos de vida devem ser observados tanto pela mulher quanto pelo homem, uma vez que interferem diretamente na qualidade dos óvulos e dos espermatozoides5. 

Para quem avalia a possibilidade de recorrer à FIV, alguns pontos merecem atenção especial:

 

A FIV não é o último recurso

Embora muitas vezes seja associada a tentativas anteriores sem sucesso, a Fertilização in Vitro não precisa ser encarada como a última alternativa. O procedimento pode ser indicado em diferentes contextos, inclusive como primeira opção, e é utilizado por casais com dificuldade para engravidar após um ano de tentativas, pessoas solteiras, casais homoafetivos6, além de pacientes que desejam preservar a fertilidade antes de tratamentos oncológicos ou reduzir o risco de transmissão de doenças genéticas ao bebê7.

 

Cada ciclo é único

O insucesso em um primeiro ciclo de FIV é relativamente comum e não deve ser interpretado, de imediato, como falha definitiva. Variáveis como dosagem hormonal, resposta à estimulação ovariana, número e qualidade dos óvulos e condições do sêmen podem variar significativamente entre pessoas e até entre ciclos da mesma paciente. Por isso, após uma tentativa sem sucesso, a reavaliação clínica e dos hábitos de vida é fundamental5.

 

O emocional faz diferença

A FIV é um processo que exige preparo emocional. Ansiedade, frustração e sintomas depressivos podem surgir ao longo do tratamento, especialmente diante de tentativas malsucedidas. Estudos indicam que fatores psicológicos podem influenciar os resultados do procedimento, reforçando a importância do acompanhamento psicológico para lidar com o estresse e as expectativas envolvidas8.

 

Mais óvulos não significam mais chances de gravidez

Um número elevado de óvulos coletados não garante, necessariamente, maior taxa de sucesso. Nem todos os óvulos estarão maduros ou aptos à fertilização, assim como nem todos os embriões formados evoluem. Esse processo é conhecido como o “funil da FIV”. De acordo com a Prónúcleo (Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva), a partir da coleta de dez óvulos, estima-se a obtenção de cerca de oito óvulos maduros; destes, aproximadamente seis a sete são fertilizados, resultando em dois a três blastocistos (embriões com cinco dias de cultivo). Essa redução progressiva é considerada normal e esperada9.

 

A avaliação do parceiro é indispensável

A realização da FIV não elimina a necessidade de investigação dos fatores masculinos. Cerca de 30% dos casos de infertilidade estão relacionados ao homem, envolvendo condições como alterações hormonais, fatores genéticos, infecções, obstruções do trato reprodutivo, varicocele, efeitos de quimioterapia ou radioterapia, doenças crônicas, uso de drogas e infecções sexualmente transmissíveis. O acompanhamento médico do parceiro é essencial para diagnóstico e tratamento adequados10. 

A Ferring Pharmaceuticals atua no suporte ao tratamento da infertilidade, oferecendo um portfólio voltado às diferentes etapas da Fertilização in Vitro com medicamentos como Menopur® (tratamento da infertilidade e estimulação folicular), Rekovelle® (estimulação ovariana) e Gonapeptyl® Daily (prevenção da ovulação prematura durante o processo de FIV).

 

Ferring Pharmaceuticals
www.ferring.com
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Referências:

1 – CREMESP (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), De Louise Brown ao inédito transplante de útero de doadora falecida – Link .

2 – SBRA (Associação Brasileira de Reprodução Assistida), Como é feita a Fertilização In Vitro (FIV)? - Link .

3 – Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), SisEmbrio - Link .

4 - Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), SisEmbrio (Slide 5) - Link
5 - SBRA (Associação Brasileira de Reprodução Assistida), O que fazer quando a primeira fertilização in vitro não deu certo? - Link .

6 – CFM (Conselho Federal de Medicina), RESOLUÇÃO CFM nº 2.320/2022 Link. Acesso em 16/03/2025.

7 – Mayo Clinic, In vitro Fertilization (IVF) - Link . Acesso em 28/01/2025.

8 – Science Direct / Social Science & Medicine, Psychological aspects of in vitro fertilization: a review - Link .

9 - Prónúcleo (Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva), Funil de reprodução? - Link.

10 – Biblioteca Virtual em Saúde / Ministério da Saúde, Infertilidade masculina - Link

 


Dia da Mentira: Falsas verdades que contamos a nós mesmos sobre o luto pet podem adoecer emocionalmente

Especialista alerta para narrativas internas que tentam aliviar a dor da perda, mas acabam prolongando o sofrimento ou trazendo consequências físicas, emocionais e comportamentais 

 

No dia 1º de abril, conhecido como o Dia da Mentira, uma reflexão necessária ganha espaço: e quando as mentiras não são contadas aos outros, mas a nós mesmos? No contexto do luto pet, esse tipo de comportamento é mais comum (e mais prejudicial) do que se imagina.

A perda de um animal de estimação ainda é, em muitos contextos, tratada como uma dor menor. E é justamente nesse cenário que surgem algumas das narrativas mais prejudiciais para quem está vivendo o luto: tentativas de minimizar o vínculo, acelerar a superação ou fingir uma força que não se sustenta. 

Para a psicóloga e doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo, Natália Nigro de Sá, diretora da Laika Funeral Pet, essas “mentiras” funcionam como anestesias emocionais. “Elas não são mal-intencionadas. São formas de autoengano para suportar uma realidade que, naquele momento, parece insuportável. Mas o que anestesia também pode impedir a cicatrização”, explica.

Entre as mais comuns está a chamada “mentira da força”. A ideia de que é preciso seguir em frente rapidamente, não chorar ou não demonstrar sofrimento é, segundo a especialista, socialmente validada e profundamente solitária. “Tentar ser forte o tempo todo é, talvez, a mentira mais aceitável. Quando a pessoa sustenta essa narrativa, ela envia ao mundo o sinal de que não precisa de ajuda. E acaba presa dentro de uma espécie de fortaleza emocional, sofrendo no escuro, enquanto por fora sustenta uma calma que é exaustiva”, afirma.

Esse esforço contínuo para não sentir cobra um preço alto. A psicóloga compara o processo a tentar manter uma bola de praia submersa: por um tempo, é possível, mas o desgaste é inevitável: você consegue por um tempo, mas seus músculos (e sua mente) acabam entrando em exaustão. O enlutado começa a apresentar cansaço mental crônico, falta de concentração e irritabilidade. Ele não está cansado do trabalho ou da rotina; ele está cansado do esforço para não sentir.

Outra narrativa frequente é a da minimização, ou seja, quando o tutor tenta convencer a si mesmo de que “era só um animal” ou que “já sabia que ia acontecer”. Para Natália, esse tipo de pensamento costuma surgir como uma tentativa de se proteger do julgamento externo, mas acaba invalidando a própria experiência. “A dor do luto é proporcional ao vínculo, não à espécie. O relacionamento com um pet envolve afeto, rotina, presença. Quando a pessoa tenta reduzir isso, ela não diminui a dor; apenas perde a oportunidade de elaborá-la de forma saudável”, pontua.

Há ainda a chamada “mentira do controle”, que aparece principalmente na forma de culpa. “O cérebro muitas vezes prefere se sentir culpado do que impotente. Criar cenários de ‘e se eu tivesse feito diferente’ dá a falsa sensação de que era possível evitar a perda, quando, na realidade, estamos lidando com a finitude da vida”, explica.

Segundo a especialista, o problema dessas narrativas não está apenas no que elas escondem, mas nos efeitos que produzem ao longo do tempo. O luto que não encontra espaço para ser vivido pode se manifestar de outras formas, sejam físicas, emocionais ou comportamentais.  “O corpo acaba desmentindo a mente. Surgem sintomas como insônia, cansaço persistente, dores musculares, irritabilidade ou até uma dificuldade de se conectar com outras pessoas e com a própria rotina”, diz.

Outro sinal de alerta é a necessidade constante de evitar o silêncio. “Quando a pessoa não consegue ficar sozinha com os próprios pensamentos, mantendo-se ocupada o tempo todo, isso pode indicar que há um luto que está sendo evitado. A dor não desaparece; ela apenas encontra outras formas de se manifestar”.

A especialista reforça ainda que o caminho mais saudável para vier o luto pet passa justamente pelo oposto dessas “mentiras”: o reconhecimento da dor. “O oposto da mentira no luto não é apenas a verdade, é a coragem de ser vulnerável. Ser saudável no luto pet não significa não sofrer; significa não precisar fingir que não dói”, conclui.



Perdeu ou teve um dente comprometido e não tratou? Veja 5 consequências para a saúde bucal


Muito além da estética, a ausência de um único dente pode desencadear uma série de alterações silenciosas

 

Você já pensou no que acontece dentro da sua boca quando um dente não é substituído? Pode parecer algo simples, mas não é bem assim. Um estudo publicado no Journal of Oral Rehabilitation aponta que a perda dentária não tratada está diretamente associada a mudanças na mordida, movimentação dos dentes e até perda óssea ao longo do tempo. Ou seja, o impacto vai muito além do que a gente vê no espelho. 

“Quando um dente é perdido, a boca não fica parada esperando uma solução. Os dentes ao redor começam a se movimentar para tentar ocupar aquele espaço vazio e o dente que faz par com ele pode descer ou subir mais do que deveria. Aos poucos, isso vai bagunçando o encaixe da mordida”, explica o Dr. Paulo Yanase, dentista da Oral Sin. Na prática, é como se a boca tentasse se reorganizar sozinha, mas acabasse criando novos problemas no caminho. 

Mas afinal, o que acontece com a boca quando perdemos um dente e não substituímos?
 

Os dentes saem do lugar: os dentes vizinhos começam a entortar em direção ao espaço vazio. Isso pode deixar o sorriso desalinhado e até dificultar a limpeza, aumentando o risco de cáries e problemas na gengiva.

A mordida perde o equilíbrio: com os dentes fora de posição, o encaixe entre a parte de cima e de baixo da boca muda. Isso pode gerar desconforto, sensação ruim na mordida e até dores na mandíbula.

Alguns dentes ficam sobrecarregados: como a mastigação deixa de ser bem distribuída, certos dentes passam a fazer mais esforço do que deveriam, o que pode levar a desgaste e até fraturas com o tempo.

O osso começa a diminuir: o osso que segurava o dente precisa do estímulo da mastigação para se manter forte. Sem isso, ele começa a encolher aos poucos, o que pode até mudar o formato do rosto em casos mais avançados.

Mastigar e falar podem ficar mais difíceis: dependendo do dente perdido, a pessoa pode começar a mastigar só de um lado ou ter dificuldade com alguns sons na fala, o que afeta o dia a dia mais do que se imagina.
 

“Tudo isso acontece porque cada dente tem um papel importante. Quando um falta, os outros tentam compensar, mas nem sempre conseguem fazer isso da melhor forma. Por isso, substituir o dente perdido não é só uma questão estética, é uma forma de manter a boca funcionando bem e evitar problemas maiores no futuro”, finaliza o Doutor.


  
Oral Sin


Estudo revela: entender o que o médico diz pode melhorar o tratamento do hipotireoidismo

Pesquisa identificou associação entre baixo letramento em saúde e pior controle da doença

 

Um estudo orientado pela Dra. Carolina Janovsky, endocrinologista e metabologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, reforça um ponto muitas vezes negligenciado na prática clínica: a forma como o médico se comunica com o paciente pode influenciar diretamente os resultados do tratamento.

 

A pesquisa (que você pode ler aqui) identificou que pacientes com menor letramento em saúde — ou seja, com mais dificuldade para compreender orientações médicas e informações sobre a própria doença — apresentaram pior controle bioquímico do hipotireoidismo primário, mesmo em uso contínuo da medicação.

 

Segundo a especialista, a pesquisa nasceu de uma dúvida prática observada no ambulatório: por que alguns pacientes continuam com controle inadequado do hipotireoidismo mesmo usando levotiroxina?

 

“O tratamento do hipotireoidismo parece simples, mas exige uma rotina relativamente complexa. O paciente precisa tomar a medicação em jejum, no horário correto, prestar atenção às interações medicamentosas e fazer acompanhamento laboratorial, especialmente no início. A partir disso, levantamos a hipótese de que o letramento em saúde poderia estar interferindo nesse controle”, explica a médica.

 

O estudo avaliou 274 adultos, entre 18 e 65 anos, com diagnóstico de hipotireoidismo primário, em uso contínuo de levotiroxina e com exames recentes de TSH e T4 livre disponíveis em prontuário. Para medir o letramento em saúde, os pesquisadores utilizaram um questionário validado em português do Brasil, aplicado presencialmente por equipe treinada.

 

Os resultados mostraram uma associação consistente entre menor letramento em saúde e pior controle do TSH, principal parâmetro utilizado no acompanhamento do hipotireoidismo. “Observamos que, quanto menor o letramento, maior era o nível de TSH fora da faixa esperada. Esses pacientes também precisavam de doses maiores de levotiroxina por quilo, sugerindo menor eficiência terapêutica”, afirma Dra. Carolina.

 

De acordo com a pesquisadora, o achado chama atenção porque a associação se manteve mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, duração da doença, comorbidades e escolaridade. “Letramento em saúde e escolaridade não são a mesma coisa. Uma pessoa pode ter mais anos de estudo e, ainda assim, não compreender adequadamente as orientações médicas. São coisas diferentes, e isso ficou muito evidente no estudo”, destaca.

 

Para a especialista, o cenário é especialmente relevante na realidade dos ambulatórios públicos, onde o tempo de consulta costuma ser curto e a comunicação, muitas vezes, não se adapta à realidade do paciente. “Às vezes, o médico fala em uma linguagem que parece muito clara para ele, mas que o paciente não entende. E o próprio profissional nem sempre percebe essa falha de comunicação”, diz.

 

Com base nesses resultados, a equipe já aplica metodologia semelhante em um novo estudo com pacientes com obesidade. A expectativa é avaliar se o impacto do letramento em saúde pode ser ainda mais evidente em uma condição multifatorial, cujo tratamento depende de mudanças comportamentais, compreensão de conceitos nutricionais e adesão prolongada ao acompanhamento.

 

Entre as medidas práticas que podem derivar desses estudos estão o uso de linguagem mais simples na consulta, a adoção da técnica conhecida como teach-back — em que o paciente repete com suas palavras o que entendeu —, além da criação de materiais visuais e educativos que facilitem a compreensão sobre medicamentos, alimentação, atividade física e rotina de cuidados.

 

“A principal ação prática é incorporar o letramento em saúde na rotina assistencial, principalmente em serviços públicos ou em atendimentos muito rápidos. Às vezes, o problema não é falta de tratamento, mas a forma como a informação chega ao paciente”, resume Dra. Carolina.

 

A endocrinologista ressalta que, por se tratar de um estudo transversal, não é possível afirmar relação de causa e efeito. Ainda assim, os dados apontam um sinal importante para a prática clínica. “A gente ainda não pode dizer que o baixo letramento causa diretamente o descontrole do hipotireoidismo, mas já existe uma associação que merece atenção. E o mais importante é que essa é uma variável sobre a qual é possível agir de maneira simples e concreta”, conclui.

 

SBEM-SP - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo
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Quimioterapia eleva em até 50% risco de insuficiência cardíaca e pode inviabilizar transplante de coração

No mês do Dia Mundial da Luta contra o Câncer, 8 de abril, médicos da CardioWays alertam para o potencial cardiotóxico dos medicamentos quimioterápicos e explicam como o coração artificial pode ser alternativa a pacientes com insuficiência cardiovascular grave 

 

O avanço da medicina oncológica trouxe uma conquista: cada vez mais pacientes sobrevivem ao câncer. Esse progresso, no entanto, revela um novo desafio – não provocado pela doença em si, mas por um de seus tratamentos mais conhecidos. A quimioterapia, essencial no combate aos tumores, está associada ao aumento do risco de complicações cardiovasculares severas, que podem se manifestar anos após a cura, e a alterações que dificultam ou até inviabilizam o acesso ao transplante cardíaco, quando necessário. 

No mês do Dia Mundial da Luta contra o Câncer, celebrado em 8 de abril, a CardioWays – hub formado por dez cardiologistas dedicado a ampliar o acesso a tecnologias e a um cuidado integrado na saúde do coração – chama atenção para a importância do acompanhamento desses pacientes ao longo do tempo, diante do risco de complicações cardíacas. Uma das razões para o impacto da quimioterapia é que determinados medicamentos utilizados nas sessões, como as antraciclinas, são reconhecidos pelo potencial cardiotóxico, podendo levar a uma disfunção progressiva do coração. 

“O tratamento do câncer pode afetar a medula óssea, responsável pela produção das células do sangue, aumentando o risco de anemia, infecções e sangramentos. Nesses casos, as transfusões de sangue tornam-se parte essencial do cuidado de suporte, ajudando, por exemplo, a restaurar componentes sanguíneos e a estabilizar o organismo”, explica a médica Marina Fantini, especialista em insuficiência cardíaca e cofundadora da CardioWays. 

Segundo a Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, sobreviventes de cânceres pediátricos têm até 15 vezes mais chance de desenvolver insuficiência cardíaca como consequência do tratamento, em diferentes níveis de gravidade e a depender também de variáveis genéticas. Em adultos, doses mais elevadas dos medicamentos podem aumentar em até 50% a incidência de insuficiência cardíaca.


Quando o remédio também se torna vilão 

Nos casos de insuficiência cardíaca grave, o transplante costuma ser uma das principais alternativas para aumento do bem-estar e da sobrevida do paciente. A questão é que o mesmo recurso que serve de alívio para os efeitos colaterais da quimioterapia – a transfusão – pode gerar impactos que limitem a possibilidade de substituição do órgão original. 

“No tratamento, as transfusões em sequência expõem o organismo ao sangue de diferentes doadores, estimulando uma resposta imune natural e o aumento de um índice conhecido como Painel de Reatividade de Anticorpos (PRA). Quando esse indicador está elevado, cresce o risco de o corpo rejeitar um órgão transplantado, o que pode inviabilizar o transplante e reduzir drasticamente a expectativa de vida de uma pessoa”, destaca Marina. 

Ela acrescenta que a leucorredução, um processo de filtragem de leucócitos nas bolsas de sangue, ajuda a amenizar o impacto das transfusões sobre o PRA, mas ainda assim não elimina o risco de aumento do indicador, nem de uma futura inelegibilidade do paciente para o transplante cardíaco.

 

Tecnologia abre caminho para pacientes afetados 

Na impossibilidade de o paciente passar por um transplante de coração, uma das alternativas é o implante de um Dispositivo de Assistência Ventricular Esquerda (DAVE), também conhecido como coração artificial. A tecnologia, ainda pouco difundida no Brasil, ajuda o coração original a bombear o sangue, mantendo o fluxo contínuo e estável. Ao garantir a circulação adequada, devolve ao paciente a capacidade de realizar atividades normais.

 

Com recomendação da Conitec, o coração artificial entrou para o rol da ANS em fevereiro de 2025, tornando obrigatória a cobertura das operadoras de saúde para o procedimento. O HeartMate 3 é o único do seu tipo autorizado pela Anvisa para implante no Brasil.

 

“Pacientes que desenvolveram problemas de saúde cardiovascular em virtude da quimioterapia, com taxas de exames que contraindiquem o transplante, são candidatos importantes ao uso do coração artificial, sendo a única alternativa para retomarem suas atividades normais e ganharem qualidade de vida”, diz a médica da CardioWays. De acordo com ela, a sobrevida de pacientes que realizam o implante do coração artificial possui níveis semelhantes ao do transplante cardíaco tradicional. A recomendação para uso da tecnologia deve ser feita apenas após uma cuidadosa avaliação da equipe de saúde, que envolva uma visão cardiológica multidisciplinar do paciente.  

 

CardioWays

 

Páscoa inteligente: como escolher o chocolate certo e até favorecer a saúde da pele Ma

Mais do que evitar excessos, a escolha do tipo de chocolate pode fazer diferença no impacto sobre a pele 

 

A Páscoa não precisa ser sinônimo de culpa para quem se preocupa com a pele. Em vez de excluir o chocolate, o caminho pode estar em fazer escolhas mais estratégicas e equilibradas, sem abrir mão do prazer.

Para o dermatologista Dr. José Roberto Fraga Filho, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e diretor clínico do Instituto Fraga de Dermatologia, o impacto na pele está muito mais relacionado ao excesso e à qualidade do consumo do que ao alimento isolado. “O chocolate, por si só, não é o grande vilão. O problema está no excesso de açúcar e no padrão alimentar como um todo. Quando há equilíbrio, é possível consumir sem prejuízos”, explica.

Um dos principais pontos de atenção está na composição. Chocolates com maior teor de cacau tendem a conter menos açúcar e ainda concentram compostos antioxidantes, que auxiliam na proteção contra processos inflamatórios no organismo.

“Quanto maior o teor de cacau, melhor tende a ser o impacto metabólico. Além disso, esses chocolates possuem substâncias antioxidantes que podem contribuir para a saúde da pele”, destaca o especialista.

Por outro lado, versões mais açucaradas e ultraprocessadas — comuns em ovos recheados e produtos industrializados — podem favorecer picos de insulina, estimulando a produção de oleosidade e aumentando a propensão à acne.

A forma de consumo também influencia. Grandes quantidades em um curto período, comportamento típico do feriado, intensificam esse efeito e podem se refletir na pele nos dias seguintes.

Dentro desse contexto, algumas escolhas simples ajudam a aproveitar a Páscoa de forma mais consciente e com menor impacto cutâneo:

Guia prático para escolher melhor o chocolate na Páscoa:

  • Prefira chocolates com maior teor de cacau (idealmente acima de 70%), que possuem menos açúcar e mais antioxidantes.
  • Observe a lista de ingredientes e evite produtos com excesso de açúcares, xaropes e gorduras de baixa qualidade.
  • Tenha atenção aos ovos recheados e versões ultraprocessadas, que concentram mais aditivos e açúcar.
  • Evite consumir grandes quantidades de uma só vez; distribua o consumo ao longo dos dias.
  • Mantenha uma alimentação equilibrada no restante do dia para reduzir impactos metabólicos.
  • Observe como sua pele reage, já que cada organismo responde de forma individual.

A recomendação, segundo o dermatologista, não é restringir, mas trazer mais consciência para as escolhas. “A pele responde ao conjunto de hábitos. Não é um alimento isolado que vai determinar esse impacto, mas a forma como ele é inserido na rotina”, afirma.

A proposta, portanto, deixa de ser evitar o chocolate e passa a ser fazer melhores escolhas. A Páscoa pode — e deve — ser aproveitada sem culpa, com equilíbrio e atenção à qualidade do consumo, em linha com a forma como a saúde da pele é compreendida atualmente.


Oscilações hormonais impactam a saúde feminina ao longo dos anos

Da adolescência à menopausa, Amanda Meirelles explica por que acompanhar a saúde hormonal de forma contínua é essencial para a qualidade de vida
 

Alterações hormonais fazem parte da saúde feminina ao longo de toda a vida, da adolescência à menopausa, e podem impactar diretamente sono, humor, energia, metabolismo e bem-estar emocional. Apesar de comuns, muitas mulheres passam anos convivendo com sintomas sem associá-los a desequilíbrios hormonais ou sem buscar acompanhamento médico adequado. 

A médica e comunicadora Amanda Meirelles explica que a falta de informação ainda é um dos principais fatores que atrasam o diagnóstico e o cuidado. “Os hormônios influenciam praticamente todos os sistemas do corpo. Quando há alterações, os sinais aparecem de diferentes formas, mas nem sempre são reconhecidos como algo que precisa de investigação", afirma. 

Na adolescência, o início do ciclo menstrual marca as primeiras oscilações hormonais significativas. Nessa fase, é comum o surgimento de irregularidade menstrual, acne, alterações de humor e dúvidas sobre o funcionamento do corpo. 

Segundo Amanda, esse período é decisivo para o desenvolvimento da relação da mulher com a própria saúde. "Quando a jovem entende o que está acontecendo com o corpo, ela tende a buscar ajuda mais cedo e a normalizar menos sintomas que podem indicar algum desequilíbrio", explica. 

Durante a fase adulta, oscilações hormonais podem estar relacionadas a síndrome pré-menstrual, alterações de sono, queda de energia, ansiedade e dificuldades de concentração. Fatores como estresse, rotina intensa e sobrecarga emocional também podem potencializar esses efeitos. 

Além disso, momentos como o uso de anticoncepcionais, gestação e puerpério provocam mudanças hormonais significativas. Sintomas como queda de cabelo, variações de peso, cansaço persistente e alterações de humor são comuns nesse período e frequentemente são tratados de forma isolada, sem que se investigue sua origem hormonal. 

Na transição para a menopausa, as alterações hormonais tendem a se intensificar. Ondas de calor, insônia, irritabilidade, diminuição da libido e mudanças metabólicas estão entre os sintomas mais frequentes. 

Para Amanda, a menopausa ainda é cercada por mitos e desinformação, o que pode fazer com que muitas mulheres demorem a buscar orientação médica. “Essa é uma fase natural, mas que pode trazer impactos importantes na qualidade de vida. Informação e acompanhamento fazem toda diferença para atravessar esse período com mais conforto e segurança", afirma. 

De acordo com a médica, o acompanhamento ginecológico regular ao longo da vida permite identificar padrões hormonais, antecipar cuidados e evitar que sintomas sejam normalizados ou ignorados. “Cada fase da vida tem suas particularidades, mas o principal é observar o próprio corpo. Quando as alterações passam a interferir na qualidade de vida, é fundamental investigar e não apenas se adaptar a elas”, orienta. 

Além do acompanhamento médico, Amanda reforça a importância de atenção à saúde mental, qualidade do sono, alimentação equilibrada e organização da rotina. Para ela, ampliar o acesso à informação é parte essencial do cuidado. “Entender o que está acontecendo no corpo ajuda a mulher a tomar decisões mais conscientes e a participar ativamente das escolhas sobre a própria saúde, evitando que fique em segundo plano”, conclui.
  


Amanda Meirelles - médica, comunicadora e criadora de conteúdo. Ficou conhecida nacionalmente após participar e vencer o Big Brother Brasil 23 e, desde então, utiliza suas plataformas digitais para abordar temas relacionados à saúde, bem-estar e qualidade de vida de forma acessível. Em seus conteúdos e entrevistas, fala sobre rotina, saúde mental, autocuidado e hábitos que impactam o dia a dia das pessoas, além de participar de debates e projetos voltados à ampliação do acesso à informação em saúde.


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Páscoa sem Culpa: Nutricionista Vanessa de Santis traz dicas para escolhas conscientes

A Páscoa, tradicionalmente marcada por celebrações e consumo de chocolates, muitas vezes vem acompanhada de um sentimento comum: a culpa. Pensando em transformar esse momento em uma experiência mais leve e equilibrada, a nutricionista Vanessa de Santis apresenta orientações práticas para aqueles que desejam manter o prazer sem abrir mão da saúde.

Com foco em escolhas inteligentes e estratégias nutricionais, a profissional compartilha dicas que ajudam a ressignificar a relação com a alimentação durante a Páscoa, promovendo consciência e equilíbrio sem perder o sabor das tradições.


Como escolher o melhor ovo de Páscoa

 Antes de comprar, vire o ovo e leia o rótulo. É ali que está a verdade, não na embalagem bonita. Consulte esses itens:

1. Cacau como primeiro ingrediente: Massa de cacau. Cacau. Manteiga de cacau. Isso indica um chocolate mais puro e com melhor qualidade. Lembre-se: os ingredientes aparecem em ordem de quantidade adicionada.

2. Teor de cacau acima de 60%: Quanto maior o teor menor o impacto na glicemia, menor estímulo de compulsão e maior qualidade nutricional. Possuem maior concentração de compostos bioativos do cacau, que contribuem para a saúde metabólica e controle da inflamação.

3. Lista de ingredientes curta; menos ingredientes = menos ultraprocessado. Quanto mais simples a composição, melhor! Evite produtos com listas extensas e nomes pouco reconhecíveis.

4. Açúcar em menor quantidade (ou ausente): É ideal ser sem açúcar ou com baixa adição. Se tiver é melhor que esteja no final da lista.

 5. Ovos com oleaginosas; Castanhas. Amêndoas. Avelãs. Maior saciedade, melhor resposta glicêmica e redução da vontade por doces.


O QUE EVITAR:

Chocolate “ao leite” como base principal:  Geralmente tem mais açúcar do que cacau.

Açúcar como primeiro ingrediente: Isso não é chocolate, é sobremesa disfarçada.

 Cobertura sabor “chocolate” ou “fracionada”:  Não é chocolate de verdade.  Contém gordura vegetal no lugar da manteiga de cacau.


Dicas para não exagerar na Páscoa

A forma de consumo é tão importante quanto a escolha dos alimentos. Manter uma ingestão moderada já é suficiente para aproveitar o momento sem excessos, evitando o consumo livre e sem consciência. O ideal é consumir o chocolate após as refeições principais, e não em jejum, pois isso contribui para reduzir o impacto glicêmico e prevenir picos de fome ao longo do dia. Além disso, associar o chocolate a alimentos como castanhas, iogurte natural ou frutas pode melhorar a saciedade e ajudar no controle da ingestão. Outro ponto essencial é o comportamento alimentar: comer devagar, evitar distrações e estar atento aos sinais de saciedade são atitudes que fazem diferença no resultado final. 


Hormônios, chocolate e pele: por que algumas mulheres têm mais acne na Páscoa

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Especialistas explicam como alimentação e oscilações hormonais podem influenciar o surgimento de espinhas 

 

A Páscoa é uma época marcada pelo aumento no consumo de chocolate e, para algumas mulheres, também por um aumento inesperado de espinhas. Embora o alimento não seja o único responsável pelo surgimento da acne, especialistas explicam que o excesso de açúcar e as oscilações hormonais podem contribuir para o agravamento do quadro, especialmente em mulheres adultas. 

De acordo com Claudia Tanabe, dermatologista da clínica Atma Soma, fatores hormonais, estresse, predisposição genética, medicamentos e hábitos alimentares estão entre as principais causas da chamada acne adulta. 

Um estudo publicado no Journal of the American Academy of Dermatology (JAAD) revela que a acne afeta cerca de 20,5% da população mundial, sendo mais comum entre adolescentes e jovens adultos, com prevalência de 28,3% entre pessoas de 16 a 24 anos. Entre adultos de 25 a 39 anos, a taxa permanece relevante, alcançando 19,3%. 

Mas será que existe, de fato, uma relação entre chocolate e espinhas? Segundo a especialista, a ciência aponta que dietas com alto índice glicêmico, que incluem alimentos ricos em açúcar, como chocolates ao leite e doces típicos da Páscoa, podem influenciar processos hormonais ligados à acne. 

“Esses alimentos estimulam picos de insulina, que, por sua vez, podem afetar a atividade hormonal e agravar a acne. O chocolate amargo, com alto teor de cacau e menos açúcar, tende a ter impacto menor, mas o consumo em excesso ainda pode influenciar na saúde da pele”, explica.

 

O papel dos hormônios femininos nas crises de acne 

Além da alimentação, as variações hormonais típicas do ciclo menstrual também ajudam a explicar por que muitas mulheres percebem piora da acne em determinados períodos do mês, inclusive quando coincidem com momentos de maior consumo de doces, como a Páscoa. 

Segundo Fernanda Dib, ginecologista da clínica Atma Soma, as alterações hormonais ao longo do ciclo podem estimular a produção de oleosidade na pele. 

“Na fase pré-menstrual ocorre uma maior influência dos andrógenos, hormônios que estimulam as glândulas sebáceas. Esse aumento na produção de sebo favorece o surgimento de lesões inflamatórias, principalmente na região da mandíbula e do queixo, padrão comum da acne da mulher adulta”, explica. 

A especialista ressalta que, quando esse período coincide com maior ingestão de açúcar e alimentos de alto índice glicêmico, o efeito pode ser potencializado. 

“Alimentos que provocam picos de insulina podem estimular vias hormonais relacionadas à produção de oleosidade da pele. Por isso, em algumas mulheres, o excesso de chocolate ou doces pode coincidir com o aparecimento ou agravamento das espinhas”, acrescenta.
 

Entenda o que é a acne 

A acne é uma condição inflamatória da pele que ocorre quando as glândulas sebáceas e os folículos pilossebáceos, que são pequenos canais por onde crescem os pelos, ficam obstruídos por uma combinação de células mortas e sebo, uma substância oleosa produzida por essas glândulas. 

De acordo com Claudia Tanabe, essas obstruções criam um ambiente propício para a proliferação de bactérias, “que, ao se multiplicarem, causam inflamação e o aparecimento de lesões como cravos, comedões, espinhas e, em casos mais graves, cistos”. 

Em pessoas acima dos 25 anos, a condição é conhecida como acne adulta e afeta 54% das mulheres nessa faixa etária, segundo dados divulgados no JAAD. Predominante entre as o público feminino, ela também é chamada de acne da mulher adulta (AMA). “Diferente da juvenil, que afeta a zona T, testa, nariz e queixo, espinhas em adultos tendem a surgir na zona U, que envolve a mandíbula, queixo, pescoço, além do colo e da parte superior das costas".

 

Dicas para aproveitar a Páscoa sem prejudicar a pele:

  • Prefira chocolates amargos: com maior teor de cacau (acima de 70%), eles têm menos açúcar e propriedades antioxidantes que podem beneficiar a pele.
  • Moderação é a chave: evite exageros e intercale o consumo com alimentos anti-inflamatórios, como frutas vermelhas e castanhas.
  • Mantenha a rotina de cuidados: lave o rosto duas vezes ao dia com produtos suaves e não durma maquiada para evitar a obstrução dos poros.
  • Hidrate-se: a água ajuda a eliminar toxinas e mantém a pele equilibrada.


Tratamento 

Em relação ao cuidado da acne, existem uma série de alternativas e possibilidades. “Os procedimentos tópicos, que incluem produtos com ácido salicílico, peróxido de benzoíla, retinóides ou antibióticos, são eficazes para acne leve a moderada, ajudando a reduzir a inflamação e desobstruir os poros. Já em casos mais graves, o profissional pode prescrever medicamentos orais, como antibióticos ou contraceptivos hormonais, para regular os hormônios que podem estar contribuindo para a acne, até mesmo métodos a laser e terapias físicas”, explica. 

A dermatologista ainda reforça que é igualmente importante evitar espremer as espinhas, pois isso pode causar infecções e cicatrizes, visto que o ideal é deixar que as lesões cicatrizem naturalmente ou buscar ajuda profissional. 

“No entanto, para obter um diagnóstico preciso e um plano personalizado, é essencial se consultar com um profissional dermatológico, garantindo assim que a abordagem utilizada seja adequada à gravidade da acne”, conclui.


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