![]() |
No Dia mundial dos pais (01.06), especialistas explicam o fenômeno da Alienação parental e apontam 9 sinais de alerta
A Lei nº
12.318/2010 define a alienação parental como a interferência na formação
psicológica de crianças ou adolescentes causada por um dos responsáveis ou por
quem detenha sua guarda. Criada para coibir esse tipo de prática, a lei
reconhece que conflitos familiares podem afetar diretamente o desenvolvimento
emocional dos mais jovens. Por isso, prevê medidas que vão de advertência à
inversão da guarda, com o objetivo de garantir o direito à convivência
equilibrada e a um ambiente familiar saudável.
Na prática, porém,
identificar e enfrentar a alienação parental ainda é um desafio. O processo
exige análise cuidadosa das dinâmicas familiares e, muitas vezes, avaliações
psicológicas detalhadas. Isso porque, embora não seja um diagnóstico clínico, a
alienação parental pode gerar consequências profundas na saúde mental de
crianças e adolescentes, afetando autoestima, segurança emocional e capacidade
de estabelecer vínculos ao longo da vida. Em meio a disputas e rupturas, o
impacto vai além do contexto jurídico e reforça a necessidade de olhar para o
tema também como uma questão de saúde pública e bem-estar psicológico.
Para a Dra.
Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna,
a complexidade desses casos exige um olhar amplo e integrado. “Estamos lidando
com um fenômeno que envolve dimensões emocionais, cognitivas, jurídicas e
relacionais. Por isso, a atuação multiprofissional é fundamental”, explica.
Segundo ela, a intervenção precoce é decisiva para reduzir danos e evitar que
padrões disfuncionais se consolidem ao longo da vida.
Dra. Mariana
destaca que a criança tende a internalizar comportamentos e discursos dos pais,
o que pode afetar diretamente sua autoimagem. “Difamar a imagem de um dos
responsáveis não impacta apenas essa pessoa, mas também a construção do
autoconceito da criança, o que pode acarretar danos significativos”, afirma.
Nesse sentido, equipes formadas por psicólogos, assistentes sociais,
profissionais do Direito e educadores contribuem para uma abordagem mais assertiva
e centrada no bem-estar do menor.
A terapia, segundo
a especialista, funciona como um espaço seguro para que a criança ou
adolescente possa expressar sentimentos muitas vezes reprimidos ou distorcidos.
“O terapeuta não atua como julgador, mas como mediador da compreensão
emocional. Entre os objetivos estão fortalecer a autonomia emocional, trabalhar
a regulação de sentimentos como culpa e ansiedade e, quando possível, auxiliar na
reconstrução de vínculos familiares”, pontua.
Dr. Rodrigo
Eustáquio, médico e professor da pós-graduação em Psiquiatria da Afya
Vitória, reforça que os impactos podem ser profundos e duradouros. Crianças
expostas a rupturas forçadas de vínculo têm maior risco de desenvolver
transtornos de ansiedade, especialmente ansiedade de separação, além de
sintomas depressivos e dificuldades na formação de relações afetivas. “Você tem
um prejuízo no desenvolvimento da confiança interpessoal da criança, com colegas,
professores e até no contexto familiar”, explica. Segundo ele, esses efeitos
podem se estender até a vida adulta, influenciando a construção da identidade e
até favorecendo o desenvolvimento de transtornos de personalidade.
Dr. Rodrigo também
chama atenção para a necessidade de cautela na análise dos casos, especialmente
diante de situações mais graves. “A gente tem que ter prudência no diagnóstico
e enxergar as conclusões de forma responsável, com avaliação multidisciplinar e
escuta qualificada”, afirma. Ele ressalta que nem toda rejeição a um dos pais é
resultado de alienação parental, podendo estar associada a históricos de
negligência ou violência.
Apesar da
gravidade que alguns casos podem atingir, incluindo níveis extremos de ruptura
emocional, os especialistas são unânimes em afirmar que o foco deve estar
sempre na proteção da criança. Isso implica promover vínculos saudáveis,
reduzir conflitos e garantir que qualquer intervenção seja baseada em
evidências e conduzida com responsabilidade.
9
sinais de possível alienação parental, segundo especialistas
- Rejeição
intensa e sem justificativa clara em relação a um dos responsáveis
- Repetição
de falas negativas ou acusações com linguagem “adultizada”
- Polarização
afetiva, com um responsável visto como totalmente bom e o outro como
totalmente ruim
- Medo,
culpa ou ansiedade ao demonstrar afeto por um dos responsáveis
- Rompimento
abrupto de um vínculo que antes era saudável
- Dificuldade
em expressar sentimentos próprios sobre o conflito familiar
- Irritabilidade
ou mudanças de comportamento
- Alterações
no sono
- Queda
no rendimento escolar
www.afya.com.br
ir.afya.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário