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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Doença ocular ainda é pouco conhecida entre os jovens

Crédito: Isabelle Venceslau Um hábito bastante comum no ceracotone
 está diretamente associado ao agravamento do quadro: coçar os olhos
 oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho com paciente

Ceratocone pode comprometer a visão e costuma ser confundido com simples aumento de grau
 

Criada para conscientizar a população sobre o ceratocone e a importância do diagnóstico precoce, a campanha Junho Violeta vem ganhando espaço nos últimos anos entre entidades médicas e profissionais da oftalmologia. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a doença, que ainda é pouco conhecida pela população, apesar de atingir principalmente adolescentes e adultos jovens. O movimento também chama atenção para hábitos que podem agravar o quadro, como coçar os olhos com frequência. 

Alterações constantes no grau dos óculos, visão borrada e dificuldade para enxergar à noite podem ser sinais de ceratocone, doença ocular que afeta a córnea — estrutura transparente localizada na parte da frente do olho. Apesar de relativamente comum, a condição ainda costuma gerar dúvidas e, muitas vezes, demora para ser identificada. 

“O ceratocone é uma doença da córnea em que ela vai ficando mais fina e assumindo um formato irregular, parecido com um cone. Isso provoca distorção da visão e dificuldade para enxergar com qualidade”, explica o oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho. 

Segundo o especialista, um dos desafios é que os sintomas iniciais frequentemente são confundidos apenas com aumento do grau. “Muitos pacientes passam anos trocando os óculos sem imaginar que existe uma doença por trás dessa piora visual”, afirma. 

Entre os principais sinais de alerta estão visão embaçada, sensibilidade à luz, imagens duplicadas, dificuldade para dirigir à noite e mudanças frequentes na prescrição dos óculos. Em alguns casos, mesmo com correção, a visão continua insatisfatória. 


Crianças e adolescentes

O médico destaca que crianças e adolescentes também podem desenvolver a doença — e justamente nessa faixa etária ela tende a evoluir mais rapidamente. “Quanto mais jovem o paciente, maior costuma ser o risco de progressão. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, enfatiza. 

Além da predisposição genética, um hábito bastante comum está diretamente associado ao agravamento do quadro: coçar os olhos. “Hoje sabemos que o atrito repetitivo pode enfraquecer ainda mais a córnea e acelerar a evolução do ceratocone, principalmente em pessoas predispostas”, explica Dr. Rodrigo. Casos de rinite, alergias respiratórias e alergia ocular também merecem atenção, já que aumentam a coceira e, consequentemente, o atrito na região dos olhos. 

O diagnóstico é feito por meio de avaliação oftalmológica e exames específicos da córnea. Tecnologias mais modernas permitem identificar alterações precoces, antes mesmo de sintomas mais intensos aparecerem. “Com exames como a tomografia de córnea, conseguimos detectar sinais iniciais e acompanhar a progressão com muito mais precisão”, afirma. 

Atualmente, os tratamentos disponíveis permitem controlar a progressão da doença e preservar a qualidade visual na maioria dos casos. Dependendo do estágio, podem ser indicados óculos, lentes especiais, anéis intracorneanos e o crosslinking — procedimento que fortalece a córnea e ajuda a impedir a evolução do quadro.

“O principal objetivo do crosslinking é estabilizar a doença. Hoje, graças ao diagnóstico precoce e aos tratamentos modernos, conseguimos reduzir bastante a necessidade de transplante de córnea”, destaca o oftalmologista.  


Rodrigo T. de Campos Carvalho (CRM-SP107.838, RQE 37070) - médico formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, com residência em Oftalmologia pela Unicamp. Possui título de especialista pelo CNRM/MEC e pela Associação Médica Brasileira/Conselho Brasileiro de Oftalmologia, além de especialização em cirurgia refrativa pela USP. Atua há mais de duas décadas na área, com experiência clínica e cirúrgica, e é proprietário da Alpha Oftalmologia Avançada, em Campinas. Também desenvolve doutorado na área de cirurgia refrativa pela USP.


Alpha Oftalmologia
@dr_rodrigotccarvalho site


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