Grupo AllCross, maior rede de corretores de planos de saúde do Brasil, alerta que reajuste de 5,11% anunciado pela ANS se aplica apenas aos contratos individuais e familiares; especialista explica quem realmente será impactado e por que milhões de consumidores continuam expostos a aumentos sem limite definido pela agência reguladora
A decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
de autorizar reajuste máximo de 5,11% para os planos de saúde individuais e
familiares entre maio de 2026 e abril de 2027 trouxe alívio para parte dos
consumidores brasileiros. O índice é o menor aprovado pela agência nos últimos
anos e abaixo dos percentuais registrados recentemente pelo setor.
O que pouca gente sabe, porém, é que a regra vale para
uma parcela relativamente pequena dos beneficiários da saúde suplementar no
país. Segundo dados da própria ANS, o reajuste atinge cerca de 7,7 milhões de
pessoas, o equivalente a apenas 14,5% dos mais de 52 milhões de usuários de
planos de saúde no Brasil. Isso significa que mais de 85% dos consumidores
estão vinculados a contratos coletivos, empresariais ou por adesão, que não
seguem o teto definido pela agência reguladora.
Para o gerente de negócios do Grupo AllCross, Rogério
Moreira, a divulgação anual do índice costuma gerar uma falsa percepção de que
todos os consumidores serão impactados da mesma maneira.
“Quando a ANS divulga o reajuste, muitas pessoas
acreditam que aquele percentual vale para todos os planos de saúde. Mas a
realidade é diferente. A maior parte dos beneficiários está em contratos
coletivos, que seguem critérios próprios de reajuste previstos
contratualmente”, explica.
O especialista ressalta que a própria ANS não possui
prerrogativa legal para estabelecer um limite de reajuste para os contratos
coletivos, modalidade que atualmente concentra a maior parte dos usuários da
saúde suplementar no país.
“Existe uma percepção de proteção maior do que realmente
existe. Muita gente só descobre que está em um contrato coletivo quando recebe
o boleto reajustado”, afirma Moreira.
Reajuste não entra em vigor ao mesmo tempo para
todos os contratos
Outro ponto que costuma gerar dúvidas entre os
consumidores é o momento em que o novo percentual começa a ser aplicado. Segundo
a regulamentação da ANS, o reajuste só pode ser cobrado no mês de aniversário
de cada contrato.
Na prática, isso significa que nem todos os beneficiários
sentirão o impacto imediatamente após o anúncio da agência. Em alguns casos,
principalmente para contratos com aniversário nos meses de maio e junho, a
cobrança poderá ocorrer posteriormente, inclusive com previsão de
retroatividade autorizada pela regulamentação.
“Muitas pessoas acreditam que o reajuste começa a valer
imediatamente após o anúncio da ANS, mas isso depende da data de contratação do
plano. É importante que o consumidor acompanhe o contrato e confira se a
cobrança está sendo feita dentro das regras previstas”, orienta Moreira.
Mercado vive desaceleração dos reajustes após
anos de alta
O índice de 5,11% também chama atenção por representar
uma desaceleração gradual dos reajustes autorizados nos últimos anos. Em 2022,
o percentual aprovado pela ANS chegou a 15,5%. Depois, passou para 9,63%,
6,91%, 6,06% e agora 5,11%.
Para especialistas do setor, o movimento reflete uma
acomodação dos custos após o período de maior pressão registrado nos anos
posteriores à pandemia, quando houve aumento expressivo da utilização de
serviços médicos e hospitalares.
“O índice atual mostra uma redução da pressão sobre os
custos assistenciais em comparação aos últimos anos. Mas isso não significa,
necessariamente, que todos os consumidores terão aumentos menores,
principalmente nos contratos coletivos”, analisa o gerente de negócios do Grupo
AllCross.
Reajuste não acompanha apenas a inflação
Diferentemente de outros serviços, o reajuste dos planos
de saúde não considera apenas a inflação oficial do país. A metodologia
utilizada pela ANS leva em conta fatores como frequência de utilização dos
serviços médicos, exames, internações, procedimentos e despesas assistenciais
das operadoras.
“Muita gente compara o reajuste apenas com a inflação
tradicional, mas a dinâmica da saúde suplementar é diferente. O setor depende
diretamente do comportamento dos custos médicos e da utilização dos serviços
pelos beneficiários”, explica Moreira.
Consumidor precisa entender qual contrato
possui
Segundo o Grupo AllCross, um dos maiores problemas
enfrentados hoje pelos consumidores é o desconhecimento sobre o próprio tipo de
contratação. A falta de informação faz com que muitos usuários não saibam quais
regras realmente se aplicam ao seu plano de saúde.
“Antes de avaliar se o aumento foi alto ou baixo, o
consumidor precisa entender qual modalidade possui. Essa é uma informação
básica, mas que ainda gera muita confusão no mercado”, afirma o especialista.
Além do reajuste anual, Moreira lembra que muitos
contratos também sofrem alterações relacionadas à mudança de faixa etária, o
que pode elevar significativamente o valor da mensalidade ao longo dos anos.
bfg
Saúde suplementar vive transformação no Brasil
O mercado brasileiro de saúde suplementar atende
atualmente mais de 52 milhões de beneficiários e atravessa um período de
transformação impulsionado pelo envelhecimento da população, aumento dos custos
hospitalares e mudanças no perfil de consumo dos usuários.
Para Rogério Moreira, o debate sobre reajustes precisa
avançar além da simples divulgação dos percentuais anuais.
“O anúncio do reajuste da ANS gera repercussão nacional todos os anos, mas a principal dúvida continua sendo a mesma: quem realmente será impactado por esse índice? A maior parte dos consumidores descobre apenas na hora de receber o boleto que está em uma modalidade completamente diferente da que imaginava”, conclui.
Grupo AllCross
www.allcross.com.br
@grupo.allcross

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