O fumo já é responsável por pelo menos 14 tipos de câncer, mas as consequências podem ir muito além do surgimento de tumores, inclusive em não-fumantes
O Brasil registrou pela primeira vez desde 2007 um aumento no número de fumantes adultos, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas, o que mais chamou atenção nesse levantamento, foi a proporção de aumento entre as mulheres (crescimento de mais de 2%), que também são as maiores consumidoras dos cigarros eletrônicos. De acordo com um estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país gasta anualmente mais de R$67 bilhões com despesas médicas relacionadas a doenças causadas pelo tabagismo.
Sabe-se que qualquer forma de tabaco expõe o corpo a componentes
tóxicos. Um exemplo disso, é que apenas um único cigarro pode conter mais de 4
mil substâncias tóxicas, muitas delas com ação cancerígena. A fumaça que libera
esses agentes, seja no ar ou no organismo, tem poder de causar danos a vários
órgãos, gerando doenças que vão muito além do câncer de pulmão, o 3º tumor mais
frequente em homens e 4º em mulheres no país.
O Dr. Helano Freitas, oncologista e vice-líder do centro de
referência em tumores de pulmão do A.C.Camargo Cancer Center destaca o passo a
passo do percurso da fumaça pelo corpo e seus impactos no organismo. “Todos os
órgãos que têm contato direto com a fumaça e os componentes tóxicos do tabaco
estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de um câncer”, afirma.
O caminho da fumaça
A fumaça do cigarro percorre um caminho destrutivo pelo organismo e deixa marcas desde o primeiro contato. Segundo especialistas, a boca é a porta de entrada dessa agressão: dentes amarelados, manchas, mau hálito, predisposição a cáries e risco elevado de câncer de lábios, boca e língua estão entre os primeiros efeitos visíveis.
Na sequência, a fumaça atinge faringe e laringe, podendo causar inflamações como faringite e laringite, além de aumentar a probabilidade de tumores nessas regiões. Já nos pulmões, o impacto é ainda mais severo: cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente ligados ao tabagismo. As substâncias tóxicas inaladas, entre elas: aminas aromáticas, nitrosaminas e metais pesados como cádmio e chumbo, entram na corrente sanguínea, passam pelo fígado e seguem para os rins e bexiga, ampliando a predisposição a tumores urológicos.
Além das doenças pulmonares graves, como enfisema, bronquite e pneumonia, o tabaco também é um fator determinante para doenças cardiovasculares. A nicotina chega ao coração e ao cérebro em segundos, elevando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Parte da fumaça é deglutida com a saliva, expondo estômago e intestinos. Nesse processo, aumentam-se espécies reativas de oxigênio, responsáveis por danos ao DNA e inflamação crônica, que favorecem cânceres do estômago e do pâncreas. O tabaco ainda altera a flora intestinal, estimulando bactérias pró-inflamatórias e a formação de metabólitos carcinogênicos.
“O tempo de exposição ao tabagismo é um fator crucial. Quanto mais
se fuma, mais substâncias se acumulam, atacando órgãos e contribuindo para a
transformação de células normais em células cancerígenas”, explica o
oncologista.
Fumo passivo também é perigoso
O
perigo não se restringe apenas a quem fuma. A exposição ambiental à fumaça do
tabaco aumenta em 20 a 30% o risco de câncer e em 25 a 30% o risco de doenças
cardiovasculares, segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC). A
Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o fumo passivo é responsável por
mais de 8 milhões de mortes por ano, atingindo principalmente mulheres.
A.C.CAMARGO CANCER CENTER
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