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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Conheça o caminho que a fumaça do tabaco percorre no corpo e os riscos a diferentes órgãos

O fumo já é responsável por pelo menos 14 tipos de câncer, mas as consequências podem ir muito além do surgimento de tumores, inclusive em não-fumantes

 

O Brasil registrou pela primeira vez desde 2007 um aumento no número de fumantes adultos, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas, o que mais chamou atenção nesse levantamento, foi a proporção de aumento entre as mulheres (crescimento de mais de 2%), que também são as maiores consumidoras dos cigarros eletrônicos. De acordo com um estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país gasta anualmente mais de R$67 bilhões com despesas médicas relacionadas a doenças causadas pelo tabagismo. 

Sabe-se que qualquer forma de tabaco expõe o corpo a componentes tóxicos. Um exemplo disso, é que apenas um único cigarro pode conter mais de 4 mil substâncias tóxicas, muitas delas com ação cancerígena. A fumaça que libera esses agentes, seja no ar ou no organismo, tem poder de causar danos a vários órgãos, gerando doenças que vão muito além do câncer de pulmão, o 3º tumor mais frequente em homens e 4º em mulheres no país. 

O Dr. Helano Freitas, oncologista e vice-líder do centro de referência em tumores de pulmão do A.C.Camargo Cancer Center destaca o passo a passo do percurso da fumaça pelo corpo e seus impactos no organismo. “Todos os órgãos que têm contato direto com a fumaça e os componentes tóxicos do tabaco estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de um câncer”, afirma.

 

O caminho da fumaça

A fumaça do cigarro percorre um caminho destrutivo pelo organismo e deixa marcas desde o primeiro contato. Segundo especialistas, a boca é a porta de entrada dessa agressão: dentes amarelados, manchas, mau hálito, predisposição a cáries e risco elevado de câncer de lábios, boca e língua estão entre os primeiros efeitos visíveis. 

Na sequência, a fumaça atinge faringe e laringe, podendo causar inflamações como faringite e laringite, além de aumentar a probabilidade de tumores nessas regiões. Já nos pulmões, o impacto é ainda mais severo: cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente ligados ao tabagismo. As substâncias tóxicas inaladas, entre elas: aminas aromáticas, nitrosaminas e metais pesados como cádmio e chumbo, entram na corrente sanguínea, passam pelo fígado e seguem para os rins e bexiga, ampliando a predisposição a tumores urológicos. 

Além das doenças pulmonares graves, como enfisema, bronquite e pneumonia, o tabaco também é um fator determinante para doenças cardiovasculares. A nicotina chega ao coração e ao cérebro em segundos, elevando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Parte da fumaça é deglutida com a saliva, expondo estômago e intestinos. Nesse processo, aumentam-se espécies reativas de oxigênio, responsáveis por danos ao DNA e inflamação crônica, que favorecem cânceres do estômago e do pâncreas. O tabaco ainda altera a flora intestinal, estimulando bactérias pró-inflamatórias e a formação de metabólitos carcinogênicos. 

“O tempo de exposição ao tabagismo é um fator crucial. Quanto mais se fuma, mais substâncias se acumulam, atacando órgãos e contribuindo para a transformação de células normais em células cancerígenas”, explica o oncologista.

 

Fumo passivo também é perigoso

O perigo não se restringe apenas a quem fuma. A exposição ambiental à fumaça do tabaco aumenta em 20 a 30% o risco de câncer e em 25 a 30% o risco de doenças cardiovasculares, segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC). A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o fumo passivo é responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano, atingindo principalmente mulheres.

  

A.C.CAMARGO CANCER CENTER

 

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