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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Com nova NR-1, comunicação ajuda a enfrentar riscos no ambiente de trabalho

Norma amplia foco exige que empresas transformem canais formais em práticas efetivas 


A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia as exigências sobre Segurança e Saúde no Trabalho, coloca a comunicação no centro das estratégias corporativas ao incluir os riscos psicossociais na gestão das empresas. As novas diretrizes passaram a valer a partir do dia 26 de maio e exigem das organizações não apenas adequação técnica, mas também coerência entre discurso e prática no cotidiano. Para Vivian Rio Stella, pós-doutora em Linguística, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker, o desafio está justamente nessa integração.

“A comunicação não resolve as questões de saúde mental, mas ela pode ser um sintoma e, muitas vezes, um intensificador”, afirma Vivian. “A NR-1 amplificou a atenção das organizações para questões psicossociais que sempre estiveram presentes no trabalho, como conflitos interpessoais, insegurança nas relações profissionais e pressão excessiva”, completa.

A norma, revisada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, passa a exigir que empresas identifiquem e monitorem fatores como sobrecarga e assédio, além de estruturar mecanismos de resposta e acompanhamento. A relevância do tema não é restrita ao Brasil. Um estudo global da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado em 2026, aponta que mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de problemas de saúde relacionados a riscos psicossociais, como longas jornadas, insegurança no emprego e assédio no ambiente de trabalho.

Nesse cenário, a comunicação deixa de ser apenas suporte operacional e assume um papel estruturante, uma vez que é por meio dela que os riscos se tornam visíveis, são relatados e, muitas vezes, manifestam-se no ambiente de trabalho.

“Recebemos muitas demandas para resolver um suposto problema de comunicação, e o diagnóstico revela questões muito mais profundas. As formas como as pessoas se comunicam evidenciam o que está desorganizado no trabalho”, pontua.

Na prática, canais de escuta, registros de ações de capacitação e meios para que colaboradores possam reportar situações de assédio ou sobrecarga ganham destaque. Esse movimento fortalece a comunicação, essencial para atender às exigências da norma, mas também pode expor a distância entre o que está documentado e o que acontece no dia a dia.

“A NR-1 está fazendo com que as empresas adotem ferramentas para sinalizar se as pessoas estão bem ou não, para reportar casos de assédio ou sobrecarga”, explica. “Mas o quanto isso está, muitas vezes, na formalização para atender a uma norma? E como isso se sustenta nas práticas cotidianas?”, questiona.

Com a NR-1 em vigor e a fiscalização prevista para avançar após um período inicial de orientação, as empresas entram em uma fase decisiva que é transformar exigências regulatórias em práticas consistentes.

 

Vivian Rio Stella - doutora em Linguística pela Unicamp, pós-doutora pela PUC-SP, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker. Colunista da revista Você RH e professora da Fundação Dom Cabral, Escola Aberje e de curso de comunicação na Audible/Casa do Saber, Vivian é reconhecida por sua abordagem humanista, crítica e contextual, que foca na comunicação para promover colaboração, respeito e diálogo nas organizações. Ao longo dessa jornada, já realizou palestras, workshops e consultorias para mais de 300 empresas de diferentes portes e setores.

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