Norma amplia foco
exige que empresas transformem canais formais em práticas efetivas
A atualização da Norma Regulamentadora
nº 1 (NR-1), que amplia as exigências sobre Segurança e Saúde no Trabalho,
coloca a comunicação no centro das estratégias corporativas ao incluir os
riscos psicossociais na gestão das empresas. As novas diretrizes passaram a
valer a partir do dia 26 de maio e exigem das organizações não apenas adequação
técnica, mas também coerência entre discurso e prática no cotidiano. Para
Vivian Rio Stella, pós-doutora em Linguística, idealizadora da VRS Academy e
TEDx Speaker, o desafio está justamente nessa integração.
“A comunicação não resolve as questões
de saúde mental, mas ela pode ser um sintoma e, muitas vezes, um
intensificador”, afirma Vivian. “A NR-1 amplificou a atenção das organizações
para questões psicossociais que sempre estiveram presentes no trabalho, como
conflitos interpessoais, insegurança nas relações profissionais e pressão
excessiva”, completa.
A norma, revisada pelo Ministério do
Trabalho e Emprego, passa a exigir que empresas identifiquem e monitorem
fatores como sobrecarga e assédio, além de estruturar mecanismos de resposta e
acompanhamento. A relevância do tema não é restrita ao Brasil. Um estudo global
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado em 2026, aponta que
mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de problemas de
saúde relacionados a riscos psicossociais, como longas jornadas, insegurança no
emprego e assédio no ambiente de trabalho.
Nesse cenário, a comunicação deixa de
ser apenas suporte operacional e assume um papel estruturante, uma vez que é
por meio dela que os riscos se tornam visíveis, são relatados e, muitas vezes,
manifestam-se no ambiente de trabalho.
“Recebemos muitas demandas para
resolver um suposto problema de comunicação, e o diagnóstico revela questões
muito mais profundas. As formas como as pessoas se comunicam evidenciam o que
está desorganizado no trabalho”, pontua.
Na prática, canais de escuta, registros
de ações de capacitação e meios para que colaboradores possam reportar
situações de assédio ou sobrecarga ganham destaque. Esse movimento fortalece a
comunicação, essencial para atender às exigências da norma, mas também pode
expor a distância entre o que está documentado e o que acontece no dia a dia.
“A NR-1 está fazendo com que as
empresas adotem ferramentas para sinalizar se as pessoas estão bem ou não, para
reportar casos de assédio ou sobrecarga”, explica. “Mas o quanto isso está,
muitas vezes, na formalização para atender a uma norma? E como isso se sustenta
nas práticas cotidianas?”, questiona.
Com a NR-1 em vigor e a fiscalização
prevista para avançar após um período inicial de orientação, as empresas entram
em uma fase decisiva que é transformar exigências regulatórias em práticas
consistentes.
Vivian Rio Stella - doutora em Linguística pela Unicamp, pós-doutora pela PUC-SP, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker. Colunista da revista Você RH e professora da Fundação Dom Cabral, Escola Aberje e de curso de comunicação na Audible/Casa do Saber, Vivian é reconhecida por sua abordagem humanista, crítica e contextual, que foca na comunicação para promover colaboração, respeito e diálogo nas organizações. Ao longo dessa jornada, já realizou palestras, workshops e consultorias para mais de 300 empresas de diferentes portes e setores.
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