O Brasil ainda é o país das oportunidades? Notícias sobre demissões em massa, instabilidade econômica, guerras e redução de investimentos passaram a se tornar constantes, criando um contraste no mercado: de um lado, áreas que enfrentam desaceleração, cortes e retração; enquanto, do outro, vemos empresas em uma corrida ativa por talentos qualificados e vagas abertas. Em meio a esse cenário, uma percepção ganha força: as oportunidades continuam existindo — mas, nem sempre, onde costumavam estar.
A expansão de mercados, inovação tecnológica,
mudanças demográficas e novas prioridades de investimento movimentam,
constantemente, o mercado global. A ascensão e queda de setores sempre fizeram
parte da economia, o que tornou a capacidade de leitura de cenário e
criatividade de adequação pelos profissionais algumas das habilidades
mais essenciais para que consigam surfar essas ondas e continuar explorando
essas oportunidades.
O relatório “Future of Jobs 2025”, do World
Economic Forum, comprova essa realidade: segundo seus dados, até 2030,
estima-se que haverá uma transformação equivalente a 22% dos empregos atuais. A
projeção é de 170 milhões de novos postos criados, além de 92 milhões que serão
eliminados, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos
globalmente.
Crises externas e inerentes ao empresário sempre
existirão. O que fará a diferença entre aqueles que continuam prosperando e os
que acabam perdendo espaço será sua capacidade de elasticidade e flexibilidade,
através de um mindset aberto a explorar novas
perspectivas profissionais. Do contrário, se lamentar pelos momentos de
instabilidade apenas fará com que fiquem para trás na corrida da
prosperidade corporativa.
O avanço da inteligência artificial talvez seja o
exemplo mais claro de como a migração de capital redefine oportunidades
profissionais. Ao mesmo tempo em que a IA vem acelerando ganhos de
produtividade e criando funções — de especialistas em IA generativa, a
engenheiros de prompts e líderes de estratégia nessa tecnologia — ela também
reduz a demanda por atividades repetitivas e operacionais. Seu impacto,
contudo, não ocorre de forma homogênea.
Empresas e regiões com maior investimento nessa
solução tendem a capturar mais crescimento, enquanto mercados com baixa adoção
enfrentam riscos de perda de competitividade. O mesmo estudo do Fórum
Econômico Mundial, como prova disso, também apontou que 60% dos
empregadores esperam que o avanço digital transforme seus negócios até
2030, com a IA e Big Data aparecendo como as competências de crescimento
mais acelerado no mundo. Além disso, cerca de 40% das habilidades
exigidas no trabalho devem mudar até o fim da década, tornando a
requalificação das skills uma necessidade
estratégica.
Em outras palavras, apesar de a IA ter otimizado
certas funções, também reorganizou o valor do trabalho humano, impulsionando a
criação de novas competências para sustentar a produtividade em uma economia
cada vez mais híbrida entre pessoas e tecnologia. As mudanças sempre
ocorrerão, e cabe a cada um de nós escolher como lidar com elas: se vitimizando,
se adaptando ao cenário ou promovendo o futuro, sendo agentes e provocadores
das transformações do mercado.
Nenhum profissional estará sempre preparado e
capacitado para lidar com qualquer imprevisto. Mas, aqueles que estiverem
abertos a buscar conhecimento, contratar talentos qualificados para somarem aos
processos, e que tenham sempre uma dose de humildade para assumir que precisará
de aprimoramento contínuo, terão um conjunto de ações necessárias para que não
se percam mesmo diante de uma eventual tempestade.
Wide
https://wide.works/
Nenhum comentário:
Postar um comentário