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Principal exame de triagem neonatal, o Teste do Pezinho ajuda a detectar, nos
primeiros dias de vida, doenças que podem evoluir sem sintomas aparentes e
causar complicações graves ao recém-nascido. Neste mês, a questão é reforçada
no Dia Nacional do Teste do Pezinho, em 6 de junho, data instituída pela Lei nº
11.605/2007, cujo objetivo é chamar a atenção da sociedade para a importância
da realização do exame em todos os recém-nascidos.
Quando realizado no prazo
recomendado, o exame permite antecipar cuidados, iniciar o tratamento adequado
e reduzir riscos de sequelas e mortalidade. A cobertura do Programa Nacional de
Triagem Neonatal no Brasil foi de 82,69%, segundo o Ministério da Saúde.
“O Teste do Pezinho é um exame
simples, rápido e de grande impacto para a saúde do recém-nascido. Muitas
doenças identificadas por ele não apresentam sinais logo após o nascimento, mas
podem comprometer o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança se não
forem tratadas precocemente”, explica a pediatra do Complexo Hospitalar Santa
Casa de Bragança Paulista, Dra. Amanda Sereno.
O exame rastreia doenças como
fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras
hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência
de biotinidase e toxoplasmose congênita.
Essas condições exigem atenção
porque podem causar complicações graves quando não diagnosticadas cedo. A
fenilcetonúria, por exemplo, pode afetar o desenvolvimento neurológico se não
houver controle alimentar adequado. O hipotireoidismo congênito pode
comprometer o crescimento e o desenvolvimento do bebê. A doença falciforme pode
provocar anemia grave, crises de dor e infecções. Já a fibrose cística afeta
principalmente os pulmões e o sistema digestivo.
Outras doenças também podem
evoluir rapidamente. A hiperplasia adrenal congênita pode causar desidratação
intensa e alterações hormonais importantes. A deficiência de biotinidase pode
levar a convulsões, alterações de pele e prejuízos neurológicos. A toxoplasmose
congênita pode comprometer a visão e o sistema nervoso central.
“Quando uma alteração é
identificada logo no início da vida, conseguimos agir antes que a doença
provoque danos mais graves. Esse é o grande valor do Teste do Pezinho:
antecipar o cuidado”, afirma a Dra. Amanda.
A coleta é feita com uma
pequena amostra de sangue retirada do calcanhar do bebê. O material é enviado
para análise em laboratório. A recomendação é que o exame seja realizado a
partir de 48 horas após o nascimento até o 5º dia de vida.
“O prazo é muito importante
porque algumas doenças podem evoluir rapidamente. Por isso, a orientação é que
os responsáveis realizem o exame dentro do período indicado”, destaca a médica.
Testes ampliados também estão disponíveis
na Santa Casa
O Teste do Pezinho pode ser
realizado gratuitamente por meio do SUS, conforme o Programa Nacional de Triagem
Neonatal.
Além da versão oferecida pelo
sistema público, o laboratório do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança
Paulista disponibiliza, de forma particular, versões ampliadas do exame, com
diferentes níveis de abrangência. Entre as opções estão o teste básico, que rastreia
12 doenças; o novo ampliado, com 59 doenças; o novo expandido, com 94 doenças;
e o perfil Nova Era, que rastreia mais de 300 condições.
As versões pagas permitem que
os responsáveis escolham, com orientação médica, uma triagem mais ampla, de
acordo com as necessidades da família e a avaliação de risco para o
recém-nascido.
A pediatra reforça que um
resultado alterado no Teste do Pezinho não significa, necessariamente,
diagnóstico confirmado. Nesses casos, o bebê deve passar por exames complementares
e acompanhamento especializado.
“A triagem neonatal é uma
ferramenta simples, acessível e extremamente eficaz. Quanto mais cedo uma
condição é detectada, maiores são as chances de tratamento e de qualidade de
vida para o bebê”, conclui a Dra. Sereno.

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