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terça-feira, 2 de junho de 2026

Entenda por que a cadeira do dentista se tornou uma das linhas de defesa contra doenças crônicas

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Estudo revela que inflamações na gengiva elevam em 26% o risco de diabetes e em 18% o de problemas cardíacos, reforçando a importância do acompanhamento preventivo. 

 

No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes e problemas cardiovasculares, foram responsáveis por 41,8% das mortes prematuras em 2019, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com estudo realizado pela Universidade de Birmingham e NIHR Birmingham Biomedical Research Centre, pacientes com histórico de doença periodontal têm 26% mais probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 e 18% mais chances de apresentar doenças cardiovasculares. 

Daniela Lopes do Vale, coordenadora Técnico Comercial da Care Plus Clinic, explica que existe uma relação de mão dupla entre a saúde bucal e as DCNTs. “Da mesma forma que algumas patologias apresentam sinais odontológicos, infecções bucais podem agir como foco inflamatório e agravar doenças sistêmicas”, afirma. 

Segundo ela, alterações na boca, muitas vezes vistas como problemas isolados, podem sinalizar desequilíbrios e processos inflamatórios em curso no organismo. Nesse contexto, o acompanhamento odontológico torna-se essencial também para monitorar a saúde e atuar de forma preventiva e personalizada, funcionando como até mesmo um pilar da atenção primária. 

A prevenção de doenças crônicas está diretamente ligada aos hábitos adotados no dia a dia. Cultivar práticas saudáveis no cuidado bucal se torna uma verdadeira blindagem para o corpo como um todo. 

A especialista desmistifica algumas percepções do senso comum para auxiliar na identificação de sinais que merecem atenção:

 

“Gengiva sangrando é apenas sinal de que escovei com muita força” - embora a força possa machucar, o sangramento frequente é o corpo avisando que há uma inflamação ativa. Segundo Daniela, o sangramento indica que a barreira de defesa da boca está "rompida", permitindo que bactérias entrem na corrente sanguínea e iniciem processos inflamatórios que impactam todo o organismo.

 

“Se eu não sinto dor, é porque meus dentes e gengiva estão saudáveis” - muitas doenças periodontais graves são silenciosas e não causam dor em estágios iniciais. “Elas mantêm o organismo em um estado de inflamação constante que pode sabotar o controle da glicose em diabéticos ou elevar marcadores inflamatórios no sistema cardiovascular sem que o paciente sinta nada”, explica a especialista.

 

“Estou com mau hálito porque não escovei os dentes direito” - embora a higiene seja fundamental, o mau hálito persistente é um sinal de alerta que vai muito além da escovação. De acordo com Daniela, ele pode indicar desde infecções gengivais ocultas até problemas digestivos, renais ou metabólicos. “Ignorar o hálito é ignorar um aviso de que o equilíbrio do corpo está comprometido”, afirma ela.

 

“Diabetes se controla apenas com dieta e insulina” - é exatamente o contrário. Daniela explica que infecções na gengiva aumentam a resistência à insulina, dificultando o controle do açúcar no sangue. Na prática, manter a saúde bucal ajuda o organismo a responder melhor aos medicamentos, tornando o tratamento médico muito mais eficaz.

 

“Perder dentes é uma consequência natural do envelhecimento” - a perda dentária é causada por doenças acumuladas e não tratadas - como a periodontite -, e não pela idade avançada. “Manter o acompanhamento preventivo preserva a função mastigatória e evita que a falta de dentes gere novos problemas de saúde, como deficiências nutricionais e anemia”, explica a especialista.

 

 Care Plus

 


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