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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Mudança de regras na Reforma Tributárias

Reforma Tributária muda regras e desafia varejo a aproveitar créditos fiscais Especialista explica como o novo modelo tributário amplia a importância da gestão fiscal e da recuperação de créditos para reduzir custos e aumentar a competitividade das empresas

 

Muitos microempreendedores ainda acreditam que determinados produtos podem ser comercializados sem qualquer incidência de impostos. A realidade, no entanto, é mais complexa. Não existe uma regra geral de "isenção total". O que há são tratamentos diferenciados previstos em lei, como alíquota zero, redução de base de cálculo, diferimento e regimes especiais aplicados a segmentos específicos. 

Desde a Lei nº 13.097/2015, varejistas de bebidas frias, incluindo optantes pelo Simples Nacional, podem ter direito à alíquota zero de PIS/PASEP e COFINS. Isso significa que não há incidência dessas contribuições sobre as receitas de venda de produtos como cervejas, refrigerantes e águas. 

Para a estrategista financeira e contadora pericial Karol Dapousa, o momento exige atenção redobrada dos pequenos empresários. "O empresário precisa entender que não basta olhar para quanto paga de tributo, mas também para o quanto consegue recuperar por meio dos créditos. A gestão correta é o que garante competitividade", afirma. 

Com a Reforma Tributária, aprovada recentemente, o foco deixa de ser apenas a concessão de benefícios fiscais e passa também para o aproveitamento dos créditos tributários. Na prática, cada nota fiscal de compra poderá gerar crédito para abatimento do imposto devido nas vendas, desde que observadas as regras previstas na legislação. 

A legislação prevê tratamento diferenciado para diversos setores. Itens da cesta básica, medicamentos, produtos de saúde e educação estão entre os mais conhecidos. Além disso, empresas como restaurantes, padarias, bares, hotéis, supermercados e minimercados podem identificar oportunidades de recuperação de créditos relacionados a produtos sujeitos ao regime monofásico de PIS e COFINS, como as bebidas frias. 

Segundo Dapousa, os erros mais comuns entre empresários estão relacionados à falta de controle do fluxo de caixa, à ausência de planejamento financeiro, à precificação inadequada e à dificuldade em acompanhar indicadores de desempenho. "Essas falhas comprometem a tomada de decisões, reduzem a lucratividade e podem levar a empresa a enfrentar sérios problemas de caixa, mesmo quando as vendas estão em alta", alerta. 

A especialista destaca que uma análise financeira periódica é essencial para a sustentabilidade do negócio. "Quando o empresário acompanha indicadores, projeta o fluxo de caixa, analisa custos e margens de lucro e utiliza informações financeiras confiáveis, consegue tomar decisões mais estratégicas, reduzir desperdícios, melhorar a rentabilidade e garantir um crescimento saudável da empresa", explica. 

Karol Dapousa recomenda que os empresários mantenham o cadastro fiscal atualizado, revisem periodicamente a NCM dos produtos, confiram todas as notas fiscais e acompanhem as mudanças na legislação. Além disso, sugere a realização de revisões tributárias preventivas. "Muitas empresas pagaram PIS e COFINS indevidamente sobre produtos sujeitos ao regime monofásico. A recuperação tributária é um direito do contribuinte, desde que baseada na legislação vigente e realizada após análise técnica individualizada", conclui.  



Anna Karolina Dapousa Pinto - formada em Ciências Contábeis pela Universidade Metropolitana de Santos em 2009, especializada em Perícia Judicial e Extrajudicial em 2011 e Mestre em Administração Empresarial com foco em Controladoria em 2019. Possui vasto conhecimento na área financeira, administrativa e RH.


A prevenção como eixo central da formação dos profissionais da saúde

A prevenção é um dos pilares da medicina moderna e desempenha papel fundamental na construção de uma sociedade mais saudável. Mais do que tratar doenças, os profissionais da saúde são chamados a atuar na promoção da qualidade de vida, incentivando hábitos saudáveis e contribuindo para que os problemas de saúde sejam evitados antes mesmo de surgirem.

Esse compromisso começa na formação dos futuros profissionais. As universidades têm a missão de preparar médicos capazes de enxergar o paciente de forma integral, compreendendo que fatores como alimentação, atividade física, saúde mental, vacinação e acompanhamento periódico influenciam diretamente na prevenção de doenças e na promoção do bem-estar.

Cada consulta representa uma oportunidade de orientar, esclarecer dúvidas e incentivar hábitos mais saudáveis. Por isso, o médico não deve ser visto apenas como o profissional que atua diante da doença instalada, mas como um agente de educação em saúde, capaz de estimular escolhas que impactam positivamente a vida das pessoas.

Essa visão exige uma formação que vá além do domínio técnico. É fundamental desenvolver competências como empatia, comunicação e trabalho em equipe, além de proporcionar aos estudantes experiências junto à atenção primária e às comunidades desde os primeiros anos da graduação. Esse contato aproxima o futuro médico da realidade da população e evidencia que prevenir é, muitas vezes, tão importante quanto tratar.

Ao mesmo tempo, a evolução da tecnologia amplia as possibilidades da medicina preventiva. Ferramentas digitais, inteligência artificial e análise de dados permitem identificar fatores de risco com maior precisão e acompanhar pacientes de forma mais eficiente. No entanto, nenhuma inovação substitui o olhar humano, a escuta qualificada e a relação de confiança entre profissional e paciente.

Também é importante compreender que a prevenção é resultado de um trabalho multiprofissional. Médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais atuam de forma integrada para promover saúde e melhorar a qualidade de vida da população.

Fortalecer uma cultura de prevenção significa investir em conhecimento, conscientização e cuidado contínuo. Formar profissionais preparados para promover saúde, orientar a população e atuar de forma humanizada é um compromisso das instituições de ensino e uma necessidade para uma sociedade que busca viver mais e melhor. Afinal, a medicina alcança seu maior propósito quando contribui para que as pessoas precisem adoecer cada vez menos. 



Dr. Vilson Campos - coordenador do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco.

Vilson Campos - médico especialista em Geriatria e Gerontologia e coordenador do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco.

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Cinco dicas para economizar na viagem para o exterior sem comprometer a experiência

Magnific 
Modelo low cost, planejamento de roteiro e atenção aos detalhes ajudam viajantes a encontrar alternativas mais acessíveis para conhecer novos destinos

 

Viajar para o exterior deixou de ser um objetivo distante para muitos brasileiros, mas o planejamento continua sendo um dos principais fatores para manter o orçamento sob controle. A escolha do destino, a compra antecipada das passagens, a cotação da moeda e até a quantidade de bagagem podem impactar significativamente o custo final da viagem. 

Nesse cenário, modelos de negócios como o das companhias aéreas low cost ganharam espaço ao oferecer tarifas mais acessíveis para passageiros que buscam flexibilidade e desejam pagar apenas pelos serviços que realmente utilizam. 

"Economizar em uma viagem não significa gastar menos com tudo, mas sim fazer escolhas mais inteligentes. Viajar com tarifas baixas é uma dessas escolhas: ao pagar menos pela passagem, o viajante tem mais orçamento disponível para investir no que realmente faz diferença na sua experiência. Um bom planejamento, aliado à escolha de uma companhia aérea reconhecida pelo custo-benefício, permite aproveitar melhor o destino sem abrir mão da segurança nem da qualidade da viagem", explica Verónica Marambio, Gerente Comercial de Mercados Internacionais e Desenvolvimento Regional da JetSMART. 

Pensando nisso, a Companhia JetSMART separou cinco dicas para economizar no planejamento da viagem internacional sem impactar o bom roteiro e as experiências memoráveis.
 

1. Escolha destinos onde o orçamento rende mais

Antes de definir o roteiro, vale considerar não apenas o preço da passagem, mas também o custo de vida no destino. Em cidades como Buenos Aires, Santiago e Assunção, por exemplo, o valor gasto com hospedagem, alimentação e deslocamentos pode variar bastante em relação a outros destinos internacionais. Por isso, pesquisar esses custos com antecedência é uma forma de montar um roteiro mais alinhado ao orçamento disponível.
 

2. Entenda como funcionam as tarifas das companhias aéreas

Nem todo viajante precisa dos mesmos serviços durante um voo. O modelo low cost, consolidado há décadas na Europa, se caracteriza por oferecer tarifas mais econômicas por meio da personalização da experiência: o passageiro paga a passagem e adiciona apenas os serviços que precisa, de acordo com seu perfil e tipo de viagem. 

Nos últimos anos, o modelo de ultrabaixo custo vem se consolidando na América Latina, com a expansão de companhias como a JetSMART para novos mercados, incluindo o Brasil. Esse cenário acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores brasileiros, que passaram a priorizar flexibilidade, custo-benefício e autonomia na hora de viajar, sem abrir mão da segurança nem da qualidade da experiência. 

"A proposta do modelo low cost é dar ao passageiro a liberdade de montar a viagem de acordo com as suas necessidades. Há pessoas que fazem viagens curtas, levam apenas uma bagagem de mão e não precisam de serviços adicionais. Outras preferem incluir despacho de bagagem ou escolher o assento. Esse modelo permite que cada viajante pague apenas pelo que realmente vai utilizar, tornando a experiência mais personalizada e eficiente", explica Verónica Marambio, da JetSMART.
 

3. Planeje a mala pensando no roteiro da viagem

Um dos principais hábitos de quem viaja com frequência é organizar a bagagem de acordo com o roteiro, e não levar um item para cada ocasião. Antes de fazer as malas, vale consultar a previsão do tempo, montar combinações de roupas que possam ser reutilizadas durante a viagem e priorizar peças versáteis. Além de facilitar os deslocamentos, essa organização ajuda a evitar gastos desnecessários com bagagem despachada. 

"Nem toda viagem exige uma mala grande. Em muitos roteiros de poucos dias, é possível levar apenas uma bagagem de mão com tudo o que será utilizado. O importante é planejar a mala com antecedência. Quem pretende fazer compras no destino, por exemplo, pode optar por viajar apenas com a bagagem incluída na tarifa e, caso necessário, contratar o despacho de bagagem apenas para o voo de volta. Essa flexibilidade permite que cada passageiro personalize a experiência de acordo com o seu perfil e com o orçamento disponível", pontua a especialista.
 

4. Use a tecnologia para planejar um roteiro mais inteligente

Antes de embarcar, vale dedicar um tempo à organização do roteiro. Hoje, existem aplicativos de planejamento de viagens que permitem reunir reservas, criar um cronograma diário, organizar atrações por proximidade e calcular o tempo de deslocamento entre os pontos turísticos. Essa organização ajuda o viajante a otimizar os trajetos, reduzir gastos com transporte e aproveitar melhor o tempo no destino. Também é uma oportunidade para pesquisar ingressos antecipados, identificar dias com entrada gratuita em museus e atrações culturais e planejar os melhores locais para comer nas proximidades.
 

5. Acompanhe o câmbio e defina a melhor forma de pagamento

Além de acompanhar a cotação da moeda antes da viagem, vale pesquisar se o destino oferece benefícios para turistas estrangeiros. Chile e Uruguai, por exemplo, concedem isenção de IVA (imposto sobre valor agregado) em hospedagens para visitantes internacionais que atendem aos requisitos locais. Já a Argentina e o Chile contam com programas de tax free shopping, que permitem ao turista solicitar a devolução de parte dos impostos pagos em compras realizadas durante a viagem. 

Também é importante avaliar qual é a forma de pagamento mais vantajosa — dinheiro em espécie, cartão internacional ou conta global — considerando as regras e as taxas aplicadas em cada destino. Esse planejamento pode representar uma economia significativa no orçamento final da viagem.



JetSMART Airlines
www.jetsmart.com


Eleições 2026: Sebrae lança guia com propostas para candidatos apoiarem o empreendedorismo

Material traz experiências bem-sucedidas de incentivo ao empreendedorismo. A iniciativa aponta o contexto atual, os resultados esperados e projetos que podem ser incorporados

 

Uma série de propostas de políticas públicas para estimular o empreendedorismo e promover o desenvolvimento dos pequenos negócios. Inspiradas em experiências bem-sucedidas, as sugestões fazem parte do Guia de Candidaturas, material lançado pelo Sebrae com o objetivo de contribuir com candidatos a governador e a presidente da República para a elaboração de programas de governo.

Dividido em oito eixos estratégicos, o material aborda temas fundamentais para o fortalecimento do empreendedorismo brasileiro: inovação e transformação digital; Estado empreendedor; inclusão socioprodutiva; sociobioeconomia; resiliência climática; educação empreendedora; acesso a financiamento; e governança para o desenvolvimento territorial.

Em cada assunto são apresentados o contexto atual, os resultados esperados e um conjunto de políticas e projetos que podem ser incorporados.

“O Sebrae lança o Guia como um convite aos candidatos, para que coloquem os pequenos negócios no centro da estratégia de desenvolvimento do Brasil. São os pequenos negócios, afinal, os principais geradores de vagas formais de emprego e de inclusão social e econômica do país. Ao criar um ambiente mais favorável para quem empreende, os governos ampliam a produtividade, estimulam a inovação, fortalecem as economias locais e criam mais oportunidades para toda a sociedade”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.

Ele ressalta que a construção de um ambiente favorável ao empreendedorismo depende da atuação coordenada do poder público, dos empreendedores, das entidades representativas, das instituições de ensino e pesquisa e de toda a sociedade. "Fortalecer o ambiente de negócios não é uma agenda de um setor específico, mas sim uma prioridade estratégica, que demanda atuação integrada para construir um Brasil mais produtivo, inclusivo, inovador e próspero", afirma.

Nos municípios, o Sebrae tem sido parceiro estratégico das prefeituras, especialmente por meio do Programa Cidade Empreendedora. O Guia apresenta toda a experiência, a capacidade técnica e a presença do Sebrae em todo o território nacional. “Quando priorizados pelas políticas públicas, os pequenos negócios tornam-se força motriz do desenvolvimento sustentável local. O Sebrae está à disposição dos governos atuais e futuros para transformar essas ideias em resultados concretos”, destaca Rodrigo Soares.


Cientistas identificam "impressão digital química" para rastrear a origem do pescado

Aparelho de RMN

  

  • A combinação de técnicas de ressonância magnética nuclear e metabolômica permitiu identificar biomarcadores químicos capazes de diferenciar tainhas capturadas em três localidades distintas do País.
  • As diferenças na composição do músculo refletem características do ambiente em que os peixes vivem, como a salinidade, o estado fisiológico e a alimentação.
  • A pesquisa abrangeu três localidades, em diferentes épocas do ano: Lagoa de Araruama (RJ), Baía de Sepetiba (RJ) e litoral de Santa Catarina.
  • A assinatura química da Lagoa de Araruama se destaca pela alta salinidade e pode embasar um pedido de Indicação Geográfica (IG) ao INPI.
  • A pesquisa tem aplicação direta no setor pesqueiro e em políticas de certificação de origem, com potencial para combater fraudes comerciais, substituição de espécies e falsificação de procedência no mercado de pescados.

 

Pesquisa inédita conduzida por cientistas da Embrapa e de instituições parceiras identificou uma espécie de “impressão digital química” da tainha brasileira (Mugil liza), capaz de determinar a origem geográfica a partir de pequenas moléculas presentes no músculo do peixe. A descoberta representa um avanço relevante para a rastreabilidade, autenticidade e valorização de produtos pesqueiros no País. 

Os resultados estão publicados no artigo Application of Magnetic Resonance Tools for Qualification and Traceability of Mullets, no periódico científico internacional Fishes. O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação (SP), em parceria com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O apoio financeiro é da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). 

A pesquisa utilizou a técnica de espectroscopia por Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (RMN de ¹H), que funciona como um "raio-X" químico para mapear a posição dos átomos de hidrogênio, associada à metabolômica, ciência que estuda os metabólitos — pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas do dia a dia. A combinação dessas duas ferramentas permitiu identificar biomarcadores químicos capazes de diferenciar tainhas capturadas em três localidades distintas do Brasil e detectar diferenças na composição do músculo relacionadas às características do ambiente, à salinidade, ao comportamento fisiológico e à alimentação dos peixes. 

Segundo Fogaça, a pesquisa representa um avanço para a ciência de alimentos e para a cadeia produtiva do pescado no País. “O grande diferencial desse estudo é demonstrar que é possível identificar a origem geográfica da tainha por meio de um perfil metabólico altamente específico, que atua como uma assinatura química do pescado. É uma ferramenta inovadora para autenticação, rastreabilidade e agregação de valor”, destaca a pesquisadora.

  

Rigor científico e tecnologia de ponta 

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram amostras do pescado coletadas em diferentes estações do ano, na Lagoa de Araruama (RJ), na Baía de Sepetiba (RJ) e no litoral de Santa Catarina. O protocolo experimental utilizou um equipamento avançado de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), com alta resolução, capaz de mapear a estrutura molecular de substâncias presentes no músculo do peixe com elevado nível de precisão.

Colnago (foto abaixo), especialista em ressonância magnética nuclear na Embrapa Instrumentação, explica que a técnica permitiu identificar compostos químicos relacionados à alimentação, ao metabolismo e às condições ambientais às quais o peixe foi exposto ao longo da vida. 

“Diferentemente de métodos convencionais, que muitas vezes não conseguem fornecer informações detalhadas sobre as alterações bioquímicas que ocorrem no pescado, a RMN oferece uma análise rápida, abrangente e não destrutiva da amostra. O resultado é um perfil metabólico detalhado que funciona como um ‘código de barras químico’, capaz de diferenciar peixes de regiões distintas”, complementa o pesquisador. 

Os cientistas identificaram 23 compostos químicos naturais presentes no músculo das tainhas, que ajudam a revelar informações sobre o funcionamento do organismo do peixe, como gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente. Entre os compostos encontrados estão lactato, creatina, taurina e aminoácidos importantes para o metabolismo. 

Para garantir a confiabilidade dos resultados, eles utilizaram diferentes métodos estatísticos e compararam centenas de dados obtidos nas análises laboratoriais. Isso permitiu confirmar, com segurança científica, que as tainhas de diferentes regiões apresentam perfis químicos distintos. “Os resultados mostraram separação clara entre os grupos de peixes de diferentes origens geográficas, especialmente devido às variações nas concentrações de lactato, histidina, treonina, fenilalanina e ornitina”, conta Fogaça. 

Outro aspecto relevante foi a estabilidade dos marcadores químicos. O estudo demonstrou que fatores como o tamanho do peixe e a sazonalidade tiveram pouca influência sobre o perfil metabólico geral, reforçando a confiabilidade dos metabólitos como indicadores de origem.

  

Lagoa de Araruama imprime assinatura química única 

Os pesquisadores identificaram que as condições extremas da Lagoa de Araruama — considerada a maior lagoa hipersalina permanente do mundo — influenciam diretamente o metabolismo das tainhas. A lagoa possui salinidade média de 52%, muito acima da água do mar convencional. 

Essa condição ambiental gera adaptações fisiológicas específicas nos peixes, refletidas no perfil químico detectado pela ressonância magnética nuclear. O trabalho demonstrou que a hipersalinidade altera os mecanismos de osmorregulação (processo fisiológico pelo qual os organismos controlam o equilíbrio de água e a concentração de sais minerais em seus fluidos corporais), o metabolismo energético e a utilização de aminoácidos.

“O ambiente deixa marcas bioquímicas detectáveis nos peixes. A Lagoa de Araruama produz uma assinatura metabólica muito característica, associada à salinidade extrema e às adaptações fisiológicas da espécie”, ressalta a pesquisadora.

 

Combate a fraudes e apoio à Indicação Geográfica 

Além do avanço científico, a pesquisa possui aplicação prática direta para o setor pesqueiro e para políticas de certificação de origem. Segundo os autores, a tecnologia pode contribuir para combater fraudes comerciais, substituição de espécies e falsificação de procedência no mercado de pescados. 

O estudo também servirá de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). 

Os pesquisadores afirmam que a espectroscopia por RMN de ¹H (Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio) se mostrou uma ferramenta potente para mapear o metabolismo da tainha e criar registros químicos específicos capazes de fortalecer a rastreabilidade, a segurança alimentar e o valor de mercado do pescado. 

De acordo com Colnago, que trabalha há mais de 30 anos com ressonância magnética nuclear, o uso da técnica para a rastreabilidade de peixes pode ter impacto direto no combate à adulteração geográfica e à comercialização irregular de espécies. “A identificação precisa da procedência ajuda a proteger consumidores, fortalecer sistemas de fiscalização e valorizar produtos regionais”, enfatiza. 

O estudo também incorporou ferramentas de inteligência artificial no processo de análise e organização dos resultados. “A integração entre metabolômica, ressonância magnética e inteligência artificial demonstra como diferentes áreas da ciência podem atuar de forma complementar na produção de conhecimento aplicado à segurança alimentar”, acrescenta Colnago.

 

Análise do perfil metabólico de alimentos por RMN 

A RMN é conhecida do público em geral como uma técnica de diagnóstico médico por imagens. Mas, muito antes das aplicações médicas, desde a década de 1950, a RMN já era usada como ferramenta para determinar a estrutura de moléculas de origem natural e sintética, biomoléculas, entre outras aplicações.

Na Embrapa Instrumentação, o estudo com RMN de baixo campo para análises de produtos agroindustriais e in natura motivou a criação do aparelho SpecFit, desenvolvido em parceria com a startup Fine Instrument Technology (FIT), que já chegou a mais de 20 países, principalmente na Ásia, onde é usado para análise do teor de óleo de frutos de dendezeiros. 

O estudo para a rastreabilidade de tainhas utilizou um aparelho de RMN de alto campo. É um método analítico avançado, que usa ímãs potentes para gerar espectros detalhados de moléculas. Segundo o pesquisador, a técnica permite investigações estruturais complexas, autenticação geográfica e estudos de metabolômica. O princípio de funcionamento é similar aos de uso médico e laboratorial.   

Em vez de imagens, a técnica gera um grande número de sinais eletrônicos interpretados com base na composição química da amostra, como açúcares (sacarose, glicose e frutose), aminoácidos, gorduras e ácidos orgânicos — ou seja, os componentes que podem ser extraídos do alimento. "Em uma única análise podem ser identificados e quantificados mais de 50 componentes", observa o especialista. 

Os aparelhos são compostos de um imã, uma antena ou sonda, uma estação de transmissão e recepção de ondas de rádio e um computador. A função do ímã é magnetizar a amostra, cuja análise, nesse caso, não pode ser feita do alimento inteiro, mas de um extrato com água ou solvente orgânico. Uma amostra bem pequena é extraída e colocada em pequenos tubos de ensaio. 

O transmissor de RMN funciona de forma similar ao de rádio AM, com base no envio de uma onda de rádio para a antena. A antena faz com que essa onda penetre na amostra e altere a magnetização dos materiais. A amostra fica dentro da antena, que é uma bobina (fio de cobre enrolado em forma espiral), e também dentro do ímã.

  

O que é a metabolômica? 

A metabolômica é uma área da ciência que analisa pequenas moléculas produzidas pelo metabolismo dos organismos, chamadas metabólitos.

Se realizada no sangue, a metabolômica indica a quantidade de metabólitos como glicose, creatinina, ácido úrico, entre dezenas de outros, em uma única análise. No método convencional, cada metabólito usado na rotina médica é determinado por um método diferente. 

Esses compostos funcionam como indicadores bioquímicos do estado fisiológico, da alimentação e das condições ambientais às quais um organismo foi exposto. 

No caso da pesquisa com tainhas, a técnica permitiu identificar compostos químicos capazes de diferenciar peixes de distintas regiões geográficas, criando uma espécie de “assinatura química” do pescado. 

 

Caso de crianças mortas dentro de carro na Zona Sul de SP reacende debate sobre violência vicária

Especialista explica por que agressores usam filhos como arma contra a mãe e alerta para sinais de risco que precisam de atenção antes da tragédia
 

Duas crianças, de 3 e 5 anos, foram encontradas mortas dentro de um carro na manhã do último domingo (9), Dia dos Pais, na Rua Luiz Supertti, no Jardim Guanabara, zona sul de São Paulo. O pai das meninas, Breno de Souza Castro, de 24 anos, se apresentou à polícia no 48º Distrito Policial, na Cidade Dutra, e indicou o local onde os corpos estavam. Ele foi preso em flagrante sob acusação de homicídio e violência doméstica; a ocorrência foi registrada no 101º DP, no Jardim das Imbuias. 

Segundo relato da mãe das vítimas à polícia, o genitor havia buscado as filhas no sábado (8) e, a partir daí, passou a fazer ligações com ameaças a ela. A mulher, que viveu cerca de oito anos com o ex-companheiro, passou a noite na casa da ex-sogra, acompanhada de familiares, enquanto as buscas eram feitas. A motivação apurada até o momento seria ciúmes. 

Casos como esse são um exemplo do que a psicologia chama de violência vicária: quando o agressor ataca filhos, familiares ou animais de estimação como forma de atingir a mulher. Segundo Karen Scavacini, psicóloga, doutora, pesquisadora e fundadora do Instituto Vita Alere, trata-se de uma estratégia de controle: quando o agressor não consegue mais dominar a mulher ou percebe que ela tenta sair da relação, ele ataca o que é mais precioso para ela. "A mensagem implícita é: se você não está sob meu controle, eu destruo o que dá sentido à sua vida", explica. 

Não existe um perfil psicológico único para esse tipo de agressor, mas há fatores que costumam se repetir em casos graves de violência doméstica, como controle coercitivo, ciúme possessivo, histórico de ameaças e uso dos filhos como instrumento de chantagem. Para a especialista, nem todo homem que comete violência doméstica chegará ao vicaricídio, mas relações marcadas por controle, ameaça e perda de domínio devem sempre ser avaliadas como situações de risco. 

A psicóloga destaca que existem sinais de alerta que exigem atenção imediata da rede de apoio da mulher, sobretudo no período em que ela tenta romper a relação como ameaças de morte, perseguição após a separação, descumprimento de medidas protetivas e uso dos filhos para vigiar ou punir a mãe. O momento da separação é especialmente sensível e precisa ser tratado como um período de risco alerta.

O erro mais grave é esperar que a violência vicária culmine em morte para ser levada a sério. "Ela pode aparecer antes, quando o agressor ameaça tirar os filhos, manipula a guarda ou transforma o afeto da mulher em ponto de ataque. Quando a sociedade só reconhece o problema depois da morte, chegamos tarde demais", destaca.

 

Karen Scavacini - psicóloga e pesquisadora, mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia) e doutora em Psicologia pela USP. Fundou em 2013 o Instituto Vita Alere, pioneiro em posvenção e saúde mental digital no Brasil. Representa o país na International Association for Suicide Prevention (IASP) e é membro fundadora da ABEPS. Sua atuação combina ambientes digitais, educação emocional e pesquisa aplicada em saúde mental.


Feira das Nações celebra cultura asiática no Viaduto Santa Ifigênia

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, promove a Feira das Nações – Edição Asiática, que acontece entre os dias 13 e 15 de agosto, no Viaduto Santa Ifigênia, localizado no Centro Histórico de São Paulo. O evento, que tem entrada gratuita, celebra a cultura dos países asiáticos com uma programação diversificada, reunindo artesanato, gastronomia e atrações musicais em um só lugar.


O projeto conta com a participação da Aquemi Ateliê/Aquemi Designer Jóias Botânicas, Ateliê Auricelia Sacra, Paternidade Criativa, Manekineko Arte Criativa, Mori Kokedama, Pura Alquimia Cosméticos, Melitza KOKEDAMA, Leila Garcia Acessórios, Mônica Naturarte e Mah Biscuitando, que são empreendedores participantes do programa Mãos e Mentes Paulistanas, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET). Na gastronomia, os restaurantes Chen's Culinária Oriental, Magic Sucos, LaChurros e Primícia Bolos de Rolo e Biscoteria fazem parte da seleção do Observatório da Gastronomia.

A Ade Sampa – Agência São Paulo de Desenvolvimento também estará presente oferecendo atendimento gratuito para empreendedores e microempreendedores individuais (MEIs), com orientações sobre formalização, capacitação, emissão de notas fiscais, documentação e oportunidades de desenvolvimento dos negócios.

A Central de Informação Turística (CIT) Móvel da SMTUR disponibilizará informações sobre atrativos turísticos, roteiros e serviços da cidade, auxiliando moradores e turistas a conhecerem melhor São Paulo. 

Serviço: Feira das Nações - Edição Asiática

Local: Viaduto Santa Ifigênia, s/nº - Entrada Gratuita.

De 13 a 15 de agosto, Quinta e sexta-feiras, das 11h às 19h. Sábado, das 11h às 15h.


Sebrae inaugura central de triagem de vidro para catadores de Belo Horizonte

Iniciativa é lançada nesta terça-feira (11) com o apoio a Associação Nacional de Catadores e Catadoras e beneficiará a Central de Cooperativas de Reciclagem - Cataunidos

 

O Sebrae lança, nesta terça-feira (11), em Belo Horizonte (MG), o HUB de Vidro, iniciativa que integra cooperativas e catadores que atuam na reciclagem do material na região metropolitana da capital mineira. O objetivo é funcionar como uma central de recebimento de garrafas, potes e outras embalagens de vidro para triagem e venda para indústrias que utilizam o material. A iniciativa faz parte do projeto Pró-Catadores, do Sebrae, e integra parceria com a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT) e beneficiará a Central de Cooperativas de Reciclagem - Cataunidos, que é composta por 33 cooperativas de reciclagem em Minas Gerais. 

“O HUB do Vidro é uma forma que o Sebrae encontrou para apoiar os catadores na geração de emprego e renda, levar dignidade e inclusão para estes profissionais, além de promover a sustentabilidade, a economia circular e a integração entre cooperativas de catadores e indústrias”, destacou o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares. 

Cerca de 100 catadores que compõem a rede de cooperativas de reciclagem do estado são esperados no evento de lançamento, que também possibilitará o atendimento e inclusão destes profissionais em programas sociais. 

A iniciativa contará com parceria da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que vai mobilizar os restaurantes para fornecer o vidro utilizado em seus estabelecimentos para o HUB do Vidro.

 

Serviço 

Lançamento HUB de Vidro 

Data: terça-feira (11/8) 

• 11h30: Atendimento no trailer do Programa Conexão Cidadã

• 11h50: Vivência da operação de funcionamento do HUB de Vidro, com chegada de material, separação e demais etapas do processo até a comercialização

• 12h15: Lançamento oficial do HUB de Vidro 

Local: Sede da Central de Cooperativas de Reciclagem (Cataunidos) - Rua Alberto Gomes da Fonseca, 8, Xodó Marize, Belo Horizonte (MG).



segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Saúde SP orienta sobre formas de prevenção à Leishmaniose

Medidas incluem limpeza de quintais, uso de telas e repelentes e proteção dos cães contra o mosquito-palha 

 

A Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose, que começa nesta segunda-feira (10), chama a atenção para os cuidados capazes de reduzir o risco de transmissão da doença. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) mantém ações permanentes de vigilância e orienta a população sobre medidas de proteção dentro e fora de casa.  

A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa grave, que pode atingir pessoas e cães. A transmissão ocorre pela picada da fêmea de um flebotomíneo infectado, inseto conhecido popularmente como mosquito-palha. Não há transmissão direta do cão para a pessoa nem de uma pessoa para outra pelo convívio  

No ambiente urbano, o cão é o principal reservatório do parasito. O mosquito-palha pode se infectar ao picar um cão com leishmaniose e transmitir o parasito posteriormente ao picar uma pessoa ou outro animal. Cães sem sintomas também podem infectar o vetor.  

De acordo com dados do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP), o estado registrou 336 casos e 37 óbitos por leishmaniose visceral entre 2021 e 2025. Em 2026, até maio, foram contabilizados 17 casos e um óbito. 

 

Como evitar a doença

O mosquito-palha encontra condições favoráveis para se desenvolver em locais úmidos, sombreados e com acúmulo de matéria orgânica. Por isso, a prevenção envolve cuidados com a casa e o ambiente ao redor.  

Mantenha quintais e terrenos limpos, retirando folhas, frutos, fezes de animais e outros resíduos orgânicos;

Use telas de malha fina em portas e janelas e, quando necessário, mosquiteiros; 

Use repelentes devidamente regularizados, especialmente em áreas com transmissão; 

Evite exposição ao ar livre no fim da tarde e à noite, períodos de maior atividade do vetor, principalmente em áreas endêmicas; 

Mantenha limpos os locais onde os animais permanecem, evitando acúmulo de matéria orgânica e umidade. 

Em humanos, os principais sinais da leishmaniose visceral incluem febre prolongada, aumento do fígado e do baço, perda de peso, fraqueza e anemia. Diante desses sintomas, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar complicações. 

 

Como proteger os cães 

Em áreas com transmissão, a recomendação é reforçar a proteção dos cães contra a picada do mosquito-palha, com o uso de inseticidas repelentes próprios para cães, como coleiras e outras apresentações, conforme indicação do médico veterinário. 

 

Os sinais que podem levantar suspeita de leishmaniose em cães incluem:

descamação ou feridas na pele, principalmente ao redor dos olhos, nas orelhas e nas extremidades;

caroços embaixo da mandíbula, na frente dos ombros e atrás dos joelhos;

perda de pelos;

emagrecimento ou perda de massa muscular;

crescimento exagerado das unhas;

alterações nos olhos;

apatia;

sangramento nasal ou fezes com sangue. 

Como alguns cães infectados podem não apresentar sintomas, a avaliação veterinária é importante, principalmente em áreas onde há transmissão da doença. Em caso de suspeita ou diagnóstico, o tutor deve procurar um médico veterinário e seguir as orientações sanitárias para definição da conduta adequada. 

 

Vigilância Epidemiológica

A SES-SP mantém ações permanentes de vigilância e controle da leishmaniose visceral em articulação com os municípios. As estratégias incluem monitoramento dos casos humanos e caninos, investigação das áreas de transmissão, diagnóstico precoce, orientação aos serviços de saúde, vigilância do mosquito-palha e medidas de manejo ambiental e controle vetorial. 

Entre as medidas recomendadas estão a limpeza e o manejo de áreas com acúmulo de matéria orgânica e umidade, o monitoramento de cães em áreas de transmissão e, quando tecnicamente indicado, o controle químico do vetor. A SES-SP também atua na capacitação dos profissionais para identificação dos casos, diagnóstico, manejo clínico e prevenção da doença.

 

Alerta sarampo: sensibilidade à luz é o principal sintoma


O sarampo é uma doença viral transmitida pelo contato próximo através de gotículas. Pode parecer uma condição simples, mas pode evoluir para complicações graves. Embora atinja principalmente o trato respiratório superior, a infecção também afeta o trato inferior, incluindo os pulmões. O Brasil chegou a ser considerado livre do sarampo em 2016, porém perdeu essa certificação em 2019, após um número expressivo de cerca de 18 mil casos registrados. Grupos como crianças, idosos, gestantes e imunodeprimidos têm maior risco de apresentar quadros graves, caso sejam contagiados. 

Os sintomas do sarampo frequentemente se assemelham aos de outras infecções respiratórias virais, como influenza e COVID-19. No entanto, a doença costuma ser mais persistente, apresentando febre alta, muita coriza, tosse e conjuntivite. Os olhos vermelhos acompanhados de fotofobia (dificuldade em permanecer em ambientes iluminados devido ao comprometimento ocular) são marcas características da condição. Para o diagnóstico preciso, realizam-se pesquisas de sorologias para anticorpos ou testes moleculares diretos em secreções de nasofaringe. 

"Por ser uma doença viral, não existe uma medicação específica contra o sarampo, de forma que o tratamento é voltado para o alívio dos sintomas. Além disso, a infecção causa uma queda na imunidade que facilita o surgimento de infecções bacterianas secundárias, como sinusites, otites, laringites, traqueobronquites e pneumonias, sendo necessário o uso de antibióticos nesses cenários", explica o Dr. Guilherme Furtado, infectologista do Hcor. 

Como o vírus é facilmente transmitido, aqueles com suspeita ou confirmação da doença precisam ser isolados para conter a propagação. O recurso mais importante para prevenir o contágio é a vacinação. No Brasil, a vacina tríplice viral – que também protege contra caxumba e rubéola – é oferecida pelo SUS e em clínicas privadas. O esquema de imunização prevê a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade; em adolescentes e adultos de até 30 anos são indicadas duas doses, enquanto para a faixa de 30 a 59 anos recomenda-se uma dose.

 

Manter os hábitos da escovação da infância na vida adulta pode ser prejudicial à saúde bucal

Imagem de divulgação GUM
Especialista explica como adaptar a escova de dentes, o fio dental e os cuidados com a higiene bucal em cada fase da vida para prevenir gengivite, retração gengival, cárie e boca Seca

 

A maioria das pessoas escolhe a escova de dentes da mesma forma há anos, sem considerar que a saúde bucal muda ao longo da vida. Embora esse hábito pareça inofensivo, utilizar a mesma escova e manter a mesma rotina de higiene bucal da infância pode aumentar o risco de problemas como gengivite, retração gengival, sensibilidade dentária, cárie e boca seca. 

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE), cerca de 46% dos adultos brasileiros não utilizam escova, pasta e fio dental de forma combinada, evidenciando um déficit histórico no hábito de higiene preventiva no país. “A necessidade de adaptar as ferramentas de higiene bucal não é uma questão estética, mas de biologia aplicada. escolha da escova de dentes, do fio dental e dos demais produtos de higiene bucal precisa evoluir conforme a idade e as necessidades de cada pessoa”, explica a Dra. Brunna Bastos, mestre e cirurgiã-dentista pela Faculdade de Odontologia da USP e especialista da GUM.


Infância e juventude: a barreira contra o açúcar e as alterações hormonais

Na infância, o desafio central é a prevenção de cárie no esmalte em maturação. Já na adolescência, a tempestade hormonal da puberdade altera a vascularização da gengiva. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a gengivite atinge mais de 75% dos adolescentes, estimulada pela combinação de flutuações hormonais e higiene inadequada.


Vida adulta: o custo do estresse, do bruxismo e da força excessiva

Na fase adulta, o estresse do cotidiano torna-se o principal vilão para a saúde bucal. O hábito involuntário de ranger ou apertar os dentes (bruxismo) gera microtraumas e retração gengival. “Se o adulto continuar usando uma escova de cerdas médias ou duras, achando que "força é sinal de limpeza", ele acelera o desgaste do esmalte e expõe a dentina”, explica a especialista.

Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 50% dos adultos brasileiros entre 35 e 44 anos possuem algum grau de sangramento ou inflamação gengival, problema frequentemente agravado pelo uso incorreto do fio dental ou por escovas inadequadas.


Terceira idade: a epidemia da boca seca e o risco de cárie de raiz

Com o envelhecimento, o principal gargalo é a xerostomia (sensação de boca seca). Uma revisão sistemática publicada no Journal of the American Dental Association (JADA) aponta que 1 em cada 4 idosos sofre de xerostomia, condição agravada pelo uso contínuo de medicamentos para hipertensão, diabetes ou depressão. A saliva é o protetor natural da boca, responsável por neutralizar ácidos e remineralizar os dentes. Sem ela, idosos desenvolvem uma proliferação acelerada de bactérias, levando a cárie mais agressiva e inflamações graves ao redor de implantes e próteses. Nessa etapa, as escovas tradicionais perdem totalmente a eficiência.


Guia prático: a ferramenta certa para cada fase da vida

 

 

Segundo a Dra. Brunna Bastos, adaptar os produtos de higiene bucal às diferentes fases da vida é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças bucais e manter a saúde dos dentes e gengiva. "Não existe uma única escova de dentes ideal para todas as pessoas. O tamanho da cabeça, a maciez das cerdas e os recursos de limpeza interdental devem acompanhar as mudanças naturais do organismo. Cuidar da saúde bucal significa entender que cada fase da vida exige necessidades diferentes."


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