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sábado, 8 de agosto de 2026

Mãe ou profissional?

Psicóloga explica por que essa pergunta está adoecendo mulheres

 

Embora pareça uma pergunta comum, ela carrega uma armadilha que tem adoecido milhares de mulheres. Para a psicóloga e neuropsicóloga Tattiana ASerra, o problema não está na maternidade nem no trabalho, mas na crença de que uma mulher precisa abrir mão de quem é para exercer um dos dois papéis.

"Quando perguntamos a uma mulher se ela prefere ser mãe ou profissional, estamos partindo da ideia de que essas identidades competem entre si. Na prática, essa lógica gera culpa permanente, sensação de insuficiência e faz com que muitas mulheres sintam que estão fracassando, independentemente da escolha que façam", explica a especialista.

Segundo Tattiana, a maternidade contemporânea vem sendo marcada por uma cobrança constante para que a mulher seja uma mãe presente, uma profissional produtiva, uma companheira disponível e ainda cuide da própria saúde física e mental. O resultado é uma sobrecarga que vai muito além do cansaço físico.

"Existe uma expectativa social de desempenho perfeito em todas as áreas da vida. É impossível atender a todas essas demandas ao mesmo tempo sem pagar um preço emocional."


Quando sobra apenas a mãe

Para a psicóloga, um dos efeitos mais silenciosos da maternidade é o desaparecimento gradual da identidade feminina.

"Em muitos casos, a mulher passa a ser reconhecida apenas como mãe. Seus interesses, sonhos, amizades, hobbies e até sua carreira ficam em segundo plano. Aos poucos, ela deixa de responder à pergunta 'Quem sou eu?' e passa a existir apenas em função das necessidades dos filhos."

Esse processo pode acontecer de forma quase imperceptível e contribuir para sintomas como ansiedade, esgotamento emocional, baixa autoestima e dificuldade de reconhecer os próprios desejos.

"Não é raro ouvir mulheres dizendo que não sabem mais do que gostam, do que sentem prazer ou do que fariam se tivessem algumas horas livres. Isso mostra o quanto a identidade pode ficar restrita ao papel materno."


A culpa que nunca termina

Outro fator que alimenta esse sofrimento é a culpa materna.

Segundo Tattiana, independentemente da decisão tomada, muitas mulheres sentem que estão errando. Se permanecem mais tempo no trabalho, acreditam que estão negligenciando os filhos. Se priorizam a família, sentem culpa pela carreira interrompida ou pelos projetos pessoais adiados.

"Essa culpa não nasce da maternidade. Ela nasce das expectativas irreais que a sociedade construiu sobre o que significa ser uma 'boa mãe'."

A especialista ressalta que esse ciclo costuma ser reforçado pelas redes sociais, onde predominam imagens idealizadas de famílias, carreiras e rotinas aparentemente perfeitas.


O caminho não é escolher, mas integrar

Na avaliação da psicóloga, a solução não está em abandonar um papel para viver o outro, mas em integrar todas as identidades que fazem parte da vida de uma mulher.

"Ser mãe não precisa apagar a profissional, assim como a profissional não diminui a mãe. Uma identidade fortalece a outra. Quando a mulher preserva espaços para cuidar de si, manter vínculos, desenvolver sua carreira e cultivar seus interesses, ela também oferece aos filhos um exemplo mais saudável de equilíbrio e autonomia."

Para Tattiana ASerra, é preciso substituir a lógica da escolha pela da integração.

A pergunta não deveria ser 'mãe ou profissional?'. A pergunta correta é: como podemos promover uma cultura de liberdade e aceitação de que às mulheres não nasceram para ser desenhadas, mas sim para desenhar sua própria identidade, sendo elas mães ou não.

Em um momento em que a ascensão feminina ocupa cada vez mais espaço no debate público, compreender essa fragmentação da identidade é um passo importante para promover a integração feminina, sem que tenha que existir essa discussão.
 

Tattiana ASerra, neuropsicóloga, autora e comunicadora . Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de uma década de experiência promovendo indivíduos e famílias, é também autora de dois livros, um dos quais é um best-seller.
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O significado oculto por trás de 4 símbolos de Peter Pan

Da sombra ao crocodilo, passando pelo relógio e pela Terra do Nunca, essas representações guardam significados que vão muito além da fantasia


Via Leitura
Mais de um século após sua publicação, Peter Pan continua encantando leitores de diferentes gerações, mas a força do clássico vai muito além da aventura vivida por Peter, Wendy e os Garotos Perdidos. Por trás da fantasia criada por James Matthew Barrie, a narrativa é construída por elementos que transformam uma história infantil em uma profunda reflexão sobre crescimento, identidade, liberdade e a passagem do tempo. 

Essas camadas de interpretação ganham ainda mais destaque na nova edição da obra, lançada pela Via Leitura, com tradução inédita realizada diretamente da primeira versão inglesa de 1911. Ao preservar a delicadeza, o humor e a ironia do texto original, a publicação convida o leitor a redescobrir significados que muitas vezes passam despercebidos em adaptações. Confira quatro dos principais símbolos presentes no clássico. 

1. A sombra: quem somos de verdade

Logo no início da narrativa, Peter retorna à casa dos Darling para recuperar sua sombra perdida. Para além de um elemento fantástico, ela simboliza a identidade e a busca por compreender quem somos. Ao tentar costurá-la de volta, a história sugere que construir a própria identidade é um processo contínuo. 

2. O crocodilo: o medo do inevitável

O crocodilo que persegue incessantemente o Capitão Gancho representa a inevitabilidade da morte. Sua presença constante lembra que existem acontecimentos dos quais ninguém consegue fugir, por mais que tente controlá-los. 

3. O relógio: o tempo que nunca para

Depois de engolir um relógio, o crocodilo passa a anunciar sua chegada pelo famoso tique-taque. O som funciona como um lembrete permanente de que o tempo segue seu curso. Enquanto Peter tenta viver como se não precisasse crescer, Gancho é atormentado justamente pela consciência de os anos continuam a passar. 

4. A Terra do Nunca: o desejo de ser criança 

A Terra do Nunca representa o sonho de viver sem responsabilidades, regras ou obrigações. Ao mesmo tempo, Barrie mostra que permanecer nesse lugar também significa renunciar à memória, aos vínculos afetivos e à possibilidade de amadurecer, tornando o cenário uma metáfora para os dilemas entre infância e vida adulta. 


A IA pode ser um Crush? Como os solteiros brasileiros vivem os relacionamentos online

Enquanto dados do happn mostram desconforto com as relações por IA, o aplicativo de relacionamentos reforça sua aposta em conexões no mundo real

 

O crescimento dos "parceiros de IA" está redefinindo a maneira como os solteiros lidam com suas emoções: de acordo com o happn, aplicativo de relacionamentos da vida real, a tendência chamada de "Situationship com IA" mostra que a inteligência artificial tem sido cada vez mais usada como um "espelho" emocional para testar sentimentos e entender necessidades pessoais, e não para substituir pessoas reais. No entanto, essa tecnologia dividiu os solteiros brasileiros em relação à intimidade, estabelecendo um limite claro entre a assistência digital e a verdadeira conexão humana. 

No Brasil, a aceitação de relacionamentos intermediados por IA está dividida: enquanto 50% dos solteiros aceitariam que seu parceiro tivesse um vínculo próximo com uma IA, a outra metade rejeita a ideia: 42% admitem que se sentiriam desconfortáveis e 8% veriam isso como uma "traição emocional". Essa cautela vem de uma forte preferência pelo romance autêntico, com 78% dos brasileiros limitando rigorosamente o uso da IA a conversas rápidas e auxílio na escrita, mantendo a tecnologia a uma distância segura, embora 27% admitam usar companheiros virtuais para aliviar a solidão. 

No universo dos relacionamentos online, 83% dos usuários da Geração Z ainda não integraram a IA à sua rotina, embora os solteiros estejam abertos ao apoio prático em vez do amor artificial. É o caso do planejamento de encontros (21%), conselhos comportamentais (47%) ou sugestões de locais para se encontrar (54%), exatamente o que o recurso Perfect Date do happn oferece, com sugestões de pontos de encontro personalizados com base em interesses em comum. 

Para manter o romance moderno estritamente humano, o happn continua a fortalecer sua iniciativa Anti-IA contra fraudes e perfis falsos. Os Termos de Uso da plataforma proíbem explicitamente contas geradas por IA e mensagens automatizadas, contando com sistemas de detecção em tempo real que identificam comportamentos não humanos e banem contas fraudulentas em questão de minutos. Combinado a um recurso especializado que permite denunciar perfis gerados por IA e a uma equipe dedicada de moderação humana 24 horas por dia, 7 dias por semana, o happn garante que a experiência de paquera permaneça segura, sincera e enraizada no mundo real. 

"À medida que a tecnologia de IA evolui, nossas estratégias para proteger essa autenticidade também precisam evoluir. Embora a gente aproveite a tecnologia para proteger nossa comunidade e ajudar os solteiros a planejarem momentos inesquecíveis, traçamos um limite bem claro contra a falsa intimidade. Ao combater ativamente fraudes geradas por IA e aplicar medidas rigorosas de controle, reforçamos nosso compromisso de que a paquera deve continuar sendo humana, preservando a integridade e a sinceridade de cada conexão real feita em nossa plataforma”, afirma Karima Ben Abdelmalek, CEO e Presidente do happn.


Educação como mediadora da liberdade feminina

A mulher, na busca para sair da “proteção” masculina e obter valorização pessoal, historicamente enfrentou desafios sociais, culturais e econômicos. Nesse percurso, um dos mais sólidos instrumentos mediadores que surge para a conquista de sua autonomia, sem dúvida, é a educação. Esta vem oferecer às mulheres não apenas conhecimento das ciências, mas também ferramentas para alterar suas realidades. Em uma sociedade ainda permeada por desigualdades de gênero, o acesso à educação é mais que um direito, é uma estratégia de liberdade.

Através da educação, a mulher ocupa cada vez mais espaços antes exclusivos para os homens. A formação acadêmica e profissional lhes possibilita qualificação para agarrar oportunidades de trabalho. Assim, firma seu poder de decisão e independência financeira, aumentando sua capacidade de escolha sobre seus próprios caminhos.

Contudo, o conhecimento adquirido não se limita ao aspecto econômico e o âmbito individual. Pois, ao desenvolver consciência crítica, as mulheres letradas tendem a questionar padrões impostos, a reivindicar direitos e a participar com mais intensidade da vida política e social. O que ressoa em comunidades inteiras, estimulando transformações coletivas.

Claro que ainda persistem barreiras, tais como desigualdade de acesso e sobrecarga de responsabilidades domésticas, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para a inclusão educacional, especialmente em regiões onde meninas e mulheres enfrentam maiores dificuldades para permanecer na escola ou ingressar em universidades.

Desse modo, investir em educação é investir em liberdade e em futuro, pois, ao garantir que mulheres tenham acesso pleno e igualitário ao ensino, a sociedade fortalece não apenas a independência, mas também o avanço coletivo. Assim, o essencial é ampliar políticas de incentivo para combater desigualdades estruturais e valorizar o papel da mulher como protagonista de sua própria história.

 

Carla de Nazaré - professora aposentada e autora de “Homens Ricos Não Se Casam com Moças Pobres?”, romance que reflete sobre a educação como força transformadora das trajetórias de pessoas em situação de vulnerabilidade

 

O legado de um pai

 

arquivo pessoal
  
Luti Cristóforo e seu filho

Às vésperas do Dia dos Pais, psicólogo alerta que a maior herança deixada aos filhos não é material, mas é construída diariamente por meio da presença, do afeto e do exemplo.

 

À medida que o Dia dos Pais se aproxima, cresce também a reflexão sobre o verdadeiro significado da paternidade. Muito além do sustento financeiro ou da autoridade dentro de casa, especialistas destacam que a presença emocional do pai exerce influência direta no desenvolvimento dos filhos e pode impactar a autoestima, os relacionamentos e até a saúde mental ao longo da vida. Para o psicólogo clínico Luti Christóforo, o maior legado que um pai pode deixar não é um patrimônio, mas a certeza de que o filho foi amado, valorizado e respeitado.

Segundo o especialista, a construção desse vínculo acontece nas pequenas atitudes do cotidiano. Demonstrar carinho, ouvir, orientar e participar da vida dos filhos são comportamentos que permanecem na memória muito mais do que presentes ou conquistas materiais. “A maior herança que um pai pode deixar não é um patrimônio. É a lembrança de ter sido amado. É o filho crescer sabendo que foi amado, protegido, ouvido, orientado e, principalmente, valorizado. O amor precisa ser demonstrado e verbalizado, porque as palavras de um pai ecoam na alma de um filho por toda a vida”, afirma.

Luti ressalta, porém, que amar não significa dizer “sim” para tudo. Em sua avaliação, educar também exige estabelecer limites, ensinar responsabilidade e mostrar que toda escolha tem consequências. Para ele, filhos precisam de afeto, mas igualmente de direção, referências e valores. O equilíbrio entre acolhimento e firmeza é um dos pilares para o desenvolvimento emocional saudável.

Outro aspecto frequentemente observado no consultório é a influência do comportamento dos pais dentro da família. De acordo com o psicólogo, os filhos aprendem muito mais pelas atitudes do que pelos discursos. A maneira como o pai trata a mãe, administra conflitos, pede desculpas, demonstra respeito e enfrenta as dificuldades acaba servindo de modelo para as futuras relações dos filhos. Mesmo quando o casal não permanece junto, preservar o respeito mútuo continua sendo uma importante demonstração de maturidade e caráter.

A experiência clínica também mostra que muitas dificuldades emocionais da vida adulta têm origem em ausências afetivas vividas na infância. Homens e mulheres carregam por décadas a falta de um abraço, de uma palavra de incentivo ou de um simples gesto de aprovação. “No consultório, vejo com frequência adultos que ainda sofrem pela ausência emocional do pai. Por isso, nunca espere uma data especial para demonstrar amor. A infância passa, a adolescência passa e o tempo não volta. O vínculo precisa ser construído todos os dias.”

Neste Dia dos Pais, Luti Christóforo propõe uma reflexão simples, mas profunda: o melhor presente talvez não esteja em uma loja. Pode ser uma conversa sincera, um abraço mais demorado, um pedido de perdão, uma demonstração de orgulho pelo filho ou três palavras que nunca deveriam faltar entre pai e filho: “Eu amo você”. Para o psicólogo, são esses gestos que permanecem vivos na memória e ajudam a formar adultos mais seguros, confiantes e emocionalmente saudáveis.

 

Luti Christóforo - Psicólogo clínico
@luti.psicologo
lutipsicologo@gmail.com
YouTube: youtube.com/@lutipsicologo


Você está paquerando uma pessoa ou a versão dela editada por IA?

 Créditos: @batistellabr
CO ASSESSORIA
“Antes, a pessoa mentia na foto. Agora, pode terceirizar a própria personalidade para um algoritmo”, afirma o especialista em IA João Paulo Batistella

 

Nos aplicativos de relacionamento, usuários já recorrem à inteligência artificial para escrever biografias, criar respostas e até manter conversas inteiras. O comportamento, conhecido como chatfishing (algo como “catfish da conversa”), inaugura uma nova dúvida nas relações digitais: você está conhecendo uma pessoa ou uma personalidade criada por IA? 

Para João Paulo Batistella, especialista em transformação digital e inovação, o fenômeno representa uma espécie de “catfish de personalidade”. “A foto pode ser verdadeira, o nome pode ser verdadeiro e a pessoa pode estar realmente interessada. O problema é que o jeito de conversar, demonstrar empatia e criar intimidade talvez tenha sido construído por um algoritmo”, afirma. 

ChatGPT, Rizz, Winggg e YourMove AI estão entre as ferramentas usadas para construir uma versão mais interessante de si mesmo. Algumas sugerem respostas em tempo real, outras criam biografias, escolhem cantadas e até indicam a melhor forma de manter o interesse do outro durante a conversa. 

Uma pesquisa realizada pela Match em parceria com o Instituto Kinsey apontou que 26% dos solteiros norte-americanos já usam inteligência artificial para melhorar seus resultados nos aplicativos de relacionamento. Na prática, a tecnologia deixou de ser apenas um corretor de texto e passou a participar da construção da primeira impressão. A diferença costuma aparecer quando o contato sai da tela e alguém que parecia articulado, engraçado e atento por mensagem demonstra dificuldade para sustentar o mesmo nível de conversa no encontro presencial. 

Usar IA para revisar uma frase ou ajudar alguém tímido a iniciar um papo não é necessariamente um problema. A distorção acontece quando a ferramenta passa a substituir a espontaneidade, o senso de humor, a sensibilidade e até a forma de demonstrar interesse. Nesse caso, o match pode estar se envolvendo com características que a pessoa não consegue sustentar fora do ambiente digital. 

Para o especialista, a inteligência artificial pode facilitar a comunicação, mas não substituir a personalidade. Segundo João Paulo Batistella, o problema começa quando o algoritmo deixa de ajudar e passa a representar emocionalmente alguém. “Antes, o filtro alterava o rosto. Agora, ele também pode editar humor, inteligência, empatia e afeto. A pergunta deixou de ser apenas ‘essa foto é verdadeira?’ e passou a ser ‘com quem eu realmente estou conversando?’”, conclui.


Depressão masculina no Dia dos Pais: psiquiatra lista cinco atitudes para lidar melhor com as emoções

Dr. Guido Boabaid, da GnTech, alerta para os gatilhos emocionais da data e orienta homens a enfrentarem o momento com mais acolhimento e saúde mental 


O Dia dos Pais é tradicionalmente associado a celebrações, homenagens e reuniões familiares. Mas para muitos homens, a data pode se transformar em um gatilho emocional, especialmente em situações de luto, vínculos rompidos, ausência dos filhos ou lembranças dolorosas. “Essas datas funcionam como marcadores emocionais. Elas escancaram ausências e reforçam expectativas sociais que nem sempre correspondem à realidade emocional de cada um”, explica o Dr. Guido Boabaid, médico psiquiatra e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil. 

Segundo o especialista, ainda existe uma forte pressão para que os homens, principalmente pais, mantenham uma postura emocionalmente estável e forte, o que dificulta o reconhecimento da própria vulnerabilidade e perpetua o sofrimento em silêncio. “Para muitos, o Dia dos Pais pode despertar sentimentos como solidão, nostalgia, tristeza profunda e até fracasso. E ainda há pouca abertura na sociedade para que os homens falem sobre isso”, reforça. 

Com base em sua experiência clínica e nas particularidades emocionais que a data traz, o Dr. Guido elenca cinco atitudes essenciais para que homens atravessem esse período de forma mais saudável e acolhedora. Confira, a seguir:
 

1. Reconheça e valide suas emoções

É comum que a data desperte saudade, sentimentos conflitantes e até mesmo dores profundas - e isso não deve ser motivo de vergonha e nem reprimido. “Homens ainda são menos incentivados a reconhecer e comunicar sofrimento emocional, o que pode levar à repressão, ao isolamento e ao uso de estratégias de enfrentamento disfuncionais”, reforça.
 

2. Evite o isolamento completo

Muitas vezes, a reação à dor é o afastamento. No entanto, o isolamento pode piorar o quadro emocional e intensificar sentimentos negativos como solidão e desesperança. “Homens tendem a externalizar a dor emocional por meio de comportamentos de risco ou autossabotagem, dificultando o reconhecimento por parte dos profissionais e das próprias famílias. Nesse momento, o ideal é procurar um amigo, familiar ou grupo de apoio”, explica Guido.

3. Busque apoio de outros pais

Grupos de apoio à paternidade oferecem um espaço seguro para compartilhar vivências, ter acolhimento emocional e quebrar tabus. “Esses ambientes permitem trocas honestas e acolhedoras, fortalecendo a saúde mental e os vínculos entre homens que passam por experiências semelhantes”, pontua Boabaid. 

4. Reduza o uso das redes sociais

Durante datas comemorativas como o Dia dos Pais, o excesso de postagens idealizadas para reforçar ideais de família perfeita pode intensificar comparações ou sentimentos negativos. “Se perceber que as redes estão agravando seu estado emocional, é hora de dar um tempo e focar em si”, ressalta o psiquiatra. 

5. Pratique o autocuidado com gentileza

Cuidar da saúde mental e física é essencial e deve ser feito sem culpa. O autocuidado vai além de atividades rotineiras, trata-se de reservar tempo para si, respeitar os próprios limites e cultivar hábitos que promovam bem-estar. Isso inclui desde uma alimentação equilibrada e boas noites de sono até atividades prazerosas que aliviam a tensão. O mais importante é fazer isso com gentileza consigo mesmo. “Alimente-se bem, descanse, movimente o corpo e procure espaços seguros de escuta, como a psicoterapia”, indica o psiquiatra. 

Além das dicas, o Dr. Guido lembra que o Dia dos Pais também pode ser uma oportunidade de repensar os modelos tradicionais de paternidade. “Ao abrir espaço para uma paternidade mais afetiva, vulnerável e presente, também estamos promovendo cuidado com a saúde mental dos homens. Ser forte não é sofrer sozinho e em silêncio, é saber reconhecer quando é hora de pedir ajuda”, finaliza.
 

Guido Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 115 mil consultas realizadas, mais de 1.200 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 30 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.


Dia dos Pais: o legado que permanece

 Empresário, pai e escritor reflete sobre as heranças da paternidade que não cabem em um inventário

 

Há datas que celebram pessoas. O Dia dos Pais celebra, sobretudo, o legado que elas deixam. 

Neste Dia dos Pais, a saudade e a gratidão caminham lado a lado. É uma data que me faz lembrar que a verdadeira herança de um pai não está nos bens que ele acumula, mas nos valores que transmite, nos exemplos que oferece e nas marcas que deixa no coração de quem ama. 

Neste último ano, vivi duas das maiores perdas da minha vida. Em setembro de 2024, me despedi do meu pai, um homem de Deus que dedicou quase trinta anos de sua vida ao ministério pastoral. Pouco mais de nove meses depois, também perdi meu padrasto para o câncer. Ele foi um amigo, um exemplo de bondade e alguém que participou da minha criação, amando-me como um filho. 

Embora eu e meu pai não tenhamos convivido tão intensamente quanto gostaríamos, nunca tive dúvidas do quanto ele me amava. Sempre o admirei, não apenas por ser meu pai, mas pelo homem íntegro, de fé e de caráter que escolheu ser todos os dias. 

Foi com ele que aprendi uma das maiores lições da minha vida: o caráter vale mais do que qualquer riqueza, e amar e respeitar o próximo é um dever que dignifica qualquer ser humano. Esses ensinamentos me acompanham diariamente e influenciam cada decisão que tomo. 

Meu padrasto reforçou esses mesmos valores de outra maneira. Com suas atitudes, mostrou que o caminho do bem e da honestidade talvez seja o mais difícil, mas é o único que realmente vale a pena seguir. Seu exemplo permanece e continuará vivo em mim enquanto eu puder transmiti-lo adiante. 

Hoje, quando olho para meu filho, que tem vinte anos, vejo o maior presente que Deus me concedeu. Ao seu lado está também meu enteado, da mesma idade, por quem tenho profundo carinho. Os dois me lembram diariamente da responsabilidade e do privilégio de exercer a missão de ser pai. 

Com o passar dos anos, compreendi que a paternidade não se mede apenas pela convivência diária, nem pelos laços de sangue. Ela se revela no amor, na presença possível, nos conselhos, no cuidado e no compromisso de formar pessoas melhores. Um pai verdadeiro deixa marcas que o tempo jamais consegue apagar. 

Vivemos em uma sociedade que frequentemente valoriza o sucesso material acima de tudo. No entanto, as maiores heranças que um pai pode deixar não cabem em um inventário. São princípios: valores como fé, respeito e amor ao próximo. Tesouros que atravessam gerações e permanecem muito depois da partida de quem os ensinou. 

Neste Dia dos Pais, minha homenagem é para todos aqueles que compreenderam que educar é muito mais do que sustentar; é inspirar. É para os pais biológicos, para os padrastos que assumem esse papel com amor, para os avôs, tios e para todos aqueles que decidiram cuidar, orientar e amar. 

Também é um dia de gratidão. Gratidão pelo pai que tive. Gratidão pelo padrasto que Deus colocou em meu caminho. Gratidão pela oportunidade de ser pai e de procurar transmitir ao meu filho e ao meu enteado os mesmos valores que recebi: que o caráter nunca está à venda, que o bem sempre vale a pena e que amar continua sendo uma das maiores demonstrações de grandeza que um ser humano pode oferecer. 

Se hoje sou quem sou, é porque homens extraordinários me ensinaram, cada um à sua maneira, que a verdadeira grandeza não está no poder, na fama ou na riqueza, mas na forma como tratamos as pessoas e no legado que deixamos em seus corações. 

Os pais partem. O legado permanece. E enquanto seus valores continuarem vivos em nós, eles jamais deixarão de caminhar ao nosso lado. 

Feliz Dia dos Pais! Que Deus abençoe todos os pais e nos conceda a sabedoria de viver de tal maneira que, um dia, sejamos lembrados não pelo que conquistamos, mas pelo bem que fizemos e pelos exemplos que deixamos. 

 

Manassés Carloto - Escritor, empresário e pai, autor do lançamento "O velho sábio e a verdadeira riqueza". Escreve sobre fé, legado, relações familiares e transformação pessoal. 


Levantamento do IBGE mostra que mais de um em cada quatro adolescentes brasileiros sente que ninguém se preocupa com ele; para o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da plataforma Doctoralia, os efeitos da ausência paterna aparecem anos depois, no consultório de pacientes adultos

 

Mais de um em cada quatro adolescentes brasileiros (26,1%) diz sentir que ninguém se preocupa com ele. Um terço (33,3%) acha que os pais ou responsáveis não entendem suas aflições. Os números são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), levantamento do IBGE em parceria com o Ministério da Saúde divulgado em março deste ano, com quase 118 mil estudantes de 13 a 17 anos ouvidos em mais de 4 mil escolas do país. É o retrato mais recente e mais representativo que existe sobre saúde mental na adolescência brasileira. 

Neste domingo, dia 9, o Brasil celebra o Dia dos Pais. Para o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, disponível na plataforma Doctoralia e com atuação em terapia familiar sistêmica, os números escancaram um padrão que ele reconhece na prática clínica: histórias de infância marcadas por um pai fisicamente presente, mas emocionalmente ausente. 

“No consultório, quem chega com ansiedade crônica ou dificuldade de regular emoção quase sempre tem uma história parecida: um pai que nunca fez nada de errado, mas também nunca esteve realmente por perto. A criança não precisa de um pai sem falhas, precisa de um pai que preste atenção quando ela fala, e que repita isso todos os dias”, afirma Petermann Neto. 

Ele também chama atenção para o que descreve como o mito do pai perfeito, reforçado por campanhas publicitárias na época do Dia dos Pais. “Perfeição é um padrão impossível e, pior, irrelevante para o desenvolvimento emocional de uma criança. O vínculo não se constrói em grandes gestos, se constrói em minutos repetidos: ouvir o dia dela, atender quando ela chama, largar o celular por alguns minutos. É isso que o cérebro em formação registra como segurança”, explica. 

A observação clínica do médico dialoga com dados nacionais sobre paternidade. O Índice de Desenvolvimento das Paternidades, do Instituto Promundo (relatório de 2026), associa presença paterna mais ativa a índices menores de violência contra crianças e adolescentes: Santa Catarina, estado com melhor desempenho no índice, registra menos de 5 mortes de crianças e adolescentes por 100 mil habitantes, contra 25 por 100 mil na Bahia, um dos piores colocados. O mesmo levantamento mostra que mulheres brasileiras ainda dedicam mais do que o dobro do tempo dos homens ao cuidado com os filhos. 

Em março, o Brasil deu um passo formal nessa direção. A Lei 15.371/2026 ampliou a licença-paternidade de 5 para 20 dias, com implementação gradual até 2029, e criou o salário-paternidade para autônomos, trabalhadores informais e MEIs. É a primeira vez que a legislação trata a presença do pai nos primeiros dias como parte do desenvolvimento da criança, e não como um gesto simbólico. 

“A lei chega tarde, mas reconhece algo que a clínica mostra há anos: presença na infância não é sobre fazer tudo certo, é sobre estar acessível. É essa disponibilidade, e não a ausência de erros, que aparece 20 ou 30 anos depois como diferença entre um adulto que regula bem a própria ansiedade e outro que não”, conclui Oswaldo Petermann Neto.

 

Pais ativos inspiram filhos a praticar exercícios físicos e cuidar da saúde, apontam estudos

De acordo com o especialista em Educação Física Jauan Anselmo, exemplo paterno influencia diretamente a adoção de hábitos saudáveis pelas crianças, que aprendem na convivência diária.

 

O Dia dos Pais, celebrado no próximo domingo (9), costuma ser marcado por homenagens, encontros em família e demonstrações de carinho. Mas a data também abre espaço para uma reflexão importante: quem dedica grande parte do tempo aos cuidados com os filhos e com a família tem reservado tempo para cuidar da própria saúde?

 

A resposta, na maioria dos casos, ainda é negativa. Embora os homens representem a maior parcela dos praticantes regulares de atividade física no Brasil, muitos não conseguem manter uma rotina consistente de exercícios, principalmente após a paternidade. Falta de tempo, excesso de responsabilidades, abandono precoce dos treinos e resistência ao acompanhamento profissional estão entre os fatores que mais contribuem para esse cenário.

 

Para o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício com foco em adesão ao treino e atuante com produção de conteúdo digital voltado para a saúde, esse comportamento vai além do individual e impacta toda a dinâmica familiar.

 

"Quando um pai decide cuidar da própria saúde, ele não deve fazer pensando apenas nele, pois facilmente se torna uma referência diária para os filhos, mostrando que cuidar da qualidade de vida faz parte da rotina. As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso, e isso vale também para os hábitos relacionados à atividade física", afirma.

 

A influência paterna sobre o comportamento dos filhos é respaldada pela ciência, a exemplo do estudo publicado no conceituado Journal of Physical Activity and Health, que identificou que pais fisicamente ativos aumentam significativamente as chances de seus filhos também desenvolverem hábitos saudáveis, sendo essa influência tão importante que a materna, especialmente entre crianças do sexo masculino. Os pesquisadores apontam que a prática de atividade física pelos pais deve ser entendida como um fator de promoção da saúde de toda a família.

 

Manter a constância se torna o encalço

 

Dados do Panorama Setorial Fitness Brasil 2024 mostram que os homens representam 62% dos praticantes regulares de exercícios físicos, enquanto as mulheres correspondem a 38%. A maior concentração está justamente na faixa entre 36 e 45 anos, perfil etário que engloba boa parte dos pais brasileiros.

 

Apesar disso, a frequência às academias não significa, necessariamente, melhores resultados. Segundo Jauan, é comum que muitos homens iniciem programas de treinamento motivados por objetivos estéticos, utilizem cargas excessivas, dispensem orientação profissional e abandonem a prática ao não perceberem resultados imediatos.

 

"O perfil do pai que chega até mim quase sempre é parecido: ele quer treinar, sabe que precisa, mas acredita que não tem tempo. Entre trabalho, filhos e responsabilidades da casa, acaba colocando a própria saúde sempre em segundo plano. O problema é que isso se acumula durante anos e, quando percebe, já perdeu condicionamento, ganhou peso ou desenvolveu alguma doença que poderia ter sido evitada", ressalta o especialista.

 

De acordo com ele, uma das formas de superar essa barreira é adaptar o treinamento à realidade de cada pessoa. Nesse contexto, o acompanhamento online tem ampliado o acesso ao exercício físico por oferecer flexibilidade de horários e uma prescrição individualizada, permitindo que o treino se encaixe na rotina do aluno, e não o contrário.

 

Homens ainda procuram menos a prevenção

 

Os reflexos desse comportamento aparecem nos indicadores de saúde. Segundo o

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres no Brasil. A diferença está relacionada não apenas a fatores biológicos, mas também à menor adesão ao autocuidado, aos comportamentos de risco e à procura tardia pelos serviços de saúde.

 

Essa tendência também foi observada em pesquisa publicada em 2025 na Revista Psicologia, Diversidade e Saúde (RPDS), da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, que constatou que mesmo homens que trabalham na área da saúde costumam buscar atendimento apenas quando já apresentam alguma doença instalada, recorrendo com maior frequência aos serviços de média e alta complexidade do que às ações preventivas. 

 

Para os pesquisadores, é necessário ampliar estratégias que estimulem o público masculino a incorporar o autocuidado como parte da rotina. Na avaliação de Jauan Anselmo, esse processo começa por uma mudança de mentalidade.

 

"Existe uma ideia equivocada de que cuidar de si é algo secundário ou até banal quando se tem filhos, sendo exatamente o contrário. O pai que preserva sua saúde aumenta suas chances de acompanhar o crescimento dos filhos com disposição e autonomia, estando presente, saudável e ativo durante muitos anos", conclui o especialista.

 

Dia dos Pais: pesquisa mostra que parceiros são fundamentais na maternidade, mas o cuidado com os filhos ainda recai principalmente sobre as mães

A chegada de um filho muda a rotina, a dinâmica do casal e a forma como a família se organiza. Nos primeiros anos da maternidade, o parceiro é apontado pelas mães como a principal pessoa com quem podem contar. Ainda assim, a responsabilidade pelos cuidados diários permanece concentrada, em grande parte, nas mulheres.

Esse é um dos resultados da pesquisa "Mulher e Agora Mãe – Volume II", realizada pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência, com 1.138 mulheres, mães ou responsáveis por crianças de até 2 anos, de todas as regiões do país.

Entre as entrevistadas, 71% afirmam que o parceiro é seu principal apoio nos cuidados com o bebê. Apesar disso, 77% concentram a maior parte dos cuidados com os filhos, seja porque cuidam sozinhas na maior parte do tempo (19%) ou porque continuam sendo as principais responsáveis, mesmo contando com a participação do parceiro (58%). Apenas 21% relatam uma divisão mais equilibrada dos cuidados.


A parceria existe, mas a divisão do cuidado ainda é desigual

A pesquisa mostra que o desafio não está apenas na presença do pai, mas na forma como o cuidado é compartilhado no dia a dia.

Mesmo entre as mães que estão trabalhando, 71% seguem como as principais responsáveis pelos filhos. Entre aquelas que não exercem atividade profissional, esse percentual chega a 88%, indicando que a concentração dos cuidados permanece elevada em diferentes contextos familiares.

Para Mirian Rodrigues, presidente do CineMaterna: "O parceiro ocupa um lugar central na experiência da maternidade, mas a pesquisa mostra que isso nem sempre significa uma divisão equilibrada das responsabilidades. O desafio da parentalidade é construir uma rotina em que o cuidado deixe de ser atribuído principalmente à mãe e passe a ser efetivamente compartilhado."


Quando o parceiro não está presente

A pesquisa também evidencia diferenças importantes entre os perfis das mães. 13% das entrevistadas se identificam como mães solo, proporção que sobe para 18% entre as mulheres com renda familiar de até R$ 7,5 mil e para 20% entre aquelas com ensino fundamental incompleto, mostrando que a maternidade solo está mais presente em contextos de maior vulnerabilidade social.

Para Juliana Vanin, economista e consultora executiva da NOZ Inteligência" Quando a ausência de um parceiro se combina com menor renda e escolaridade, ela frequentemente se soma a outras vulnerabilidades, ampliando os desafios da maternidade e reforçando a importância de políticas públicas e redes de apoio para essas mulheres."

 

Paternidade também transforma a relação do casal

A chegada de um filho não impacta apenas a rotina, mas também o relacionamento.

Entre as mães casadas ou em união estável, 22% afirmam que ficaram mais próximas e conectadas ao parceiro, enquanto 45% dizem que o relacionamento mudou, mas permaneceu equilibrado. Por outro lado, 33% relatam que houve mais conflitos ou distanciamento após o nascimento do bebê.

Os dados sugerem que a parentalidade inaugura uma nova dinâmica para o casal, exigindo diálogo, reorganização da rotina e construção conjunta das responsabilidades. Segundo Mirian Rodrigues, presidente do CineMaterna: "A chegada de um filho transforma profundamente a vida do casal. É um período de muitas descobertas, mas também de adaptação. Quando existe diálogo, parceria e divisão das responsabilidades, a experiência tende a ser mais leve para toda a família. A paternidade também se constrói no cuidado cotidiano."


Neste Dia dos Pais

A pesquisa convida a olhar para a paternidade para além da presença afetiva. Os resultados mostram que o parceiro ocupa um papel importante na vida das mães e dos filhos, mas também indicam que ainda há espaço para avançar na divisão das responsabilidades do cuidado.

Compartilhar o cotidiano, o tempo e as decisões relacionadas aos filhos não beneficia apenas as mães. Contribui para relações familiares mais equilibradas e para uma experiência de parentalidade mais saudável para todos.


Sobre a pesquisa

A pesquisa “Mulher e Agora Mãe – Volume II” foi realizada pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência e ouviu 1.138 mulheres com filhos de até 2 anos em todo o Brasil.

O estudo aborda temas como saúde emocional, rede de apoio, divisão de cuidados, trabalho, lazer, relacionamento, identidade feminina e os desafios da maternidade contemporânea.

A pesquisa completa está disponível em:

https://www.nozinteligencia.com.br/cinematerna

 


Sobre os realizadores

CineMaterna
O CineMaterna é uma iniciativa de impacto social, sem fins lucrativos, que tem como propósito acolher mulheres no período da maternidade por meio da cultura. Seu trabalho busca promover o resgate social da puérpera, criando oportunidades para que mães com bebês retomem gradualmente sua vida fora de casa, em ambientes preparados e acolhedores. Além disso, o CineMaterna incentiva a troca de experiências entre mulheres sobre os desafios e vivências da maternidade, fortalecendo redes de apoio e pertencimento.
www.cinematerna.org.br/


NOZ Inteligência
A NOZ Inteligência é uma consultoria que, desde 2015, atua de forma personalizada na produção de conteúdo qualificado para empresas, projetos e causas. Combinando conhecimentos de economia comportamental, pesquisa de mercado, planejamento estratégico, financeiro e de marketing, a NOZ gera análises estratégicas para apoiar a tomada de decisões. Além da consultoria em mercado e tendências, também realiza estudos públicos sobre temas de impacto social, com o objetivo de fomentar reflexões e promover debates construtivos.
www.nozinteligencia.com.br/cinematerna2026


Endividamento financeiro está mais ligado às emoções do que à falta de conhecimento, aponta psicólogo

 

O endividamento dos brasileiros costuma ser associado à perda de renda, ao desemprego ou à falta de educação financeira. No entanto, especialistas alertam que a forma como as pessoas lidam com o dinheiro também é fortemente influenciada por emoções, crenças e padrões cognitivos. Essa relação tem ganhado espaço na psicologia econômica e na chamada terapia financeira, abordagem que integra conhecimentos da psicologia para compreender os comportamentos relacionados ao dinheiro. O tema se torna ainda mais relevante diante do cenário nacional atual. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apresentada em junho pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida.

De acordo com o psicólogo Paulo Zago Neto, também conhecido como Neto Zago, as dívidas que se arrastam por muito tempo é, em geral, o reflexo de uma complexa relação entre fatores cognitivos e emocionais.  O dinheiro vai muito além de sua função econômica, carrega uma bagagem de significados afetivos construídos ao longo da vida. Dessa forma, muitas das escolhas financeiras deixam de ser puramente lógica, sendo moldadas por sentimentos, vivências passadas, necessidade de segurança, busca por status e questões de autoestima.

Quando a pessoa entende quais emoções estão dirigindo suas decisões financeiras, ela deixa de reagir automaticamente aos impulsos e passa a fazer escolhas mais conscientes. Em meus atendimentos, identifiquei sete padrões recorrentes associados ao endividamento financeiro: desregulação emocional, déficit de alfabetização financeira, antecipação de sonhos por meio de financiamentos e dívidas, uso do dinheiro como instrumento de autoafirmação, orgulho e resistência em reconhecer dificuldades financeiras, tomada de decisões baseada predominantemente nas emoções, e ausência de planejamento financeiro de médio e longo prazo. A atuação simultânea desses elementos pode dar origem a um ciclo repetitivo de ações que dificultam a recuperação financeira”, diz Neto Zago.

Um dos principais objetivos da psicoterapia é ajudar o indivíduo a reconhecer os gatilhos emocionais que antecedem decisões financeiras impulsivas. É comum observar que emoções específicas funcionam como desencadeadores de comportamentos de consumo, como a ansiedade, tristeza, estresse e a solidão. Outro aspecto observado é a busca por validação social por meio do consumo, comportamento potencializado pelas redes sociais e pela cultura da comparação. Quando a pessoa utiliza o consumo para preencher necessidades emocionais ou para validar seu próprio valor, a satisfação costuma ser temporária. Sem compreender a origem desse comportamento, ela tende a repetir o ciclo, comprometendo cada vez mais sua saúde financeira e emocional.

Segundo Zago Neto, a educação financeira é fundamental, mas ela precisa caminhar junto com o autoconhecimento e o desenvolvimento da inteligência emocional. Quando o indivíduo aprende a identificar os gatilhos que influenciam suas decisões e desenvolve estratégias mais saudáveis para lidar com suas emoções, aumentam significativamente as chances de construir uma relação equilibrada com o dinheiro. Falar sobre finanças também é falar sobre comportamento humano.

Para saber mais, acesse: www.instagram.com/netozagopsicologo

 

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