Pesquisar no Blog

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Enquanto o mundo pergunta o que a Inteligência Artificial fará com a arquitetura, a pergunta mais urgente é: o que a arquitetura fará pelos seres humanos?

 Ao completar sete anos, a NEUROARQ® Academy defende que ciência e dados humanos serão tão importantes para o futuro da profissão quanto as novas tecnologias

 

Enquanto o mundo pergunta o que a Inteligência Artificial vai fazer com a arquitetura, a pergunta mais urgente talvez seja outra: o que a arquitetura vai fazer pelos seres humanos?

 

Em 20 de agosto de 2026, a NEUROARQ® Academy completa sete anos. Quando fundamos a Academia Brasileira de Neurociência e Arquitetura, em 2019, partimos de uma convicção: o futuro da profissão não poderia ser discutido apenas a partir das ferramentas utilizadas para projetar. Seria necessário compreender, com mais profundidade, as pessoas que habitam os espaços.

 

Nesse período, a Inteligência Artificial passou de promessa a realidade profissional. Segundo o relatório de 2026 do Royal Institute of British Architects, 74% dos escritórios britânicos consultados já utilizam IA em pelo menos parte de seus projetos. A tecnologia pode analisar dados, automatizar processos, testar cenários e ampliar a capacidade criativa. Mas não experimenta os ambientes que ajuda a conceber.

 

Uma IA não sente acolhimento, solidão, cansaço, medo, sobrecarga sensorial ou pertencimento. Não percebe o ofuscamento de uma luminária, o ruído que impede a concentração ou a insegurança provocada por um percurso mal planejado. Essas experiências continuam sendo humanas, e deveriam ocupar o centro das decisões de projeto.

 

Essa mudança de perspectiva é urgente. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde estimou que uma em cada seis pessoas no mundo vivencia a solidão. Ansiedade, depressão e burnout também avançam, enquanto a hiperconectividade digital convive, paradoxalmente, com a perda de vínculos sociais reais.

 

Diante desse cenário, a arquitetura precisa voltar a ser entendida como infraestrutura de conexão humana. Áreas comuns convidativas, diferentes escalas de convivência, espaços públicos acolhedores e percursos que favoreçam encontros podem criar oportunidades de vínculo. Não se trata de obrigar as pessoas a interagir, mas de permitir que a vida coletiva aconteça.

 

O mesmo raciocínio se aplica à saúde mental. A arquitetura não cura transtornos psicológicos nem substitui cuidados especializados, mas pode evitar a produção de estresse desnecessário. Conforto acústico, iluminação adequada, legibilidade espacial, privacidade e possibilidade de escolha ajudam a reduzir a carga cognitiva e a tornar o ambiente menos hostil ao sistema nervoso.

 

Também estamos nos movimentando cada vez menos. A OMS calcula que 31% dos adultos não atingem os níveis recomendados de atividade física. Quando edifícios escondem escadas, desencorajam caminhadas e concentram todas as atividades em torno de telas, o próprio espaço reforça a inatividade. O design pode fazer o contrário: tornar o movimento mais intuitivo, agradável e acessível.

 

Ao mesmo tempo, precisamos reconstruir nossa relação com a natureza. A biofilia não deveria ser reduzida a uma escolha estética ou à presença isolada de plantas. Luz natural, ventilação, vistas para áreas verdes e contato real com espaços externos podem integrar estratégias de bem-estar. Em ambientes hospitalares, pesquisas já relacionam intervenções biofílicas a benefícios para pacientes e profissionais.

 

Solidão, saúde mental, sedentarismo, desconexão com a natureza, excesso de telas e cidades desumanizadas parecem desafios diferentes, mas apontam para a mesma direção: precisamos projetar com base em como as pessoas realmente percebem, utilizam e respondem aos ambientes.

 

É nesse ponto que a neuroarquitetura se torna uma metodologia para o futuro. Isso significa combinar criatividade com avaliações pós-ocupação, observação de comportamentos, entrevistas, escalas de percepção e indicadores de conforto. Significa substituir decisões baseadas apenas em preferências pessoais ou tendências estéticas por escolhas que também possam ser observadas, testadas e aperfeiçoadas.

 

A ciência, naturalmente, não oferece receitas universais. Pessoas de diferentes idades, culturas, histórias e condições neurológicas não respondem da mesma maneira ao espaço. Projetar com dados humanos não é padronizar experiências, mas reconhecer essa diversidade.

 

Ao longo de sete anos, a NEUROARQ® Academy ajudou a levar essa discussão para a prática profissional brasileira. Foram criados cursos, formações, conferências, publicações, ferramentas de percepção ambiental, um MBA em Neuroarquitetura e Design para o Bem-Estar Humano e uma comunidade que reúne mais de 700 profissionais.

 

Ser pioneira não significa apenas ter chegado antes. Significa sustentar uma discussão, criar pontes entre pesquisa e prática e defender uma aplicação responsável da ciência na arquitetura.

 

A Inteligência Artificial certamente participará do futuro da profissão. Mas ela deve permanecer como ferramenta, não como protagonista. O protagonismo pertence às pessoas que vivem, trabalham, aprendem, se recuperam e constroem relações dentro dos espaços que projetamos.

 

A neuroarquitetura não é uma tendência estética. É a metodologia que conecta ciência, dados humanos e design para responder às maiores urgências do nosso tempo. O verdadeiro avanço da arquitetura não será medido apenas pelo que a tecnologia será capaz de produzir, mas pela qualidade de vida que nossos espaços serão capazes de promover.

 


Gabi Sartori - Certificada em Neuroscience and Architecture, Design and Urbanism (Newschool, EUA). Arquiteta e urbanista, graduada também em comunicação social, especialista em arquitetura comercial pelo Senac/SP e se especializando em neurociência e desenvolvimento infantil pela PUCRS. A NEUROARQ Academy é a principal instituição brasileira dedicada ao estudo e disseminação da neuroarquitetura. Focada na interseção entre neurociência e o ambiente construído, a academia lidera o movimento educacional para capacitar profissionais a projetarem espaços empáticos que promovam saúde, bem-estar e alta performance, sempre baseados em evidências científicas e foco no ser humano


Priscilla Bencke - arquiteta e urbanista, especialista em arquitetura corporativa e uma das principais referências em neuroarquitetura no Brasil. Com dupla expertise, possui certificação em Neuroscience and Architecture pela Newschool (EUA) e em Saúde Mental pelo Hospital Albert Einstein. Atua como consultora internacional de Qualidade em Escritórios e é fundadora da QUALIDADE CORPORATIVA Smart Workplaces®. É palestrante reconhecida, TEDx Speaker, e possui forte atuação acadêmica global, orientando o mercado sobre a intersecção entre design, saúde mental e performance.



Busca dos brasileiros por crédito cresceu 16,5% em junho, aponta Serasa Experian

• Consumidores com renda de 1 a 2 salários mínimos lideraram a demanda por crédito no acumulado de 12 meses, com alta de 35,2%; 

• Mato Grosso (29,9%), Acre (24,8%) e Roraima (24,4%) registraram os maiores avanços entre os estados.

 

A busca dos brasileiros por crédito registrou crescimento de 16,5% no acumulado dos últimos 12 meses até junho, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país. Entre as faixas de renda, os consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos apresentaram a maior alta no período (35,2%). Na sequência apareceram aqueles com renda de até 1 salário mínimo (18,1%), depois de 5 a 10 salários mínimos (16,1%) e acima de 10 salários mínimos (12,9%). Já a faixa de 2 a 5 salários mínimos permaneceu em retração (-1,5%). Veja, no gráfico e na tabela abaixo, o detalhamento dos dados:

 


Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a composição da demanda reforça que o mercado de crédito continua refletindo um ambiente macroeconômico desafiador. “O avanço mais intenso da demanda por crédito entre os consumidores de menor renda mostra que, nesse segmento, a necessidade de acesso ao crédito continua prevalecendo mesmo em um ambiente de custo elevado. Isso reforça que, para muitas famílias, o crédito está menos associado ao consumo discricionário e mais à administração do orçamento doméstico e à manutenção das despesas essenciais", explica a executiva da datatech.


Demanda por crédito ganhou força em Mato Grosso

Na análise por Unidades Federativas (UFs), a procura por crédito apresentou crescimento em todo o país ao longo dos últimos 12 meses, ainda que em intensidades distintas entre os estados. Mato Grosso (29,9%) liderou o ranking nacional, seguido do Acre (24,8%) e de Roraima (24,4%). Também se destacaram Amapá (22,6%), Mato Grosso do Sul (22,1%) e Rio Grande do Sul (22,1%). Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Distrito Federal (11,4%), Santa Catarina (12,8%) e São Paulo (13,2%). Confira o detalhamento estadual no gráfico abaixo: 

 

Variação anual manteve crescimento de dois dígitos 

Na comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda por crédito cresceu 14,8%. Entre as faixas de renda, os consumidores com rendimento de 1 a 2 salários mínimos registraram a maior expansão (50,8%), enquanto aqueles com renda de 2 a 5 salários mínimos cresceram 7,4% e os de 5 a 10 salários mínimos, 2,7%. Já as demais faixas apresentaram retração. Confira o detalhamento dos dados mês a mês no gráfico e na tabela abaixo: 



Para a economista-chefe da datatech, “as famílias de menor renda tendem a estar mais expostas às modalidades de crédito rotativo, que concentram algumas das taxas de juros mais elevadas do mercado. Em momentos de dificuldade financeira, o peso desses encargos pode comprometer uma parcela significativa da renda disponível, elevando o risco de inadimplência. Esse cenário contribui para uma desaceleração no ritmo das concessões, à medida que as instituições financeiras adotam uma postura mais cautelosa diante do aumento do risco de crédito. Ainda assim, a demanda segue em trajetória de crescimento, evidenciando que, para uma parcela importante dos brasileiros, o crédito continua desempenhando um papel essencial na gestão do orçamento, do fluxo de caixa das famílias e na antecipação da capacidade de consumo para fazer frente às despesas do dia a dia”, conclui Camila.

 

Para conferir mais informações e a série histórica do indicador, clique aqui.

 

Metodologia do indicador 

O Indicador Serasa Experian da Demanda dos Consumidores por Crédito é construído a partir de uma amostra significativa de CPFs, consultados mensalmente na base de dados da Serasa Experian. A quantidade de CPFs consultados, especificamente nas transações que configuram alguma relação creditícia entre os consumidores e instituições do sistema financeiro ou empresas não financeiras, é transformada em número índice (média de 2024 = 100). O indicador é segmentado por UF e por classe de rendimento mensal.

 



Experian

experianplc.com

A reforma tributária e o custo invisível para o terceiro setor

 

A reforma tributária em implementação no Brasil representa uma das mais profundas mudanças no sistema fiscal das últimas décadas. A simplificação prometida — com a substituição de ICMS, ISS, PIS e Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), instituídos pela Lei Complementar nº 214/2025 — pode gerar ganhos de eficiência para a economia. Para o terceiro setor, contudo, especialmente para instituições filantrópicas que atuam em saúde e educação, o novo modelo exige atenção imediata.

O alerta não está na perda das imunidades constitucionais, que permanecem asseguradas. O risco está na lógica de funcionamento do novo sistema tributário sobre o consumo. O modelo de IBS e CBS foi estruturado com base na não cumulatividade plena e na geração de créditos financeiros ao longo da cadeia produtiva. Em tese, esse mecanismo evita a tributação em cascata. Na prática, porém, cria dificuldades para organizações que não conseguem aproveitar plenamente esses créditos. Embora muitas instituições filantrópicas permaneçam isentas, seus fornecedores não estão na mesma situação — e parte deste custo tende a ser incorporada ao preço final de insumos e serviços essenciais.

Um estudo técnico da LCA Consultoria Econômica, encomendado pelo Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif), aponta que a reforma tributária poderá elevar a carga indireta das instituições filantrópicas em diferentes áreas de atuação. O impacto estimado é de 4,2% na educação, 11,2% na assistência social e 1,8% na saúde.

O impacto pode ser particularmente sensível à saúde. Segundo a Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), essas instituições respondem por cerca de 61% das internações de alta complexidade do SUS. O país possui aproximadamente 1,8 mil hospitais filantrópicos, que oferecem 184 mil leitos, dos quais mais de 129 mil atendem ao sistema público. Em cerca de 900 municípios, esses hospitais são os únicos prestadores hospitalares existentes. A rede filantrópica realiza anualmente cerca de 5 milhões de internações, 1,7 milhão de cirurgias e mais de 220 milhões de atendimentos ambulatoriais.

Esse sistema, porém, já opera sob forte pressão financeira. A própria CMB estima que a defasagem média da tabela SUS chega a cerca de 60% em relação ao custo real dos procedimentos. O setor também acumula aproximadamente R$ 15 bilhões em dívidas. Estudos citados por entidades hospitalares indicam que a mudança no modelo tributário pode elevar os custos das instituições filantrópicas de saúde em até 27%, caso não haja mecanismos adequados de compensação. Se isso ocorrer, o impacto não será apenas institucional. Ele poderá afetar diretamente a capacidade de atendimento do próprio sistema público.

Outro equívoco recorrente é tratar a reforma tributária apenas como um tema contábil. Na realidade, trata-se de uma transformação estrutural na forma como os custos são gerados e distribuídos ao longo da cadeia econômica. O novo modelo exige rastreabilidade das operações, integração entre as áreas fiscal, financeira e de compras e maior sofisticação nos sistemas de gestão.

Por isso, a resposta do terceiro setor não pode ser passiva. Instituições filantrópicas precisam revisar contratos com fornecedores, mapear riscos ao longo da cadeia de suprimentos, integrar áreas estratégicas e atualizar seus sistemas de controle. Também será essencial incorporar simulações de impacto tributário ao planejamento financeiro de médio prazo.

A reforma tributária não é apenas uma mudança na legislação fiscal. Ela representa uma transformação na forma de gerir operações. Para organizações que sustentam parte significativa da saúde e da educação no país, a antecipação, o planejamento e a governança serão decisivos para preservar sua sustentabilidade. Sem preparação adequada, uma reforma concebida para simplificar o sistema pode acabar agravando a fragilidade financeira de instituições que prestam serviços indispensáveis a milhões de brasileiros. 

 


Carmem Murara - diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Grupo Marista, onde é responsável pelas áreas de Comunicação Corporativa e ESG. Também é diretora de Comunicação do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif).


Consignado: quando ele vale a pena e como usar o crédito de forma consciente


 Cooperativa reforça compromisso com educação financeira e destaca que crédito deve ser uma ferramenta para realização de objetivos e equilíbrio financeiro
 

O acesso ao crédito pode ser um importante aliado na realização de projetos, na reorganização das finanças ou na substituição de dívidas mais caras. No entanto, para que ele realmente contribua para a saúde financeira, é fundamental que seja contratado de forma consciente, com planejamento e dentro da capacidade de pagamento de cada pessoa. Essa é a orientação do Sicoob, que reforça seu compromisso com a educação financeira e com um dos princípios do cooperativismo: promover informação e orientação para que os cooperados façam escolhas financeiras sustentáveis. 

Entre as modalidades disponíveis, o crédito consignado continua sendo uma das opções mais acessíveis para servidores públicos, trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas do INSS. Como as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento, essa modalidade costuma oferecer taxas de juros mais competitivas do que outras linhas de crédito, como cartão de crédito, crédito pessoal e cheque especial. 

Segundo Taiza Dantas de Oliveira, analista de Relacionamento do Sicoob Coopjustiça, o consignado é mais vantajoso quando contribui para melhorar a saúde financeira do cooperado. "Antes de contratar qualquer crédito, é fundamental entender a real necessidade daquele recurso. Quando utilizado para substituir uma dívida mais cara, reorganizar o orçamento ou realizar um projeto planejado, o consignado pode ser um importante aliado. O que não recomendamos é que ele seja utilizado como complemento da renda ou para manter um padrão de consumo que não cabe no orçamento”, diz. Ela ressalta que esse olhar faz parte da essência do cooperativismo.

"No Sicoob, nosso compromisso não é apenas conceder crédito, mas orientar o cooperado para que ele tome decisões financeiras conscientes. A educação financeira é um dos princípios que norteiam nosso relacionamento. Queremos que o cooperado utilize o crédito de forma saudável, preservando seu equilíbrio financeiro no presente e no futuro”, aponta Taiza.
 

Por ser uma cooperativa financeira, o Sicoob possui uma dinâmica diferente das instituições tradicionais. Como não tem finalidade de maximizar lucros para acionistas, os resultados retornam para os próprios cooperados na forma de melhores condições, desenvolvimento da cooperativa e fortalecimento da comunidade. Essa estrutura permite oferecer taxas mais competitivas e um relacionamento baseado na orientação e no interesse coletivo. 

Entre os principais benefícios do crédito consignado estão as taxas reduzidas, parcelas fixas descontadas diretamente da folha de pagamento, e prazos que podem chegar a até 96 meses, conforme o convênio e as regras aplicáveis. No Sicoob Coopjustiça, integrante do Sistema Sicoob, os cooperados encontram condições competitivas e alinhadas à política comercial do sistema cooperativo, com taxas bastante atrativas para as modalidades de consignado. Como cooperativa financeira, o Sicoob busca oferecer soluções de crédito sustentáveis, conciliando boas condições financeiras com orientação para o uso consciente do crédito. 

As taxas variam de acordo com o convênio, o perfil do cooperado e a modalidade contratada. Para servidores públicos, por exemplo, o Sistema Sicoob prática taxas competitivas em relação ao mercado, enquanto, nos bancos tradicionais, os percentuais costumam ser superiores. 

No caso dos aposentados e pensionistas do INSS, o teto regulamentado atualmente é de 1,80% ao mês para empréstimo consignado e 2,67% ao mês para cartão consignado.

 

Crédito com orientação

Mais do que oferecer boas taxas, o Sicoob acredita que a concessão de crédito deve estar acompanhada de orientação financeira. Especialistas em educação financeira recomendam que o consignado seja utilizado principalmente em três situações: substituir dívidas com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial; consolidar diferentes empréstimos em uma única parcela, facilitando o controle do orçamento e financiar projetos previamente planejados, desde que a prestação seja compatível com a renda familiar.

Quando o consignado faz sentido

O crédito consignado é uma ferramenta financeira e deve ser utilizado de forma estratégica. "O pior empréstimo é aquele contratado sem propósito. Quando a pessoa não sabe exatamente para onde o dinheiro foi, dificilmente conseguirá melhorar sua situação financeira. O consignado não deve substituir o planejamento financeiro nem ser tratado como uma extensão do salário", destaca Taiza. 

Ela explica que é comum encontrar pessoas que contrataram diversos empréstimos pequenos ao longo do tempo e acabaram comprometendo boa parte da renda mensal. Nesses casos, uma consolidação das dívidas pode representar uma solução mais saudável. 

Outro ponto importante é respeitar a capacidade de pagamento. Mesmo quando existe margem disponível para contratar um valor maior, o ideal é que as parcelas não comprometam mais do que cerca de 30% da renda mensal, preservando espaço no orçamento para despesas essenciais e imprevistos. A recomendação está alinhada, inclusive, às mudanças previstas na legislação, que estabelecem a redução gradual da margem consignável dos servidores federais dos atuais 40% para 30% até 2031.

 

Segurança na contratação

Além de utilizar o crédito de forma consciente, é fundamental contratar operações apenas por meio de instituições financeiras autorizadas e canais oficiais. No Sicoob, as operações de crédito consignado seguem todas as exigências estabelecidas pelo Governo Federal. O sistema da cooperativa é integrado às plataformas oficiais e, nas operações em que a legislação exige, a liberação do crédito somente ocorre após a validação da identidade do cooperado por meio do reconhecimento facial (biometria facial), garantindo mais segurança para o processo e reduzindo significativamente o risco de fraudes. 

Desde 2026, as novas regras para o consignado do INSS reforçaram ainda mais essa proteção, tornando obrigatória a validação biométrica para novas contratações e bloqueando automaticamente o benefício após cada operação. Também deixaram de ser permitidas contratações por telefone ou por procuração. 

O Sicoob orienta ainda que o cooperado nunca realize pagamentos antecipados para obtenção de crédito, desconfie de ofertas com promessas de liberação imediata ou condições muito acima das praticadas pelo mercado e utilize sempre os canais oficiais da cooperativa para contratar qualquer operação. 


Fonte: https://www.nexus.fsb.com.br/estudos-divulgados/apesar-de-valorizarem-presenca-paterna-metade-dos-brasileiros-acha-pais-de-hoje-menos-participativos-que-os-do-passado/


O turista chegou a São Paulo. O próximo destino pode estar no interior

Viagens curtas, turismo rural e experiências equestres ampliam as possibilidades para quem visita a capital paulista
 

São Paulo costuma ser lembrada pelo turismo de negócios, pela gastronomia, pelos grandes eventos e pela intensa programação cultural. Porém, a chegada de visitantes à capital também pode impulsionar um movimento para além da metrópole: a descoberta de destinos próximos, acessíveis por carro e adequados a viagens de um ou dois dias. 

A possibilidade de combinar a estadia na capital com uma experiência no interior vem ganhando espaço entre famílias, casais e grupos de amigos que procuram desacelerar, entrar em contato com a natureza e aproveitar melhor o final de semana. Nesse contexto, atividades como turismo rural, passeios a cavalo, gastronomia regional e hospedagens integradas ao campo ajudam a diversificar a oferta turística paulista. 

A proximidade entre São Paulo e diferentes cidades do interior permite que o visitante inclua uma nova experiência no roteiro sem precisar organizar uma viagem longa ou complexa. Em muitos casos, é possível sair da capital pela manhã, participar de atividades ao ar livre, conhecer a cultura local e retornar no mesmo dia ou permanecer por uma noite. 

Para o Haras Luminar, dedicado ao lazer e ao turismo equestre, essa mudança também acompanha novas prioridades dos visitantes. Mais do que conhecer um lugar, o público busca experiências que permitam criar memórias, conviver em família e experimentar atividades diferentes da rotina urbana. 

"O visitante não quer apenas preencher uma agenda. Ele procura vivências que tragam conexão, descanso e contato com a natureza. O turismo equestre reúne esses elementos e ainda apresenta uma alternativa acessível para quem está em São Paulo e deseja aproveitar melhor o final de semana", afirma Danielle Bispo, sócia do Haras Luminar. 

Os passeios a cavalo também contribuem para aproximar novos públicos do universo equestre. A atividade pode ser adaptada para diferentes níveis de experiência, incluindo pessoas que nunca tiveram contato com cavalos, desde que realizada com acompanhamento profissional e estrutura adequada. 

Além de ampliar a permanência do turista no estado, a conexão entre capital e interior ajuda a distribuir os benefícios econômicos da atividade turística. Restaurantes, pousadas, produtores locais, guias e empreendimentos de lazer passam a integrar uma cadeia que movimenta diferentes municípios. 

O desafio agora é tornar essas possibilidades mais visíveis. Para isso, destinos do interior, agências, hotéis da capital e operadores de turismo podem trabalhar de forma mais integrada, oferecendo roteiros complementares e facilitando o acesso à informação. 

São Paulo já recebe o turista. O próximo passo é mostrar que, a poucos quilômetros dos prédios, museus e restaurantes da capital, existe outro estado esperando para ser descoberto.


Lei Maria da Penha: 20 anos de transformação, desafios e o papel da advocacia na proteção das mulheres

 Presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB SP, Maíra Recchia, avalia os efeitos da legislação, os obstáculos ainda existentes e as iniciativas da OAB SP voltadas ao tema

 

Há duas décadas, a Lei Maria da Penha mudou a forma como o Brasil enfrenta a violência contra a mulher. Reconhecida internacionalmente como uma das legislações mais avançadas sobre o tema no mundo, ela ampliou mecanismos de proteção, fortaleceu políticas públicas e reforçou que a violência doméstica é uma questão de interesse coletivo, e não um problema restrito ao ambiente familiar. 

Apesar dos avanços, os desafios permanecem. A violência contra as mulheres continua em níveis alarmantes e assume novas formas, impulsionadas pela tecnologia, pelas redes sociais e pela violência psicológica e digital. Nesse contexto, a advocacia também amplia sua atuação, contribuindo não apenas na defesa de direitos, mas também na prevenção, na orientação jurídica e no fortalecimento da rede de proteção. 

Nesta entrevista, a presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB SP, Maíra Recchia, faz um balanço dos 20 anos da Lei Maria da Penha, analisa os principais desafios para sua efetividade e apresenta as iniciativas desenvolvidas pela Ordem para ampliar a proteção às mulheres. 

Em praticamente duas décadas, a Lei Maria da Penha transformou a forma como o Brasil enxerga e enfrenta a violência contra a mulher, sendo ela reconhecida internacionalmente como uma das legislações mais avançadas no mundo. Na sua avaliação, qual é o principal legado desta lei e quais desafios ainda impedem que ela seja plenamente efetiva?

 

Maíra Recchia: Acho que o maior legado da Lei foi tirar um problema tão grave quanto a violência contra as mulheres do âmbito privado e trazer essa discussão para a esfera pública. Desde o advento da lei, caiu aquele velho jargão de que "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher". A violência doméstica passou a ser tratada como uma questão de política pública e como um problema estrutural, que reflete relações ainda pautadas e marcadas pelo machismo e pela misoginia no Brasil. 

Quando esse debate é levado para a esfera pública, você também entende isso como um problema de saúde pública, de política pública. Você coloca uma lupa sobre um fenômeno social que elimina, mata e violenta mulheres. E aí você atrai o debate para a sociedade. 

Para além disso, um dos grandes legados são as medidas protetivas de urgência. Além de trazer o enfoque do debate para a esfera pública, você tem medidas que são rapidamente conferidas pelo Judiciário para proteger a vítima, afastar o agressor e garantir a preservação da integridade física e psicológica da mulher. Em muitos casos, essas medidas também alcançam os filhos e envolvem providências como a fixação de pensão alimentícia, entre outras garantias. Trata-se de uma ferramenta legislativa de extrema importância, aplicada pelo Judiciário para assegurar proteção efetiva às vítimas de violência. Ainda há muitos desafios a superar, mas, sem dúvida, a Lei Maria da Penha representa um marco e um verdadeiro divisor de águas na proteção das mulheres no Brasil.

 

  1. Muita gente acredita que a Lei Maria da Penha é apenas uma lei criminal. O que mais podemos dizer sobre ela?

Maíra Recchia: A Lei Maria da Penha não é uma lei criminal. Costumamos dizer que ela é uma lei híbrida. Não necessariamente é preciso haver um boletim de ocorrência para que uma medida protetiva de urgência seja deferida. Ela reúne uma série de aspectos, inclusive multidisciplinares. Há previsões voltadas ao tratamento do agressor, justamente porque, quando ocorre uma situação de violência doméstica e esse agressor é afastado do lar conjugal, invariavelmente ele constituirá novos núcleos familiares e poderá continuar reproduzindo a violência em outros contextos. Caso contrário, estaremos apenas enxugando gelo. 

Assim, a lei traz uma série de previsões multifacetadas que visam não apenas proteger a mulher, mas também punir e ressocializar o agressor. Além disso, contempla diversas medidas de cunho social. Por isso, dizemos que a Lei Maria da Penha é uma lei híbrida.


  1. A violência contra a mulher também mudou ao longo desses 20 anos, passando a incluir outras formas, como a violência digital. Como a advocacia e as instituições precisam se reinventar para responder a essa nova realidade?

Maíra Recchia: Não digo que a violência mudou, mas a forma de tipificá-la também foi evoluindo. Sempre falo que os fenômenos legislativos são respostas aos fenômenos sociais. Hoje, por exemplo, há previsões na Lei Maria da Penha que não existiam há algum tempo, como a violência psicológica, a violência digital e a violência psicológica digital. São previsões legislativas mais recentes, incluídas na lei para acompanhar essas novas formas de violência. 

Também foi incorporada a violência processual, um fenômeno que passamos a observar quando os agressores são afastados do lar conjugal ou, muitas vezes, mesmo sem a concessão de uma medida protetiva de urgência, quando se inicia uma disputa judicial de divórcio ou de guarda. Nesses casos, vemos que o processo judicial acaba sendo utilizado como instrumento para dar continuidade à violência contra a mulher. Falamos, então, em litigância abusiva e em violência processual, quando o processo se transforma em um meio de perpetuar a violência que, muitas vezes, antes era praticada dentro de casa. Hoje, isso já tem previsão legal. 

Temos também o fenômeno da violência vicária, que é a violência praticada contra os filhos ou outros familiares da mulher, justamente para atingi-la. 

Além disso, independentemente da Lei Maria da Penha, estamos trabalhando pela aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia, porque entendemos que ela é um fator preponderante para que a violência contra as mulheres continue atingindo índices alarmantes e, mais do que isso, para o aumento da crueldade com que essa violência é praticada. Então, eu diria que a lei busca acompanhar os fenômenos sociais. 

A OAB SP defende que o enfrentamento à violência contra a mulher começa antes mesmo da denúncia e exige a atuação integrada de diferentes setores da sociedade. Como a entidade, por meio da Comissão das Mulheres Advogadas, tem atuado na prevenção, na conscientização, na capacitação e no acolhimento das vítimas? De que forma essas iniciativas contribuem para fortalecer a rede de proteção e promover uma mudança estrutural no combate à violência de gênero?

 

Maíra Recchia: A gente acredita em algumas frentes. A primeira é, de fato, a prevenção e a mudança de cultura da sociedade brasileira. A gente não pode mais admitir que as mulheres sejam açoitadas da casa ao trabalho. Elas sofrem violência física, psicológica, patrimonial, sexual e moral dentro de casa e, muitas vezes, chegam ao trabalho. No caminho, sofrem importunação sexual e, quando chegam ao ambiente de trabalho, enfrentam assédio moral e assédio sexual. 

Eu sempre digo que temos uma gama de legislações para proteger as mulheres, e que bom que temos isso no Brasil. Mas isso também é um sinal muito claro de que fracassamos enquanto sociedade. Temos a Lei Maria da Penha para que as mulheres não apanhem em casa; a Lei do Feminicídio para que não sejam mortas pelo fato de serem mulheres; a Lei de Importunação Sexual para que nossos corpos não sejam tocados sem consentimento nos transportes públicos ou em outros espaços; a Lei Carolina Dieckmann; a Lei Mari Ferrer; a lei de violência política de gênero. Se precisamos de leis para garantir o básico, que é a nossa sobrevivência livre de qualquer tipo de violência, isso demonstra que ainda temos um longo caminho a percorrer. 

O mesmo vale para a equiparação salarial. Veja, estamos em 2025, 2026, discutindo que mulheres que exercem as mesmas funções que os homens ainda recebem menos. Ou seja, precisamos de uma lei para assegurar nossa independência financeira e nossa ascensão profissional. Isso, por si só, é um sinal de que fracassamos enquanto sociedade. 

Então, o primeiro ponto é conscientizar a população, promover uma mudança de paradigma e uma reeducação para que se compreenda que as mulheres também são sujeitas de direitos, titulares dos mesmos direitos fundamentais garantidos a qualquer indivíduo. Esses direitos precisam ser efetivamente assegurados às mulheres. É uma mudança de olhar em relação às questões de gênero para que possamos alcançar direitos básicos e, mais do que isso, respeito e igualdade. 

É nessa frente que atuamos, com ações de prevenção e conscientização. Temos realizado campanhas como Elas Jogam Junto, em parceria com clubes de futebol. Já levamos essa iniciativa ao Palmeiras, Corinthians e São Paulo, levando a mensagem para dentro dos estádios, porque sabemos que, em dias de jogos de futebol, os índices de violência contra a mulher aumentam cerca de 20%. 

Também promovemos a campanha OAB por Elas no Carnaval, com o lema "Alegria sim, assédio não", reforçando que o Carnaval deve ser um momento de descontração e celebração, nunca de importunação sexual ou assédio. Paralelamente, temos o Núcleo OAB por Elas, presente hoje em aproximadamente 100 cidades, onde as Subseções prestam atendimento gratuito às mulheres em situação de violência. Elas recebem orientação jurídica, acolhimento e encaminhamento aos órgãos competentes. 

Ou seja, desenvolvemos uma série de iniciativas. Costumo dizer que atuamos tanto da porta para fora da OAB, junto à sociedade, quanto da porta para dentro. Também acompanhamos como esses casos estão sendo tratados pelo Poder Judiciário. Para isso, contamos com o Observatório do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, que monitora se esse protocolo, de aplicação obrigatória por determinação do CNJ, está sendo efetivamente observado nos processos judiciais e se as vítimas não estão sofrendo revitimização, ou seja, uma nova forma de violência institucional ao buscarem o aparato estatal. Portanto, nosso trabalho busca atuar com o mesmo compromisso tanto na prevenção quanto na execução desses processos.


  1. A OAB SP também investe na formação de advogados e advogadas para atender mulheres vítimas de violência? Qual o impacto dessa qualificação para quem procura ajuda? Pode dar mais detalhes?

Maíra Recchia: Investimos, sim, na formação de advogados e advogadas. Nós temos cursos na nossa Escola Superior de Advocacia e agora vai sair mais um novo curso com essas modificações da Lei Maria da Penha, para que toda a advocacia esteja capacitada para atender as mulheres. Eu digo que os homens também devem estar preparados para esse acolhimento. Temos uma grande parcela de homens que, sabemos, também atendem, em todo o estado de São Paulo, casos envolvendo a Lei Maria da Penha, atuando muitas vezes como assistentes de acusação nos processos criminais, nas ações de divórcio e aplicando o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero. Então, é muito importante que toda a advocacia esteja consciente da necessidade de uma aplicação sensível dessa lei, considerando todos os seus marcadores. Por isso, oferecemos cursos e realizamos essa capacitação de maneira praticamente periódica.

 

No Conselho da OAB, também discutimos muito as questões de gênero. Eu costumo dizer que a OAB dá um excelente exemplo para a sociedade brasileira, porque foi a primeira instituição a adotar critérios de paridade de gênero, com 50% de representação nos cargos diretivos, nos conselhos e nas eleições. Além disso, temos paridade de gênero e equidade racial nos cargos da OAB.

 

Esse é um ditame que adotamos da porta para dentro justamente para corrigir essa disparidade nas esferas de poder entre os gêneros. As comissões temáticas da OAB também, salvo engano, são majoritariamente femininas e presididas por mulheres. Então, além da capacitação da advocacia, fazemos o dever de casa e colocamos mulheres em espaços de poder. Isso, de fato, é um compromisso desta gestão: combater todas as formas de violência contra as mulheres, mas também promover o protagonismo feminino dentro das estruturas de poder.


  1. A advocacia tem um papel que vai além da atuação no processo. Como os advogados podem contribuir para que a Lei Maria da Penha seja realmente efetiva?

Eu costumo dizer que a advocacia e a própria OAB cumprem sua função social quando atuam extra-autos. Para além de um debate qualificado e da aplicação efetiva da Lei Maria da Penha nos processos judiciais, quando atuamos na conscientização e advogados e advogadas se tornam agentes multiplicadores da lei, conscientizando os espaços que permeiam e, acima de tudo, compreendendo a real função da legislação de proteção às mulheres, colocando isso em prática, podemos ser uma força motriz de transformação da sociedade brasileira. 

Também é extremamente importante deixar registrado que temos critérios rigorosos para penalizar advogados que praticam violência. Nós não fechamos os olhos para isso. Sabemos que a violência contra as mulheres é um fenômeno social e cultural que atinge todas as profissões e camadas da sociedade. Mas, dentro da Ordem, contamos com um Tribunal de Ética e Disciplina. Os processos envolvendo violência praticada por advogados contra mulheres, ou mesmo contra outros advogados, também são analisados pelo TED. Entendemos que essas pessoas não possuem idoneidade moral para continuar exercendo a advocacia. Portanto, também fazemos esse trabalho de repreensão aos nossos pares quando cometem algum tipo de violência. 

Voltando ao ponto principal, quando temos advogados e advogadas atuando não apenas nos processos, mas também extra autos, acredito que podemos promover uma guinada no enfrentamento da violência e na redução desses índices no país. Também vale registrar o fenômeno da violência digital, que tem sido um catalisador da violência contra as mulheres. Se os números vêm aumentando quantitativamente, é importante olharmos também para a crueldade com que essa violência tem sido praticada. Reputo isso ao crescimento da violência digital, dos grupos red pill e de outros espaços que fomentam e lucram com ataques às mulheres. 

Esse também é um fenômeno ao qual a advocacia está atenta e vigilante. Como compromisso da OAB São Paulo, batalhando pela aprovação do projeto de lei de combate à misoginia e pela criminalização dessas condutas.


  1. Em uma frase: depois de 20 anos da Lei Maria da Penha, qual é a principal mensagem que a OAB SP quer deixar para todas as mulheres?

Maíra Recchia: Vinte anos depois, a Lei Maria da Penha não representa apenas uma conquista jurídica. Ela simboliza a decisão de um país de dizer que a violência contra a mulher jamais será um destino. Nossa missão, agora, é transformar essa promessa legal em uma realidade cotidiana para todas as mulheres brasileiras.

 

Maíra Recchia - presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB SP.


"Nenhuma lei consegue acabar com a violência se não sair do papel", diz Maria da Penha

Neste mês de agosto, a Lei Maria da Penha, que protege mulheres vítimas de violência de gênero, completa 20 anos de existência; apesar dos avanços legais, o Brasil registra há seis anos uma média de quatro feminicídios por dia e atingiu, em 2025, o maior número da série histórica.
 

A Lei Maria da Penha, reconhecida internacionalmente como exemplo legislativo de proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar, completa 20 anos neste 7 de agosto de 2026. Apesar da indiscutível relevância da legislação para a sociedade brasileira, Maria da Penha, a mulher que deu nome à lei, explica em vídeo gravado para o Instituto Natura e Avon - e publicado nas redes sociais da instituição, que "nenhuma lei, apenas no papel, consegue acabar com a violência. Para isso, precisamos de informação, de conscientização e do compromisso de toda a sociedade". 

Há seis anos o Brasil mantém uma média de quatro feminicídios por dia,segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, reunidos no Mapa Nacional da Violência de Gênero plataforma do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado Federal mantida com o apoio do Instituto Natura e da associação Gênero e Número. Ao mesmo tempo, segundo o Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres do Instituto Natura e da Avon, apenas 38% dos brasileiros consideram ter alguma informação sobre leis, tipos de violência doméstica e canais de denúncia e apoio e 62% dizem não saber como ajudar uma mulher em situação de violência. 

“Ainda existem muitas mulheres vivendo situações de violência sem reconhecer os sinais ou sem saber onde buscar ajuda. E muitas vezes, pessoas ao redor delas não sabem como agir para apoiar. Por isso falar sobre esse tema continua sendo tão importante. Cada conversa pode ajudar”, enfatiza Maria da Penha no vídeo. “Quando alguém se posiciona, toda a rede de apoio se fortalece”, diz. 

O aniversário da Lei Maria da Penha marca o período nacional de conscientização sobre o tema, o Agosto Lilás, e é também o período em que o Instituto Natura, em parceria com a Avon, lança sua nova campanha anual de comunicação e conscientização. Este ano, a campanha deve ser divulgada também com o apoio do Instituto Maria da Penha, entre outros parceiros que integram o recém criado Movimento Pela Vida das Mulheres: o Senado Federal, a No More Brasil; o Instituto Maria da Penha; e o Grupo Mulheres do Brasil. 

A campanha de 2026 recebeu o nome “Somos Maiores que a Violência” e foca no reconhecimento dos diferentes tipos de violência contra a mulher - física, psicológica, sexual, moral, patrimonial e vicária -, em como cada pessoa pode agir diante de situações e reforça que o enfrentamento da violência é uma responsabilidade coletiva, inclusive dos homens. “Acredito que a violência contra as mulheres pode e deve ser enfrentada por todas as pessoas”, diz Maria da Penha. “Não podemos nos calar. Não podemos ser indiferentes. Somos maiores que a violência contra as mulheres”, finaliza Maria da Penha em seu depoimento.
 

Uma aliança “Pela Vida das Mulheres” 

O Movimento Pela Vida das Mulheres é resultado da trajetória do Instituto Natura e da Avon na promoção dos direitos e da saúde das mulheres no Brasil e na América Latina, somada à experiência de parceiros como o Senado Federal, No More Brasil, Instituto Maria da Penha, e Grupo Mulheres do Brasil, que atuam diretamente na defesa de direitos, na mobilização social e na articulação com diferentes públicos e territórios. 

Com horizonte de atuação entre 2026 e 2035, o Movimento Pela Vida das Mulheres pretende romper a sazonalidade das campanhas de conscientização e estabelecer uma agenda permanente de mobilização nacional. A iniciativa prevê ações contínuas ao longo do ano, conteúdos educativos para diferentes públicos, ativações durante o Agosto Lilás e os 16 Dias de Ativismo, além de iniciativas conjuntas entre as organizações que integram o Movimento para ampliar a capacidade da sociedade de reconhecer, nomear, importar-se e agir diante da violência contra as mulheres.

 

Instituto Natura 

 Avon


  Sobre o Instituto Maria da Penha

O Instituto Maria da Penha (IMP), fundado em 2009 com o propósito de contribuir para a construção de uma sociedade livre de violência contra a mulher através da cultura de prevenção, desenvolve projetos, ações educativas, com formação para voluntários, e iniciativas voltadas à prevenção da violência de gênero, ao fortalecimento da cidadania e à efetivação dos direitos das mulheres, incentivando a articulação entre instituições públicas e a sociedade civil.

 

 

Rede estadual: Sete em cada dez cidades de SP avançaram no Ensino Médio no Ideb 2025

 

Resultados de índice nacional refletem avanço de São Paulo na aprendizagem no Ensino Fundamental e Ensino Médio

 

Sete em cada dez municípios paulistas com escolas estaduais registraram avanço no Ensino Médio na edição de 2025 do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgado pelo Ministério da Educação nesta quarta-feira (5). Do total de 644 cidades com unidades da rede estadual, 433 (67,24%) apresentaram crescimento nos indicadores dessa etapa de ensino.

 

O levantamento considera a comparação com a edição do Ideb, em 2023, no primeiro ano da atual gestão. O Ideb aponta ainda que escolas de 624 municípios atingiram o patamar de participação escolar superior a 80%, critério técnico exigido pelo Inep para a apuração das notas pelas unidades de ensino.

 

O índice do Ideb é calculado a partir da combinação entre o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação escolar apuradas no Censo Escolar.

 

Resultado do estado de SP no Ideb

Os resultados gerais da rede estadual de ensino apontam que, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, São Paulo passou de 6,2 em 2023 para 6,6 em 2025, e manteve a 5ª posição entre as redes estaduais. O resultado iguala a melhor média da etapa na série histórica, registrada em 2019, antes dos impactos provocados pela pandemia. A etapa também alcançou a melhor média de Língua Portuguesa em 20 anos do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).

 

Nos anos finais do Ensino Fundamental, São Paulo avançou de 5,1 em 2023 para 5,2 em 2025. O ciclo conquistou a segunda melhor média da série histórica do Ideb, ficando atrás apenas do resultado registrado em 2019.

 

Já no Ensino Médio, etapa em que a rede estadual concentra sua maior atuação, São Paulo alcançou o melhor resultado da série histórica do Ideb. Considerando também os estudantes do Ensino Médio integrado à formação técnica, o indicador passou de 4,3 para 4,5, no contexto em que o Estado atingiu o maior número de alunos na modalidade.

 

“A aprendizagem foi fortalecida por políticas estruturantes implementadas ao longo dos últimos anos, como o Alfabetiza Juntos SP, a ampliação da carga horária de língua portuguesa e matemática, as ações de recomposição das aprendizagens, a tutoria pedagógica, a disciplina orientação de estudos, o programa Aluno Monitor do BEEM e iniciativas de mobilização das escolas em torno das avaliações, como o Brasileirão Saeb”, afirma o secretário da Educação, Renato Feder.

 

Participação histórica em SP

Os resultados foram alcançados com a maior participação da história da rede estadual no Saeb. Em 2025, 723.895 estudantes em todo o Estado participaram da avaliação — mais de 21 mil alunos a mais do que em 2023. A participação alcançou 94% nos Anos Iniciais, 92% nos Anos Finais e 88% no Ensino Médio, tornando os indicadores ainda mais representativos da realidade das escolas paulistas.

 

“São Paulo avançou avaliando mais estudantes. Tivemos a maior participação da história da rede no Saeb, o que torna os resultados ainda mais consistentes e próximos da realidade das nossas escolas”, destaca o secretário.

 

Nos últimos anos, a Secretaria da Educação estruturou uma nova ferramenta de gestão da aprendizagem, com acompanhamento individual dos estudantes, Business Intelligence (BI) da aprendizagem, monitoramento da frequência escolar, plataformas pedagógicas integradas e intervenções direcionadas a partir dos indicadores produzidos pela própria rede.

 

Frequência escolar

Outro fator importante para os resultados foi o fortalecimento da permanência dos estudantes nas escolas. As ações de busca ativa e acompanhamento da frequência garantiram presença diária superior a 90% na rede estadual, contribuindo para a participação dos alunos nas avaliações e para a continuidade do processo de aprendizagem.

 

Os resultados do Ideb também reconhecem o trabalho realizado pelos profissionais da educação. O desempenho da rede será considerado para o pagamento da segunda parcela do bônus aos servidores estaduais, valorizando professores, gestores e equipes escolares.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Uso excessivo de telas compromete a saúde dos olhos e exige atenção das famílias

Nota Conjunta | Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (SORIGS) 

 

A presença cada vez maior de celulares, tablets, computadores e televisores na rotina de crianças, adolescentes e adultos exige atenção aos possíveis impactos sobre a saúde ocular. O tempo prolongado diante desses dispositivos, especialmente sem pausas e associado à pouca permanência em ambientes externos, pode favorecer fadiga visual, desconforto e progressão da miopia. Diante desse cenário, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e a Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (SORIGS) orientam a população sobre medidas capazes de reduzir os prejuízos à visão.

Na primeira infância, a exposição deve ser ainda mais restrita. Até os dois anos, a recomendação é evitar telas, com exceção de situações pontuais, como videochamadas com familiares. Entre dois e cinco anos, o limite indicado é de até uma hora por dia, sempre com supervisão. Dos seis aos 12 anos, o período total não deve ultrapassar duas horas diárias, considerando também as atividades escolares realizadas em dispositivos eletrônicos.

A partir dos 13 anos, embora não exista um número único aplicável a todos os adolescentes, o tempo diante dos aparelhos não pode comprometer necessidades essenciais, como sono adequado, prática de atividade física e convivência familiar e social. Nessa faixa etária, é importante preservar entre oito e dez horas de descanso por noite e dedicar, pelo menos, uma hora por dia à prática de exercícios, preferencialmente ao ar livre.

A permanência excessiva em tarefas que exigem visão de perto pode interferir no desenvolvimento ocular. O uso frequente e sem controle telas contribui para o aumento do comprimento do olho e pode acelerar a progressão da miopia, principalmente na infância, fase em que a estrutura ocular ainda está em crescimento.

Entre os sinais que merecem atenção estão dificuldade para enxergar objetos distantes, aproximação demasiada de livros ou aparelhos, hábito de apertar os olhos para focalizar, queixas para visualizar o quadro na escola ou a televisão em casa e necessidade frequente de trocar os óculos. Nos casos de miopia, a visão de perto costuma permanecer preservada, o que pode retardar a identificação do problema pelos familiares.

Para reduzir o cansaço visual, uma das estratégias recomendadas é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de atividade próxima, deve-se fazer uma pausa de 20 segundos e direcionar o olhar para um ponto situado a aproximadamente seis metros de distância. Também é importante manter distância adequada dos dispositivos e estimular brincadeiras e atividades físicas em ambientes externos.

As atividades ao ar livre são especialmente relevantes durante a infância. A exposição à luz natural, de maneira segura, está associada a menor risco de surgimento e progressão da miopia. Esse hábito deve ser combinado com a redução do tempo de visão próxima, pausas regulares e acompanhamento oftalmológico.

As entidades da saúde também esclarecem que, até o momento, as melhores evidências científicas não demonstram benefício consistente das lentes com filtro para luz azul na prevenção da fadiga ocular ou de danos à retina. Algumas pessoas podem relatar maior conforto durante o uso, mas não há comprovação suficiente para que esse recurso seja considerado indispensável ou substitua os cuidados relacionados aos hábitos visuais.

O acompanhamento oftalmológico deve começar no nascimento, com a realização do teste do olhinho. Uma avaliação completa é recomendada entre seis e 12 meses de vida, seguida por nova consulta entre três e cinco anos e antes do ingresso escolar, por volta dos seis ou sete anos. Quando não houver alterações, o acompanhamento poderá ocorrer a cada dois anos. Crianças com necessidade de óculos ou outras condições oftalmológicas devem seguir a periodicidade definida pelo médico.

A AMRIGS e a SORIGS orientam pais e responsáveis a observar mudanças no comportamento visual e no rendimento escolar de seus filhos. Diante de sintomas persistentes, dificuldade para enxergar, dores de cabeça recorrentes ou aproximação exagerada de objetos, é fundamental procurar avaliação com um médico oftalmologista. Para mais informações, a população pode buscar orientação junto às instituições e aos profissionais especializados. 



Dr. Gerson Junqueira Jr. - Presidente da AMRIGS

Dr. Guilherme Diehl - Presidente da SORIGS


Posts mais acessados