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sexta-feira, 29 de maio de 2026

iFood promove Mega Troca de Figurinhas no Ibirapuera neste sábado


O evento gratuito acontece no dia 30 de maio e os convites já podem ser resgatados no site da Sympla. A empresa vai realizar três ‘chuva de figurinhas’ durante o evento

 

Figurinha repetida não completa álbum, para ajudar os colecionadores do álbum oficial Panini oficial da Copa do Mundo FIFA 2026™, o iFood,empresa brasileira de tecnologia, , realiza no próximo sábado, 30 de maio, a Mega Troca de Figurinhas iFood, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento promete reunir milhares de fãs de futebol e colecionadores em torno de um objetivo histórico: entrar novamente para o Guinness Worlds Record™ com a maior troca de figurinhas do mundo.  

Gratuito e aberto ao público, o evento acontece das 9h às 19h e deve reunir cerca de 5 mil pessoas em uma grande celebração que conecta futebol, entretenimento e experiências ao vivo. O principal destaque será a Arena Panini de Troca de Figurinhas, criada para reunir fãs e colecionadores em uma tentativa de quebrar o próprio recorde mundial do Guinness Worlds Record™ de maior troca de figurinhas já realizada, marca conquistada pelo iFood em 2022 quando a empresa reuniu 1.447 colecionadores.

Além da arena de trocas, o público poderá participar de ativações proprietárias, como o espaço dos Canarinhos iFood, coleção de pelúcias inspiradas nos títulos mundiais da Seleção Brasileira, onde os fãs também poderão trocar modelos repetidos da coleção entre si. O evento contará ainda com máquinas de garra com brindes, ativações de marcas parceiras via iFood Ads e um espaço com foods trucks de parceiros do iFood. A CazéTV, da qual o iFood é patrocinador master, também participa da ação com cobertura especial e produção de conteúdo direto do evento, ampliando a repercussão da experiência para o ambiente digital. 

 


Serviço

Data: 30 de maio de 2026

Local: Parque Ibirapuera - portão 10 - próximo ao Obelisco

Horário: Das 9h às 19h

Ingressos: Gratuito, com retirada de ingresso pela Sympla ( limite de 1 ingresso por CPF)

 

Quase uma em cada quatro mortes por câncer no Brasil está associada ao tabagismo, alerta SBCO

depositphotos
Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) estima que 63.268 mortes por câncer registradas no Brasil estejam associadas ao tabagismo. O número equivale a quase um quarto das 264.845 mortes por câncer registradas no país e foi calculado a partir de dados relacionados aos 12 tipos de tumores mais fortemente associados ao consumo de derivados do tabaco. O estudo utilizou informações da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, estimativas do INCA para 2026 e percentuais de fração atribuível ao tabaco obtidos em estudos epidemiológicos do INCA e do Observatório da Saúde 


Às vésperas do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado no próximo domingo (31), levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) aponta que 63.268 mortes por câncer registradas no Brasil estejam associadas ao tabagismo. O número corresponde a quase uma em cada quatro mortes por câncer registradas no país, considerando os 264.845 óbitos contabilizados nacionalmente, e reforça o impacto persistente do cigarro sobre a mortalidade pela doença.

Os dados utilizados pela SBCO têm como base os registros de mortalidade da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e as estimativas de incidência do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026. Já os percentuais de associação entre tabagismo e cada tipo tumoral foram extraídos de informações epidemiológicas do próprio INCA e do Observatório da Saúde, a partir de estudos de fração atribuível ao tabaco, indicador que estima quantos casos ou mortes podem ser relacionados ao consumo de cigarros.

Segundo o levantamento, os 12 tipos de câncer avaliados somaram 132.802 mortes em 2025. Esses tumores foram selecionados por apresentarem forte associação epidemiológica com o consumo de tabaco. Entre eles estão os cânceres de pulmão, cavidade oral, laringe, esôfago, bexiga, pâncreas, fígado, colo do útero, rim, estômago, colorretal e leucemia mieloide aguda. A partir da aplicação dos percentuais atribuíveis ao tabagismo para cada doença, a SBCO estimou que 63.268 desses óbitos tenham relação com o consumo de cigarros e outros derivados do tabaco. Considerando o total de 264.845 mortes por câncer registradas no país, esse contingente representa quase uma em cada quatro mortes pela doença no Brasil.

O impacto é particularmente expressivo nos tumores do trato respiratório e digestivo superior. No câncer de pulmão, por exemplo, cerca de 90% dos casos são associados ao tabagismo. Isso significa que, das 31.637 mortes registradas em 2025, aproximadamente 28.473 podem ter relação direta com o consumo de cigarros. Os cânceres de esôfago e laringe também apresentam elevadas proporções atribuíveis ao tabaco, de 90% e 96%, respectivamente.

Mesmo em tumores com menor percentual de associação, o impacto permanece relevante em razão do elevado número absoluto de casos. É o caso dos cânceres colorretal (intestino grosso e reto), de estômago, fígado, pâncreas e colo do útero, nos quais o tabagismo atua como importante fator de risco adicional, frequentemente associado ao consumo de álcool, sedentarismo e alimentação rica em ultraprocessados.

O cirurgião oncológico e presidente da SBCO, Paulo Henrique de Sousa Fernandes, destaca que o tabagismo permanece como um dos principais fatores evitáveis associados ao câncer e ressalta que seus efeitos se potencializam quando combinados a outros comportamentos de risco. “Mesmo quando não é a causa principal, o cigarro contribui de forma significativa para o desenvolvimento e agravamento da doença, especialmente quando associado ao consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada”, afirma.


Queda do tabagismo não elimina impacto acumulado

Estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Cancerologia, periódico científico editado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), intitulado “Evolução do Tabagismo e Incidência de Câncer de Pulmão no Brasil (2000–2020)”, mostra que o tabagismo permanece como o principal fator de risco para o câncer de pulmão no país.

O trabalho aponta que a prevalência de fumantes caiu de 34,8% em 1989 para cerca de 12,6% em 2019, chegando a aproximadamente 9,3% em 2023. Apesar da redução expressiva, os pesquisadores destacam que os efeitos do tabaco permanecem sendo observados por décadas, em razão do longo intervalo entre a exposição e o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

“O avanço é importante, mas vemos uma movimentação intensa da indústria do tabaco na tentativa de apresentar novos produtos como alternativas supostamente menos nocivas, especialmente os cigarros eletrônicos e dispositivos saborizados. Isso não é verdade. É fundamental reforçar, sobretudo entre os jovens, que nenhuma dessas opções é isenta de riscos. Além disso, as evidências apontam, conforme destacadas pela OMS, que não há consumo seguro de cigarro e de nenhum de seus derivados”, alerta Fernandes.

“O Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, é uma oportunidade importante para conscientizar a população sobre os riscos do consumo de cigarros e reforçar a necessidade de prevenção. Apesar da redução observada nas taxas de tabagismo nas últimas décadas, o cigarro continua associado a uma parcela expressiva das mortes por câncer no país”, acrescenta o especialista.

 

Tipo de Câncer

Número de óbitos

Estimativa INCA 2026

Porcentagem Tabagismo*

Estimativa de óbito - SBCO

Pulmão

31.637

35.380

90%

28.473

Cavidade Oral

1.195

17.190

80%

956

Laringe

4.381

8.510

96%

4.205

Esôfago

8.245

11.390

90%

7.420

Bexiga

5.452

13.110

70%

3.816

Pâncreas

14.571

13.240

30%

4.371

Fígado

11.305

12.350

25%

2.826

Colo do Útero

7.270

19.301

20%

1.454

Rim

4.576

Não tem

20%

915

Leucemia Mieloide Aguda

4.108

12.220

20%

821

Estômago

14.363

22.350

20%

2.872

Colorretal

25.699

53.810

20%

5.139

* Percentuais de associação entre tabagismo e câncer baseados em dados epidemiológicos do INCA e do Observatório da Saúde.


Cigarro eletrônico preocupa especialistas

Os cigarros eletrônicos surgiram no mercado com o discurso de serem menos nocivos do que os cigarros convencionais. No entanto, estudos já demonstram que alguns dispositivos podem conter concentrações de nicotina significativamente superiores às do cigarro tradicional, favorecendo rápida dependência química. Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a proibição da comercialização dos cigarros eletrônicos no Brasil, medida em vigor desde 2009. 

O presidente da SBCO reforça que, além do risco direto à saúde, esses dispositivos podem funcionar como porta de entrada para o tabagismo convencional, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. “Esses dispositivos liberam substâncias tóxicas que podem causar danos ao sistema respiratório e cardiovascular. Há uma falsa percepção de segurança em relação aos cigarros eletrônicos. Eles não são inofensivos e podem expor o usuário a níveis elevados de nicotina. A única forma de reduzir de fato os riscos é não consumir nenhum produto derivado do tabaco”, afirma.  

 

OMS aponta para os benefícios de parar de fumar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que nunca é tarde para parar de fumar. Em cerca de 20 minutos após interromper o consumo, a frequência cardíaca e a pressão arterial diminuem. Após 12 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue retornam ao normal. Entre duas e 12 semanas, há melhora da circulação e da função pulmonar. Dez anos após parar de fumar, o risco de morte por câncer de pulmão cai para aproximadamente metade do observado em fumantes ativos, enquanto também diminui o risco de tumores de boca, garganta, esôfago, bexiga, rim e pâncreas. Quinze anos após abandonar o cigarro, o risco de doença coronariana se aproxima daquele observado em pessoas que nunca fumaram.



Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO


31/05 - Dia Mundial sem Tabaco

Fumar aumenta em até 15 vezes o risco de AVC em pessoas com enxaqueca 

Especialista alerta para os impactos da nicotina no cérebro e reforça a importância de abandonar o cigarro para prevenir crises e doenças cardiovasculares
 

No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, especialistas reforçam um alerta importante: o tabagismo pode agravar significativamente doenças neurológicas como a enxaqueca e aumentar drasticamente os riscos de AVC e infarto. 

Segundo a neurologista Thais Villa, médica especialista no diagnóstico e tratamento da doença, pacientes que sofrem de enxaqueca com aura e fumam têm até 15 vezes mais chances de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) ou um infarto. 

A aura é considerada um sintoma agudo da enxaqueca e pode provocar alterações visuais, como flashes, pontos luminosos, distorções da visão, embaçamento e até perdas momentâneas de audição e olfato. “A aura representa um estágio mais grave da doença, em que as crises tendem a ser mais intensas e frequentes”, explica a médica. 

De acordo com Villa, a nicotina presente no cigarro e também em dispositivos eletrônicos, como o vape, atua diretamente no cérebro e piora o quadro de quem convive com a doença. 

“A nicotina tem um efeito altamente estimulante. O cérebro da pessoa com enxaqueca já é mais hiperexcitável e sensível. Quando há consumo de cigarro ou vape, esse cérebro entra em mais sofrimento, favorecendo a cronificação da doença e aumentando a frequência de crises severas e incapacitantes”, alerta. 

A especialista destaca que parar de fumar é uma das medidas mais importantes para reduzir os riscos associados à enxaqueca, especialmente os cardiovasculares. “É fundamental que pessoas com enxaqueca evitem qualquer substância que contenha nicotina”, reforça. 

A enxaqueca atinge cerca de 30 milhões de brasileiros e mais de um bilhão de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença ocupa o segundo lugar entre as condições mais prevalentes na população mundial, atrás apenas da cárie dentária. 

Além da dor de cabeça intensa, a enxaqueca pode causar fotofobia, irritabilidade, cansaço, insônia e mal-estar. De origem hereditária, a doença não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado e mudanças no estilo de vida, entre elas, abandonar o tabagismo.
 

Tratamento Integrado
 

Thais Villa explica que o tratamento 360º tem se mostrado um dos modelos mais eficazes para controlar a enxaqueca e prevenir complicações. 

“O cuidado integrado reúne especialistas de diferentes áreas, como Neurologia, Nutrição, Fisioterapia e Odontologia. Muitos pacientes chegam ao consultório após anos convivendo com dores descontroladas e tratamentos isolados, sem resultados efetivos”, afirma. 

A neurologista ressalta ainda que a dor de cabeça frequente não deve ser normalizada. “A enxaqueca é uma doença crônica, debilitante e que exige acompanhamento adequado. Com o tratamento correto e retirando o uso de substâncias estimulantes é possível reduzir as crises e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente”, conclui. 



Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Médica neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Fundadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Neurologista com Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.



Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasil


SOMP: por que a antiga "síndrome dos ovários policísticos" ganhou um novo nome e o que isso muda na saúde da mulher

 

Divulgação
Consenso internacional redefine a SOP como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), destacando que a condição vai muito além dos ovários e envolve alterações hormonais, metabólicas e emocionais 

 

A condição conhecida há décadas como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou por uma importante atualização médica e científica. Um consenso global publicado no periódico científico The Lancet propôs a mudança do nome para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), uma definição que busca representar de forma mais precisa a complexidade da doença.

A mudança reforça um ponto importante: a condição não afeta apenas os ovários. Ela está relacionada a alterações hormonais, resistência à insulina, inflamação crônica, risco cardiovascular e impactos importantes na saúde emocional e metabólica das mulheres.

De acordo com a ginecologista Karoline Prado, a antiga nomenclatura acabava limitando a compreensão da síndrome tanto entre pacientes quanto fora do meio médico.

“Muitas mulheres acreditavam que a síndrome se restringia aos ovários ou apenas à irregularidade menstrual. A nova definição ajuda a mostrar que estamos falando de uma condição sistêmica, que envolve metabolismo, hormônios e diversos impactos na saúde feminina”, explica.

Outro equívoco frequente é associar automaticamente o diagnóstico ao resultado do ultrassom.

“O diagnóstico não depende apenas da presença de ovários policísticos no exame. Avaliamos também alterações hormonais, sintomas clínicos e irregularidade menstrual. Existem mulheres com ovários policísticos sem a síndrome e pacientes com a síndrome mesmo sem alterações importantes no ultrassom”, afirma Karoline.

Entre os sinais mais comuns da SOMP estão:

  • menstruação irregular;
  • acne persistente;
  • aumento de pelos;
  • dificuldade para emagrecer;
  • queda de cabelo;
  • resistência à insulina;
  • alterações metabólicas;
  • dificuldade para engravidar.

Além das manifestações hormonais, a síndrome também está associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alterações inflamatórias crônicas.

A especialista também chama atenção para os impactos emocionais da condição, frequentemente negligenciados durante o diagnóstico e tratamento.

“Muitas pacientes chegam ao consultório emocionalmente exaustas após anos tentando entender sintomas que pareciam desconectados entre si. Alterações corporais, acne, ganho de peso, infertilidade e oscilações hormonais afetam diretamente autoestima, ansiedade e qualidade de vida. A síndrome precisa ser vista de forma integral”, destaca.

Apesar de não existir cura definitiva, a SOMP pode ser controlada com acompanhamento individualizado, incluindo alimentação equilibrada, atividade física, controle metabólico e tratamento hormonal quando necessário.

A médica alerta ainda para os riscos do autodiagnóstico baseado em conteúdos de redes sociais.

“O excesso de desinformação faz muitas mulheres acreditarem que qualquer alteração menstrual significa síndrome. Informação correta e avaliação médica adequada continuam sendo fundamentais para diagnóstico precoce e qualidade de vida”, finaliza. 

 

Karoline Prado - Médica ginecologista e obstetra, com atuação voltada à saúde íntima feminina em todas as fases da vida. Pós-graduada em procedimentos íntimos, incluindo laser e cirurgia íntima, trabalha com foco em bem-estar, funcionalidade e qualidade de vida da mulher. Defende uma abordagem humanizada, baseada em evidências, com ênfase no acolhimento, autonomia e educação em saúde.


Copa do Mundo reforça importância da vacinação contra sarampo; infectologista da Hapvida orienta viajantes

Com surtos ativos nos EUA, Canadá e México, Ministério da Saúde lança campanha de vacinação; especialista ressalta responsabilidade individual e risco de reintrodução da doença no país 

 

O Brasil é considerado país livre da circulação endêmica do sarampo, mas o cenário internacional acende um sinal de alerta importante às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Estados Unidos, Canadá e México, países-sede do torneio, vivem surtos da doença, o que aumenta o risco de reintrodução em território nacional por meio de casos importados por viajantes, segundo o Ministério da Saúde. 

Diante desse quadro, o infectologista Álvaro Furtado da Costa, da Hapvida, ressalta que não há motivo para pânico, mas defende que a preocupação deve existir e precisa ser levada a sério. A vacinação, incluindo a campanha nacional lançada pelo governo federal para quem vai ao Mundial, continua sendo a principal aliada. 

“O Brasil está em uma boa situação, mas precisa se proteger para continuar assim. É uma campanha de responsabilidade. O sarampo é altamente transmissível, mas totalmente prevenível”, afirma o especialista. 

Os números dos países-sede da Copa revelam porque a preocupação deve ser real. O México, que registrou apenas sete casos em 2024, chegou a mais de 10 mil ocorrências em 2026, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Os Estados Unidos acumulam quase 1.800 casos neste ano. O Canadá perdeu o status de país livre da doença após contabilizar 5.062 casos em 2025 e já soma mais 900 em 2026. Juntos, os três concentram hoje cerca de 67% de todos os casos registrados nas Américas. 

“O sarampo não é uma doença do passado. Ele volta quando encontra bolsões de pessoas não vacinadas. Mesmo não tendo uma circulação importante no Brasil, existe um risco real de reintrodução, com casos importados”, explica Furtado da Costa. 

O Brasil somou 38 casos no ano passado, todos por importação. Neste ano, apenas três casos de sarampo foram confirmados até maio.

 

Alta transmissibilidade 

A transmissibilidade do sarampo é um dos fatores que mais preocupam os especialistas. Uma única pessoa infectada pode transmitir a doença a até 20 outras, o que torna ambientes de grande aglomeração cenários de risco elevado. 

“Os sintomas clássicos são febre, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas pelo corpo. Após uma viagem internacional, qualquer quadro febril com lesões de pele deve acender essa possibilidade”, alerta o infectologista. 

A principal recomendação para quem vai viajar é checar e atualizar a carteira de vacinação antes do embarque. A vacina é ofertada gratuitamente pelo SUS para crianças, adolescentes e adultos, independentemente de terem viagem marcada. 

Quem não vai à Copa também deve checar sua situação vacinal. O médico da Hapvida chama atenção especial para trabalhadores de aeroportos, hotéis, serviços de transporte e saúde, que têm contato mais direto com fluxo de turistas. 

“A recomendação é clara: manter a vacinação em dia e ter atenção aos sintomas iniciais. O Brasil mantém hoje um histórico sólido de vigilância epidemiológica. Preservar esse status depende, em grande medida, da cobertura vacinal da população”, reforça Furtado da Costa.


Esclerose Múltipla e o desafio do diagnóstico precoce

No Dia Mundial da Esclerose Múltipla, especialista alerta para sintomas que ainda são confundidos com estresse e atrasam o diagnóstico

 

Embora afete cerca de 40 mil brasileiros, a Esclerose Múltipla (EM) ainda é cercada por desconhecimento, especialmente quando o assunto são seus primeiros sinais. Isso acontece porque os sintomas iniciais como formigamentos persistentes, visão embaçada e fadiga intensa ainda são frequentemente confundidos com sinais de estresse, ansiedade, excesso de trabalho ou até problemas ortopédicos, o que pode atrasar por meses o início do tratamento adequado. 

Lembrado em 30 de maio, o Dia Mundial da Esclerose Múltipla reforça a importância da conscientização sobre a doença e da atenção aos sintomas neurológicos persistentes. Segundo a Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF), cerca de 2,8 milhões de pessoas vivem com a condição no mundo, em sua grande maioria afetando mulheres entre 20 e 40 anos. 

Um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce é justamente a diversidade de sintomas e a forma como eles se manifestam em cada paciente. Em muitos casos, os sinais aparecem de maneira intermitente, desaparecem espontaneamente e retornam depois de semanas ou meses, dificultando a identificação da doença. 

"O grande desafio da Esclerose Múltipla é que seus primeiros sinais costumam ser negligenciados pelo próprio paciente ou confundidos por médicos de outras especialidades. Uma visão turva pode levar a pessoa ao oftalmologista, enquanto uma dormência no braço parece um problema ortopédico. Na EM, o tempo é precioso: quanto mais cedo fechamos o diagnóstico e iniciamos as terapias modificadoras da doença, maior é a chance de evitarmos sequelas a longo prazo e garantirmos qualidade de vida ao paciente", alerta a médica e docente, Dra. Karla Ronconi, neurologista e professora da Faculdade São Leopoldo Mandic. 

O médico alerta que os sintomas mais comuns incluem: 

·         Fadiga incapacitante: Um cansaço profundo e desproporcional ao esforço realizado.

·         Turvação visual ou neurite óptica: Perda súbita ou diminuição da visão, geralmente em apenas um dos olhos, muitas vezes acompanhada de dor ao movimentá-lo.

·         Dormências e formigamentos: Parestesias que afetam os braços, pernas ou um lado do corpo.

·         Problemas de equilíbrio e coordenação: Dificuldade para caminhar ou fraqueza muscular. 

Apesar da importância do diagnóstico precoce, o especialista pondera que não há motivo para desespero. "A presença de um ou mais desses sintomas não significa, necessariamente, um diagnóstico de Esclerose Múltipla. O objetivo não é gerar alarmismo, até porque muitas dessas manifestações podem estar associadas a condições mais simples e passageiras", explica o docente da São Leopoldo Mandic. “Porém, o autocuidado e a atenção aos sinais do corpo não devem ser deixados de lado e se os sintomas forem persistentes, recorrentes ou sem uma causa aparente, a recomendação é clara: busque a avaliação de um médico neurologista.”

 

Investigar precocemente é a melhor maneira de afastar dúvidas e, se necessário, garantir um cuidado ágil e eficaz, sem espaço para o pânico.

 

Sobre a Esclerose Múltipla


A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica, crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central composto pelo cérebro e pela medula espinhal. Na doença, o sistema imunológico passa a atacar a mielina, estrutura responsável por revestir e proteger as fibras nervosas, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

 

Os sintomas podem variar de acordo com a região afetada e a evolução da doença, e costuma se manifestar principalmente em adultos jovens, especialmente mulheres entre 20 e 40 anos. O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado por exames de imagem como a ressonância magnética do crânio e da coluna (medula espinhal), além da análise do líquido cefalorraquidiano (líquor).

 

.Apesar de ainda não ter cura, os avanços no diagnóstico e no tratamento têm permitido maior controle da doença, reduzindo surtos, retardando a progressão da incapacidade e proporcionando mais qualidade de vida aos pacientes.

  

Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas



Você trata como infecção urinária. Mas e se o problema nunca tiver sido bactéria?

Ardência, urgência para urinar, pressão na bexiga e exames normais podem esconder diagnósticos pouco conhecidos e levar pacientes a anos de antibióticos sem resolver a causa real

 

Ela sente ardência para urinar. Depois vem a pressão na bexiga, aquela vontade insistente de ir ao banheiro mesmo sem quase sair urina, o desconforto pélvico que aparece sem avisar. O caminho parece óbvio: exame, antibiótico, alguns dias de alívio. Até que tudo volta. 

Às vezes, volta igual. Às vezes, pior. O exame de urina não mostra bactéria. A urocultura vem negativa. O antibiótico já não faz o mesmo efeito. Ainda assim, a paciente continua ouvindo a mesma explicação: “deve ser infecção urinária de repetição”. Mas nem sempre é. 

O urologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Dr. Alexandre Sallum Bull explica: “Uma das armadilhas mais comuns no tratamento dos sintomas urinários é associar automaticamente ardência, urgência e dor pélvica à presença de bactérias.

A infecção urinária é uma causa frequente desses sintomas, mas não é a única. Quando os exames vêm repetidamente negativos ou quando o paciente não melhora de forma consistente com antibióticos, é preciso ampliar a investigação. Insistir no mesmo diagnóstico pode atrasar o tratamento correto”. 

O problema é que, enquanto o diagnóstico não vem, a vida do paciente vai se limitando. Passa a evitar viagens longas, relações sexuais, compromissos sem banheiro por perto. Aprende a conviver com a próxima crise antes mesmo de ela acontecer. E, muitas vezes, carrega junto uma sensação silenciosa de culpa: “será que estou fazendo algo errado?” Na maior parte das vezes, não está.

 

Quando parece infecção, mas não é

A infecção urinária bacteriana costuma ter um comportamento relativamente claro. Em geral, há presença de bactérias na urina, leucócitos elevados, sintomas compatíveis e melhora após o antibiótico adequado. 

Mas há um grupo de pacientes que não segue esse padrão. Os sintomas são reais, intensos e recorrentes, mas os exames não confirmam infecção. Nesses casos, algumas condições podem estar por trás do quadro, como cistite intersticial, bexiga hiperativa, disfunção do assoalho pélvico, atrofia urogenital na menopausa, cálculos urinários, prostatite crônica em homens e outras alterações inflamatórias ou funcionais do trato urinário. 

A grande dificuldade é que muitas dessas doenças imitam a infecção urinária. O paciente sente ardência. Sente urgência. Sente dor. Mas a origem não está em uma bactéria e sim em uma bexiga inflamada, irritada, hiperativa ou sensibilizada. 

É por isso que o tratamento com antibiótico pode até dar uma falsa impressão de melhora momentânea, mas não resolve o problema de base.

“Quando a causa é inflamatória, funcional ou muscular, o antibiótico não trata o mecanismo real da doença. O paciente pode melhorar por coincidência, por efeito anti-inflamatório indireto ou pela oscilação natural dos sintomas, mas tende a piorar novamente”, afirma o Dr. Alexandre Sallum.

 

A cistite intersticial: o diagnóstico que muitas mulheres só descobrem depois de anos

Entre as condições mais confundidas com infecção urinária está a cistite intersticial, também conhecida como síndrome da bexiga dolorosa.

Apesar do nome, ela não é uma infecção comum. Trata-se de uma condição crônica, complexa e ainda pouco reconhecida, caracterizada por dor ou pressão na região da bexiga, urgência urinária, aumento da frequência urinária e desconforto pélvico persistente. 

Muitas pacientes relatam que a dor piora quando a bexiga enche e melhora parcialmente após urinar. Outras sentem ardência contínua, sensação de peso baixo no abdômen ou necessidade de ir ao banheiro dezenas de vezes ao dia. 

O detalhe mais frustrante: os exames podem vir normais. E é justamente aí que começa a peregrinação. A paciente trata infecção. Depois trata de novo. Troca de antibiótico. Faz novas culturas. Escuta que talvez seja ansiedade. Escuta que “não deu nada”. Mas continua com dor.

“A cistite intersticial é um diagnóstico que exige escuta clínica. Não basta olhar apenas o exame de urina. É preciso entender o padrão da dor, a relação com o enchimento da bexiga, os gatilhos alimentares, a história de antibióticos repetidos e o impacto na qualidade de vida”, explica o urologista. 


O risco silencioso do antibiótico usado em excesso

Quando toda ardência vira automaticamente “infecção”, o antibiótico acaba sendo usado como resposta padrão. E isso tem consequências. O uso repetido e desnecessário desses medicamentos pode favorecer resistência bacteriana, alterar a microbiota intestinal e vaginal, aumentar episódios de candidíase, dificultar tratamentos futuros e deixar o organismo mais vulnerável a desequilíbrios. 

O antibiótico é uma ferramenta essencial quando existe infecção bacteriana. O problema é usá-lo como tentativa repetida sem confirmação adequada. Isso pode prejudicar a paciente e, principalmente, afastar o médico da investigação correta.

 

A bexiga também responde ao sistema nervoso

Outro aspecto pouco discutido é a relação entre sintomas urinários, tensão muscular e sistema nervoso. 

A bexiga não funciona isoladamente. Ela conversa o tempo todo com o cérebro, com os nervos pélvicos, com a musculatura do assoalho pélvico e com o estado inflamatório do corpo. Em pessoas com ansiedade crônica, estresse persistente, dor pélvica ou histórico de traumas locais, esse sistema pode ficar hipersensível. 

Isso significa que a vontade de urinar, a dor e a urgência não são “imaginação”. São respostas reais de um sistema que está sensibilizado.

Muitas pacientes apresentam contração involuntária da musculatura pélvica, dificuldade de relaxamento ao urinar e sensação de pressão constante. Nesses casos, a fisioterapia pélvica pode ser tão importante quanto o medicamento. 

“Existe uma diferença enorme entre dizer que o sintoma tem influência do sistema nervoso e dizer que está ‘na cabeça’. A dor é real. A urgência é real. O que precisamos é identificar qual mecanismo está produzindo esses sintomas”, reforça o médico. 

Essa é uma das viradas mais importantes da urologia moderna: parar de tratar apenas a urina e começar a olhar o sistema urinário como parte de um conjunto mais amplo.

 

Quando desconfiar que não é uma infecção comum

Alguns sinais devem acender o alerta para uma investigação mais aprofundada. Entre eles estão sintomas que voltam logo após o fim do antibiótico, exames de urina repetidamente negativos, uroculturas sem crescimento bacteriano, dor pélvica persistente, urgência urinária sem febre, pressão na bexiga, piora relacionada a estresse, relação sexual ou determinados alimentos. 

Também merece atenção a paciente que já tomou vários antibióticos em poucos meses sem um diagnóstico claro. 

Nesses casos, o urologista pode solicitar exames complementares, avaliar o histórico completo, investigar hábitos miccionais, função intestinal, menopausa, saúde vaginal, dor pélvica, presença de cálculos e alterações funcionais da bexiga. 

O objetivo não é complicar o diagnóstico. É parar de simplificar demais um problema que pode ter várias causas. 


Quando o diagnóstico muda, o tratamento também muda.

Se o problema é cistite intersticial, o foco pode envolver controle da dor vesical, ajustes alimentares, medicamentos específicos, terapias intravesicais e manejo de gatilhos. Se há bexiga hiperativa, entram reeducação vesical, medicamentos para reduzir contrações involuntárias e, em casos selecionados, toxina botulínica. Se existe disfunção do assoalho pélvico, a fisioterapia especializada pode ser decisiva. Na menopausa, a terapia hormonal local pode recuperar parte da saúde da mucosa urogenital e reduzir sintomas urinários.

 

Não existe uma fórmula única. Existe investigação correta. 

“Sintomas urinários recorrentes não devem ser normalizados, mas também não devem ser tratados no automático. Ardência, urgência e dor ao urinar merecem atenção, principalmente quando se repetem ou não respondem ao tratamento convencional”, conclui o Dr. Alexandre Sallum Bull.



Dr. Alexandre Sallum Bull CRM 129592  - Médico Urologista. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

 

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