Pesquisar no Blog

sexta-feira, 29 de maio de 2026

31/05 - Dia Mundial Sem Tabaco

 Cigarros eletrônicos podem agravar asma, rinite e DPOC, alerta ASBAI

 

No Dia Mundial Sem Tabaco, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) reforça que os riscos do tabagismo vão além dos cigarros convencionais. Os cigarros eletrônicos — frequentemente divulgados como opções menos nocivas — também oferecem perigos importantes, especialmente para pessoas com doenças respiratórias como asma, rinite e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 40 milhões de crianças e adolescentes, entre 13 e 15 anos de idade, usam algum tipo de tabaco. Dessas, 15 milhões já experimentaram cigarros eletrônicos ou algo semelhante. São 7 milhões de mortes a cada ano relacionadas ao consumo do tabaco.

 

“Não podemos permitir que nesse momento que há um declínio do tabagismo convencional pelo amplo esclarecimento dos seus malefícios, venha uma outra forma de consumo de tabaco que ameaça a vida da população particularmente começando pelos nossos jovens”, comenta o membro do Departamento Científico de asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dr. Álvaro Cruz.

 

Estudos mostram que os dispositivos eletrônicos contêm compostos químicos capazes de irritar e inflamar as vias aéreas, além de substâncias associadas ao câncer. Assim como os cigarros tradicionais, também podem causar dependência devido à presença de nicotina.

 

“O uso de cigarros eletrônicos pode piorar o controle da asma, levando a mais crises e hospitalizações. Os principais sintomas decorrem da inflamação dos brônquios, como falta de ar, chiado, tosse, cansaço e dor no peito”, afirma Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI.

 

Entre pessoas com rinite, tanto os cigarros convencionais quanto os eletrônicos podem intensificar sintomas como coceira nasal e ocular, espirros repetidos, coriza e obstrução nasal. Já pacientes com DPOC devem evitar completamente a exposição a esses produtos, que podem agravar o comprometimento pulmonar.



Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
Site: www.asbai.org.br
Facebook: https://www.facebook.com/asbai.alergia/
Instagram: https://bit.ly/ASBAI_Instagram
LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/asbai-alergian
Spotify: https://bit.ly/ASBAI_Podcast
YouTube: http://www.youtube.com/c/ASBAIAlergia
X: https://twitter.com/ASBAI_alergia


FEMAMA, Instituto Beaba e Libbs lançam plataforma inédita para desmistificar o câncer de mama com informação acessível e acolhedora

O portal “Beabá do Câncer de Mama” traduz termos médicos e aborda tabus sobre a doença de forma leve e didática. 

 

O diagnóstico de câncer de mama costuma vir acompanhado de uma grande quantidade de termos médicos complexos e dúvidas paralisantes. Para transformar esses receios em conhecimento, o Instituto Beaba, a FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) e a farmacêutica Libbs, cocriaram, junto a pacientes e familiares, a plataforma online Beaba do Câncer de Mama. O lançamento oficial foi marcado por uma live no perfil da FEMAMA no Instagram (@femama.brasil), que aconteceu na quinta-feira, 28 de maio. 

O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 73.610 novos casos anuais para o triênio 2023-2025.1 Diante desse cenário, o letramento em saúde se faz essencial. 

“Na Libbs, entendemos que apoiar projetos de impacto social também é uma forma de ampliar o cuidado. O site do Beabá do Câncer de Mama, idealizado em parceria com a instituição a partir de uma escuta genuína das necessidades das pacientes, busca traduzir informações relevantes de forma acessível, acolhedora e conectada aos desafios vividos durante o tratamento. Para nós, iniciativas como essa endossam nosso compromisso de transformar conhecimento em saúde e contribuir para que mais mulheres se sintam amparadas e bem-informadas ao longo de sua jornada, o que pode fazer diferença durante o tratamento”, afirma Rafaela Sonsim, gerente de Experiência Institucional. 

O portal nasceu de uma demanda real das próprias pacientes. Historicamente reconhecido por seu trabalho com a distribuição de guias informativos para crianças e adolescentes em tratamento oncológico, o Instituto Beabá começou a receber pedidos de mães e mulheres adultas, diagnosticadas majoritariamente com câncer de mama, que desejavam um material com a mesma linguagem clara para entenderem a própria doença. 

"O livro educativo do Beabá nasceu inicialmente para desmistificar o câncer para crianças. Com o tempo, percebemos que as mulheres adultas também careciam dessa mesma franqueza e cuidado, para explicar a doença aos filhos, ou mesmo para também se sentirem contempladas. Foi assim que criamos essa plataforma diversa dedicada somente ao câncer de mama, que foge dos estereótipos visuais e aborda inclusive assuntos vistos como tabus durante o tratamento", explica Simone Mozzilli, presidente e fundadora do Instituto Beaba. 

Com o design inovador do Beabá e o fomento da Libbs, o site conta com a curadoria técnica e científica da FEMAMA, assegurando a precisão dos dados. “A informação clara e baseada em evidências é o primeiro passo para o empoderamento e para o sucesso da adesão ao tratamento. Quando a mulher entende o que está acontecendo com o próprio corpo, sem o peso de uma linguagem extremamente técnica, ela se torna protagonista da sua jornada. A plataforma é exatamente isso: uma ferramenta de tradução e acolhimento técnico desenhada para as pacientes”, pontua Dr. Luiz Ayrton Santos Júnior, presidente voluntário da FEMAMA. 

A plataforma aposta em ilustrações de três personagens originais que celebram a representatividade e a diversidade da mulher brasileira. Além de explicar desde os sintomas até os tipos de tratamento em um formato dinâmico, o site dedica espaços exclusivos para falar abertamente sobre temas sensíveis, como preservação da fertilidade, sexualidade durante o tratamento e cuidados paliativos, sempre com uma abordagem empática.


Dia Mundial Sem Tabaco reforça perigos do cigarro para cabeça e pescoço

 Tabagismo é um dos principais fatores de risco para câncer de laringe e outras doenças que afetam voz, respiração e qualidade de vida

 

O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, chama a atenção da população para os impactos negativos da nicotina na saúde. Reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base do tabaco, o tabagismo também é considerado a maior causa evitável de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de oito milhões de pessoas morrem anualmente no mundo devido ao uso do tabaco. No Brasil, o cigarro está diretamente relacionado ao desenvolvimento de aproximadamente 50 doenças, incluindo diversos tipos de câncer, doenças respiratórias crônicas e problemas cardiovasculares. 

Segundo o Dr. André Alencar, otorrinolaringologista e presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), o tabagismo é um dos principais fatores de risco para doenças que atingem a cabeça e o pescoço, especialmente o câncer de laringe, enfermidade que compromete diretamente a voz, a respiração e a qualidade de vida dos pacientes. Ele explica que a fumaça do cigarro contém milhares de substâncias tóxicas capazes de provocar inflamações, lesões e danos permanentes às cordas vocais. “Entre os principais sinais de alerta estão a rouquidão persistente; a dificuldade para falar; a tosse frequente; a falta de ar e a dor ao engolir. Em casos mais graves, o câncer de laringe pode exigir cirurgia para a retirada parcial ou total da laringe.” 

Além desse tipo de câncer, a nicotina e os compostos tóxicos presentes no cigarro também estão associados a doenças respiratórias, como bronquite crônica, enfisema pulmonar e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Em termos comparativos, dados do Ministério da Saúde mostram que o câncer de cabeça e pescoço acomete entre 35 mil e 40 mil brasileiros por ano, enquanto o tabagismo provoca mais de 160 mil mortes anualmente no País.

 

Histórico

O número de fumantes no Brasil vinha registrando uma queda significativa nas últimas décadas. Entre 1989 e 2023, o número caiu de 35% para 9,3%. Contudo, dados recentes do Ministério da Saúde apontam que de 2023 para 2024 voltou a crescer o número de fumantes, chegando a 11,6%. Esse aumento acendeu um sinal de alerta entre os especialistas e os gestores de saúde pública, especialmente devido ao avanço do uso dos cigarros eletrônicos entre os jovens. “Apesar de muitas vezes serem vistos como alternativas menos nocivas, eles também possuem nicotina e substâncias químicas capazes de causar dependência e danos severos ao sistema respiratório e às vias aéreas superiores”, explica o Dr. Alencar, ao reforçar que a prevenção e o abandono do tabagismo são fundamentais para reduzir casos de câncer, doenças respiratórias e complicações que afetam diretamente a qualidade de vida da população. 

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente tratamento e acompanhamento para quem deseja parar de fumar.

 

Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF


Prevalência do tabagismo no Brasil mostra ligeira alta, aponta pesquisa

Números recentes indicam a necessidade da retomada de políticas, como destaca o Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio


 Após um período de sucessivas quedas, a prevalência do tabagismo no Brasil apresentou ligeira alta em 2024, ano em que foi concluído o levantamento mais recente do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – Vigitel Brasil 2006–2024 –, divulgado pelo Ministério da Saúde. O número de fumantes passou de 15,7% em 2006 para 9,0% em 2021, antes de subir para 9,2% em 2023 e 11,5% em 2024. A pesquisa evidencia a persistência do vício no país e a necessidade de reforço nas políticas de combate ao fumo.

“Desmascarando o apelo – combatendo o vício em nicotina e tabaco” é o tema da campanha deste ano que marca o Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. A ação tem por objetivo mostrar que a indústria do tabaco está atenta a novas fórmulas para alimentar o vício através de gerações – sobretudo as mais jovens. Exemplo disso são os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF).

Novos desafios se impõem à saúde pública brasileira, conforme destacam outros estudos, como a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e o III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III). “A nicotina, altamente viciante, leva 50% a 70% dos que experimentam o cigarro à dependência, com adolescentes sendo particularmente vulneráveis devido às estratégias de marketing da indústria tabagista”, observa o oncologista Fernando Medina, diretor do Centro de Oncologia Campinas.

“Fumantes passivos, incluindo crianças, também enfrentam riscos graves, como infecções respiratórias, asma, rinite e câncer de pulmão”, acrescenta o especialista.


 Mortes

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o tabaco esteja relacionado a cerca de 15% das mortes de homens e 7% dos óbitos das mulheres adultas no Brasil. “A fumaça do cigarro contém mais de 4,7 mil substâncias químicas, incluindo 60 cancerígenas, como arsênico, chumbo e cádmio, que danificam órgãos como pulmões, fígado e rins”, detalha o oncologista clínico do COC, Fernando Medina.


Os principais impactos do tabagismo à saúde incluem:

- Doenças cardiovasculares: infarto, hipertensão, angina e derrame cerebral.

- Doenças respiratórias: bronquite crônica, enfisema e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

- Câncer: pulmão, boca, laringe, esôfago, estômago, próstata e rins.

- Outros prejuízos: infertilidade, complicações na gravidez, envelhecimento precoce, doenças periodontais e mau hálito.


 O fumo e o câncer

“Fumantes têm de 15 a 30 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão do que não fumantes. A fumaça do cigarro contém pelo menos 70 substâncias cancerígenas conhecidas. Estudos apontam que o risco para o câncer do pulmão aumenta 20% a cada 5 anos de tabagismo”, lista Fernando Medina, e complementa: “Fumantes pesados, que consomem mais de 20 cigarros ao dia por mais de 15 anos, têm risco 4,55 vezes maior que fumantes leves”, acrescenta.

Outro dado importante fornecido pelo oncologista é que parar de fumar pode reduzir o risco para o câncer de pulmão em 30% a 50% após 10 anos de cessação do vício. “Embora outros fatores possam contribuir, o tabagismo permanece como a causa predominante de câncer de pulmão, reforçando a importância da cessação do tabagismo na prevenção”, acrescenta.


 Programa Viver sem Cigarro

Há quase duas décadas, o COC aplica o programa “Viver sem Cigarro”, voltado a alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental das escolas de Campinas. “Nos programas para adultos fumantes, o índice de sucesso é muito baixo. Por volta de 10% largam definitivamente o vício. Porém, quando esclarecemos os mais jovens sobre os males do cigarro, as chances de sucesso se multiplicam. Impedir que as gerações futuras comecem a fumar se mostra um meio eficiente para combater o vício do cigarro”, detalha Medina.

Educar, destaca Fernando Medina, é a melhor forma de prevenir o surgimento de novos fumantes.  “O programa é destinado a crianças e adolescentes em escolas privadas e públicas de Campinas. Tem como objetivo conscientizar os jovens sobre os riscos à saúde associados ao tabagismo. Assim estamos ajudando a formar gerações conscientes de não-fumantes”, salienta. 



COC - Centro de Oncologia Campinas
Rua Alberto de salvo, 311, Barão Geraldo, Campinas


Pesquisa brasileira utiliza células-tronco para tratar complicação grave após transplante de medula óssea

 

Estudo desenvolvido pela PUCPR para o tratamento da Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH) crônica acaba de ser aprovado pela Anvisa e terá início em setembro de 2026

 

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) conduzem um ensaio clínico inédito no Brasil, com potencial para transformar o tratamento da Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH) crônica, uma complicação grave que pode surgir após transplantes de medula óssea. O estudo, liderado pelo Centro de Tecnologia Celular (CTC) da PUCPR, que tem como médico responsável técnico o Dr. Paulo Brofman, utiliza células-tronco mesenquimais (CTM) derivadas da medula óssea e acaba de receber aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Na DECH crônica, as células do doador passam a atacar o organismo do receptor, provocando complicações graves, com altas taxas de morbidade e mortalidade. Uma parcela significativa dos pacientes desenvolve resistência às terapias de primeira linha e o acesso às terapias de segunda linha ainda é restrito no Sistema Único de Saúde (SUS). “Esses pacientes frequentemente necessitam de internações prolongadas e de tratamentos intensivos, o que sobrecarrega o sistema de saúde e compromete significativamente a qualidade de vida desses pacientes”, explica Carmen Kuniyoshi Rebelatto, coordenadora do projeto e responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR (CTC-PUCPR). 

 

Como alternativa terapêutica para esses casos, os pesquisadores desenvolveram o MesenCell, um produto biológico composto por células vivas com propriedades imunomoduladoras. Desenvolvido pela equipe do CTC-PUCPR, o MesenCell é o primeiro Produto de Terapia Avançada (PTA) do país, baseado em células-tronco mesenquimais, voltado ao tratamento da DECH crônica, com potencial de aplicação futura em outras doenças inflamatórias.

 

O protocolo prevê a administração de três doses do MesenCell, aplicadas em intervalos semanais, com acompanhamento clínico dos pacientes por até 12 meses após a primeira infusão. O ensaio clínico envolverá 20 pacientes com DECH crônica resistentes a corticosteroides, atendidos em três centros de referência: o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças. O início do tratamento está previsto para setembro de 2026.

 

Resultados promissores  

O principal objetivo do estudo é avaliar a segurança e a tolerabilidade da terapia. A equipe do CTC-PUCPR já acumula experiência com um produto semelhante, também baseado em CTM, que apresentou resultados promissores: taxa de resposta global de 80%, incluindo 50% de remissão completa. Os dados apontaram, ainda, resposta completa em 100% das manifestações cutâneas, 75% dos casos com comprometimento gastrointestinal e 50% das manifestações na cavidade oral. Além disso, 60% dos pacientes conseguiram reduzir ou suspender o uso de imunossupressores, enquanto os casos graves de esclerodermia associada à DECH apresentaram recuperação funcional significativa. 


A expectativa é que o MesenCell contribua para a redução da inflamação sistêmica, a diminuição da incidência de infecções e a melhora significativa da qualidade de vida. Os impactos potenciais, porém, vão além do âmbito clínico: ao reduzir a necessidade de internações prolongadas e de tratamentos intensivos, a terapia também favorece a sustentabilidade do sistema hospitalar e alivia a sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS). “Esta iniciativa busca transformar uma inovação tecnológica em uma alternativa terapêutica concreta para uma condição de manejo clínico complexo”, destaca a pesquisadora da PUCPR. 

 

A pesquisa recebeu financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), no valor de R$ 5.623.522,00, destinado ao desenvolvimento do estudo clínico em humanos, e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com aporte de R$ 1.500.970,00, para a realização dos ensaios em animais, etapa necessária antes do início dos testes em humanos. Este é um estudo multicêntrico, que está sendo desenvolvido pela equipe do CTC-PUCPR, sob coordenação da Dra Carmen Kuniyoshi Rebelatto, em colaboração com o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Hospital Nossa Senhora das Graças, sob responsabilidade da Dra. Vaneuza Araújo Moreira Funke, além do Hospital Erasto Gaertner, com participação do Dr. João de Holanda Farias. 


Dia Mundial do Acolhimento Familiar destaca crescimento da modalidade humanizada de proteção a crianças e adolescentes no país

Serviço vem ganhando espaço no Brasil e reforça a importância do cuidado individualizado, do afeto e do fortalecimento de vínculos durante o acolhimento temporário 

 

Celebrado em 31 de maio, o Dia Mundial do Acolhimento Familiar chama atenção para uma modalidade de proteção que vem crescendo no Brasil e transformando a vida de crianças e adolescentes afastados temporariamente do convívio familiar por força de decisão judicial. O chamado acolhimento familiar, também conhecido como Família Acolhedora, oferece um ambiente seguro, afetivo e estruturado para que meninas e meninos possam seguir com seu desenvolvimento, com cuidado e proteção, enquanto suas famílias de origem recebem acompanhamento de uma rede de apoio.

Os números mostram o avanço dessa modalidade no país. Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), o Brasil contava, em 2024, com 153 programas de acolhimento familiar. O número de famílias ativas cadastradas na modalidade também vem crescendo nos últimos anos: eram 23 em 2013 e passaram para 3.649 em 2024.

A Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, integra esse movimento por meio do Serviço de Família Acolhedora desenvolvido em Mata de São João (BA), iniciativa implantada em 2022 em parceria com a Prefeitura local e com apoio do Sistema de Justiça do município.

A modalidade funciona a partir do cadastro, seleção e capacitação de famílias voluntárias aptas a receber temporariamente crianças e adolescentes em situação de risco social e pessoal. Todo o processo é acompanhado por equipes técnicas especializadas, responsáveis pela preparação das famílias acolhedoras, pelo acompanhamento contínuo e pelo suporte durante todo o período do acolhimento.

Além de garantir proteção integral, o serviço busca preservar a convivência familiar e comunitária e fortalecer vínculos afetivos fundamentais para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. O acolhimento ocorre de forma temporária e segue determinação judicial, podendo resultar na reintegração à família de origem ou em encaminhamento para adoção, conforme avaliação das autoridades competentes.

Para Olivia Valente, Gestora do Território na Bahia da Aldeias Infantis SOS, o crescimento do acolhimento familiar no Brasil demonstra o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção humanizada da infância. “O acolhimento familiar representa uma importante alternativa de cuidado para crianças e adolescentes afastados judicialmente de suas famílias e responsáveis legais. Trata-se de uma modalidade baseada no afeto, na proteção e no acompanhamento técnico permanente, que contribui para o desenvolvimento saudável e para a reconstrução de vínculos fundamentais durante um momento delicado da vida”, afirma.

Segundo ela, ampliar o debate sobre o tema é essencial para fortalecer a rede de proteção à infância no país. “O Dia Mundial do Acolhimento Familiar também é uma oportunidade para conscientizar a sociedade sobre a importância do cuidado compartilhado e da corresponsabilidade na garantia de direitos de crianças e adolescentes. Precisamos ampliar o conhecimento sobre essa modalidade e incentivar mais municípios a investirem em políticas de acolhimento qualificadas e humanizadas”, conclui.



Aldeias Infantis SOS
www.aldeiasinfantis.org.br


Porto Digital oferta 60 vagas gratuitas de formação em SAP e Service Now

Parceria com as empresas Accenture, Capgemini, Deloitte, EY, Extreme Digital e NTT DATA oferta cursos presenciais para pessoas em transição de carreira ou com familiaridade com o setor de tecnologia

 

O Porto Digital, em parceria com as empresas Accenture, Capgemini, Deloitte, EY, Extreme Digital e NTT DATA, está com inscrições abertas para o Programa de Academias. A iniciativa oferece dois cursos intensivos e gratuitos voltados à formação de profissionais em SAP e ServiceNow, tecnologias com alta demanda no mercado de tecnologia. 

As inscrições serão abertas nesta sexta-feira (29/06) e vão até o dia 4 de junho, por meio de um formulário online. Serão ofertadas 60 vagas, sendo 30 para SAP SD (Vendas e Distribuição) e 30 para Service Now.

As aulas começam no dia 29 de junho, de forma presencial, de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h (turma Service Now) ou das 18h30 às 21h30 (turma SAP). Os encontros irão ocorrer na sede do Porto Digital (Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife) ou em outro local indicado pela instituição. 

O participante terá acesso a aulas práticas e masterclasses exclusivas, ampliando a sua rede de contatos com profissionais do ecossistema e possibilidade de entrevistas com as empresas parcerias.
 

Público-alvo

A iniciativa é voltada para pessoas em transição de carreira ou com familiaridade com o setor de tecnologia. Os candidatos devem ter ensino superior completo ou estar nos anos finais de graduação em cursos como administração, contábil, tecnologia da informação, logística, física, estatística, engenharias, matemática ou áreas correlatas.

Habilidades como domínio básico de informática, pacote Office, habilidade de comunicação verbal e escrita, habilidade de escuta ativa e compreensão das necessidades dos clientes, além de idiomas inglês e espanhol, serão considerados um diferencial.
 

Seleção

Após a inscrição, o processo seletivo ocorrerá em duas etapas – uma online e outra presencial. A primeira será conduzida com base em critérios técnicos e comportamentais, de 5 a 8 de julho.

Na segunda, os candidatos classificados participarão de dinâmicas presenciais com representantes das empresas parceiras, que irão avaliar competências interpessoais e capacidade de resolução de problemas.
 

Preparação para o mercado

Durante o curso, os estudantes terão aulas com instrutores especializados e poderão participar de masterclasses temáticas conduzidas pelas empresas parceiras. Para concluir a formação, os estudantes deverão ter assiduidade acima de 80% nas aulas e masterclasses e índice técnico mínimo de 70% ao final do curso. 

O objetivo do curso é impulsionar a formação de profissionais qualificados e fomentar o crescimento do setor de tecnologia em Pernambuco. Os aprovados na formação também participarão de dinâmicas com o setor de empregabilidade das empresas parceiras. 

Em 2025, a primeira edição do Academia, voltado para as tecnologias SAP MM (Materiais) e SAP SD (Vendas e Distribuição), recebeu 4200 inscritos. Ao final do processo, 54 dos 60 participantes foram contratados pelas quatro empresas parceiras.
 

Cronograma

Inscrições: 29/05 a 04/06
Processo seletivo
Etapa 1: 5 a 8/06
Etapa 2: 16/06
Início das aulas: 29/06
Término do curso: 14/08 

Em caso de dúvidas, entrar em contato via e-mail: educacao@portodigital.org


Maio Amarelo: Educação e Detran-SP se unem para estabelecer a educação para o trânsito nas escolas

 

Ação é parte das medidas do Plano de Segurança Viária (PSV-SP) para reforçar cultura a favor da vida no trânsito, e está alinhada a Base Nacional Comum Curricular e Currículo Paulista

 

Mês que marca a implementação do Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo (PSV-SP), o Maio Amarelo 2026 é o ponto de partida de um projeto idealizado para reforçar a boa convivência no trânsito desde a infância. Nesta sexta-feira (29), o Detran-SP celebra um acordo de colaboração com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) para a construção das Diretrizes Estaduais de Educação para o Trânsito, documento que vai orientar a abordagem da temática nas escolas públicas e particulares paulistas. O projeto está alinhado com o Currículo Paulista e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).  

A celebração concretiza ação prevista no PSV-SP, plano de longo prazo criado pelo governo de São Paulo para reduzir as mortes no trânsito pela metade até 2030. Detran-SP e Seduc-SP trabalharão em parceria com a União dos Dirigentes Municipais de Ensino (Undime), o Conselho Estadual Educação e o Conselho Estadual de Trânsito (Cetran-SP) na construção de um instrumento normativo que oriente os professores na abordagem do trânsito em sala de aula, de forma transversal e integradora, batizado como Diretrizes Estaduais de Educação para o Trânsito.

 

“Não existe segurança viária sem educação. Quando levamos a discussão sobre trânsito para dentro das escolas, estamos formando cidadãos mais conscientes, responsáveis e preparados para conviver de forma segura e respeitosa nas cidades. O Plano de Segurança Viária nasce justamente com essa visão integrada e de longo prazo”, afirma Frederico Arantes, coordenador do Sistema de Trânsito do Estado de São Paulo (Sistran-SP) e presidente do Cetran-SP. 

As Diretrizes contemplarão as Competências Gerais de Educação para o Trânsito, estabelecendo fundamentos conceituais e seu potencial de aplicação nos currículos, tanto da rede estadual de educação quanto das redes municipais. Eles apoiam gestores e professores na implementação da temática, conscientizando estudantes desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.  

 

A educação é um dos oito eixos temáticos do Plano de Segurança Viária (PSV-SP), que contempla também o eixo de vias seguras, com infraestrutura para antecipar e mitigar erros humanos; atendimento às vítimas, com maior agilidade pós-sinistro para reduzir sequelas; e outros. De forma estrutural e transversal, o plano é orientado pela gestão de dados, pelo compromisso com resultados e pelo alinhamento ao Pnatrans (Política Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito).

 

41% das brasileiras já sofreram violência patrimonial: veja o que muda nos cartórios com nova regra de proteção às mulheres

 

Nova norma do Conselho Nacional de Justiça orienta cartórios de todo o país a identificarem sinais de coação, pressão psicológica e controle financeiro durante escrituras, procurações, venda de imóveis e outros atos patrimoniais

 

Uma nova regulamentação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) começa a mudar a atuação dos cartórios brasileiros em casos que envolvem possíveis situações de violência patrimonial contra mulheres. O Provimento CNJ nº 222/2026 estabelece medidas preventivas para identificar sinais de coação, pressão psicológica e ausência de livre manifestação de vontade em atos patrimoniais realizados nos serviços extrajudiciais do país.

A violência patrimonial é uma das formas menos conhecidas de violência doméstica, mas afeta milhões de mulheres brasileiras. Ela acontece quando há retenção, destruição, controle ou limitação de bens, dinheiro, documentos, patrimônio ou recursos financeiros da mulher. Na prática, pode envolver desde impedir acesso a contas bancárias até pressionar assinaturas de procurações, vendas de imóveis, financiamentos ou transferência de bens. Dados apontam que cerca de 41% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência patrimonial em relacionamentos. No Ligue 180, esse tipo de agressão representa aproximadamente 5,4% dos registros diretos, embora especialistas alertem para a grande subnotificação desses casos.

Na prática, a nova norma permite que cartórios adotem cautelas adicionais durante procedimentos como escrituras, procurações, venda de imóveis e outros negócios patrimoniais relevantes, especialmente quando houver suspeita de vulnerabilidade, dependência econômica ou constrangimento da mulher envolvida no ato.

Entre as medidas previstas estão atendimento reservado, entrevistas separadas, linguagem clara e acessível, observação de sinais de pressão emocional e até a suspensão do ato quando houver dúvida sobre a autonomia da decisão tomada.

Para Dra. Helen Salomão Advogada, especialista em Direito Notarial, Imobiliário e Registral do Raasa Advogados, o provimento representa um avanço importante no reconhecimento da violência patrimonial como uma realidade muitas vezes silenciosa dentro das relações familiares e afetivas.

“Muitas mulheres acabam assinando documentos, transferindo bens ou concedendo procurações em contextos de pressão psicológica, dependência financeira ou medo. Nem sempre existe violência física. Em muitos casos, o controle patrimonial acontece de forma velada e extremamente difícil de ser percebido”, explica.

Segundo a especialista, o texto também chama atenção por reconhecer os riscos existentes nos atos eletrônicos realizados por videoconferência, modalidade que cresceu significativamente após a digitalização dos serviços notariais.

“O Conselho Nacional de Justiça demonstra preocupação com situações em que a mulher participa de uma assinatura digital dentro do próprio ambiente familiar, eventualmente sendo monitorada ou pressionada por terceiros durante o ato eletrônico. Isso é extremamente relevante dentro da realidade atual do e-Notariado”, afirma Helen.

Embora a regulamentação alcance serviços notariais e registrais, os principais impactos recaem sobre a atividade notarial, justamente pela atuação direta do tabelião na formalização da vontade das partes.

A nova norma também prevê treinamentos e capacitação continuada para notários, registradores e prepostos, com foco na identificação de sinais de violência patrimonial, psicológica e moral, além da adoção de práticas de acolhimento e não revitimização.

Para Helen Salomão, a medida acompanha uma transformação social mais ampla sobre o entendimento da violência doméstica e patrimonial no Brasil. “Existe hoje uma compreensão maior de que violência contra a mulher não se limita à agressão física. O controle financeiro, a manipulação emocional e a restrição da autonomia patrimonial também são formas graves de violência e podem gerar consequências profundas na vida dessas mulheres”, pontua.

A especialista ressalta que a proposta do CNJ não transforma cartórios em órgãos investigativos, mas fortalece uma atuação preventiva e mais humanizada dentro dos limites técnicos da atividade extrajudicial. “O provimento reforça que segurança jurídica e proteção da dignidade da mulher precisam caminhar juntas. É uma mudança importante porque reconhece que os serviços extrajudiciais também podem atuar como espaços de proteção e prevenção”, finaliza.
 


Helen Salomão - Sócia capital Raasa Advogados. Advogada especialista em Direito Notarial, Imobiliário, Registral pela EPD, atua de forma estratégica em todas as fases da incorporação imobiliária, desde a estruturação jurídica inicial até a entrega efetiva do empreendimento. Sócia do RAASA – Rodrigo Ayuch Ammar, Salomão Sociedade de Advogados, membro das Comissões Especiais de Direito Imobiliário; e Notarial e de Registros Públicos, professora, escritora, Coautora do livro Mulheres no Direito Imobiliário – O Poder de uma História, coautora do Livro máquina do tempo, organizado por Joel Jota.
 


Educação SP abre processo seletivo para professores de Ensino Fundamental e Médio

 Profissionais podem atuar em unidades de período parcial ou integral com contrato por tempo determinado; inscrições vão até 18 de junho 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) está com inscrições abertas para o processo seletivo simplificado de professores do Ensino Fundamental (anos iniciais e finais) e Ensino Médio. Os profissionais selecionados irão compor o cadastro de reserva de docentes contratados por tempo determinado no ano letivo de 2027. As provas serão aplicadas no segundo semestre. 


O prazo de inscrição segue até 18 de junho no site da Fundação Getulio Vargas. A taxa é de R$ 60,00.  

Para as vagas em classes dos anos finais do Ensino Fundamental, os candidatos devem ter diploma de curso normal superior, de licenciatura em Pedagogia, de habilitação específica para o magistério, de licenciatura em educação do campo ou do programa especial de formação pedagógica superior. Para as oportunidades nos anos finais do Fundamental e Médio, os interessados devem comprovar diploma de licenciatura plena em componente curricular integrante da matriz curricular do Estado de São Paulo.  


No ato da inscrição, os candidatos devem optar por uma dentre as 91 Unidades Regionais de Ensino (URE) para classificação no processo seletivo. As provas, no entanto, podem ser realizadas em outro localidade, a escolha do profissional.

 

Prova dividida em três etapas


A seleção é dividida em três etapas: prova objetiva, prova prática (videoaula) e avaliação de títulos. A prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, será composta por 40 questões de múltipla escolha, sendo 10 itens relativos aos conhecimentos gerais e didático-pedagógicos e 30 itens aos conhecimentos específicos. Cada questão corresponde a um ponto em um total de 40. Será aprovado na fase objetiva aqueles que obtiverem, no mínimo, oito acertos. 


As provas serão aplicadas em dois períodos, de acordo com o ciclo/disciplina: manhã (9h às 12h) e tarde (15h às 18h). 


A etapa prática (videoaula) tem caráter eliminatório e classificatório e será pontuada na escala de 0 a 30 pontos. Cada candidato deve gravar em vídeo uma simulação de aula, com duração de cinco a sete minutos. A produção do material permite que a banca avalie as habilidades de docência do candidato. 

Serão avaliados três aspectos: a clareza, organização e foco da explicação; o uso de exemplos e comparações que favoreçam a compreensão; e a antecipação de dúvidas e dificuldades. O candidato que não enviar os vídeos ou receber pontuação zero será eliminado do processo seletivo. 


A última etapa é a de avaliação de títulos, de perfil classificatório. Serão considerados títulos somente os cursos de pós-graduação stricto sensu (doutorado e mestrado) concluídos e homologados, desde que na área da educação ou da disciplina de opção de inscrição. A pontuação total da prova de títulos estará limitada ao valor máximo de dez pontos.

 

Vagas em escolas de tempo parcial ou integral 


O processo seletivo da Seduc-SP oferece oportunidade de atuação em escolas de tempo parcial, com carga horária mínima de 25 horas, e integral (Programa Escola Integral - PEI) com regime de dedicação exclusiva de 40 horas semanais.


O valor do subsídio correspondente à jornada ampliada de trabalho docente, de 40 horas semanais, é de R$ 5.565,00, sendo garantida a remuneração proporcional nos casos de atribuição de carga horária inferior.


Todo conteúdo programático e a bibliografia das disciplinas avaliadas nas provas estão publicadas na edição de 13 de maio do Diário Oficial do Estado.



Omissão empresarial diante de racismo gera dever de indenizar e expõe falha na governança

Para o defensor público federal André Naves, o combate à discriminação no ambiente de trabalho deve ir além do discurso e se traduzir em protocolos ativos de proteção, acolhimento e segurança dos colaboradores.
 


A recente decisão unânime da 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que manteve a condenação de um restaurante no Rio de Janeiro a indenizar uma atendente ofendida com insultos racistas por um cliente, acende um alerta fundamental sobre a responsabilidade das empresas no ambiente de trabalho. Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Economia Política, o caso demonstra de forma contundente que a inércia corporativa perante crimes de preconceito configura negligência grave.

No caso em questão, a corte máxima trabalhista ratificou que a responsabilidade da empresa decorreu diretamente de sua conduta omissiva. Ao deixar de tomar providências imediatas - como acionar as autoridades policiais ou retirar o agressor do recinto -, o estabelecimento falhou no seu dever fundamental de garantir um ambiente de trabalho sadio e seguro.

"O espaço corporativo e comercial não é um território neutro onde o empregador possa simplesmente lavar as mãos perante a dignidade de seus colaboradores", afirma Naves. "A empresa que se omite, que assiste à humilhação de um funcionário e opta pela inação para 'evitar tumulto' ou preservar o faturamento do momento, está, na verdade, validando a violência estrutural. O dever de proteção abrange, necessariamente, a preservação da integridade psíquica, moral e racial dos trabalhadores."



Além do compliance de fachada

André Naves destaca que o mercado corporativo brasileiro precisa amadurecer urgentemente a aplicação prática das agendas de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa). Para ele, a verdadeira inclusão e o combate ao racismo não se resolvem apenas com cartilhas institucionais ou selos de diversidade nas redes sociais, mas com a implementação de protocolos de crise robustos e o treinamento contínuo das equipes e lideranças.

“Muitas corporações praticam um antirracismo meramente performático. No entanto, quando o conflito real acontece no chão de fábrica ou no balcão de atendimento, a gerência muitas vezes falha por omissão ou tenta minimizar a situação. O combate ao racismo exige uma postura ativa: a empresa deve acolher imediatamente a vítima, isolar e retirar o agressor, acionar as autoridades competentes e fornecer todo o suporte probatório para a investigação. O acolhimento não é uma concessão; é uma obrigação legal, civilizatória e ética”, pontua o defensor.

Do ponto de vista da economia, Naves reforça que a tolerância ou a negligência em relação à discriminação destroem o valor reputacional e mercadológico das marcas a longo prazo. “A exclusão, o preconceito e a leniência com o crime são péssimas estratégias de negócios. Sociedades e mercados que prosperam de verdade são aqueles que garantem a segurança jurídica e a dignidade de todos os envolvidos na cadeia produtiva, do cliente ao trabalhador da ponta”, conclui.


Chegada de fenômeno climático intenso, o Super El Niño, estimula desenvolvimento e adoção de IAs para proteger rede elétrica

 Solução desenvolvida pela Fu2re, scale-up brasileira, identifica riscos de contato entre a vegetação e fiação para evitar quedas de energia, principalmente em temporais 


Os próximos meses devem ser marcados por uma forte alteração climática, conforme alerta o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Super El Niño. Para o setor elétrico, o fenômeno é um alerta para possíveis apagões e comprometimento da rede elétrica causados pela queda de árvores. Não à toa, soluções para lidar com a situação utilizando IA estão sendo desenvolvidas e cada vez mais adotadas, visando tornar as cidades mais inteligentes e capazes.

O Super El Niño é uma alteração mais severa do El Niño, um fenômeno climático provocado por um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O aquecimento modifica a circulação da atmosfera e muda padrões de chuva, temperatura e vento em várias regiões do planeta. A NOAA (agência climática dos Estados Unidos) tal qual o Cemaden, estima mais de 80% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño nos próximos meses, dando origem a um episódio muito forte e que deve se desenvolver até o fim de 2026.

A Fu2re, por exemplo, empresa especializada em soluções de IA e visão computacional para os setores de energia, óleo e gás, desenvolveu a solução SmartAssets visando cenários como esse. A proposta da solução é prover as informações necessárias para antecipar ações e reduzir falhas na distribuição de energia causadas por ventania, quedas de árvores ou galhos.

A tecnologia detecta troncos, copas de árvores e massas vegetais próximas à fiação. A partir dessas informações, o sistema realiza o cálculo da distância entre a vegetação e os cabos, gerando um relatório que sinaliza risco de contato (moderado, alto e crítico).

Embora as redes elétricas sejam projetadas para suportar tempestades, a vegetação continua sendo uma das principais causas de interrupção no fornecimento de energia. O número de ocorrências registradas pela Defesa Civil Municipal de São Paulo (com dados do GeoSampa) envolvendo quedas de árvores, em 2025, chegou a 5.030. Esse é um dos principais fatores que envolvem queda de energia.

As interrupções de fornecimento elétrico têm afetado cada vez mais a vida de cidadãos, com ocorrências que deixam de ser apenas incômodos e passam a se tornar riscos à saúde, bem-estar e segurança.

André Sih, Founder e Managing Partner da Fu2re, afirma que o projeto foi desenvolvido para promover o conforto cotidiano e segurança pública. “A tecnologia utiliza a captura de imagens de alta resolução por meio de veículos equipados com sensores e modelos de inteligência artificial capazes de identificar objetos para reconhecer padrões e aplicar labels automaticamente para análise técnica. O processo de captura e análise permite a validação e auditoria dos resultados garantindo maior qualidade e confiabilidade dos dados.”

A proposta da solução é prever situações que possam se agravar com temporais e colocar a rede elétrica e, consequentemente, a comodidade do cidadão, em risco, alertando empresas para que sejam capazes de agir antes de que o pior aconteça.

A solução da Fu2re já foi testada por distribuidoras de energia do Brasil e segue reforçando sua aderência ao mercado. Compatível com sistemas GIS, padrão em concessionárias, o SmartAssets também oferece acesso direto à plataforma, ampliando a autonomia das equipes técnicas e a integração com processos existentes.


Fu2re
www.fu2re.com.br


Posts mais acessados