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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Geração Alpha espera que flexibilidade e tecnologia revolucionem ambiente de trabalho até 2040, revela estudo do IW

 

>> Pesquisa do International Workplace Group mostra que 86% da Geração Alpha afirma que seus empregos serão radicalmente diferentes dos de seus pais

>> Previsões apontam para o fim dos longos deslocamentos diários, com apenas 29% dizendo que levarão mais de 30 minutos para ir ao trabalho


>> 88% esperam trabalhar regularmente com IA ou robôs, e um terço prevê o fim do e-mail

>> 81% afirmam que o trabalho híbrido estará consolidado como prática padrão

 

Uma nova pesquisa revelou que a Geração Alpha (grupo de pessoas nascidas a partir de 2010) espera que seus empregos sejam radicalmente diferentes dos de seus pais, desde o fim do deslocamento diário e do e-mail até o trabalho recorrente com robôs. 

Produzido pelo International Workplace Group (IWG), líder global em soluções de trabalho híbrido e proprietário das marcas Regus, Spaces e HQ, um novo estudo realizado com jovens de 11 a 17 anos e seus pais, todos residentes no Reino Unido e nos EUA, fez perguntas sobre como eles esperam que o ambiente de trabalho tenha mudado até 2040 – quando a Geração Alpha deverá representar a maioria da força de trabalho. 

O levantamento mostrou que quase nove em cada dez (86%) membros da Geração Alpha esperam que suas vidas profissionais tenham se transformado em relação às de seus pais, tornando a rotina no escritório irreconhecível em relação às práticas dos dias de hoje.


 

Deslocamento diário extinto até 2040 


Uma das mudanças previstas mais marcantes diz respeito ao deslocamento. Menos de um terço (29%) da Geração Alpha espera gastar mais de 30 minutos se deslocando para o trabalho todos os dias — padrão atual para muitos pais —, com a maior parte prevendo ter a flexibilidade para trabalhar em home office ou mais perto de onde mora. 


Três quartos (75%) disseram que reduzir o tempo desperdiçado com deslocamentos seria uma prioridade, permitindo que passem mais tempo com suas próprias famílias, caso se tornem pais no futuro.


 

Robôs e IA se tornarão comuns, e o e-mail será coisa do passado

 

O estudo também explorou previsões tecnológicas importantes, que focam fortemente em inteligência artificial (IA) – constatação que não chega a causar surpresa em 2025. Para 88% da Geração Alpha, o uso de assistentes inteligentes e robôs será parte regular do dia a dia.

 

Outros avanços tecnológicos esperados incluem headsets de realidade virtual para reuniões virtuais em 3D (38%), áreas de jogos (38%), cápsulas de descanso (31%), configurações personalizadas de temperatura e iluminação (28%) e salas de reunião com realidade aumentada (25%).

 

E talvez na previsão mais ousada de todas, um terço (32%) diz que o e-mail estará morto, substituído por novas plataformas e tecnologias que possibilitem uma colaboração mais eficiente.

 


Trabalho híbrido sustentará a nova realidade

 

A pesquisa também constatou que o trabalho híbrido será o modelo padrão. Para 81%, o trabalho flexível será a norma em 2040, com funcionários tendo liberdade para escolher como e onde trabalhar.

 

Apenas 17% da Geração Alpha esperam trabalhar em um escritório principal o tempo todo, sendo que a maioria deve dividir seu tempo entre casa, espaços de trabalho locais e a sede central, garantindo que possam realizar suas tarefas da forma mais eficiente possível. Entre os principais benefícios de se distanciar de um modelo presencial rígido no escritório estão a redução do estresse causado pelo deslocamento (51%), mais tempo com amigos e família (50%), melhora na saúde e bem-estar (43%) e trabalhadores mais produtivos (30%).

 

Espera-se que essa flexibilidade aumente a produtividade de tal modo que faz um terço (33%) da Geração Alpha acreditar que a semana de trabalho de quatro dias será o padrão. Nos EUA, 22% dos trabalhadores afirmam que seu empregador oferece uma semana de quatro dias, segundo o estudo ‘2024 Work in America Survey’, realizado pela The Harris Poll em parceria com a American Psychological Association.

 

“Os dados revelam uma mudança de mentalidade muito clara entre os jovens que, em breve, ocuparão a maior parte da força de trabalho. No Brasil, já observamos uma demanda crescente por modelos flexíveis que aproximem as pessoas de onde vivem e que proporcionem mais qualidade de vida”, diz Tiago Alves, CEO Brasil do IWG. “As empresas que compreenderem essa tendência e estruturarem operações híbridas desde já estarão mais preparadas para atrair talentos da Geração Alpha e para competir em um ambiente profissional cada vez mais tecnológico e descentralizado”, acrescenta.

 

“A próxima geração de trabalhadores deixou claro: flexibilidade sobre onde e como trabalhar não é opcional, é essencial. A geração atual cresceu vendo seus pais desperdiçarem tempo e dinheiro em longos deslocamentos diários, e a tecnologia disponível hoje basicamente tornou isso redundante”, afirma Mark Dixon, fundador e CEO do IWG. “A tecnologia sempre moldou o mundo do trabalho e continuará moldando. Há 30 anos, vimos o impacto transformador da ampla adoção do e-mail e, hoje, o advento da IA e dos robôs está tendo um impacto igualmente profundo — influenciando como e onde a Geração Alpha trabalhará no futuro”, complementa o executivo. 




Pesquisa conduzida para o International Workplace Group plc pela Beano Brain, agência de insights sobre crianças e famílias, com 1.000 jovens de 11 a 17 anos e 1.000 pais de jovens de 11 a 17 anos, no Reino Unido e nos EUA (500 por mercado).

International Workplace Group (IWG)
www.iwgplc.com

 

Qual a importância de investir na cultura organizacional no setor de tecnologia?

Atualmente, o mercado de trabalho, no geral, vem enfrentando a chamada epidemia do desengajamento. Vivemos uma era em que os índices de Burnout seguem crescendo, sendo que o Brasil, de acordo com o levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos. Diante desse cenário, garantir um ambiente de trabalho saudável e colaboradores motivados é algo de extrema importância, o que pode ser obtido através da cultura organizacional.

Mais do que um simples conceito, investir na cultura promove a legitimidade na relação entre empregado e empregador. Isso porque é criado o senso de pertencimento e a escuta ativa. Na prática, quando o colaborador se sente parte de algo, todos os lados ganham.

Ou seja, a empresa ganha por potencializar sua cultura com um bom entendimento, constrói uma relação verdadeira e imprime sua marca em seus serviços e produtos. O profissional ganha, pois, se empodera no sentido de agir como parte (dono) e, com isso, passa a ser identificado como peça-chave em oportunidades de crescimento. O cliente também se beneficia, porque consegue sentir e perceber na entrega algo diferente e a essência da verdade no relacionamento que mantém com a organização.

Na prática, quando a cultura compreende o incentivo como um “convite” ao experimento, é o momento em que o profissional entende que sua voz terá valor. Esse é um estímulo fundamental que se retroalimenta, gerando novas ideias e resultando em um senso de importância. No entanto, é fundamental deixar claro que errar faz parte desse processo e gera ganhos com as lições aprendidas, as quais devem ser compartilhadas para promover o desenvolvimento de todos e a maturidade.

Em se tratando do setor de tecnologia, essa abordagem é algo amplamente necessário. Afinal, se a área de TI já foi vista durante muito tempo como a responsável por atender chamados, hoje, já não é mais assim. Esse segmento está, todos os dias, diante de novas tendências e tem a árdua missão de traduzi-las e trazê-las para a empresa.

Nesse sentido, a cultura organizacional, ao trazer o propósito de verdade, equidade, valorização da diversidade, convite ao experimento, senso de pertencimento e desejo de contribuição com um bem comum, ajuda a criar uma geração de profissionais de tecnologia com senso de importância e valores que passam a fazer sentido, e que vão além das empresas serem apenas polos geradores de desenvolvimento, riqueza e prosperidade.

É a partir dessa transformação que a organização se torna inovadora e humana, acolhendo e elevando a todos como pessoa, se preocupando com a saúde mental dos seus colaboradores, e resultando em um coletivo de contribuição e colaboração. Dessa forma, passa a prevalecer uma potência organizacional que opera no sentido mais profundo de sua essência: mudar vidas e contribuir com nossa sociedade, tornando-se referência e exemplo para outras empresas, e deixando um verdadeiro legado em sua trajetória.

Em suma, quando a gestão empresarial traz como alicerce uma cultura que prevalece a combinação entre a liberdade e a legitimidade da relação com o outro, a partir da qual as coisas fluem e resultados expressivos são conquistados, mantendo um time engajado e satisfeito com o ambiente de trabalho. 



Viviam Posterli - CEO do Grupo Skill.
Grupo Skill:


Cinco tendências para o setor de telecomunicação

Se antes a briga entre as empresas era pelo preço, hoje a disputa é sobre como se diferenciar. Afinal, vivemos em um mercado cada vez mais competitivo. E, no caso do setor de telecomunicações, que sofre influências tanto internas quanto externas, é necessário ser pragmático.

De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo IBGE, o segmento cresceu 2,4% no acumulado de 12 meses até julho de 2025. Ainda segundo dados divulgados pela Conexis Brasil Digital, as próprias empresas do setor afirmam que os investimentos no primeiro semestre deste ano totalizaram R$ 16,5 bilhões, um aumento de 4,8% em comparação ao mesmo período de 2024.

Os indicadores ajudam a corroborar o momento de expansão do setor de telecom. Entretanto, diante do mercado pulverizado que temos, o desafio das organizações é acelerar os negócios ao mesmo tempo que precisam se diferenciar da concorrência e colocar o cliente no centro.

Quanto a isso, a tecnologia, sem dúvidas, se mostra uma forte aliada. No entanto, mais do que apenas entender sua importância, é crucial utilizá-la em conjunto com estratégias que ajudem a alavancar a gestão. Entre as ações que apoiam essa jornada, estão:

#1 Data Driven & IA: extrair, analisar e explorar. É a partir da junção desses passos que as empresas adquirem insumos para tomar decisões efetivas para o negócio. Ou seja, com o apoio da Inteligência Artificial, torna-se possível criar uma estrutura que permite identificar padrões e tendências, localizar pontos de atenção e estabelecer melhorias com base em informações seguras.

#2 Hipersonalização: complementando o tópico anterior, a organização de dados possibilita entender melhor não apenas as ações internas que devem ser realizadas, mas também as estratégias externas. Por meio de análises que mostram desde o comportamento do público por região até a frequência de atendimento, é possível viabilizar ações de regulação e adaptação dos produtos e/ou serviços conforme as demandas dos clientes, promovendo uma atuação estratégica alinhada às necessidades dos usuários.

#3 Letramento: a tecnologia é feita por e para pessoas. De nada adianta ter informações em tempo real e guiar a estratégia de acordo com as necessidades do cliente se o time não estiver capacitado e treinado para identificar e atender às demandas do público. Dessa forma, é essencial preparar a equipe – desde o atendimento inicial até a solução da demanda.

#4 Envolvimento da área de TI: essa área deixou, há muito tempo, de fazer parte apenas do orçamento de despesas e passou a ser um pilar do negócio. Para aplicar melhorias tanto tecnológicas quanto sistêmicas, é fundamental envolver a vertical não apenas para atender chamados, mas para acompanhar de perto cada etapa do processo, executando um trabalho estratégico.

 #5 OSS e BSS: nomenclatura refere-se a sistemas essenciais na área de telecomunicações que trabalham em conjunto para gerir as operações de uma rede e os serviços ao cliente. Nesse sentido, para que a empresa aprimore seus processos, é crucial adotar soluções especializadas e aderentes às demandas do segmento, a fim de garantir sustentação e escalabilidade para a organização.

Essas tendências listadas têm em comum o fato de reforçarem a importância de o setor deixar de ser apenas “uma empresa de telecomunicação” e investir em valor agregado. Estamos falando de um segmento com altas projeções de crescimento e, para atingir esse resultado, é essencial investir em seu desenvolvimento.

Certamente, quando falamos sobre os benefícios da tecnologia, é comum que os olhos brilhem. Porém, aplicar seu uso sem um direcionamento correto transforma o investimento em custo. Nesse sentido, contar com o apoio de uma consultoria especializada nas demandas do setor e que também possua parcerias com organizações que já colocaram essas ações em prática é, sem dúvidas, o caminho ideal.

Como citado anteriormente, o telco precisa ser pragmático. Ou seja, considerando as diversas mudanças previstas para acontecerem ainda em 2025, como a alteração da NFCOM e, no início de 2026, com o avanço da Reforma Tributária, as ações precisam ser tomadas o quanto antes. Afinal, para sair na frente, é preciso começar a agir desde já. 



Glaucia Vieira - Co-CEO da G2
Eduardo Vale - CIO da Vero
Vero

 

IA acerta 8 em cada 10 contratações, aponta estudo brasileiro com pesquisador do MIT

Pesquisa da DigAÍ mostra, ainda, que humanos podem aprovar candidatos menos preparados; IA capta até ‘nervosismo’ nos participantes

 

 

Em 79,4% dos casos, a inteligência artificial consegue acertar quais são os candidatos mais adequados às vagas anunciadas, segundo um estudo recente conduzido pela DigAÍ em parceria com um pesquisador brasileiro do MIT.

 

O levantamento analisou entrevistas realizadas via WhatsApp e comparou as notas atribuídas pela IA com as decisões finais dos gestores. O resultado foi que, em 8 de cada 10 casos, ela classificou como "acima da média" justamente os candidatos que seriam posteriormente aprovados no processo seletivo.

 

Essa precisão reflete a capacidade da IA de avaliar sinais comportamentais que muitas vezes passam despercebidos pelos recrutadores humanos. Segundo Christian Pedrosa, fundador e CEO da DigAÍ, o objetivo da tecnologia não é “flagrar” o candidato, mas sim traduzir reações que, quando analisadas em conjunto, oferecem uma leitura mais completa e fiel do profissional.

 

“Esse tipo de leitura ajuda os times de RH a identificar profissionais com maior adaptabilidade, consistência e predisposição à colaboração, qualidades centrais, embora difíceis de capturar, nos processos convencionais”, afirma.


 

Como funciona o recrutamento com IA


A metodologia combina inteligência emocional computacional, análise de linguagem e modelos estatísticos que identificam padrões de comportamento. No áudio, por exemplo, são observados sinais vocais quase imperceptíveis, que depois são cruzados com bases treinadas para reconhecer características associadas ao desempenho profissional. 

 

Na prática, esse conjunto de análises permite à DigAÍ avaliar alinhamento cultural, clareza e coerência das respostas, mesmo em situações em que há contraste entre o conteúdo dito e a forma como é dito. Respostas excessivamente decoradas, tom engessado e postura artificial, que sempre foram percebidos por recrutadores experientes, agora se tornam ainda mais evidentes para sistemas de IA.

 

Por outro lado, nas empresas, a tecnologia representa a chance de reduzir vieses, qualificar decisões e entender candidatos de forma mais precisa, indo além da chamada “sensação” durante a entrevista. 

 

“A tecnologia amplia o que conseguimos enxergar. Quando cruzamos o que é dito com os padrões de comportamento, conseguimos compreender a qualidade do raciocínio, além da resposta, e a forma como o candidato sustenta aquilo que afirma. É uma evolução que traz transparência e decisões mais justas”, conclui Pedrosa.


Por que o sonho da casa própria ainda move gerações de brasileiros

Pesquisas mostram que mais de 90% da população deseja adquirir um imóvel. Relatos refletem o impacto social da moradia na vida das famílias


O sonho da casa própria permanece como o principal desejo de consumo dos brasileiros — acima do carro, das viagens e até da estabilidade financeira. Segundo pesquisa do Datafolha, 93% das pessoas que vivem de aluguel ou em imóveis cedidos desejam adquirir um imóvel próprio.

Esse sentimento não se limita às gerações anteriores. Um estudo do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUC do Paraná revelou que 95% dos integrantes das gerações Y e Z ainda desejam ter um imóvel.

Já um levantamento promovido pela MRV, maior construtora da América Latina, identificou que os jovens entre 18 e 30 anos representam cerca de 62% do público que decidiu investir no imóvel próprio (imóveis da empresa) de janeiro a outubro de 2025. No Rio, a geração Z representa 57% dos compradores. A explicação para essa demanda está nos aspectos sociais, culturais e afetivos que cercam a relação dos brasileiros com a moradia. 

Especialistas em habitação apontam que o sonho da casa própria é movido pela busca por pertencimento, estabilidade e segurança — especialmente em um contexto em que o aluguel consome parcela significativa do orçamento de muitas famílias. Há ainda a ideia de uma “herança imobiliária”, conceito que traduz o desejo de deixar um bem para as próximas gerações, além do valor emocional atribuído ao lar, entendido como o espaço onde se constroem memórias, vínculos e histórias. 

“Temos observado um movimento muito forte dos jovens que desejam conquistar sua independência cada vez mais cedo, seja para morar sozinhos ou iniciar uma vida a dois. Esse público é também mais exigente: busca empreendimentos sustentáveis, seguros, com boas áreas de lazer e infraestrutura completa”, destaca Viviane Sieiro, diretora comercial da MRV no Rio de Janeiro. 

Segundo a executiva, os programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida têm papel fundamental nesse processo, porque oferecem condições mais acessíveis de financiamento, taxas de juros competitivas e prazos que podem chegar a até 35 anos: 

“Isso torna o sonho do primeiro apartamento mais viável para essa geração que já entende a moradia como um investimento em qualidade de vida e futuro”, acrescenta. 

Esse é o caso do empresário Luiz Cláudio Souza, que comprou seu primeiro imóvel aos 29 anos. Hoje, aos 31, ele afirma ter conseguido unir estabilidade e investimento: 

“Percebi que era o momento certo para comprar porque a queda da Selic tornaria meu financiamento mais vantajoso e, ao mesmo tempo, valorizaria o bem. Além disso, encontrei uma parcela que ficou bem melhor do que o aluguel que eu pagaria por um imóvel do mesmo padrão. E ainda posso alugar durante as épocas festivas, como réveillon e carnaval, o que me ajuda a cobrir várias parcelas ao longo do ano”, conta. 

A chef de cozinha Jéssica da Silva Santos, de 35 anos, mãe solo de três filhas, acreditava que, com uma renda de pouco mais de R$2 mil, comprar um apartamento era algo bem distante de sua realidade. No entanto, movida pelo desejo de encontrar um local mais seguro para morar com as crianças, decidiu buscar as melhores condições de financiamento e, finalmente, conseguiu tirar o sonho do papel. O difícil agora está sendo encontrar palavras que representem essa conquista: 

“Quando peguei a chave, em setembro deste ano, me arrepiei inteira. É algo que não sei descrever. Quando passo pela portaria e vejo tudo organizado com segurança, penso: consegui. Sou a mulher e o homem da minha casa. Tenho gratidão a Deus e a todas as pessoas boas que cruzaram meu caminho”, conta, emocionada.
 

Sonho que movimenta o país

Casos como o de Luiz e de Jéssica revelam como o setor da construção cumpre um papel social essencial na comunidade. Para além do âmbito pessoal, o setor também movimenta a economia e inspira políticas públicas de habitação. Programas como o Minha Casa, Minha Vida ampliaram o acesso ao crédito e ao subsídio habitacional, permitindo que famílias de renda média e baixa concretizem esse projeto de vida. 

Para a MRV, o enfoque em empreendimentos acessíveis e com infraestrutura completa visa justamente alcançar esse público e cumprir sua missão de combater o déficit habitacional. A companhia atua com o Minha Casa Minha Vida desde a sua criação e tem mais de 92% de seu portfólio enquadrado no perfil do programa, somando mais de 40 mil unidades em todo o país. Ao todo, a empresa já entregou mais de 500 mil chaves pelo Brasil, realizando o sonho de mais de 1,5 milhão de pessoas. 

“O lar é visto como o ponto de partida para a melhoria na qualidade de vida e a busca por melhores perspectivas para muitas famílias. As construtoras têm uma grande responsabilidade e um papel central nesse processo, porque entregar um imóvel exige planejamento urbano e viabiliza o progresso de famílias, comunidades e cidades”, afirma Viviane Sieiro, diretora comercial da MRV no Rio de Janeiro.


MRV
www.mrv.com.br


O setor educacional sob ataque: proteger dados é proteger o futuro da educação


A recente informação de que um hacker invadiu 11 instituições de ensino superior brasileiras trouxe à tona uma realidade que há tempos se desenha em silêncio: a educação virou um dos principais alvos de ciberataques no mundo. O setor, que acelerou sua digitalização nos últimos anos, guarda hoje um dos acervos de dados mais valiosos e vulneráveis da sociedade.
 

Um alvo de alto valor

O ambiente educacional concentra informações altamente sensíveis — dados financeiros de mensalidades e bolsas, históricos acadêmicos, pesquisas inéditas, dados pessoais de alunos e colaboradores, e até detalhes de rotinas internas e acessos físicos aos campi. Essas informações são valiosas não apenas para o crime financeiro, mas também para espionagem acadêmica e ataques de engenharia social. 

Segundo o relatório da Verizon (Data Breach Investigations Report 2024), 17% dos incidentes globais registrados envolveram instituições de ensino, das quais 14% resultaram em vazamentos efetivos de dados. 

A UNESCO confirma a tendência: desde a pandemia, os ataques contra escolas e universidades cresceram mais de 60% em todo o mundo, acompanhando a adoção acelerada de plataformas digitais.
 

Exemplos recentes que reforçam o alerta

Em 9 de abril de 2025, a Universidade de Brasília (UnB) foi alvo de um ataque cibernético que deixou seu site institucional e os sistemas Wi-Fi fora do ar por algumas horas. Um mês antes, em março de 2025, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) confirmou ter sofrido um incidente de segurança que afetou sistemas de internet e evidenciou falhas importantes de controle em sua rede acadêmica. 

Mais recentemente, a Universidade Cruzeiro do Sul passou a investigar um possível vazamento de dados em grande escala, após um grupo de cibercriminosos anunciar a venda de um conjunto de informações que incluiria cerca de 100 mil credenciais ativas de alunos e funcionários. Segundo as evidências divulgadas pelos criminosos, o pacote envolveria dados pessoais como nomes completos, CPFs, datas de nascimento, e-mails, telefones e até informações internas de sistemas acadêmicos — além de registros adicionais que totalizaram mais de 3 milhões de linhas extraídas de diferentes bases, incluindo áreas administrativas e plataformas de relacionamento estudantil. A instituição afirmou ter iniciado protocolos de verificação, monitoramento e investigação, além de acionar sua política de proteção de dados. 

Esses episódios mostram que, mesmo entre instituições com forte visibilidade pública e infraestrutura tecnológica relevante, a vulnerabilidade permanece alta. Eles reforçam a necessidade de uma abordagem estratégica, integrada e contínua de segurança — especialmente em ambientes educacionais, que concentram grande volume de dados sensíveis e operam com múltiplos sistemas acadêmicos, CRMs, portais e integrações que ampliam significativamente a superfície de ataque.

 

O risco vai além do roubo de dados

Quando um sistema acadêmico é invadido, os impactos vão muito além do vazamento de informações. Os criminosos muitas vezes criptografam bancos de dados e interrompem o funcionamento das plataformas virtuais, impedindo o acesso a provas, notas, relatórios e documentos administrativos. Em universidades, esse tipo de ataque já comprometeu pesquisas científicas sigilosas, teses e projetos de inovação, atrasando trabalhos de anos.

De acordo com o relatório do World Economic Forum (Global Cyber Risk Outlook 2025), 67% das instituições educacionais ainda operam sem políticas estruturadas de resposta a incidentes, o que as torna mais suscetíveis a paralisações prolongadas. O Banco Mundial estima que o custo médio de recuperação após um ataque cibernético no setor educacional ultrapassa US$ 1,5 milhão, considerando restauração de dados, paralisações e danos reputacionais.
 

Um problema de cultura, não apenas de tecnologia

A raiz do problema vai além da infraestrutura. Grande parte das instituições ainda trata a segurança digital como responsabilidade exclusiva da área de TI, e não como parte da cultura organizacional. O resultado é um ambiente em que professores, alunos e colaboradores compartilham senhas, acessam sistemas por redes inseguras e subestimam os riscos. 

O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança (CERT.br) registrou mais de 470 mil notificações de incidentes cibernéticos no Brasil em 2024, com forte presença de ataques de phishing e engenharia social — justamente os que se aproveitam da falta de conscientização.
 

Como as instituições podem reagir

A proteção digital nas universidades e escolas deve ser tratada como pilar estratégico — não como custo. Algumas medidas essenciais incluem:

● Mapear e classificar dados sensíveis (acadêmicos, financeiros e pessoais).

● Treinamentos recorrentes para docentes, técnicos e alunos sobre ameaças digitais.

● Monitoramento contínuo de sistemas e logs, com capacidade de resposta imediata.

● Gestão de acessos e autenticação forte, principalmente para dados financeiros e administrativos.

● Backups isolados e testados regularmente, reduzindo o impacto de possíveis invasões.

● Planos de contingência e comunicação transparente — a resposta rápida preserva a confiança.

A digitalização transformou a educação, mas também a expôs a um novo tipo de vulnerabilidade. Proteger dados hoje significa proteger pessoas, reputações e conhecimento. Cada dado acadêmico roubado é mais do que um número — é uma história pessoal, um investimento familiar, um trabalho de pesquisa que representa o futuro de alguém. 

A proteção do ecossistema digital das instituições educacionais tornou-se um pilar crítico para garantir continuidade acadêmica e proteger dados sensíveis. Cada nova ocorrência evidencia que a questão já não é “se vai acontecer”, mas “quando”. Por isso, reforçar práticas de segurança, monitoramento e governança não é opcional — é indispensável para evitar que falhas exploráveis se transformem em incidentes de alto impacto.


Denis Furtado - engenheiro de sistemas e diretor da Smart Solutions, distribuidora brasileira de solução antifraude e de cibersegurança. Mais informações em: Link


Risco regulatório é a principal barreira para blockchain e tokens no Brasil, aponta pesquisa

Levantamento indica que 90% das companhias veem o ambiente regulatório como maior desafio, cibersegurança e fraudes também preocupam o setor


Confira a pesquisa aqui



A pesquisa Criptoeconomia no Brasil 2025, realizada por ABcripto e PwC Brasil, revela que o avanço das tecnologias descentralizadas convive com um cenário de riscos elevados. Para 90% das empresas, o risco regulatório é hoje o principal entrave para projetos de blockchain e tokenização, reflexo da ausência de regras consolidadas, diretrizes operacionais padronizadas e segurança jurídica para operações de maior escala.  

Os dados mostram ainda que desafios estruturais continuam a pressionar o setor: cibersegurança (48%), fraudes (45%), baixa maturidade prática das tecnologias (50%), escassez de profissionais especializados (47%) e dificuldades de integração com sistemas legados (40%). O conjunto evidencia um ambiente que avança rapidamente em inovação, mas que ainda carece de infraestrutura regulatória e operacional compatível com o ritmo de adoção. 

Segundo Fabio Moraes, Diretor de Educação e Pesquisa ABcripto, o setor está tecnicamente preparado, mas depende de estabilidade normativa para crescer. “O mercado amadureceu em capacidade técnica e já domina blockchain, tokenização e ativos digitais. O que falta agora é segurança jurídica e padrões claros para que os projetos ganhem escala e se tornem confiáveis para grandes operações”, afirma. 

A sócia da PwC Brasil, Ana Gonçalves, reforça que a evolução regulatória precisa acompanhar a velocidade da tecnologia. “As organizações já dominam blockchain, tokenização e ativos digitais em um nível elevado. O que falta é a segurança jurídica necessária para que esses projetos ganhem escala e se tornem soluções estruturais. A clareza regulatória é o elemento que permitirá destravar investimentos e acelerar a transformação digital”, destaca. Ela observa ainda que “a proteção contra fraudes, golpes e ataques cibernéticos precisa evoluir na mesma velocidade que a adoção tecnológica”. 

O estudo mostra também que a tokenização deve ganhar ainda mais tração: 60% das empresas acreditam que a tecnologia se consolidará entre dois e cinco anos, impulsionada por ganhos de eficiência, liquidez, automação de processos e novos modelos de captação de recursos. Além disso, há intenção clara de fortalecer investimentos em infraestrutura digital: as empresas esperam intensificar aportes em blockchain, inteligência artificial, big data e automação nos próximos cinco anos, reforçando a percepção de que essas tecnologias serão a base da nova economia. 




Associação Brasileira de Criptoeconomia - ABcripto

PwC
www.pwc.com.br


"Doença de Segunda-feira"

O alerta que algumas cidades lançaram ao Brasil sobre a indústria do atestado 

 

A decisão de algumas Prefeituras país a fora, de restringir a emissão de atestados médicos nas unidades de saúde acendeu um alerta nacional sobre o uso racional do sistema público e os impactos silenciosos da chamada “indústria do atestado”. Um problema que atravessa a saúde pública, as relações de trabalho e a produtividade das empresas.

A partir de agora, o documento só será emitido em casos que realmente justifiquem o afastamento, como internações ou diagnósticos clínicos comprovados.

Em Curitiba, por exemplo, a medida foi motivada por dados preocupantes: Entre janeiro e setembro, foram 45 mil atestados emitidos aos domingos, contra 114 mil nas segundas-feiras, um salto de 55%. “É como se a doença tivesse dia marcado para aparecer”, observa o advogado Dr. Alan Carlos Ordakovski, especialista em Direito do Trabalho e assessor de grandes empresas, sócio fundador do escritório Ordakovski & Tavares Junior Advogados (OTJ).

Segundo o jurista, o fenômeno revela um desequilíbrio cultural que compromete tanto o sistema de saúde quanto o setor produtivo. “O poder público precisa agir com responsabilidade, mas também com sensibilidade. A gestão da saúde não pode ser refém de comportamentos que distorcem o propósito do serviço. Ao mesmo tempo, é essencial garantir que quem realmente precisa do atendimento não seja penalizado”, pondera Ordakovski.


Quando a conivência vira custo: o peso invisível da “indústria do atestado”

O advogado destaca que o problema vai além da fila das UPAs: o absenteísmo abusivo já se consolidou como um dos principais fatores de perda de produtividade nas empresas brasileiras. Cada falta justificada por um atestado duvidoso gera reflexos diretos, custos trabalhistas, sobrecarga de equipes e desorganização de rotinas e indiretos, como o abalo no clima interno e a corrosão da confiança entre líderes e colaboradores. “O que começou como um ato de amabilidade virou uma cultura permissiva. Muitos médicos, pressionados por conveniência social ou empatia mal direcionada, acabam emitindo atestados de forma complacente. Isso alimenta um ciclo nocivo, em que o atestado deixa de ser proteção e passa a ser privilégio”, afirma o advogado.


Telemedicina: conforto ou combustível para o abuso?

A popularização da telemedicina também entrou no radar da discussão. Se, por um lado, democratiza o acesso à saúde, por outro, tem servido, em alguns casos, como facilitadora para o uso indevido de atestados, já que permite ao trabalhador obter documentos sem sair de casa e sem exame físicos. “É preciso estabelecer controles e critérios rigorosos. A tecnologia é bem-vinda, mas não pode ser instrumento de distorção”, alerta Ordakovski.


O papel das empresas no enfrentamento ao absenteísmo

Dr. Alan Ordakovski ressalta que as empresas precisam assumir um papel ativo no combate à cultura do atestado, adotando medidas preventivas e estratégicas, como:

  • Política clara de afastamentos, com critérios objetivos e revisão de atestados reincidentes;
  • Auditorias médicas e parcerias ocupacionais, para validação técnica de afastamentos;
  • Programas de bem-estar e ergonomia, atuando nas causas legítimas do absenteísmo;
  • Análise de dados e indicadores de RH, identificando padrões de abuso;
  • Capacitação de lideranças, para lidar com o tema com empatia, mas sem permissividade.

Um chamado à responsabilidade compartilhada

A mudança implementada em cidades como Curitiba, é um passo simbólico, mas necessário. Ela reacende um debate urgente sobre a corresponsabilidade entre o poder público, os médicos, as empresas e os trabalhadores. “Precisamos resgatar o valor do compromisso, da ética e da responsabilidade coletiva. A saúde é um direito, mas o abuso desse direito tem custo social e econômico que todos pagam”, conclui o advogado.




Ordakovski & Tavares Júnior Advogados Associados (OTJ)

Dr. Alan Carlos Ordakovski — Advogado especialista em Direito do Trabalho e Gestão de Contencioso Empresarial


Quase a metade dos ambientes aquáticos do mundo está gravemente contaminada por lixo

  

O Brasil se destaca no esforço de monitoramento, liderando o número
de registros, mas isso não garante que os ambientes monitorados estejam limpos
(imagem: 
Naja Bertolt Jensen/Unsplash)

Estudo de pesquisadores da Unifesp sintetizou dados de 6.049 registros de contaminação em todos os continentes ao longo da última década

 

 “Sujos” ou “extremamente sujos”: estas são as classificações de 46% dos ambientes aquáticos do mundo. A conclusão é de um levantamento que compilou e sistematizou dados de 6.049 registros de contaminação por lixo em ambientes aquáticos de todos os continentes ao longo da última década.

Coordenado pelo pesquisador Ítalo Braga de Castro e liderado pelo doutorando Victor Vasques Ribeiro, do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp), o estudo analisou artigos publicados entre 2013 e 2023 e calculou o nível de limpeza de rios, estuários, praias e manguezais com base no Clean-Coast Index (CCI), uma métrica internacional que quantifica a densidade de resíduos sólidos em ambientes costeiros. Os resultados foram publicados no Journal of Hazardous Materials.

O estudo apontou que há uma distribuição desigual do esforço de monitoramento. Nesse cenário, o Brasil se destaca, liderando o número de registros no período. “Mas isso não garante que os ambientes monitorados apresentem boas condições e estejam limpos. Os resultados mostram que cerca de 30% dos ambientes costeiros brasileiros foram considerados sujos ou extremamente sujos de acordo com a escala CCI”, diz Castro.

Um dos casos mais críticos de contaminação se encontra em território brasileiro, e muito próximo da cidade de São Paulo, nos manguezais de Santos, que figuram entre os pontos mais contaminados do planeta.

A síntese mundial produzida pela equipe mostrou uma homogeneidade surpreendente na composição do lixo, independentemente de diferenças culturais, econômicas ou geográficas. Plásticos e bitucas de cigarro correspondem a quase 80% dos resíduos encontrados globalmente. “São raríssimos os locais totalmente livres de lixo”, comenta o pesquisador.

Os plásticos representam 68% dos itens registrados. Seu predomínio é potencializado pela persistência no meio ambiente, pela fragmentação em micro e nanoplásticos e pelo transporte por correntes oceânicas a grandes distâncias. As bitucas, responsáveis por 11% dos resíduos, liberam mais de 150 substâncias tóxicas que podem ser muito prejudiciais aos organismos aquáticos.

O estudo confirmou, com dados quantitativos, o papel positivo desempenhado pelas áreas de proteção ambiental. “Analisamos 445 áreas protegidas em 52 países. A conclusão é inequívoca: a proteção reduz a contaminação em até sete vezes. Cerca de metade das áreas protegidas investigadas foi classificada como ‘limpa’ ou ‘muito limpa’. Mesmo assim, a proteção não é garantia de imunidade frente à crescente pressão humana. Cerca de 31% das áreas protegidas foram classificadas como ‘sujas’ ou ‘extremamente sujas’, mostrando que não estão efetivamente imunes à contaminação por lixo no mar”, pondera Danilo Freitas Rangel, mestrando do IMar-Unifesp que participou da equipe de pesquisadores.

Um resultado mais sofisticado do trabalho é o chamado “efeito de borda” nas fronteiras das unidades de conservação. A equipe calculou a distância de cada ponto de amostragem até os limites das áreas protegidas, identificando um padrão: o lixo se acumula principalmente nas beiradas, evidenciando a influência direta das atividades humanas do entorno. “Esse efeito é reforçado por pressões externas como turismo, urbanização próxima e transporte de resíduos por rios e correntes marinhas. A vulnerabilidade das bordas sugere a necessidade de políticas de amortecimento territorial, gestão integrada e fiscalização para além dos limites formais das unidades de conservação”, enfatiza Castro (leia mais em: agencia.fapesp.br/56465).

O estudo também inovou ao cruzar dados de contaminação com indicadores socioeconômicos globais, utilizando o Global Gridded Relative Deprivation Index (GRDI) para estimar níveis de desenvolvimento em escala de um quilômetro quadrado. “Observamos um padrão não linear: em áreas não protegidas, a contaminação aumenta nos estágios iniciais de desenvolvimento econômico, mas começa a cair quando o país atinge determinado patamar de infraestrutura e governança ambiental. Já dentro das áreas protegidas, o desenvolvimento tende a aumentar a contaminação – sinal de que investimentos em gestão e fiscalização ainda não acompanham a velocidade da atividade econômica”, diz Leonardo Lopes Costa, um dos autores do estudo.

O enfrentamento da contaminação por lixo, especialmente plástico, depende de ações integradas em toda a cadeia produtiva – desde redução da fabricação, passando por sistemas eficientes de coleta e reaproveitamento, até acordos multilaterais que evitem deslocamentos transfronteiriços de resíduos. Sem mudanças estruturais na governança global do lixo, a crise só tende a se agravar. Neste contexto, um dos aspectos mais relevantes do estudo é sua utilidade direta nos processos internacionais em curso. “Os resultados oferecem uma base científica inédita para subsidiar políticas públicas e negociações, como o Tratado Global do Plástico e o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal”, argumenta Castro.

O estudo foi apoiado pela FAPESP por meio de Auxílio à Pesquisa Regular concedido a Castro, bolsa de pós-doutorado concedida a Costa e de doutorado a Ribeiro.

O artigo Influence of protected areas and socioeconomic development on litter contamination: a global analysis pode ser acessado em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0304389425033424.

 

José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/quase-a-metade-dos-ambientes-aquaticos-do-mundo-esta-gravemente-contaminada-por-lixo/56611




Fim de ano e consumismo: como evitar gastos impulsivos e entrar em janeiro com as contas em di

 

Economista explica como o ambiente festivo e o crédito caro levam ao desequilíbrio do orçamento, enquanto psicóloga analisa os gatilhos emocionais que impulsionam compras excessivas

 

O pagamento do 13º salário e a chegada de dezembro acende ao mesmo tempo o espírito festivo e o alerta financeiro. Segundo dados recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mais de 78% das famílias brasileiras iniciaram o último bimestre do ano endividadas — um dos maiores patamares da série histórica. Já o Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IAV-IDV), que considera a participação das atividades no volume total de vendas do comércio varejista medido pelo IBGE, apresenta previsão de crescimento de 6,2% em novembro e 3,9% em dezembro, sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior. A alta é impulsionada principalmente por presentes, decoração, viagens e confraternizações. O resultado dessa combinação é conhecido: compras por impulso, uso excessivo do cartão de crédito e um janeiro marcado por dívidas altas como IPTU, IPVA e material escolar. 

Para Fernando Sette Junior, economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do Centro Universitário UniBH - integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima - o ambiente festivo age como um gatilho que desequilibra as finanças familiares. Ele destaca que a mistura de apelos emocionais, forte pressão do marketing e falta de planejamento transforma dezembro em um dos meses mais críticos para o orçamento. “As campanhas de marketing e a sensação de ‘merecimento’ levam as pessoas a gastarem mais em presentes, roupas e viagens. Mas o problema se agrava porque muitas famílias não têm uma reserva específica para esse período e acabam usando crédito caro, como cartão de crédito e cheque especial”, afirma. 

Além dos gastos evidentes, o economista chama atenção para os “custos invisíveis”, que passam despercebidos nesta época: inúmeras confraternizações, roupas novas, serviços de beleza, gorjetas, transporte por aplicativos, além do extra consumido em viagens — de passeios a refeições fora de casa. “Individualmente, parecem valores pequenos, mas quando somados, representam uma fatia significativa do orçamento.”

Fernando lembra ainda que o ciclo se fecha com as despesas de início do ano. “Quem gasta todo o 13º em dezembro chega a janeiro vulnerável, sem recursos para IPTU, IPVA e material escolar, criando o chamado efeito ressaca financeira.”

 

Como planejar dezembro sem prejudicar janeiro  

Para evitar o descontrole, Sette Junior recomenda iniciar o planejamento financeiro listando todas as receitas — incluindo o 13º salário — e despesas fixas, variáveis e sazonais. A partir dessa visão clara, é possível estabelecer limites realistas para cada categoria de gasto. 

Entre as orientações práticas do economista estão antecipar compras ao longo do ano, aproveitando promoções fora da alta temporada; planejar o cardápio da ceia e as confraternizações, evitando compras de última hora; e priorizar pagamentos à vista, que permitem descontos e reduzem o risco de endividamento futuro. “Um desconto de 10% à vista pode ser mais vantajoso do que um parcelamento sem juros em 10 vezes, que compromete sua renda futura e pode levar ao descontrole financeiro”, orienta o especialista. 

Fernando também recomenda reservar primeiro o valor das contas de janeiro, garantindo um início de ano mais tranquilo; usar o 13º de forma estratégica, priorizando a quitação de dívidas caras ou reforçando a reserva de emergência, além de avaliar promoções com critério, verificando se o desconto é real e se a compra estava planejada. Para quem já está endividado, o conselho é direto: presente pode esperar. “A prioridade absoluta é negociar e quitar dívidas. É mais sensato conversar com a família e amigos sobre sua situação do que comprometer ainda mais o orçamento só para agradar os parentes”, reforça. 

Sette Junior também orienta a adotar alternativas mais econômicas, como ceia colaborativa, amigo secreto com valores acessíveis, presentes artesanais e reutilização de decoração. “Celebrar não depende do valor gasto, mas da qualidade do tempo em conjunto com aqueles que amamos.”

 

O impacto emocional por trás do impulso de comprar: por que gastamos mais no fim do ano? 

Colega de Fernando Sette no UniBH, a psicóloga e psicanalista Camila Grasseli salienta que o consumismo de fim de ano não é apenas uma questão econômica, mas profundamente emocional. “Temos um componente simbólico nas compras: presentear é uma forma de demonstrar afeto, celebrar relacionamentos e encerrar o ano com algo concreto. Mas para muitas pessoas, esse ato pode preencher um vazio ou compensar frustrações do ano que passou.” 

Segundo Grasseli, a pressão social também desempenha um papel central. “Vivemos em uma cultura que associa celebração a consumo — e para algumas famílias, há uma crença: ‘se eu não der presentes, não estarei fazendo a minha parte’. Isso pode gerar um estresse psicológico grande, especialmente se a pessoa já vive com receio de apertos financeiros.” 

A especialista alerta ainda para sinais de que o consumo deixou de ser pontual e virou padrão prejudicial quando comprar passa a ser resposta automática para emoções fortes — de alegria ou frustração. Entretanto, na maioria dos casos, o consumo vem acompanhado de um sentimento de remorso, ansiedade ou vergonha diante dos boletos. “Esse ciclo emocional pode afetar a autoestima e levar a comportamentos financeiros autossabotadores, como ocultar dívidas ou evitar renegociações.” 

Para estabelecer limites saudáveis, a psicóloga reforça que o valor financeiro de um presente não traduz o valor emocional dos relacionamentos. “Um gesto simbólico, um cartão, algo feito à mão, um biscoito preparado em casa — tudo isso comunica carinho sem comprometer o orçamento.” 

Por fim, ela sugere estratégias práticas para evitar compras impulsivas: antes de comprar, vale, por exemplo, fazer uma pausa e se perguntar “por que eu quero isso?” — se é desejo verdadeiro, culpa, pressão social ou busca de validação. Também é importante, segundo a psicóloga, dialogar sobre limites financeiros abertamente com familiares, definir valores, orçamentos em conjunto, para que todos se sintam parte da decisão e não pressionados. “Para aqueles que já têm um comportamento consumista, táticas como ir às compras acompanhado de alguém menos impulsivo ou bloquear notificações de aplicativos que estimulam o desejo por consumo podem ser uma alternativa”, recomenda. Para situações em que o indivíduo não consegue mais se autocontrolar, Grasseli afirma que uma ajuda médica especializada precisa ser considerada.


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