Especialistas reforçam testagem, uso de preservativos e vacinação como estratégias para reduzir riscos durante o período festivo
O período que antecede o Carnaval é marcado por
festas, os bloquinhos estão espalhados por toda a cidade, e além disso, é um
período de viagens e intensa vida social, fatores que ampliam a exposição a
riscos relacionados às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Em meio à
programação de eventos, especialistas em saúde reforçam a importância da
prevenção, do diagnóstico precoce e da informação qualificada como ferramentas
essenciais para reduzir a disseminação dessas doenças no país.
Entre as infecções mais preocupantes durante esta
época do ano estão a sífilis, o HIV, as hepatites virais, o herpes genital e o
HPV (vírus do papiloma humano). Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre
1980 e setembro de 2025, o Brasil registrou 1.165.533 casos de aids, com média
anual de cerca de 35 mil novos diagnósticos nos últimos cinco anos. Embora o
Boletim Epidemiológico de HIV e aids indique uma queda gradual dos casos no
recorte histórico entre 2000 e 2023, chama atenção o crescimento das infecções
entre homens de 15 a 29 anos, grupo considerado estratégico para ações de
prevenção.
No caso da sífilis, o cenário segue preocupante. Os
registros apontam aumento consistente da infecção entre homens, mulheres e
gestantes, o que reforça a necessidade de ampliar a testagem, o tratamento
oportuno e o acompanhamento adequado. Durante o período de festas, a combinação
entre relações sexuais desprotegidas e consumo de álcool ou outras substâncias
tende a reduzir a percepção de risco, favorecendo a transmissão dessas
infecções.
Segundo Antônio Mauro, infectologista dos hospitais
Oto Santos Dumont e Oto Meireles, a prevenção deve ser prioridade antes,
durante e após o Carnaval. “O uso correto do preservativo continua sendo uma
das formas mais eficazes de proteção contra as ISTs. Além disso, a testagem
regular permite identificar infecções de forma precoce, iniciar o tratamento e
interromper a cadeia de transmissão”, explica. O especialista também ressalta
que muitas infecções podem ser assintomáticas, o que reforça a importância do
acompanhamento médico mesmo na ausência de sinais aparentes.
Além do preservativo, outras estratégias de prevenção
incluem a vacinação contra hepatite B e HPV, a testagem rápida disponível no
SUS e em serviços privados, e a busca por orientação médica ao menor sinal de
sintomas como feridas genitais, corrimentos, dor ao urinar ou alterações na
pele. A Rede Oto destaca que o cuidado com a saúde sexual deve ser contínuo e
não restrito ao período festivo, contribuindo para a redução de complicações e
para a promoção de uma vida sexual mais segura e responsável.

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