Pesquisar no Blog

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Você sabe o que fazer ao presenciar alguém tendo uma crise convulsiva?

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 2% da população brasileira apresentará o problema ao menos uma vez na vida

 

Crises convulsivas podem ocorrer de forma inesperada, atingindo pessoas de diferentes perfis, idades e níveis de condicionamento físico, em qualquer ambiente. Ninguém está imune a esse tipo de episódio, que pode acometer desde pessoas em situações cotidianas até indivíduos submetidos a esforços físicos intensos ou ambientes de alta exposição pública, como atletas, músicos e participantes de reality shows. Saber como agir corretamente é fundamental para evitar complicações e reduzir riscos à saúde das pessoas que apresentam esses sintomas. 

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 2% da população brasileira apresentará ao menos uma crise convulsiva ao longo da vida. A epilepsia, condição crônica associada às convulsões recorrentes, afeta aproximadamente 1 a 2 milhões de pessoas no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 

O que fazer durante uma crise convulsiva?

Segundo o neurologista da Hapvida, Guilherme Bustamante, a principal medida é garantir a segurança do paciente e evitar intervenções que possam piorar o quadro. 

“Caso presencie uma crise, o melhor a se fazer é virar a pessoa de lado, para que ela não se engasgue com a própria saliva e não corra o risco de aspirar esse conteúdo para os pulmões”, orienta o especialista. 

Outras recomendações importantes incluem manter a pessoa em posição lateral, se não houver suspeita de trauma craniano, afastar objetos que possam causar ferimentos durante os movimentos involuntários, não conter os movimentos e nunca tentar abrir a boca do paciente, erro muito comum durante crises convulsivas. 

“Não deve ser feito nada com o paciente durante a crise e nunca se deve tentar abrir a boca. A língua não enrola. O que pode acontecer é uma contração forte do maxilar, fazendo com que o paciente morda a própria língua, causando sangramento.” 

Ele reforça que tentar forçar a abertura da boca pode agravar a situação. “Ao tentar abrir a boca para ‘desenrolar’ a língua, corre-se o risco de obstruir ainda mais a garganta, piorar a respiração e provocar lesões.”

A limpeza da boca, se necessária, deve ser feita apenas após o término da crise, quando o paciente estiver consciente e estável.
 

Quando chamar o atendimento de emergência 

O serviço de socorro deve ser acionado imediatamente se a crise durar mais de cinco minutos, se a pessoa não recuperar a consciência após o episódio, se ocorrerem crises repetidas em curto intervalo de tempo ou se houver queda com trauma importante. 

“Se a crise se prolongar por mais de cinco minutos ou o paciente não recobrar a consciência, é fundamental chamar o atendimento de emergência”, reforça Bustamante.
 

O que fazer após a crise?

Após uma crise convulsiva isolada, a recomendação médica é que o paciente permaneça em observação hospitalar por algumas horas, pois novas crises podem ocorrer em curto espaço de tempo. 

“O mais importante é que o paciente seja avaliado por um médico, preferencialmente um neurologista, para investigação adequada”, destaca o especialista. Os exames mais indicados nesses casos são o eletroencefalograma e exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética do encéfalo.
 

O que é uma convulsão e possíveis causas? 

A convulsão é resultado de uma atividade elétrica anormal no cérebro, podendo causar perda de consciência, contrações musculares involuntárias e alterações do estado mental. 

Ela pode ocorrer mesmo em pessoas sem diagnóstico de epilepsia, quando há fatores desencadeantes como hipoglicemia, desidratação severa, uso recente de álcool, alterações metabólicas ou, em situações mais raras, hemorragias intracranianas associadas a esforços físicos intensos e súbitos. Bustamante explica que, isoladamente, esses fatores raramente causam convulsão. 

“O mais comum nesses casos é a pessoa apresentar mal-estar, queda de pressão e desmaio, e não uma convulsão. Para que a desidratação cause esse quadro, ela precisa ser bastante intensa”, finaliza.

 

Hapvida

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados