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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Crise climática agrava complicações gestacionais e eleva incidência de prematuridade


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A exposição ao calor extremo, à poluição e às queimadas já representa ameaça imediata à saúde materno-infantil no país, alerta a ONG Prematuridade.com 

 

A emergência climática não é mais uma ameaça distante. Ela já está comprometendo a saúde da população, especialmente gestantes, recém-nascidos e crianças, e colocando em risco o futuro das próximas gerações. Segundo o relatório Lancet Countdown 2025¹, o calor extremo já mata cerca de 550 mil pessoas por ano, o equivalente a uma vida perdida a cada minuto. No Brasil, um estudo da Fiocruz Bahia², em parceria com a London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), estima que as mortes de crianças menores de cinco anos relacionadas ao calor podem aumentar até 87%, nas próximas décadas. 

A ONG Prematuridade.com, referência nacional na defesa dos direitos de bebês prematuros e de suas famílias, reforça que os efeitos da crise climática já estão sendo sentidos na saúde materno-infantil. Pesquisas recentes revelam que a exposição ao calor extremo, à poluição do ar e ao aumento das queimadas contribuem diretamente para complicações na gestação e para o aumento dos partos prematuros. “Estamos diante de uma emergência silenciosa. As mudanças climáticas aumentam o risco de parto prematuro, afetam diretamente o desenvolvimento fetal, e ameaça a vida dos bebês”, afirma a diretora-executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani. 

Pesquisas internacionais reforçam a preocupação. Nos Estados Unidos, estudos apontam que ondas de calor estão associadas ao aumento de partos prematuros. No Brasil, levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV)³ mostrou que a exposição a queimadas na região Sudeste do Brasil, no primeiro trimestre da gestação, aumentou em até 31% o risco de prematuridade, além de comprometer o peso ao nascer e outras condições neonatais. 

Para o obstetra Dr. Arlley Cleverson, ginecologista, obstetra e membro do conselho científico da ONG Prematuridade.com, o cenário exige cuidados adicionais das gestantes, sobretudo durante períodos de calor intenso. Ele explica que altas temperaturas podem provocar desidratação, desconforto, alterações no bem-estar materno e até influenciar a dinâmica do trabalho de parto. “Ainda não temos protocolos formais no pré-natal que abordem especificamente os impactos da crise climática, mas já existe evidência suficiente para orientar atenção redobrada”, afirma. Segundo ele, cuidados simples podem reduzir riscos: “Hidratação adequada, ambientes bem ventilados, evitar exposição solar entre 10h e 16h e optar por roupas leves, fazem diferença no bem-estar materno e na evolução da gestação”, diz. 

Em gestantes com histórico de prematuridade, os cuidados precisam ser ainda mais rigorosos. “Essas mulheres necessitam de pré-natal de alto risco e de monitorização mais frequente, que não deve ser interrompida mesmo nos dias de calor extremo”, destaca o médico. Ele ainda reforça que hidratação constante, redução de esforços físicos e minimização de deslocamentos nos horários mais quentes são medidas indispensáveis. 

Os recém-nascidos também exigem atenção especial nos períodos de temperatura elevada. O Dr. Arlley explica que o aleitamento materno é fundamental nesse período, já que garante hidratação adequada. Ambientes ventilados, roupas leves e evitar exposição solar também são recomendados. Ele alerta, ainda, para o grupo mais vulnerável: “Bebês prematuros são especialmente sensíveis às variações de temperatura. Como têm mecanismos fisiológicos imaturos, incluindo regulação térmica, sistema respiratório e imunológico, ficam mais expostos tanto ao superaquecimento quanto ao frio. Além disso, tendem a apresentar maior desconforto respiratório em dias de ar seco e altas temperaturas.” 

A realização da COP30 em Belém reforçou que a crise climática já afeta, de maneira concreta, a vida de gestantes e bebês. Para a Prematuridade.com, o encontro representou um avanço importante nas discussões internacionais, mas ainda é preciso transformar compromissos em ações efetivas. “A COP30 reforçou o fato de que a crise climática já está impactando a vida das gestantes e dos bebês, não podemos mais tratar isso como um problema do futuro”, conclui Denise Suguitani.



Fontes:

Link¹ ¹
Link²
Link³

  

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