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quarta-feira, 24 de julho de 2024

Olimpíadas 2024: Atletas podem fazer cirurgias plásticas? Médico explica se procedimentos podem interferir no desempenh

Ex-presidente da SBCP, Dr. Luiz Haroldo Pereira afirma que atletas precisam de um cuidado mais específico, mas que podem até se beneficiar no esporte com lipoaspiração ou mamoplastia, por exemplo. 
 

Thaisa Daher
Reprodução Instagram
As Olimpíadas estão chegando e todos os olhos estão nos atletas que irão competir. Recentemente, Thaisa Daher, da Seleção Brasileira de Vôlei, chamou a atenção para além do seu talento no esporte. Isso porque a jogadora passou por diversos procedimentos estéticos nos últimos anos, como o implante de silicone nos seios, rinoplastia e harmonização facial e a transformação viralizou.  

Dr. Luiz Haroldo Pereira, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), destaca que, embora os atletas necessitem de cuidados específicos antes e depois de qualquer procedimento, algumas intervenções podem até beneficiar seu desempenho esportivo.  

"Uma lipoaspiração, por exemplo, pode ajudar na modelagem do corpo e na redução de peso, o que pode ser vantajoso para atletas que buscam otimizar sua performance. Outra cirurgia bastante procurada por atletas mulheres é a mastoplastia redutora", explica o médico.

 

Recuperação acelerada - O médico afirma que os atletas saem na frente de modo geral quando o assunto é a recuperação. “O organismo é diferenciado, naturalmente a recuperação é muito mais rápida porque o corpo já está acostumado ao estresse”. Luiz Haroldo destaca inclusive que essa é uma dica pertinente até a não atletas. Mesmo que a plástica vá proporcionar o resultado estético, a prática de atividade física pode ser uma poderosa aliada na recuperação e manutenção.

 

Cuidado com o doping - Mesmo com a rápida recuperação, o procedimento deve ser planejado. Isso porque uma pequena quantidade de anestesia já pode ser um problema para o anti-doping.  

“Procedimentos não invasivos como o botox, por exemplo, teoricamente poderiam ser realizados até 48 horas antes de uma grande competição. No entanto, o atleta precisa discutir com o médico para não correr o risco de ser reprovado em testes de doping”.

 

Atenção especial ao silicone - Enquanto a redução dos seios pode ser benéfica para algumas atletas, o implante de próteses de silicone demanda cuidados mais específicos especialmente para atletas que participam de esportes de contato físico, como o futebol ou as lutas onde há risco de impactos diretos nos implantes. “As próteses são bastante resistentes, mas é necessário ter cuidado”. No caso de Thaisa e das demais jogadoras de vôlei, o risco é mínimo, segundo o médico.

 

Dr. Luiz Haroldo Pereira - atende em Copacabana, no Rio de Janeiro, é referência em cirurgia corporal e facial no Brasil. O médico já foi presidente regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) do Rio Janeiro, participou da banca de exames para título de especialista em cirurgia plástica durante 12 anos e, desde 2006, é membro da comissão de avaliação para médicos que desejam se torna titulares da SBCP, capacitados para realizar as cirurgias de abdominoplastia, lipoaspiração, implantes de silicone e outros procedimentos.


Perda da qualidade da voz: o problema que assombra a carreira de vários cantores

 Especialista do Hospital Paulista explica por que alguns artistas conseguem voltar às atividades normalmente e outros acabam tendo que se adaptar a uma nova realidade vocal 


A história da música registra diversos casos de cantores famosos que, em algum momento de suas carreiras, tiveram que se afastar dos palcos por problemas vocais. Muitos voltaram, após longos períodos de tratamento, e fazem sucesso até hoje. É o caso de Adele, Shakira, Rod Stewart, dentre vários outros que seguem firmes na atividade. 

No entanto, há também muitos que perderam a qualidade vocal e tiveram que se adaptar a uma nova realidade, adotando um estilo mais suave. É o caso do americano John Mayer, que, após ser diagnosticado com granuloma nas cordas vocais, em 2011, retornou à música, só que num tom bem mais ameno e limitações em relação ao passado. 

Outro exemplo semelhante é o da cantora islandesa Björk. Após a remoção de nódulos nas cordas vocais, em 2012, ela teve que repensar sua técnica vocal e explorar novos estilos musicais a partir de então. 

Até mesmo a cantora Mariah Carey, que por muito tempo foi conhecida por seu alcance vocal de cinco oitavas, já passou por complicações do tipo. A partir dos anos 2000, ela teve que adaptar suas performances, utilizando técnicas para preservar a voz, em razão de problemas relacionados à disfonia.

 

Por que isso acontece? 

De acordo com o Dr. Domingos Tsuji, médico otorrinolaringologista especialista em Saúde da Voz e diretor do Voice Center do Hospital Paulista, os cantores, assim como os professores, radialistas e demais profissionais que utilizam a voz como instrumento de trabalho têm, naturalmente, maior suscetibilidade a lesões fonotraumáticas, como edema, pólipos, calos vocais e outras lesões que comprometem a produção vocal normal. 

No caso dos cantores, especificamente, o médico explica que o aprendizado de técnicas é essencial para evitar esse tipo de dano. "A falta de cuidados preventivos e de orientação especializada por parte de médicos, fonoaudiólogos e professores de canto, geralmente, é um erro que muitos cometem, principalmente no início da carreira. Esses profissionais são fundamentais para ensinar a técnica correta e evitar abusos nocivos às cordas vocais.” 

Tais cuidados, segundo o especialista, devem ser tomados desde cedo pelos cantores e pretendentes a tal. "São problemas que podem ocorrer em qualquer idade. Portanto, vale para cantores mirins, jovens adultos, adultos maduros e idosos", enfatiza.

 

Por que só alguns recuperam? 

Com relação à recuperação, o médico confirma que há casos de cantores que retomam normalmente a carreira e outros que, infelizmente, não. "Dependendo do problema, é possível recuperar: lesões mais simples, como pólipos e nódulos, têm bons resultados com cirurgia. Já lesões como sulco vocal, cistos, papiloma e lesões malignas ou pré-malignas têm um prognóstico mais restrito.” 

Esses casos mais complicados, conforme o Dr. Domingos, geralmente, envolvem alterações estruturais mínimas nas cordas vocais, que já predispõem o cantor a problemas futuros, sobretudo a partir do uso inadequado ou abusivo da voz. "Mas, ainda assim, é possível obter resultados favoráveis com o tratamento adequado", observa. 

A pior das hipóteses, de acordo com o especialista, é em relação a doenças consideradas irreversíveis. "É o caso da paralisia de corda vocal, distonia laríngea, doenças neurológicas degenerativas, tumores (como papiloma e câncer) e cicatrizes nas pregas vocais causadas por diversos fatores, incluindo cirurgias. Esses quadros podem comprometer definitivamente a vida profissional do cantor, sem chances de recuperação.”

 

Autopercepção 

O médico explica que a melhor forma de se precaver contra essas doenças é mantendo a atenção quanto a eventuais alterações na voz. 

"O cantor geralmente tem uma ótima percepção da sua voz. Qualquer alteração percebida deve ser encarada como um indicativo de um problema emergente que pode se agravar. Por isso, a recomendação é procurar um otorrinolaringologista especializado em voz para avaliar cuidadosamente o trato vocal.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia
www.drluizharoldo.com.br/
www.instagram.com/luizharoldopereira


Pesquisa relaciona estilos parentais e Inteligência Emocional

 

Divulgação

Estudo convida voluntários para responderem formulário online


Como os estilos parentais de cuidados durante a infância podem influenciar na inteligência emocional das crianças? Uma pesquisa da área de Psicologia está convidando voluntários para responderem um questionário online a fim de investigar essa relação entre Inteligência Emocional e Estilos Parentais.

"Durante a infância, o contato com cuidadores é essencial para o desenvolvimento das crianças, e esse movimento de cuidado é caracterizado como parentalidade. O modo como essas relações se dão são os chamados estilos parentais (EPs), os quais são classificados em três grupos: autoritário, autoritativo e permissivo", detalha Maria Eduarda Pechetto de Campos, estudante de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ela explica que os estilos parentais são responsáveis pela formação de diversas habilidades do infante; entre elas, está a Inteligência Emocional (IE). "Por sua vez, a IE é a capacidade de perceber, compreender e regular emoções, a fim de promover o crescimento emocional e intelectual, sendo de extrema importância para as crianças, e mediada por meio dos estilos parentais". 

O objetivo, segundo a responsável pelo estudo, é verificar se o estilo parental tem relação com a inteligência emocional dos filhos, sendo que o estilo será investigado a partir da percepção dos filhos já adultos quanto a sua criação na infância e adolescência.

Maria Eduarda Campos explica que, no Brasil, não há pesquisas que relacionem estilos parentais e Inteligência Emocional. "Dessa maneira, este estudo busca compreender essa relação e, ainda, comparar a inteligência emocional de grupos de filhos que se percebem criados em cada um dos tipos de estilos parentais". Para ela, "O entendimento de como a inteligência emocional pode estar relacionada com os diferentes modos de se educar uma criança pode ajudar a Psicologia a dar mais enfoque na importância de, não só remediar os efeitos negativos gerados por um determinado estilo parental em um indivíduo, mas também auxiliar pais e mães a exercerem atitudes mais favoráveis à inteligência emocional na criação de seus filhos".

 

Participação

Para desenvolver o estudo, a pesquisadora está recrutamento 200 participantes com idades entre 18 e 35 anos, de ambos os sexos, que sejam alfabetizados e tenham sido criados por pai, mãe, ou um outro responsável maior de 18 anos. Para participar basta ter entre 18 e 35 anos e responder o formulário eletrônico anônimo disponível em https://bit.ly/4bLm3SY. O tempo estimado de resposta é de 20 minutos. 

O trabalho tem orientação da professora Monalisa Muniz Nascimento, do Departamento de Psicologia da UFSCar. Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 76117723.7.0000.5504).


Aumento Alarmante de Casos de Herpes-Zóster no Brasil: Importância da Vacinação

Recentemente, uma pesquisa conduzida por médicos do Instituto Penido Burnier revelou um crescimento alarmante nos casos de herpes-zóster no Brasil. De acordo com o estudo, nos primeiros dois meses deste ano, foram diagnosticados 27 mil casos de reativação do vírus, um aumento expressivo em relação aos 9 mil casos registrados no mesmo período do ano anterior. Esses dados foram extraídos de um levantamento detalhado conduzido pelo Datasus, ressaltando a necessidade de atenção redobrada para essa condição médica.

 

Incidência e Notificação

Como a doença não é de notificação compulsória, apenas os dados dos pacientes hospitalizados são registrados, o que indica que o número real de ocorrências pode ser significativamente maior. A ausência de notificação compulsória impede uma visão completa da extensão do problema, sublinhando a importância de medidas preventivas eficazes.

 

A Vacina Shingrix

Uma das principais ferramentas na prevenção do herpes-zóster é a vacina Shingrix, licenciada para pessoas com mais de 50 anos. Produzida pela farmacêutica britânica GSK, esta vacina de vírus inativado foi aprovada pela Anvisa e já está disponível no mercado brasileiro. Segundo a Dra. Marcela Rodrigues, diretora da Salus Imunizações, “A vacina Shingrix é segura e possui uma eficácia de 97%. Ela deve ser administrada em duas doses com um intervalo de 2 a 6 meses”.


 Indicação da Vacina  

A vacina é recomendada para pessoas a partir de 50 anos. Além disso, é indicada para indivíduos com mais de 18 anos que possuem algum tipo de imunossupressão, como aquelas que tiveram alguma infecção viral, portadoras de comorbidades (HIV, esclerose múltipla, lúpus, câncer, diabetes), ou as que vão se submeter a transplantes. 


O que é Herpes-Zóster?

Conhecida popularmente como cobreiro ou fogo selvagem, a herpes-zóster é causada pela reativação, na idade adulta, do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. A doença se manifesta geralmente em um lado do corpo, com o aparecimento de pequenas bolhas cheias de líquido (vesículas) cercadas por uma área avermelhada e dolorida. Esses sintomas podem durar de duas a quatro semanas. 

Antes do aparecimento das lesões de pele, é comum que o paciente sinta dores nos nervos, febre, dor de cabeça, mal-estar, ardor, coceira, formigamento, agulhadas e/ou adormecimento locais. 

“A doença pode surgir durante episódios de baixa imunidade e/ou estresse em pessoas de qualquer idade que já tiveram catapora ativa ou nas que tiveram contato com o vírus, mas ficaram assintomáticas. Isso porque, após o primeiro contato, o vírus permanece latente e inativo no corpo por anos até ter uma situação que possa ativá-lo novamente, causando a herpes-zóster”, explica a Dra. Marcela Rodrigues, acrescentando que as pessoas a partir de 50 anos têm mais chances de ter a doença devido à redução da capacidade do sistema de defesa do organismo, um processo conhecido como imunossenescência.


Sintomas e Complicações

Os principais sintomas da herpes-zóster incluem:

- Erupção cutânea: vesículas cheias de líquido que se formam em uma área específica do corpo.

- Dor: Pode variar de leve a intensa, muitas vezes descrita como queimação.

- Febre: Em alguns casos, os pacientes podem apresentar febre.

- Cansaço: Sensação geral de fadiga e mal-estar.

 

As complicações podem incluir:

- Neuralgia pós-herpética: dor persistente na área afetada pela erupção. 

- Infecções bacterianas secundárias: as lesões de pele podem ser infectadas por bactérias. 

- Problemas oculares: se a erupção ocorrer perto dos olhos, pode causar infecções oculares e, em casos graves, perda de visão. 

Além disso, a vacinação pode prevenir complicações mais graves, que podem atingir os órgãos e, em situações raras, levar à morte, especialmente em pacientes imunossuprimidos. 

“Também é importante ressaltar que o vírus pode provocar outros problemas de saúde, como a infecção bacteriana secundária, neuralgia pós-herpética, meningites, AVC e síndromes que podem provocar incapacidade ou limitação física, como a de Ramsay Hunt”, informa a médica, orientando que as pessoas devem lavar as mãos com água e sabonete após tocar nas lesões e higienizar os objetos que possam estar contaminados.

 

Importância da Vacinação

A vacinação contra o herpes-zóster é fundamental para prevenir os casos graves e suas complicações. Pessoas que se vacinam reduzem significativamente o risco de desenvolver a doença e, em caso de infecção, geralmente apresentam sintomas mais leves e de menor duração. A vacina Shingrix, com sua alta eficácia, oferece uma camada adicional de proteção, especialmente para os grupos mais vulneráveis.

 

Conclusão 

O aumento significativo nos casos de herpes-zóster no Brasil é um sinal de alerta para a importância da vacinação e da conscientização sobre a doença. A vacina Shingrix, aprovada pela Anvisa e disponível no mercado, representa uma ferramenta crucial na prevenção da doença, especialmente para indivíduos acima de 50 anos e aqueles com condições de imunossupressão. 

Como Dra. Marcela Rodrigues, diretora da Salus Imunizações, reforço a importância da vacinação como uma medida preventiva eficaz contra o herpes-zóster. Além disso, é fundamental que todos adotem práticas de saúde preventiva, incluindo a consulta regular com profissionais de saúde para discutir a imunização adequada. A prevenção é a chave para controlar a disseminação do herpes-zóster e proteger a saúde pública de forma eficaz e duradoura.

 



Clínica de Vacinas Salus Imunizações

AVC - Porque é tão importante maior agilidade no diagnóstico?

       Dois milhões de neurônios são perdidos, por minuto, quando um paciente vítima de AVC não recebe tratamento imediato

A agilidade no tratamento é crucial para salvar vidas e diminuir sequelas, no entanto, em muitas cidades do Brasil essa realidade emergencial ainda é distante.

 

O Acidente Vascular Cerebral isquêmico, popularmente conhecido como “derrame” é a causa mais comum de mortes no Brasil dos últimos cinco anos, apesar da existência de profilaxias e protocolos de urgências capazes de reduzir fatalidades e sequelas. Já representa 85% dos casos no país e, somente no ano passado, levou mais de 110 mil pessoas ao óbito. Pela Sociedade Brasileira de AVC, são diagnosticados cerca de 232 a 344 mil novos casos por ano, equivalente a uma média 978 por dia, ou praticamente uma incidência a cada 2 minutos no país.

“Em termos de estatística, estamos enfrentando praticamente uma epidemia de uma doença que pode ser evitada, devidamente tratada, mas que requer acompanhamento médico e, principalmente, um atendimento de emergência realmente rápido para evitar fatalidades ou sequelas graves nos pacientes”, explicou o neurocirurgião e fundador da Doc4Doc, Ramon Gaspar Andrade.

Em quadros de AVC, o papel de um neurocirurgião é crucial para a desobstrução dos vasos e o estancamento do sangue. O especialista observou que o atendimento precisa ser rápido, o que esbarra na falta da especialidade em boa parte das cidades brasileiras. 

“Em muitos casos os pacientes precisam ser referenciados a outras instituições para esse tipo de intervenção e o tempo que isso leva, juntando o deslocamento com a burocracia, realmente pode ser fatal ou deixar algumas sequelas. Isso ocorre porque em um AVC isquêmico grave perde-se 1,9 milhão de neurônios por minuto e uma média de 14 bilhões de sinapses. É uma corrida contra o tempo”, observou o especialista.

A defasagem demográfica de especialistas para atender os casos no Brasil é grande. A última atualização feita pela ABN no ano passado indicava um total de 6.776 neurologistas, o que corresponde a uma média de 2,75 da especialidade por 100 mil habitantes.

Entre várias tentativas de suprir essa necessidade de profissionais, principalmente em cidades pequenas, regiões rurais e áreas de difícil acesso, a healthtech Doc4Doc afirma que a teleinterconsulta vem se consolidando como uma solução emergencial para a carência da especialidade especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros urbanos. 

Desde 2021, a startup atendeu 2517 casos de AVC conectando um time de neurologistas a plantonistas em 5 estados brasileiros. Na totalidade dos atendimento, os desfechos tiveram saldo bastante positivo.

“ A tecnologia é uma grande aliada para salvar vidas. Além do auxílio no diagnóstico e atendimento com base nos protocolos para esses casos, chegamos inclusive a realizar cirurgias à distância nos casos mais graves, juntamente com a equipe de saúde que estava com o paciente na emergência. Com a possibilidade de consultar especialistas nestas situações, há um ganho extra no atendimento que pode resultar não só em uma vida salva, como também em uma melhor recuperação e reduzir as sequelas”, afirma Jimmy Ayoub, fundador da Doc4Doc.

 

Quais são os primeiros sinais de um AVC?

A Doc4Doc recomenda se atentar para alguns sinais importantes nos casos de AVC:

  • Dor de cabeça intensa que surge de repente;
  • Falta de força num lado do corpo, visível no braço ou na perna;
  • Rosto assimétrico, com boca torta e sobrancelha caída;
  • Fala embolada, lenta ou com um tom de voz muito baixo e muitas vezes imperceptível;
  • Perda da sensibilidade de uma parte do corpo, não identificando o frio ou calor, por exemplo;
  • Dificuldade em permanecer de pé ou ficar sentado, pois o corpo cai para um dos lados, não conseguindo andar ou ficar arrastando uma das pernas;
  • Alterações da visão, como perda parcial da visão ou visão embaçada;
  • Dificuldade para levantar o braço ou segurar objetos, pois o braço fica caído;
  • Movimentos incomuns e descontrolados, como tremores;
  • Sonolência ou mesmo perda de consciência;
  • Perda de memória e confusão mental, não podendo realizar ordens simples, como abrir os olhos e, podendo ficar agressivo e não saber referir a data ou o seu nome, por exemplo;
  • Náuseas e vômitos.

 

E o que fazer em caso de suspeita de AVC?

Em caso de suspeita de um AVC deve-se fazer o exame SAMU, que consiste em:


S (sorriso): pedir à pessoa para sorrir, pois durante o AVC um lado do rosto não se move adequadamente, apresentando sorriso torto e assimétrico;

A (abraço): pedir para a pessoa levantar os 2 braços como se fosse dar um abraço. No caso do AVC, um braço não se move ou se inclina para baixo;

M (música): pedir à pessoa para cantar uma música. No caso do AVC é difícil cantar e a fala fica embolada;

U (urgente): se a pessoa não conseguir realizar as tarefas anteriores, ligar imediatamente para o SAMU no número 192.

 

Geralmente, as pessoas que estão sofrendo um AVC não conseguem realizar as ações pedidas neste teste. Assim, caso isso aconteça, deve-se deitar a vítima de lado em um local seguro e acionar o SAMU ligando para 192, e observar se a vítima continua respirando normalmente e, no caso contrário, deve-se iniciar a massagem cardíaca imediatamente.


 Doc4Doc  


LIPEDEMA E VARIZES NA GESTAÇÃO - O QUE FAZER? MÉDICA CIRURGIÃ VASCULAR EXPLICA

Tanto varizes como lipedemas podem ocorrer na gravidez. Médica cirurgiã vascular esclarece detalhes sobre essas condições no período gestacional.

 

Durante a gestação uma mulher passa por diversas mudanças físicas, psicológicas e hormonais, o surgimento ou aumento de alguma condição é comum, entre elas estão as varizes e o lipedema, duas condições vasculares comuns entre mulheres e que precisam de cuidados especiais durante a gestação. 

Varizes durante a gravidez são um problema comum entre as mulheres e, segundo estudo do Jornal Vascular Brasileiro, as varizes estão presentes em 72,7% das gestantes do Brasil, causando desconforto e preocupação. Carol Mardegan, médica especialista em cirurgia vascular, e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), tira algumas dúvidas de gestantes que podem lidar com a condição. 

Já o lipedema, que é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura inflamada nos membros inferiores e braços, a gestação pode ser um período propício para a manifestação da condição ou piora. “O Lipedema, também conhecido como a síndrome da gordura dolorosa, está relacionada a um hormônio feminino, o estrogênio. Por isso, momentos específicos da vida da mulher, como puberdade, gestação, uso de anticoncepcionais, tratamentos para engravidar e menopausa, tendem a ser gatilhos.”
 

Quando as condições podem começar a aparecer na gravidez? 

“Ambos podem surgir em qualquer momento durante a gravidez, mas muitas mulheres notam as varizes principalmente no segundo trimestre. Isso ocorre porque durante esse período, o útero está crescendo significativamente, exercendo pressão sobre as veias na pelve e no abdômen, o que pode dificultar o retorno venoso das pernas ao coração.” O diagnóstico por ecodoppler é eficaz para identificar a presença e gravidade das varizes”, explica Mardegan. 

As varizes e o lipedema são motivos para preocupação, pois aumentam o desconforto e o risco de complicações associadas, como o risco de tromboflebite e trombose venosa profunda. É importante ressaltar que cada gravidez é única, e algumas mulheres podem não desenvolver nenhuma das condições durante a gestação, enquanto outras podem enfrentar um desses problemas desde os estágios iniciais. 

“O tratamento das varizes durante a gravidez, por exemplo, geralmente se concentra em medidas conservadoras e não invasivas para aliviar os sintomas e minimizar o risco de complicações.” Aponta.
 

Como minimizar durante a gestação? 

Os sintomas das varizes e do lipedema podem ser minimizados com medidas preventivas simples. A Dra Mardegan, indica para a melhora dos sintomas a prática regular de exercícios leves, como caminhadas, alongamentos e hidroginástica, que podem reduzir o risco, mas tudo isso sempre com orientação médica. Além disso, evitar o uso de salto alto e permanecer por longos períodos em pé e manter-se hidratada é igualmente importante. 

“A gravidez é um momento delicado e para diminuir a incidência dos sintomas, o uso de meias de compressão adequadas, pode aliviar os sintomas e prevenir a progressão das varizes durante a gravidez. Essas meias ajudam a melhorar a circulação sanguínea nas pernas, reduzindo o inchaço e a sensação de peso”, explica a cirurgiã. 

Por fim, a especialista explica que além das medidas preventivas, é importante destacar a relevância do acompanhamento médico adequado durante o período gestacional. “É recomendado que as mulheres grávidas informem qualquer sintoma relacionado às varizes ou ao lipedema, tais como dor, inchaço excessivo ou alterações na cor ou textura da pele, para que recebam o diagnóstico e tratamento adequados”, conclui Mardegan.

 

Carol Mardegan - Graduada em medicina pela Universidade de Taubaté, com residência médica em Cirurgia Vascular pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), especialização Fellowship em Cirurgia Endovascular. Carol Mardegan é membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) e tem como foco a Cirurgia Endovascular buscando sempre os melhores resultados através das modernas técnicas minimamente invasivas.


Jogos Olímpicos: preparação mental e física de esportistas de alta performance

Especialista da Inspirali tira dúvidas sobre o treinamento dos atletas


Os Jogos Olímpicos de 2024 estão começando e muitas curiosidades sobre os atletas despertam a atenção de todos. Sabemos que o desempenho e performance destes esportistas são impressionantes, mas o que está por traz de todo este preparo físico? Como lidam com a pressão psicológica de superar expectativas e ansiedade por uma medalha? 

Para responder estas e mais algumas questões sobre este preparo físico e mental, a Inspirali, principal ecossistema de educação médica do país, convidou a Dra. Carla Tavares, Médica da Seleção Brasileira de natação e Coordenadora Pedagógica da trilha de formação em Medicina do Esporte da Inspirali. Confira:


1. Qual o tempo médio de preparo físico de um atleta?

R: O volume, intensidade e periodização dos treinos de um atleta varia bastante de modalidade para modalidade. E, mesmo dentro da mesma modalidade esportiva, podemos ter cargas de treinos diferentes para cada subcategoria de treinamento de acordo com a característica do estímulo que precisa ser realizado e das valências que precisam ser trabalhadas.


2. Ele precisa estar totalmente isolado de suas atividades do dia a dia?

R: Consideramos atleta aquele que dedica a maior parte do seu tempo para atividades relacionadas ao treinamento e competição. Isso inclui não só os treinos, mas também o sono, as estratégias de recuperação, a alimentação etc. Mas o atleta pode ter alguma outra atividade laborativa paralela. Muitos estudam ou cuidam de algum tipo de negócio.


3. Durante o preparo, quais os principais tipos de lesões um atleta pode sofrer?

R: Cada modalidade esportiva tem prevalência diferente de lesões de acordo com a característica de risco e sobrecarga que aquele esporte impõe. Por exemplo, no judô, as principais lesões são traumáticas, na natação, as lesões por overuse (lesões de sobrecarga) são mais prevalentes, já no futebol, as lesões musculares são as mais comuns e por aí vai.


4. Sofrendo uma lesão, quando ele perde as chances de voltar a competir?

R: Depende da lesão, da gravidade e da modalidade esportiva.


5. Quais especialidades médicas acompanham um atleta de alta performance?

R: O médico do esporte é como um gestor da saúde do atleta. Dentro da medicina esportiva, temos muitas subespecialidades como ortopedia do esporte, cardiologia do esporte, ginecologia esportiva, pediatria esportiva etc. Mas a equipe multidisciplinar de uma atleta é muito mais ampla e inclui profissionais de educação física, nutrição, fisioterapia, psicologia, fisiologia, odontologia, biomecânica etc.


6. Todas as modalidades olímpicas necessitam de preparo físico?

R: Sem dúvida.


7. Sobre saúde mental, como os atletas trabalham esta questão?

R: A saúde mental do atleta é um ponto muito importante e cada vez tem ganhado mais espaço com o trabalho do psicólogo esportivo junto ao atleta, tanto no dia a dia de treino quanto nas competições.


8. Há sempre acompanhamento psicológico?

R: Idealmente sim. Mas sabemos que muitos atletas não têm o privilégio de poder contar com um psicólogo esportivo.


9. Quais as principais queixas, no sentido mental, de um atleta de alta performance?

R: O principal é o estresse competitivo que pode se manifestar de várias formas e trazer impactos de magnitudes diferentes. Mas os atletas são seres humanos como todos nós, então depressão, transtorno de ansiedade, transtornos alimentares, e inúmeros outros fatores podem estar presentes.


10. Como são tratadas estas questões de saúde mental do atleta?

R: Em conjunto: psicologia + medicina. Muitas vezes com necessidade de acompanhamento com o especialista, um médico psiquiatra.



Inspirali

Diabetes tipo 2 aumenta 56%1 entre jovens adultos: conheça os diferentes tipos de tratamento para a doença

Caneta, medicamento oral (monoterapia e combinação), insulina e alimentação - cardiologista explica suas funcionalidades e indicações
 

O número de jovens entre 19 e 39 anos diagnosticados com diabetes tipo 2 no mundo aumentou drasticamente em 30 anos, chegando à marca de 56% de incremento, de acordo com análise sistemática do Global Burden of Disease (GBD), publicada no British Medical Journal1. No Brasil, são quase 16 milhões de adultos com a doença2. Com o aumento no número de casos, a carência de informação à população sobre os cuidados necessários com a rotina e os tipos de tratamento disponíveis, representa uma preocupação para os médicos, já que a mudança de estilo de vida é essencial para se ter mais saúde e melhor qualidade de vida a médio e longo prazo 3

De acordo com o cardiologista Jairo Borges, atualmente mesmo crianças, adolescentes e jovens adultos enfrentam a obesidade e a esteatose hepática (gordura no fígado), devido a um estilo de vida inadequado, o que ele aponta como uma das causas de esse perfil de pessoas desenvolver diabetes tipo 24. “Mesmo que o paciente seja jovem ou recém diagnosticado, a doença se torna fator de risco 2 a 4 vezes5 maior para desenvolver problemas cardiovasculares do que em pessoa sem diabetes”. E explica: “Se alimentar mal, principalmente com uma rotina de consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em gordura e em açúcar de absorção rápida, e não praticar exercícios físicos regularmente faz com que haja muita glicose circulando no sangue, o que ‘obriga’ o pâncreas a secretar uma alta quantidade de insulina como forma de compensação. Com o tempo, acaba ocorrendo um mau funcionamento do órgão. Quem é diabético já perdeu pelo menos 40-50% da função das células beta do pâncreas produtoras de insulina,6 e precisa focar em preservar o restante”. 

Apesar de o diagnóstico ser um alerta importante para cuidar melhor da saúde, a adesão ao tratamento adequado, sempre com orientação médica, e a mudança de estilo de vida podem proporcionar ao paciente um envelhecimento saudável e sem complicações 7.
 

Jairo, que é médico consultor da Libbs Farmacêutica, elenca 5 formas de tratamento para o diabetes tipo 2:
 

1 – Mudança no estilo de vida. É a primeira linha de cuidado para pacientes diabéticos e para a remissão ao pré-diabetes. A atividade física regular ajuda a reduzir a glicose no sangue e melhora a ação da insulina. Para se ter uma ideia, pesquisa publicada no New England Journal of Medicine apontou que a mudança intensiva do estilo de vida reduziu em cerca de 58% o risco de desenvolver diabetes tipo 2 em 3 anos, concluindo esta análise (estudo DPP) que a intervenção no estilo de vida foi significativamente mais eficaz do que o uso isolado de um medicamento oral único8.
 

2 – Medicamento único (monoterapia). É o tipo mais indicado habitualmente pelos médicos por ter valor acessível nas farmácias e por ser disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É indicado para pacientes sem sintomas como urinar muito, sede intensa ou fome exagerada. Entre os benefícios esperados estão a potência para diminuição da glicemia, não causar hipoglicemia, reduzir os níveis de triglicerídeos de 10 a 15% e do LDL-colesterol, aumentando o HDL. Pode causar uma diminuição de peso de dois a três quilos durante os primeiros seis meses de tratamento 7.
 

3 – Medicamento combinado (que une dois princípios ativos). É indicado desde o diagnóstico, com potencial para controlar melhor a glicemia de forma a estabilizá-la, além de agir de forma mais rápida e sustentada. Também não causa hipoglicemia, a depender dos medicamentos selecionados, e existem opções que contribuem para proporcionar proteção renal 9.
 

4 – Canetas (agonistas do receptor de GLP-1). Esse tipo de medicação injetável se popularizou nos últimos tempos pelo seu potencial em promover perda de peso, mas o custo muito elevado, em média quase um salário mínimo por trimestre10, faz com que seja uma opção inviável para a grande parte da população.
 

5 – Insulina. Comumente indicada para pacientes com diabetes tipo 1, é utilizada em diabéticos tipo 2 quando o nível de açúcar no sangue está muito elevado de forma persistente e, como regra, juntamente com a medicação oral 7.
 



*Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do médico consultor.


Referências

1. Xie J, Wang M, Long Z, Ning H, Li J, Cao Y et al. Global burden of type 2 diabetes in adolescents and young adults, 1990-2019: systematic analysis of the Global Burden of Disease Study 2019 BMJ 2022; 379 :e072385 doi:10.1136/bmj-2022-072385 Link

2. International Diabetes Federation. Key information of regions and members, 2021. Site. [Acessado em julho, 2024]. Disponível em: Link Acesso em 10/07/2024.

3. American Diabetes Association. Physical Activity Is Important. Site. [Acessado em julho, 2024]. Disponível em Link

4. Silva, P., Roncholeta, L., Lima, L., Carvalho, I., Oliveira, I., Comunian, Y., & Marini, D. C. (2023). Mudanças no estilo de vida em crianças e adolescentes reduzem os riscos do desenvolvimento de diabetes mellitus tipo II. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 5(5), 3451–3466. Link

5. Mariana Vargas Furtado M. V., Polanczyk C. A. (2007). Prevenção cardiovascular em pacientes com diabetes: revisão baseada em evidências. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Link

6. Carol Wysham & Jay Shubrook (2020). Beta-cell failure in type 2 diabetes: mechanisms, markers, and clinical implications, Postgraduate Medicine, 132:8, 676-686, DOI: 10.1080/00325481.2020.1771047

7. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília (2006). Cadernos de Atenção Básica, n. 16 - Série A. Normas e Manuais Técnicos) Diabetes Mellitus. [Acessado em julho, 2024]. Disponível em Link

8. Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction In The Incidence Of Type 2 Diabetes With Lifestyle Intervention Or Metformin, New England Journal of Medicine 2002; 346: 393-403

9. American Diabetes Association. Pharmacologic Approaches to Glycemic Treatment: Standards of Care in Diabetes—2024. Site. [Acessado em julho, 2024]. Disponível em Link
 

10. Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde - Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde (2023). [Acessado em julho, 2024]. Relatório de recomendação de medicamento: liraglutida 3mg para o tratamento de pacientes com obesidade e IMC acima de 35kg/m², pré-diabetes e alto risco de doença cardiovascular. Disponível em Link


Milhões de pessoas precisam fazer cirurgia bariátrica no Brasil

A obesidade é considerada a doença que mais cresce em todo o mundo, e a responsável pela pior crise global de saúde pública de toda a história. O aumento preocupante da obesidade é uma realidade que não pode ser negligenciada. Nos tempos atuais, estima-se que quase um terço da população mundial possa ser classificada com sobrepeso ou obesidade. A triste notícia é que se as tendências atualizadas permanecerem nesse valor, ele poderá chegar a 57,8% até 2030.

Nesse cenário, a cirurgia bariátrica aparece como uma opção de tratamento para aquelas pessoas que já tentaram perder peso por meio de tratamentos conservadores como por exemplo: dieta, exercícios físicos e farmacoterapia, e não tiveram resultado satisfatório. Os resultados atribuídos à cirurgia bariátrica resumem-se em maior expectativa e qualidade de vida, remissão ou redução das comorbidades associadas, melhor custo-benefício com os planos de saúde, isso significa, que a bariátrica possui eficácia, efetividade e resultados clínicos promissores. 

Desde o Consenso do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos em 1991, o tratamento cirúrgico da obesidade, conhecido como cirurgia bariátrica, é considerado o único e efetivo tratamento que pode proporcionar resultados duradouros para os pacientes com obesidade grave ou mórbida.

Desde então, houve um grande aumento do número de cirurgias bariátricas em todo o mundo e no Brasil. Estatísticas divulgadas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), apontam que em 2022 registrou-se um total de 74.738 cirurgias bariátricas, sendo que 65.256 procedimentos foram realizados através de planos de saúde.

Apesar do aumento significativo, ainda estamos longe de conseguir tratar todos os estimados milhões de brasileiros que necessitam da cirurgia bariátrica. Dessa forma, precisaríamos operar cerca de 100 mil pacientes por ano durante 50 anos para tratarmos todos os pacientes. Isto se não ocorresse o aparecimento de nenhum novo caso durante meio século. Mas isso não é exclusividade do Brasil. Calcula-se que nos Estados Unidos apenas 1% dos pacientes com indicação para a operação, estejam sendo operados.

Diante desse quadro, o mais importante, como em diversas outras áreas da medicina, é a prevenção. É importante alertar a todos, especialmente aos mais jovens, sobre a importância da orientação alimentar, da prática de uma atividade física regular, e do acompanhamento psicológico e médico, pois só assim poderemos vislumbrar uma remota possibilidade de controlar o avanço dessa doença.

 

Marcos Zambelli - cirurgião geral e bariátrico do corpo clínico do Biocor/Rede D'Or, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Membro Titular de Sociedade Brasileira de Vídeocirurgia (SOBRACIL), Instrutor do ATLS pelo American College Of Surgeons, Cirurgião do Trauma do HPS João XXIII por 16 anos

 

Einstein recebe autorização inédita da Anvisa e poderá processar células NK para o tratamento da leucemia mieloide aguda

Trata-se da primeira iniciativa em pesquisa com sangue de cordão nesta área a ser aprovada pela Agência no país

 

De forma inédita no país, o Einstein recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para processar células natural killer (NK) provenientes de cordão umbilical, a fim de viabilizar novos tratamentos para pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA). A ideia é ampliar o número de células presentes no organismo dos pacientes com o objetivo de atingir a remissão completa da doença. 

O público-alvo da pesquisa é composto por pacientes a partir dos 18 anos, recidivados ou refratários, ou seja, que não tenham obtido sucesso em pelo menos duas linhas de tratamento prévio. A iniciativa do Einstein, realizada no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), em parceria com o Ministério da Saúde, é a primeira a ser aprovada pela Anvisa no Brasil com essas especificações. 

O método consiste na realização de quimioterapia Flag (associação de fludarabina, citarabina e G-CSF), seguida de infusão de células NK desenvolvidas em laboratório a partir de células de cordões umbilicais que já estejam em estoque nos bancos públicos do país, e que tenham aval para uso em pesquisas científicas. Dessa forma, não é preciso submeter pacientes saudáveis ao procedimento de doação de sangue, outra possível fonte de células NK. 

O estudo, de fase 1, busca avaliar se o tratamento é seguro para que, na próxima fase, seja determinada sua eficácia. “O projeto reitera o compromisso do Einstein com o desenvolvimento de terapias inovadoras, que promovem melhores desfechos e preservam a qualidade de vida dos pacientes”, destaca o hematologista Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula Óssea do Einstein. 

As células NK têm uma grande capacidade de reconhecer o desenvolvimento celular desordenado no organismo, inclusive células de LMA. A metodologia inclui o uso de um cordão umbilical congelado e o isolamento das camadas linfomononucleares por meio de um gradiente de pressão. Depois disso, os cientistas realizam o cultivo das células por meio de um mecanismo antígeno artificial modificado. Com o método, o número de células NK pode expandir mais de mil vezes. Nesse período, o paciente precisa ser submetido à internação para realizar o procedimento. 

De acordo com Lucila Kerbauy, hematologista do Einstein, atualmente, as chances de cura com as opções terapêuticas para paciente com LMA refratária ou recidiva são baixas. “Por isso, essa técnica é muito importante para que pacientes acometidos por uma doença que carece de terapias efetivas tenham uma nova alternativa”, destaca. “Nosso objetivo é garantir mais assertividade, segurança e bem-estar aos pacientes, promovendo esperança sobre a expectativa de vida”. 

Outro ponto positivo do projeto é a otimização do tempo de resposta ao tratamento e o aumento das chances de cura. Além disso, diferente do que acontece com outras terapias avançadas, neste caso um número maior de pacientes pode ser beneficiado. “Com um cordão umbilical é possível tratar, no mínimo, 10 pessoas”, destaca Lucila. 

O estudo do Einstein utilizando células NK é conduzido há seis anos em estágio pré-clínico pela área de Hemoterapia e Terapia Celular da organização. Agora as atividades integram o rol de ações no âmbito do Centro de Competência Einstein-Embrapii em Terapias Avançadas, um dos únicos na América Latina com acreditação para manipulação e uso terapêutico de produtos de terapias avançadas. 

O estudo é o 3º do Einstein com terapias avançadas aprovado pela Anvisa. Além da pesquisa com células NK, a organização teve o aval da Agência para implementar um estudo de desenvolvimento de linfócitos T para citomegalovírus e com Car T cell para o tratamento de determinados tipos de linfomas e leucemias. 

Agora, após aprovação de todos os órgãos regulatórios, o protocolo de pesquisa com células NK passa para a nova fase, com seres humanos, e prevê que a tecnologia seja usada tanto em pacientes do Sistema Único de Saúde bem como do sistema privado. 


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