Pesquisar no Blog

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia: Comigo ninguém pode


A Fundação Bienal de São Paulo apresenta Comigo ninguém pode, projeto curatorial de Diane Lima que reúne Adriana Varejão e Rosana Paulino em um diálogo inédito no Pavilhão do Brasil. A exposição ocupa integralmente o espaço com obras históricas das trajetórias de mais de três décadas de ambas as artistas e com produções desenvolvidas especialmente para este encontro. A exposição é realizada em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, e é oferecida pela Petrobras. 

O título evoca a planta homônima, conhecida tanto por sua toxicidade quanto por seu uso popular como símbolo de proteção e resiliência. Essa ambiguidade orienta o projeto: a exposição propõe formas de perceber as relações entre natureza, história e espiritualidade, rompendo a linearidade do tempo para articular processos de metamorfose e liberação poética. A exposição desafia a arquitetura moderna do Pavilhão, criando uma experiência instalativa em que o edifício se torna parte ativa do trabalho, reunindo pinturas, esculturas e desenhos escolhidos por meio de sobreposições, tensionamentos e aproximações simbólicas, cromáticas, matéricas e iconográficas. 

“O projeto faz um convite para que nos conectemos a uma frequência que abre a possibilidade de ver o transcendente no visível”, afirma Diane Lima. “Comigo ninguém pode reflete sobre as manifestações da fé e da espiritualidade na cultura brasileira, destacando sua estreita relação com a natureza e com as dimensões mais-que-humanas. Ao reescrever a história, a exposição reconstrói as paredes da memória e atribui novos significados às ruínas e feridas coloniais por meio de seres fantásticos, celestiais e mágicos”.

“Meu trabalho e o de Rosana Paulino se cruzam na potência das feridas coloniais”, afirma Adriana Varejão. “Estou trabalhando intensamente em muitas obras novas para o Pavilhão que foram pensadas em diálogo direto com a arquitetura do edifício. As pinturas se distribuem de maneira imprevisível no espaço, assumindo um caráter instalativo.” 

Para Rosana Paulino, “estar no Pavilhão do Brasil em Veneza, ao lado de Adriana Varejão, é a oportunidade de investigar feridas coloniais a partir de perspectivas femininas distintas que se encontram num diálogo inédito. Em trabalhos como Aracnes e Ninfa tecendo o casulo, retomo a imagem da mulher negra como aquela que extrai do próprio corpo a matéria para sustentar a continuidade, obras que afirmam a força da reconstrução, da sutura e da permanência diante da violência histórica”. 

A curadora Diane Lima destaca: “Desde o momento em que surgiu a ideia de convidar Rosana e Adriana, meu maior desafio foi apresentá-las como uma composição, uma única voz repleta de harmonias e dissonâncias, de modo que este gesto e as nossas próprias presenças tivessem, como num jazz, uma dimensão muito mais performativa e sensorial do que didática sobre a nossa história.” 

“A curadoria de Diane Lima e o encontro entre Adriana Varejão e Rosana Paulino consolidam um célebre projeto para a presença brasileira em Veneza. É uma proposta que fundamenta nosso compromisso institucional com uma participação consistente, contemporânea e conectada ao debate global”, afirma Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo.

 

Recuperação do Pavilhão do Brasil

O Pavilhão do Brasil, projetado por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral em 1964, foi recuperado pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores. O processo foi realizado em três fases: a primeira concentrou-se em reparos estruturais essenciais; a segunda recuperou elementos-chave do projeto arquitetônico original, mais notadamente as paredes laterais de vidro e a fachada do Pavilhão; e a fase final foi concluída em 2026.

A Fundação Bienal de São Paulo agradece seu parceiro estratégico Itaú e seus patrocinadores máster Petrobras, Bloomberg, Bradesco, Citi, Vale e Vivo.

 

Sobre a Fundação Bienal de São Paulo

Estabelecida em 1962, a Fundação Bienal de São Paulo é uma instituição privada sem fins lucrativos e vinculações político-partidárias ou religiosas, cujas ações visam democratizar o acesso à cultura e estimular o interesse pela criação artística. A Fundação realiza a cada dois anos a Bienal de São Paulo, a maior exposição do hemisfério Sul, criada em 1951, e suas mostras itinerantes por diversas cidades do Brasil e do exterior. A instituição é também guardiã de dois patrimônios artísticos e culturais da América Latina: um arquivo histórico de arte moderna e contemporânea referência na América Latina (Arquivo Histórico Wanda Svevo), e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação, projetado por Oscar Niemeyer e tombado pelo Patrimônio Histórico. Também é responsabilidade da Fundação Bienal de São Paulo a tarefa de idealizar e produzir as representações brasileiras nas Bienais de Veneza de arte e arquitetura, prerrogativa que lhe foi conferida há décadas pelo Governo Federal em reconhecimento à excelência de suas contribuições à cultura do Brasil.

 

Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia

Exposição: Comigo ninguém pode

Comissária: Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo

Curadoria: Diane Lima

Participantes: Adriana Varejão e Rosana Paulino

Expografia: Daniela Thomas

Assistente de curadoria: Giovanna Querido

Local: Pavilhão do Brasil

Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália

Data: até 22 de novembro de 2026


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados